#CADÊ MEU CHINELO?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

[agência pirata] ESTAVA AUTORIZADO A CASCATAR



::txt::Wladymir Ungaretti::

quero minha liberdade de crítica. por ela já passei dois anos na cadeia

Continuo impedido de – livremente – comentar determinadas matérias e fotos de Zerolândia (jornal Zero Hora/RBS). Estou submetido a uma multa diária de 150 reais caso desrespeite esta determinação da Justiça. As ações foram movidas por um funcionário com 35 anos de firma. Uma cria da Casa, como se diz. Em primeira instância, na espera criminal, fui absolvido. Existe a possibilidade de recurso por parte do funcionário/RBS. Ele está obrigado a pagar as custas do processo e o meu advogado. Estou com todo o conteúdo da revista eletrônica Pontodevista – trabalho de sete anos – fora da rede, material que era usado em atividades didáticas de ensino de jornalismo na UFRGS. Não havia como “limpar” este material dos conteúdos que motivaram as ações. Escrevo estas notas, periodicamente, não só para informar os novos leitores do Blogpontodevista, mas para que cerca de 150 a 200 leitores diários, em Brasília, tenham consciência dos mecanismos de censura a que estão submetidos jornalistas que trabalham com a Internet, como último espaço que, em princípio, seria possível exercer a crítica. Resolvida esta pendenga, favorável ou não a Pontodevista, irei apenas assinalar que os meus reais objetivos já foram alcançados. Deverei ressaltar também que, independente do resultado final, continuarei sendo o professor Ungaretti, cuja história é de 45 anos de militância política (dois de cadeia), 40 de exercício do jornalismo, e quase 20 como professor. E nenhum prêmio. Ainda, em um outro momento, pretendo agradecer a todos os integrantes da rede de conivências corporativas por não terem se manifestado em solidariedade. Mesmo sabedores de quem eu sou e da minha história, assim como sabedores, também, do histórico do funcionário/RBS. Caso isso acontecesse teria ficado em uma situação de absoluto constrangimento e sob suspeitas. Não é por acaso o silêncio. É preciso ressaltar, ainda, que não por qualquer tipo temor abandonamos a crítica diária a Zerolândia. É uma prática repetitiva. Este espaço pode ser ocupado por outros até mesmo como aprendizado. Só enventualmente estaremos analisando uma ou outro aspecto, mas muito mais com o espírito de não perdermos o treino. Não é mais o centro de nossa atividade. E, ao final de todo esse processo, em caso de uma solução favorável, não temos a mínima intenção de qualquer comemoração. Pelo contrário. Ficará apenas a lástima de não termos ampliado, na ocasião, as críticas a todos os que foram coniventes com as práticas do funcionário. O cara fazia o que fazia com autorização, ou no mínimo com a omissão, do chefe da fotografia e do editor do jornal. Poderia dizer muito mais, mas quero distância de tudo isso. Alguém, também, deve ser responsável pela matéria “O estatuto do desarmamento bandido da Vila Cruzeiro”.

quero minha liberdade de crítica. por ela já passei dois anos na cadeia

“fui avisado por um ‘colega’ que não era saudável ler teu blog (PONTODEVISTA) na redação (ZH) nem dizer-se teu amigo logo que comecei lá.” Reproduzi, no Facebook, este pequeno trecho de um e-mail que foi enviado por um ex-aluno. E a seguir fiz o seguinte comentário: alguns ex-alunos me confirmaram este comentário. Um Bundão, da velha geração, chegou a pedir para uma ex-aluna defender o carinha que está me processando. Pode isso seu Richardo Chaves, o Kadão? Essa informação conta ponto prá ti na firma? Faça bom proveito! E você me conhece desde dos tempos da sucursal da Veja dirigida pelo Paulo Totti. Quero ser processado por todos vocês. É uma grande oportunidade de deixar registrado, nos anais da Justiça – para a história – o que penso deste lixo de jornalismo. Mesmo que isso me custe o quase nada que eu tenho.

quero minha liberdade de crítica. por ela já passei dois anos na cadeia

todos foram coniventes com as cascatas. Ninguém é inocente nesta parada. O fotógrafo é um coitado, instrumentalizado pelos editores. Estes instumentalizados, conscientemente, pelo PRBS para quem venderam a alma. Só falta quererem me provar que o Marcelo Rech e o Ricardo Chaves (Kadão) não sabiam que cascata é cascata. Juro, quero distância de tudo isso. Não tenho interesse nesse confronto. Até pelo simples fato de que tenho consciência de não sou nada diante do crimonoso poder do PRBS. Quero o exílio. Quero ser esquecido no ambiente da categoria, assim como na área do ensino de comunicologia da UFRGS. Mas tenho certeza de que serei lembrado pelos jovens JORNALISTAS paras os quais consegui doar meus conhecimentos e minha alma.

quero minha liberdade de crítica. por ela já passei dois anos na cadeia

alguém aí em Brasília está lendo o que escrevo? Sei que tenho pelo menos de 150 a 250 leitores lá por aquelas bandas. Preciso respirar. Quero que fique assegurado meu direto de dizer o que penso. Logo que essa parada ficar res0lvida, independentemente de ser a meu favor ou não, vou escrever um texto de agradecimento a todos os integrantes da rede de conivências corporativas por não terem se solidarizado comigo. Caso isso acontecesse estaria, hoje, sob suspeita. Obrigado companheirada do Sindicato, da ARI, da Fenaj e a todo mundo acadêmico que sabe o que represento como professor. Obrigado Bundões por não terem dito nada a meu favor. Boa parte das manchetes, de Zerolândia (nas últimas semanas) estão na mesma linha da edição de hoje (Investigada conexão gaúcha em plano de atacar polícia do Rio). Foram construídas em cima (do pode ser oriunda), de suposições e informações recebidas. São também, em grande parte, matérias que os velhos jornalistas chamavam de “matéria de gaveta”, aquela que pode ser publicada qualquer dia. Esta em andamento uma retomada da subjetividade reacionária que nos ameaça com a ameaça de um incontrolável clima de violência total. Ou tou ficando maluco!

incansável e repetitivamente: quero minha liberdade de crítica. por ela já dois anos na cadeia

Sim, maluco beleza eu sempre fui e dos tempos anteriores à militância política, bem antes da década de 70. Fui criado na periferia. Sou filho de um operário metalúrgico e uma mãe costureira. Fui criado com a “negrada” do nosso país.

ainda vou fazer de todas as minhas escrituras um único estilete
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