#CADÊ MEU CHINELO?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

[over12] POESIA VERSUS PROSTITUIÇÃO



::txt::Arlei Arnt::
::poesia::Gláucia::

O poema abaixo foi escrito em outubro de 2002 por Gláucia, mulher que há muitos anos trabalha como prostituta numa avenida na zona sul da capital. Ela conta que gosta de escrever as angústias da profissão em forma de versos per que quando era pequena costumava ouvir as poesias feitas pela avó. A conversa que tive com Gláucia aconteceu numa garagem de automóveis enquanto ela fumava uma pedra de crack e eu fumava um baseado. Ela abriu a bolsa e tirou um papel com uma de suas poesias. E falou para mim:

- Leva pra tua casa e lê. Mas depois me devolve. Vou nessa, chegou um cliente.


Cheio de surpresas e malícias
Nasces ao cair do dia
Olho os faróis dos carros
Como tu és negra e fria

Quanto maior o movimento
Mais me sufoca o coração
Me sinto muito sozinha
Mas estou meio a multidão

A cada um que se aproxima
É mais uma surpresa
Em vez de brilho nos olhos
Maior ainda é a minha tristeza

Olho para o lado
Um bêbado caído
Buzinas não param de tocar
Aumenta a angústia
Eu queria ser um pássaro
E poder dali voar

Propostas indecentes que dói
Até de escutar
As vezes tu relaxa e sorri
Mas é até pra não chorar

Olho o colega ao lado
Se pudesse começaria a gritar
Como eu gostaria de um dia
Ver a nossa estrela brilhar

A cada carro que para
Suspiro e sinto um calafrio
Entra ano e sai ano
E vejo mais como este mundo
É amargo e frio

Para contar tudo muitos
Livros eu teria que escrever
Eu quero um dia mudar de vida
Pra tudo isto eu esquecer

Um dia me senti livre
Sempre é a minha esperança
Eu queria descobrir quem disse
Que a noite é uma criança

Depois de tanta tortura
Ouço os pássaros a cantar
Mais do que cansada
Está na hora de pra casa voltar

Tudo que eu não sabia
Na escola da vida aprendi
Tanta certeza que um dia
Direi passei, mas venci...

Eu viveria tudo de novo
Pois é o que não me faz desistir
E que lá no fundo do túnel
Existe luz e eu serei feliz
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