#CADÊ MEU CHINELO?

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

[over12] SEU MADRUGA ENTREVISTA GALVÃO BUENO E VICE VERSA




Seu Madruga: primeiramente gostaria de pedir desculpas ao senhor, pois não tenho nenhum gravador pra registrar a conversa, nenhuma máquina fotográfica pra ilustrar o momento...

Galvão Bueno: mas e como você vai gravar a entrevista?

SM: vou escrever com caneta num pedaço de papel...

GB: que pobreza esse seu blog...

SM: sou pobre, mas sou honrado... o senhor me empresta sua caneta?

GB: bem amigos ...

SM: o senhor está bêbado?

GB: eu sou abstêmio.

SM: bom, e o que tem a ver a religião?

GB: esquece ... eu só imagino se o senhor fosse entrevistar alguém que fale alguma língua estrangeira.

SM: para aprender uma língua estrangeira, primeiro é preciso estudar anatomia.

GB: anatomia? olha, Seu Madruga, anatomia é o estudo das partes do corpo.

SM: e a língua não faz parte do corpo?

GB: mas o senhor além de um pacote de osso seco, é burro!

SM: que que foi, que foi, que que há, digo...

GB: tem pago o aluguel e suas contas em dia?

SM: sou um cidadão consciente, mas não fanático.

GB: gostou da minha narração na final da copa de 1994?

SM: se eu soubesse que tinham mandado um burro fazer isso, ia eu mesmo!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

[over12] POESIA VERSUS PROSTITUIÇÃO



::txt::Arlei Arnt::
::poesia::Gláucia::

O poema abaixo foi escrito em outubro de 2002 por Gláucia, mulher que há muitos anos trabalha como prostituta numa avenida na zona sul da capital. Ela conta que gosta de escrever as angústias da profissão em forma de versos per que quando era pequena costumava ouvir as poesias feitas pela avó. A conversa que tive com Gláucia aconteceu numa garagem de automóveis enquanto ela fumava uma pedra de crack e eu fumava um baseado. Ela abriu a bolsa e tirou um papel com uma de suas poesias. E falou para mim:

- Leva pra tua casa e lê. Mas depois me devolve. Vou nessa, chegou um cliente.


Cheio de surpresas e malícias
Nasces ao cair do dia
Olho os faróis dos carros
Como tu és negra e fria

Quanto maior o movimento
Mais me sufoca o coração
Me sinto muito sozinha
Mas estou meio a multidão

A cada um que se aproxima
É mais uma surpresa
Em vez de brilho nos olhos
Maior ainda é a minha tristeza

Olho para o lado
Um bêbado caído
Buzinas não param de tocar
Aumenta a angústia
Eu queria ser um pássaro
E poder dali voar

Propostas indecentes que dói
Até de escutar
As vezes tu relaxa e sorri
Mas é até pra não chorar

Olho o colega ao lado
Se pudesse começaria a gritar
Como eu gostaria de um dia
Ver a nossa estrela brilhar

A cada carro que para
Suspiro e sinto um calafrio
Entra ano e sai ano
E vejo mais como este mundo
É amargo e frio

Para contar tudo muitos
Livros eu teria que escrever
Eu quero um dia mudar de vida
Pra tudo isto eu esquecer

Um dia me senti livre
Sempre é a minha esperança
Eu queria descobrir quem disse
Que a noite é uma criança

Depois de tanta tortura
Ouço os pássaros a cantar
Mais do que cansada
Está na hora de pra casa voltar

Tudo que eu não sabia
Na escola da vida aprendi
Tanta certeza que um dia
Direi passei, mas venci...

Eu viveria tudo de novo
Pois é o que não me faz desistir
E que lá no fundo do túnel
Existe luz e eu serei feliz

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

[over12] QUEM GANHOU A ELEIÇÃO FOMOS NÓS



::txt::Monsenhor Jacá::

A mídia, seja ela grande ou alternativa, oficialesca ou golpista, comemorou ou lamentou os resultados do segundo turno da eleição presidencial. Mas nenhuma delas abriu nossos olhos para um importante detalhe: a percentagem de eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos neoliberais.

Os motivos são óbvios. Primeiro por que ambos, Dilma e Serra, são os representantes legítimos do neoliberalismo e neocoronelismo. Eles não traziam ameaças ao sistema. Não passam de reformistas, preocupados com algumas questões sociais, mas que rezam a cartilha tucana do Banco Central. Basta observar a alegria do presidente da FIESP e de setores do agronegócio pela vitória petista.

Porém, há porém, há um caso diferente. Para os que não concordam com a democracia representativa, ou ditadura da maioria, como nós da revista O DILÚVIO e de muitos movimentos populares e grupos libertários, as urnas trouxeram um recado: QUEM GANHOU A ELEIÇÃO FOMOS NÓS!

Observe os números abaixo:

Dilma:
55.752.529 = 41%

Serra:
43.711.388 = 32%

nenhum:
36.338.855 = 27%

Arredondei os percentuais pra facilitar as contas, pois me nego a usar calculadora. Mais de 36 milhões de brasileiros não votaram nem em Dilma nem em Serra. Votaram branco, anularam o voto ou nem foram votar (meu caso). Você dirá: “muitos que não foram votar, se fossem, votariam num dos dois”. Mas não foram. E não compareceram porque os dois fantoches neoliberais não tiveram capacidade de despertar alguma vontade ou sentimento eleitoreiro.

Somos em torno de 27% de cidadãos brasileiros considerados 'inválidos' pela justiça eleitoral. E por carregar esse rótulo de invalidez, criam-se mentiras a respeito da gente. Tais quais:

1) Quem não vota ou anula ajuda fulano a se eleger. MENTIRA! Quem ajudou a eleger Dilma foram os eleitores dela. Não temos culpa por essa tragédia.

2) Quem não vota ou anula não pode reclamar depois. MENTIRA! Quem paga imposto pode reclamar quando quiser, de quem quiser, pois vivemos num país em que a constituição nos assegura a liberdade de expressão.

3) O teu voto vai fazer falta depois. MENTIRA! Com uma diferença de 12 milhões de votos entre os dois candidatos, é óbvio que meu voto não fez falta. Não seria o meu voto que ajudaria a eleger a farsa tucana. Meu voto não vale nada!

3.1) Imagina se todos pensassem assim. BALELA! Você pode achar importante o seu voto, e você vota em quem quiser. Num país democrático, tenho o direito de fazer o que quiser com meu voto, inclusive anula-lo. Respeito se você votou nele ou nela, mas você precisa respeitar o meu. E na minha humilde opinião, meu voto não vale porra nenhuma. Se o seu voto vale, beleza, faça bom proveito.

4) Quem não vota ou anula não exerce a cidadania. MENTIRA! Nossa escolha significa um protesto, e pelo que se sabe, temos o direito de protestar, que é um direito cidadão.

5) Numa falsa democracia, todo voto é nulo!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

[over12] EU SUJO A SUA CARA

::txt::Arlei Arnt::

Uma ótima campanha contra a sujeira causada pelo circo eleitoral. Não há ideias discutidas, nem projetos propostos. O candidato acredita, e com razão, pois você vota nele depois, que nomes, siglas e números são o suficiente pra atrair a minha simpatia por ele. Os números estão em toda parte. Eleição é número. Só isso interessa. Você duvida? Pergunte a urna, então. (pensamento em voz alta: a urna poderia ter um 0800 pra gente reclamar).

O circo é montado pra durar o dia inteiro. Você acorda cedo, liga a televisão pra ver o jornal. Pesquisa Datafoia e seus últimos números! Vai pro trampo, liga o rádio, horário político, o candidato diz ligeiro uma ou duas frases de efeito, e repete umas três vezes o número. 171, pra senador, vote 171. Na rua, placas com números. Pessoas entregam santinhos, aqueles papéis, saca, que vem com os números do demônio.

A noite, em casa, o circo vem pela TV. Jornais analisam o crescimento numérico de um e a derrocada de outro. Mais horário político. Debate. 3, 2, 1... candidato, o seu tempo acabou.

assista o vídeo da campanha abaixo ou clique aqui

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

[over12] BOLSO É VOTO



::txt::Arlei Arnt::

Num desses dias, numa conversa pelo getalco com nosso editor @omandachuva, ele disse: "vai te fodê!". Bem, isso não vem ao caso. O que eu realmente queria contar a você, e-leitor, é sobre a tarde em areias catarinas, que @omandachuva assava a própria pele em tons de camarão numa caminhada pro Siriú. Atucanado com o sol que pintava o couro dele sem trégua, o magrão tentava lembrar de algo que não virava palavra.

- Porra, Arlei, como é o nome daquele negócio?
- Que negócio, man?
- Aquele bagulho quadrado que tem na parede, cacildiz!

Enquanto eu chutava diversas coisas - quadro?, poster? espelho? -, e o neurônio tostado pela energia solar e aromatizado pela erva do @omandachuva não recordava do esquecido objeto, eu falei quieto em pensamentos baixos. Viajei no bolso, e que ele nessas horas quentes é bom pra não queimar as mãos. Imagine, xirú, você sem o bolso? Quando saímos de casa e vamos à rua, é no bolso onde nos escondemos. Não levamos somente um simples número de RG que nos identifica como cidadão. Mas lá também estão os coisos & cousas que nos caracterizam como pessoa.

O brasileiro é conservador quando se trata do bolso. E vota de acordo com ele. Podem encher o bolso de santinho, mas o importante pro e-leitor é a questão financeira. Elegeu e reelegeu FHC em virtude do Plano Real, que estancou a inflação com paridade monetária. Nosso dinheiro não perdia mais o valor dum dia pro outro, e, nivelado ao dólar, comprava e importava tudo aquilo oferecido pelo mercado mundial.

Quando o mercado de trabalho nacional despediu "voluntariamente" por causa da concorrência estrangeira, num país acostumado a monópolios estatais e cartéis oligárquicos com atrasadas ofertas de livre concorrência, o Real despencou e não fez sucessor. Lula é eleito com um discurso até então inédito no palanque do PT. Ruim não era o Real, e sim quem (mal) o administrava. Reeleito em 2006, Lula deve fazer a sucessora, financiada pelo bolsa banqueiro e endossada pelo bolsa família.

E assim sempre foi. Desde a ditadura Vargas, quando o filho esqueceu as memórias do cárcere e elegeu o pai dos pobres. Calou-se novamente quando o milagre econômico falava mais alto, fazendo vista grossa aos gritos que (não) ecoavam dos porões militares do AI-5. E assim sempre seremos, fiscais do Sarney.

A oposição hoje engana-se que vai conquistar votos ao prever a volta do mensalão e Zé Dirceu, ou com denúncias de espionagem na Receita Federal, ou com indagações sobre as amizades fraternas com os ditadores do Irã. Desde que o nosso bolso não fique furado, não importa a nós, brasileiros, que a sujeira do poder apareça na cueca de governantes, secretários e empreiteiros.

Então pensei em voz alta pro @omandachuva ouvir minha filosofia alucinada:

- No bolso vai a mão suja que carrega o dinheiro lavado pelo tráfico, mas que não tirou o fedor do bagulho que tu leva contigo. Afinal, a mão no bolso é pra não se queimar ou pra esconder o queimado?
- Lembrei, cabron! - gritou ele.
- Cuma?
- Daquele coiso quadrado que tem na parede. É janela!

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