#CADÊ MEU CHINELO?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

[cc] QUANDO É BOM TER PRESSA




::txt::Ronaldo Lemos::
::lstrç::
Seth Armstrong::


Pânicos com relação à tecnologia têm sido comuns ao longo da década que termina. Dentre eles, gente argumentando que o acesso à internet nos torna mais estúpidos (Andrew Keen) ou até metáforas de que as pessoas estão virando gadgets, perdendo parte de sua "humanidade" (Jaron Lanier). Por mais que esses argumentos sejam falhos, eles prenunciam um anseio humanista com relação à tecnologia: de que ela deveria levar a uma vida melhor. Essa visão vai ganhar força nos próximos anos.

Enquanto isso, chamam a atenção projetos bacanas que ampliam a possibilidade de formação de comunidades (reais, não virtuais!) por causa da rede. Quase sem querer, há iniciativas que mostram que existe espaço para reinventar relações sociais e questões urbanas de forma mais inteligente, divertida e sustentável.

Por exemplo, sempre fico impressionado com os relatos de amigos que viajam o mundo usando o Couchsurfing. Para quem não conhece, é um site que cria uma comunidade de pessoas dispostas a hospedar seus membros, de graça. Como o próprio nome diz, a ideia é o compartilhamento de "sofás" (couch) ao redor do mundo. Além de prático, é uma oportunidade de conhecer pessoas com o mesmo espírito.

Outra área que tem muitas possibilidades de ser reinventada pelo uso da rede é a questão do transporte público. Existe uma ineficiência enorme que poderia ser compensada por esforços comunitários. Por exemplo, grande parte dos carros circula pela cidade ou pela estrada com apenas um passageiro. A partir dessa constatação, surgiram plataformas facilitando encontrar pessoas indo na mesma direção, permitindo criar um coletivo de "caronas" (um exemplo é o site eRideShare.com).

Mas há arranjos ainda mais interessantes. Fiquei surpreso quando vi recentemente em Montreal a popularidade do Communauto.com. É um sistema de carros comunitários. Funciona assim: um ou dois carros da Communauto ficam espalhados por estacionamentos públicos da cidade. Qualquer assinante pode utilizar os carros por até uma hora, a um preço baixíssimo, pagando uma taxa anual. Para usar mais é cobrada uma tarifa mais alta. Depois basta devolver o carro em qualquer estacionamento conveniado. Para evitar frustrações é possível reservar os carros pela internet. Todo mês você recebe um extrato de uso do carro, tal como uma tarifa de telefone.

É claro que para iniciativas assim funcionarem no Brasil enfrentamos questões de fundo, como o problema da insegurança e o medo a ela inerente. Mas acho que isso não serve de desculpa. Temos de usar a tecnologia de forma esperta para repensar questões urbanas desde já. Não dá para esperar que se resolva uma coisa e depois outra. Tem de ser tudo ao mesmo tempo e agora. Pelo menos com relação a isso vale ter pressa.
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