#CADÊ MEU CHINELO?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

RADIO WEB LIVRE

# feira da música #
Oficina Radio Web Livre - Fortaleza, 19 a 22 de agosto de 2009

Instrutor: Tiago Jucá Oliveira (twitter.com/omandachuva)

O TAMBOR TRIBAL

O rádio é o meio de comunicação que mais se parece com o ser humano, pelo menos em um aspecto. Ele reproduz nossa voz, e para ser captado, basta um ou dois ouvidos. Não é necessária a decodificação do alfabeto escrito. Ele não exclui os analfabetos, cegos, crianças. Até mesmo os animais, que não entendem a mensagem da fala, são submetidos aos sons musicais pra relaxar e produzir mais leite, ovos e carne mais macia.

Ao contrário da escrita, que só pode ser lida individualmente e por quem compreende o alfabeto, o rádio inclui as pessoas, de acordo com o volume selecionado. Um aparelho ligado com volume alto, dentro de uma favela, por exemplo, pode ser ouvido por centenas de pessoas ao mesmo tempo. Se várias pessoas fizerem o mesmo em locais com densidade populacional, o rádio tem alcance ilimitado e incalculável. Como bem lembra Marshall Mcluhan, em Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem, “o rádio não é apenas um poderoso ressuscitador de animosidades, forças e memórias arcaicas, mas também uma força descentralizadora e pluralística”.

E também é importante lembrar que você pode ser um receptor das mensagens do rádio sem dar exclusiva atenção a ele como você daria a um livro ou a um programa de televisão. Ouve-se rádio enquanto você cozinha, toma banho, namora, pedala uma bicicleta, lê um livro, trabalha, estuda e até mesmo de olhos fechados, no esperar do sono. É esse fabuloso poder do rádio que faz com que Macluhan diga que o meio é a mensagem, ou seja, não é aquilo que é dito na rádio que o faz poderoso, e sim o seu formato, uma extensão humana dos ouvidos e da fala, e uma extensão social da imaginação coletiva. Segundo Mcluhan, “a famosa emissão de Orson Welles sobre a invasão marciana não passou de uma pequena mostra do escopo todo-inclusivo e todo-envolvente da imagem auditiva do rádio. Foi Hitler quem deu ao rádio o real tratamento wellesiano”.

2.0

No Brasil, há alguns problemas graves em relação à concessão pública de rádio. Primeiro que é preciso ter costas super quentes pra conseguir outorga que autorize o funcionamento de uma emissora. Segundo porque há várias outorgas vencidas, e que deveriam estar fechadas, conforme a lei. E por último, o governo Lula é o que mais fechou rádios comunitárias.

Graças a internet, vislumbra-se alternativas pra não dependência do modelo tradicional de concessão. Se por um lado não há o mesmo alcance, por outro lado existe uma interação nunca vista antes na comunicação. Em vez da programação verticalizada, quem antes era somente ouvinte também passa a ser emissor.

No entanto, o perigo está a vista. Leis e projetos de lei pretendem limitar e punir usuários que violam os direitos autorais de terceiros. Para o sociólogo Sérgio Amadeu, a intenção é outra: “o que está tirando a audiência deles não é o que eles chamam de pirataria, é a diversidade cultural, porque nunca antes nós pudemos produzir tanta cultura como agora na rede. É essa questão que colocam eles em risco”.

CRISE NA INDÚSTRIA INTERMEDIÁRIA

A internet, nas palavras do sociólogo Sérgio Amadeu, “afetou a imprensa e as indústrias fonográfica, cinematográfica e de softwares, com intensidades diferentes”. Ele completa: “a internet colocou em crise todo tipo de intermediação do mundo industrial”. Para Amadeu, o que está em xeque é a “intermediação da mensagem, entre o artista e o público, entre o colaborador e aquilo que ele colabora”.

A sábia decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, uma exigência criada pelo AI-5 militar para censurar a oposição, é apenas um “detalhe”, diz Amadeu. Mesmo que o artigo 5º inciso IX da constituição seja clara, “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, a internet já havia dado essa liberdade muito antes. A internet, antes do STF, acabou com a ditadura do diploma e eliminou barreiras geo-jurídicas. Que lei nacional poderá impedir uma reportagem hospedada num site ou blog estrangeiro? Seria algo tipo a Ordem dos Músicos do Brasil exigir que artistas como a M.I.A. ou a Amy Winehouse tenha carteirinha pra cantar.

O jornalismo tradicional, feito em redações, perdeu a exclusividade. O advogado Ronaldo Lemos acredita que a internet, “em toda a sua diversidade e complexidade, estabelece um canal direto muito mais rápido para a produção de notícias. Cada vez mais, ela terá impacto mais direto na esfera pública”. Um notável exemplo disso é o povo iraniano, que está a desmascarar a versão intermediária da imprensa oficial. Através de imagens feitas por amadores e colocadas no Youtube, o mundo pode assistir a cruel repressão por parte do governo do Irã. Como bem observa Sérgio Amadeu, “você pode, num governo autoritário ou numa situação difícil como a do Irã, colocar toda imprensa sobre controle, mas não vai colocar a rede sobre controle”.

No ponto de vista de Lemos, “a criação de notícias, antes privilégio da mídia tradicional, tornou-se e irá se tornar cada vez mais descentralizada, valendo-se de Twitter, Facebook, Youtube, blogs, celulares e o que vier depois”. Amadeu vai adiante: “inverte-se a idéia de notícia. O jornalista ou repórter que fazia a notícia perde essa condição exclusiva. E isso passa a ser feito pelo cidadão comum, que pode fazer um blog, pode mandar por e-mail uma informação, pode usar um celular pra fotografar, pra filmar. Ou seja, isso cria uma outra situação”, conclui.

LICENÇAS LIVRES E A MULTIPLICAÇÃO DO CONHECIMENTO E DA CULTURA

Se fazer download de arquivos com conteúdo protegido por copyright é ilegal, que alternativa legal podemos buscar e oferecer. A licença Creative Commons é um caminho viável. Através dele, você pode disponibilizar a sua música, o seu blog, a sua foto, o seu livro ou o seu vídeo para que qualquer pessoa tenha acesso gratuito. Também, dependendo da vontade do autor, é possível deixar a obra aberta para que surjam obras derivadas, sem ser preciso a burocrática autorização, pois ela já está pré-autorizada pelo autor. A intenção final desta oficina é que o código da rádio esteja disponível para ser copiada e colada em qualquer site, blog ou rede social, com o objetivo de difundir os artistas que se apresentam no evento e compartilhar as reportagens feita pelos participantes desta mesma oficina.
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Você pode:

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