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# sem destino #
O interior abandonado
txt n' pht: Alexandre Haubrich
Estive por alguns dias em São José dos Ausentes, norte do Rio Grande do Sul, a cidade mais frio do Estado mais frio do país. Entre paisagens inacreditáveis, uma acolhida inacreditável na pousada onde fiquei e outras muitas coisas inacreditáveis, encontrei um problema que sei que assola boa parte das pequenas cidades brasileiras: a falta de imprensa.
São José dos Ausentes é uma cidade de pouco mais de três mil habitantes, cerca de dois terços deles vivendo na área rural. E é aí que está o principal problema. A rádio local é a Rádio Nevasca FM, de São Joaquim, cidade catarinense – ou seja, está em outro Estado – a 60 quilômetros do Centro de Ausentes. Essa rádio, como se pode perceber, não é exatamente local. Além disso, não pega na área rural.
Jornal? Nem pensar. Há também um jornalzinho local, que também não chega aos locais mais distantes, ao interior da cidade, onde moram mais de duas mil pessoas. Os maiores jornais do Rio Grande do Sul – Zero Hora, Correio do Povo, O Sul… – também não chegam na parte rural de São José dos Ausentes.
A pousada onde fiquei tem uma antena da Sky e uma parabólica. E estes são os únicos canais de comunicação com o resto do mundo. De certa forma, isso é ótimo, pois os moradores destes locais não sofrem com a enxurrada de informações, desinformações, mentiras, publicidade, etc. que tornam os moradores dos grandes centros urbanos máquinas idiotizadas. Por outro lado, demonstra uma falha no alcance dos meios de comunicação, um isolamento social – talvez os isolados sejamos nós mesmos, isolados do mundo real, isolados do que realmente é uma vida digna, não sei.
E esse não é o caso apenas de São José dos Ausentes, obviamente. Rincões por todo o Brasil têm casos idênticos. Considero o mais grave a falta de jornais locais, o que dificulta a integração entre os indivíduos da comunidade. As cidades do interior um pouco maiores também sofrem com esse tipo de problema. Mesmo as que possuem jornais locais sofrem com a falta de qualidade destes. O interior não pode ser deixado de lado.
Um comentário:
Leva um pouco dos jornalistas da minha cidade,como uma cidade de menos de 50mil habitantes pode comportar mais de meia dúzia de "periódicos",cada um servindo a interesses políticos e pessoais diferentes e tentando dar uma versão pessoal do que acontece,ou seja,reinventando a realidade ao sabor de quem os sustenta,minha cidade é Bertioga,litoral de SP,os que me lembro agora,Jornal Costa Norte(o maior e mais estruturado,o que não quer dizer que não leve a sua fatia e só publique o que lhe convém)Jornal da Baixada,Jornal Extra,Hora H,DaHora(di$$idência do Hora H),Gazeta da Cidade,Palavra de Restauração(evangélico,mas leva sua fatia anúncios institucionais,por isso tem notícias políticas também,sempre elogiosas aos edis),e tem mais,tem uns que aparecem e somem rapidinho...
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