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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

[agência pirata] OS CINCO DONOS DO JOGO




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::nfgrfc: Cássio Bittencourt, Fernando Valeika de Barros, F de Flavio, L. E. Ratto, Marcos Sergio Silva e Rodrigo Maroja


Eles jamais pisaram em um campo de primeira divisão, mas ditam as regras do mundo boleiro. Saiba como Juan Figer, Pini Zahavi, Kia Joorabchian, Gustavo Arribas e Jorge Mendes comandam o futebol usando clubes fantasmas, paraísos fiscais e barrigas de aluguel

Os grandes negócios do futebol brasileiro começam em Montevidéu, passam por paraísos fiscais e terminam em um dos grandes europeus. Os lucros caem nos bolsos de intermediários cuja cara você dificilmente já viu. Esse futebol sem rosto hoje é mais influente que o dos craques. Menos vistoso, mas mais lucrativo.

Fomos à caça desses representantes do futebol das profundezas. Eles arranjam o atleta, viabilizam a operação financeira, criam atalhos para o clube ter menos despesas, arranjam investidores e formam fundos de investimentos.

“Em troca de uma ajuda de 8 000 dólares mensais, assinei documentos sem ler por dez anos”, afirma Fermín Vega Torres, ex-presidente do Central Español — um clube “fantasma” do Uruguai, que servia apenas para registrar os atletas do empresário uruguaio Juan Figer. “Quando me recusei a assinar transferências, um sobrinho do Figer me ameaçou.” Logo após a recusa, os negócios passaram a ser feitos em outro clube “fantasma”, o Rentistas.

Juan Figer é uma figura discreta (odeia dar entrevista) que atua no Brasil desde 1968, quando negociou o lateral Pablo Forlán com o São Paulo. Faz parte de um grupo de cinco empresários que controla os grandes negócios do futebol — como o iraniano Kia Joorabchian, o israelense Pini Zahavi, o argentino Gustavo Arribas e o português Jorge Mendes. Hoje atuam cada um no seu pedaço. Mas podem estar juntos se a transação valer a pena. Em 2004, por exemplo, todos eles foram a Buenos Aires para tratar de uma sequência de transações com o River Plate. Arremataram Maxi López, Lucho Gonzalez e Javier Mascherano.

Jorge Mendes atuou como jogador em clubes da terceira divisão portuguesa, mas sua grande jogada aconteceu em 1996, quando criou a Gestifute. Seus negócios no Brasil incluem a coordenação da carreira do técnico Mano Menezes, em parceria com Carlos Leite. “Mendes tem relações que nenhum dirigente brasileiro ou português tem para negociar atletas”, diz um agente com trânsito nos bastidores da bola.

Mendes passou a encontrar concorrência em Portugal. Em um ano, Kia Joorabchian fez dois negócios certeiros: as vendas dos brasileiros Ramires e David Luiz do Benfica para o Chelsea. Só nessas ações, movimentou 37 milhões de reais.

Seu braço direito é Giuliano Bertolucci, aliado desde a MSI-Corinthians. Seu maior rival, o argentino Gustavo Arribas, com boas ligações no Boca Juniors. Arribas opera a partir de outro “fantasma” — o Deportivo Maldonado, também do Uruguai. Tinha trânsito com os principais empresários. “Hoje opera um esquema independente, o que causou atritos com ex-parceiros”, diz um agente. Kia chegou a acusá-lo de roubar o Corinthians. “Ele pegou o Sebá Dominguez e transferiu para o América do México sem pagar”, disse. Arribas defendeu-se: “Se tivesse roubado o Corinthians, não teria intermediado a vinda do Thiago Heleno”.

Arribas manteve parceria com o israelense Pini Zahavi, considerado uma lenda no meio. A criatividade com os negócios valeu a Zahavi o apelido “Senhor Conserta-Tudo”. “É um dos donos do futebol no mundo”, define Wagner Ribeiro, empresário de Neymar e parceiro de Pini no Brasil.

O israelense opera uma teia de empresas localizadas em paraísos fiscais. Sua grande realização foi ajudar o bilionário russo Roman Abramovic na compra do Chelsea. Mantém base na América do Sul desde a MSI-Corinthians e opera por meio de uma salada de empresas instaladas nas Ilhas Virgens Britânicas e em Gibraltar. “Essa cascata de empresas off-shore embaralha o nome dos verdadeiros donos do dinheiro”, afirma o promotor José Reinaldo Carneiro, do Grupo de Apoio ao Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo. Práticas condenadas pela Fifa e pela Justiça. Mas nada que o Senhor Conserta-Tudo não resolva em seu escritório no 34º andar de um edifício em Tel Aviv.

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