#CADÊ MEU CHINELO?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O DILÚVIO

# umbigada #
A revista que nunca pára de cantar

txt: João Xavi


Tudo começou quando um estudante gaúcho saiu de sua terra pra participar do ENECOM (Encontro nacional de estudantes de comunicação) em Brasília. O encontro de 2001 ficou marcado pela tal Cannabis Cup, uma competição, digamos, não muito convencional. Um dos responsáveis pela “bagunça” era Tiago Jucá Oliveira, então estudante de jornalismo da UFRGS. O jovem estudante voltou pra casa entusiasmado pela troca de idéias proporcionada pelo evento e disposto a colocar parte da efervescência daqueles dias pra fora. Assim, através do bom e velho fanzine, começou sua história no mundo das mídias alternativas.

O primeiro zine produzido por Jucá já nasceu no formato digital, NOÉ LEVA A DOR, circulava pelo e-mail da galera da faculdade, a mesma que havia participado do ENECOM. Os conflitos entre Jucá, a reitoria e os professores inspiraram o trocadilho que batizaria a nova empreitada. Mesmo sem nenhum recurso gráfico, contando apenas com textos, o zine recebeu muitos elogios. O interesse e a curiosidade da rapaziada foi crescendo, a lista de e-mails que recebiam o zine aumentando.

O número seguinte já sairia com o nome de ARCA DE NOÉ, e a numeração passou a ser contada de dois em dois (#2, #4, #6), “porque na Arca só entra par” explica Jucá. Os colaboradores assumiam alcunhas de animais, reais ou ficcionais como o Xuxu, aquele gato da turma do Manda Chuva. O zine era uma ode à boa malandragem, à negação das tradições e ao inconformismo. O número de colaboradores, leitores e desafetos cresceu rápido demais. Em 2002 o zine pediu a colaboração de fotógrafos, escritores e rapidamente apareceu muita gente. Mantendo a referência a Noé, com inspiração no local (existe em Porto Alegre um riacho chamado Dilúvio), somada a inspiração global (a lama e o caos de Chico Science & Nação Zumbi) o web-zine entrou no ar rebatizado como O DILÚVIO.

Daí pra frente rolou uma evolução quase natural. O zine se tornava revista, mas mantinha seu caráter anárquico e questionador. Na quinta edição já havia o esquema de encartar um CD de uma banda independente junto à revista. As primeiras encartadas foram bandas locais, mas logo passou a chover música de todo canto do país. Na sexta edição a revista passou a trabalhar com o sistema copyleft, mas logo depois optariam pelo creative commons: “não gosto da idéia de dono de obras culturais ou informativas, ou científicas. Tem autor, mas não tem dono. É que nem filho, depois que põe na rua ele já não é mais seu. Aprende palavrão, a comer porcaria, a torcer pro time rival. Eu sempre gostei dessas coisas marginais”, sentencia Jucá. Atualmente a distribuição da revista é gratuita. O leitor opta por pagar se quiser levar o disco encartado pra casa.

Operar esses novos e diferentes formatos surgiu como uma alternativa pra Jucá, que nunca se sentiu à vontade pra trabalhar na grande mídia, pois acha a mídia gaúcha muito conservadora.

Atualmente a revista circula por toda Porto Alegre, em um sistema de distribuição em bancas de jornal, e algumas capitais do país, vendida no corpo-a-corpo em festas, universidades, espaços culturais e afins. Além do formato físico, a vida da revista na internet segue intensa. A revista conta com um blog constantemente atualizado, e uma ativa comunidade no orkut.
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