#CADÊ MEU CHINELO?

terça-feira, 28 de julho de 2009

MARCELO NOVA




# conection #
O sermão do Padre Marceleza

txt, phts n' vd: Fábio Balaio

Dia 12 deste mês fui ver Marcelo Nova na comemoração do Dia Mundial do Rock que acontece anualmente em Barra do Una, São Sebastião-SP, já tinha escutado falar que acontecia este evento lá mas sempre tive a impressão de ser uma coisa pequena, um encontro entre amigos, e sim, é, mas o que ví desta vez me deixou impressionado, um palco bem montado, sonorização boa, toda uma estrutura para as bandas que tocaram, segurança para o público, policiamento, apoio da comunidade e engajamento de todos.

Outra coisa que me impressionou foi a quantidade de bandas de rock em apenas uma praia (chamamos praia, podem ler bairro), se não me engano o Silvião me falou mais de meia dúzia. E pelo que eu ví Barra do Una pode ser chamada de a praia mais roqueira do litoral paulista, e provavelmente do Brasil.



A quadra comunitária este ano está coberta (eu ví fotos do ano passado e ainda estava sem cobertura) então mesmo que chovesse não atrapalharia, mas não choveu, estava uma noite linda e um frio enorme, mas que eu, a Lú e o Décio esquentamos com conhaque, pinga, mel e limão. Quem conhece o lado sul do município de São Sebastião sabe como é difícil viver alí, tudo é longe, apesar do glamour e do hype em cima das praias a população local sofre com a distância da sede administrativa do município sendo que a distância do limite entre meu município e o centro de São Sebastião é de aproximadamente 100 km, Barra do Una deve ser uns 80km distante do centro, organizar um evento deste não é tarefa fácil, Silvião e seus amigos estão de parabéns.

O evento,além de ser um agregador para a comunidade(tinha barracas de comida,bebidas,todos de moradores locais,não faltou nada)tem um caráter filantrópico pois a entrada era somente um quilo de alimento ou um livro para ajudar a montar uma biblioteca no local e a cada ano que passa pelo que percebí vai ficando maior e melhor,ano passado a atração principal foi Golpe de Estado,e este ano Marcelo Nova,o último "rocker" de verdade ainda em atividade no Brasil.

Quem começou tocando foi a banda Face Okulta do Guarujá, já tinha encontrado ela no Festival 7.1.9 no Delta Bar lá no Tombo, a molecada está ficando cada vez melhor, diz eles que estão gravando CD, e pelo que lí por aí estão gravando aqui na minha humilde e pequena aldeia, mas isto é assunto pra outra hora.

Depois quem tocou foi Código de Barra, banda de Barra do Una mesmo, que eu me lembre só tocaram covers, mas tocaram muito,perfeito mesmo, e se atreveram a fazer um cover de Hendrix e outro dos Mutantes, não é pra qualquer um. Acho que a ordem está certa e que a próxima banda foi Five Lost, também não deixaram a desejar, mas tudo que me lembro foi do cover do System, muito bem executado, conforme ia me "esquentando" o estado mental ia se alterando,he.

A próxima banda foi Sabugo Seco, a atração principal da noite pro povo local, a banda é a mais antiga de Barra do Una e pelo visto a mais querida, achei bem louco o fato de todos, mas todos, pelo menos os que estavam lá gostarem de rock, cantarem junto, chamaram uma professora da escola local pra cantar junto no palco, e ela subiu e cantou. O clima família ficou completo com o filho de um dos integrantes da banda subindo ao palco com sua guitarrinha e "bangueando" com uma blusa na cabeça. Depois subiu um cover do Raul, cantou umas 2 ou 3 músicas e veio a atração principal, Mr.Marcelo Drummond Nova, mais conhecido como Marceleza.



Confesso que fui pro show sem muitas expectativas, só queria ver o show do cara, afinal Camisa de Vênus fez parte da minha trilha sonora da adolescência, lembro de copiar uma fita K7 (original) de um amigo do disco "Correndo o risco". Marcelo subiu ao palco já era tarde, quase 1h da matina, a banda já tocando, o cara sabe do riscado, mas aí sua guitarra não estava com um som legal, ele sem dar pití apenas balançou a cabeça pro técnico, deixou a guitarra e foi lá pra trás de novo, voltou e começou logo com "Poeira no chão" do seu último cd, "Galope do tempo".

Depois disto começou a desfilar os hits do Camisa, na hora que comecei a escutar aquelas músicas, aquela tremida de voz que o cara dá, não teve como não me emocionar, a nostalgia bateu forte pois as lembranças voltaram com tudo na mente. Tocou "Sinca Chambord", "Só o fim", e quando tocou "My way" mandou todo mundo tomar naquele lugar e todo mundo adorou, na maioria das músicas nem tocava muito sua guitarra, fazia mais pose, mas o cara sabe fazer e não precisa provar mais nada pra ninguém nos seus quase 60 de idade, como já o ví falando numa entrevista, ele já fez sua parte.

A melhor hora do show foi quando todo mundo gritando o famoso "Bota pra fudê" e "Rock'n'roll" que são marcas registradas dos shows do Camisa e do Marceleza, ele simplesmente disse que não ia dar rock'n'roll, que não sabia nada de rock, quer o negócio dele era bolero, e começaram a tocar mesmo uma versão quase bolero de "Beth morreu" com todo mundo acompanhando (me arrependí de não ter gravado isto).

Quando terminou disse: "Tá vendo como esse negócio de rock'n'roll é só pose, neguinho aí com camiseta de metaleiro cantando bolerão, vocês são é brega!!!", dei muita risada, principalmente das suas improvisações durante a música, como "Beth me disse: Marceleza, não é que não te quero, mas é que gosto mais do NXZERO".

Cantou ainda "Pastor João" e "Carpinteiro do universo", parcerias suas com Raul e terminou com "Eu não matei Joana D'arc". No final evaporou-se pela parte dos fundos do palco, sua missão estava cumprida, mais uma vez. Ainda teve a banda Sick Mind, mas não pude ficar pra ver, afinal já era segunda-feira e quase 3h da matina quando acabou o show do Marcelo Nova. Valeu Silvião pelo convite e tenha certeza que estarei aí de novo ano que vem. Longa vida à iniciativa de vocês!!! ROCK'N'ROLL!!!

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