#CADÊ MEU CHINELO?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

BEBIDA É ÁGUA

:txt: Tiago Jucá Oliveira__

Outro dia eu proseava com um crazy man sobre os mashups feitos por João Brasil, e explicava a ele o significado dessa nova onda sonora do século XXI. Segundo ele, o defeito do mashup é a falta de criatividade, pois pegava duas ou mais músicas prontas e nada de original acrescentava. Não deixei barato o equívoco alheio.

Assim como perguntei a ele, questiono a você, perturbado leitor(a): me diga um, não precisa ser mais do que isso, apenas um artista que é ou que pelo menos um dia foi original. Como diria o padre fulano, isso non existe.

Pra alguém ser original, seria preciso ele inventar um instrumento, novas notas musicais, um novo gênero, uma nova língua, entre tantas outras invenções necessárias pra legitimar a originalidade. Isso sem falar nos fatos, lugares, situações, pessoas, comidas, bebidas, drogas e fatores naturais que influenciam todas pessoas.

Àquele amigo citei um exemplo. O que seria dos Beatles sem a influência musical que tiveram, tais como Bob Dylan ou Chuck Berry, etc. E se esses artistas, e outros também que talvez os fab four não curtiam, não usassem a combinação guitarra/baixo/bateria/teclados, os Beatles usariam? Paul ou John acorda do sonho e diz: “nossa banda vai tocar assim, com esses instrumentos que ninguém nunca tocou e será inventado o rock'n'roll”. Conta outra, mané.

Posso ir adiante no pensamento contrário aos que acreditam na lorota do original style. O que seria deles sem a Lucia, sem o céu e sem os diamantes? Haveria “Lucy in the Sky with Diamonds”? E se não usassem drogas? Os Beatles recriaram tudo que havia ao redor deles pra ser o que foram. Eles não eram pessoas isoladas do mundo, cegas e surdas, sem emoções e sentimentos. Aliás, ninguém é assim. Todos nós somos influenciados por alguém, e algo sempre nos inspira a cada momento.

Se aplicar ao jornalismo, veremos o quanto estão errados os jornais que lutam pelos direitos autorais de suas fotos e reportagens, como se eles também fossem autores do fato e das pessoas retratadas. Pense no que seria esses panfletos caso não existissem os acontecimentos, ou, se cada fato acontecido viesse com os direitos de propriedade intelectual embutido no ato.

Quanto cada defunto ganharia de copyright pela morte noticiada? Haveria valores maiores e menores, dependendo da origem do salame? E eu, quantas moedas me dariam pra reportar o meu óbito? Ou então, o preço seria baseado pelo tipo de morte. Talvez. Tragédias são milhões, já uma véia pobre cardíaca algumas moedas, “por caridade, minha filha”. Avião lotado com alguns famosos levaria os jornais a falência.

De tanto ler bobagem, é possível você entender o meu pensar. O homem é um ser recombinante por natureza, a natureza também é. Nada vem do nada. É óbvio que podemos discutir o termo “original”, eu o peguei sob outro aspecto apenas pra defender a obra de João Brasil, que no momento é o grande nome da música brasileira.

O mashup trata-se, no explicar duma breve frase, duma colagem de duas ou mais músicas, como se fossem uma só. João Brasil tem feito um mashup por dia e disponibilizado na internet. A missão dele este ano é entregar 365 recombinações até 31 de dezembro. Seu liquidificador sonoro mesclou o rapper Jay Z com Gilberto Gil, Dorival Caymmi e Rita Lee, Beatles com Deize Tigrona e MC Créu, Bob Dylan com Olodum, Marcelo D2 com Roberto Carlos, entre outras presepadas. Original? Só se for bem gelada.

* Você pode fazer qualquer remontagem com este texto.
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