#CADÊ MEU CHINELO?

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terça-feira, 28 de setembro de 2010

[cc] REVALORIZAR O PLÁGIO NA CRIAÇÃO



::txt::Critical Art Ensemble::
::plg::Baixa Cultura::

“Pegue suas próprias palavras ou as palavras a serem ditas para serem ‘as próprias palavras’ de qualquer outra pessoa morta ou viva. Você logo verá que as palavras não pertencem a ninguém. As palavras tem uma vitalidade própria. Supõem-se que os poetas libertam as palavras – e não que as acorrentam em frases. Os poetas não têm “suas próprias palavras”. Os escritores não são os donos de suas palavras. Desde quando as palavras pertencem a alguém?”Suas próprias palavras”, ora bolas! E quem é você?”

Não é de hoje que o plágio tem sido considerado um mal no mundo cultural. Normalmente, a palavra é usada para designar algo francamente ruim, um “roubo” de linguagens, ideias e imagens executado por pessoas pouco talentosas que só querem aumentar sua fortuna ou seu prestígio pessoal. No entanto, como a maioria das mitologias, o mito do plágio pode ser facilmente invertido. Não é exagero dizer que as ações dos plagiadores, em determinadas condições sociais, podem ser as que mais contribuem para o enriquecimento cultural.

Antes do Iluminismo, por exemplo, o plágio era muito utilizado na disseminação de ideias. Um poeta inglês poderia se apropriar de um soneto do poeta italiano Francesco Petrarca, traduzi-lo e dizer que era seu. De acordo com a estética clássica de arte enquanto imitação, esta era uma prática aceitável e até incentivada, pois tinha grande valor na disseminação da obra para regiões que de outro modo nunca teriam como ter acesso. Obras de escritores ingleses que faziam parte dessa tradição – Geofrey Chaucer, Edmund Spenser, Laurence Sterne e inclusive o todo-poderoso Shakespeare – ainda são parte vital de uma tradição inglesa, e continuam a fazer parte do cânone literário até hoje.

No oriente, a idéia do plágio é ainda mais disseminada. O plágio é parte do processo de aprendizado. Todos começam a escrever, calcular, dançar e se socializar por meio da imitação e da cópia. A estrutura social, da mitologia à autoajuda, é perpetuada pela reprodução. Mesmo entre os criativos são raros os músicos, escritores ou pintores que não tenham no plágio seu ponto de partida.



Ao mesmo tempo em que a necessidade de sua utilização aumentou com o passar dos séculos, o plágio foi, paradoxalmente, sendo jogado na “clandestinidade”, acusado de ser um crime de má fé contra à sobrevivência dos autores. Passou, então, a ser camuflado em um novo léxico por aqueles desejosos de explorar essa prática enquanto método e como uma forma legitimada de discurso cultural.

Assim é que, durante o século XX, surgem práticas como o ready-made, colagens, intertextos, remix, mashup, machinima, detournement, todas elas representando, em maior ou menor grau, incursões de plágio. Embora cada uma destas práticas tenha a sua particularidade, todas cruzam uma série de significados básicos à filosofia e à atividade de plagiar, pressupondo que nenhuma estrutura dentro de um determinado texto dê um significado universal e indispensável.

A filosofia manifestada nestas ações ainda hoje subversivas é a de que nenhuma obra de arte ou de filosofia se esgota em si mesma; todas elas sempre estiveram relacionadas com o sistema de vida vigente da sociedade na qual se tornaram eminentes. A prática do plágio, nesse sentido, se coloca historicamente contra o privilégio de qualquer texto fundado em mitos legitimadores como os científicos ou espirituais. O plagiador vê todos os objetos como iguais, e assim horizontaliza o plano do sua ação; todos os textos tornam-se potencialmente utilizáveis e reutilizáveis.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

[zipmusic]



Se você sentia falta duma seção musical ou dum caderno semanal aqui neste blog? Sim?! Pois a gente também. Cá está ela. [zipmusic] vai trazer dicas de sons, links de vídeos, downloads disponibilizados pelos próprio artistas, resenhas de discos, agenda de shows, etc.

Estamos acostumados a receber muito material físico (CDs, DVDs, livros) e virtual (mp3, zip, pdf, e-flyer) aqui na redação ou nas diversas redes sociais onde temos contato com o público e os artistas.

Nossa equipe agradece a sua participação de todos que adoram compartilhar cultura na internet e aos artistas e produtores que nos enviam material.

A pedrada sonora, sob o comando de Basket Selector, acontecerá nas sextas, sempre que possível.
- Mas porque sexta-feira, man?, perguntamos a Basket.
- Qual o objetivo do basquete?, indagou ele.
- Hmmm ... vencer?!
- Também, mas antes disso, saiba porque portuga só joga basquete uma vez por semana...
- Ué, por que?
- Porque o objetivo é jogar a bola na cesta.


[quentinho do forno] A BANDA DE JOSEPH TOURTON

Produção recifense quentinha do forno, o quarteto exibe suas habilidades instrumentais sem aquela virtuose incômoda.

baixe o disco inteiro aqui e ouça as faixas abaixo (se for ouvir, melhor dar um pause em nosso Space Radio):

josephtourton by josephtourton


[free download] JOÃO BRASIL - THE SIDE OF THE MOON



baixe aqui ou aqui

1 – Sucessagem Breathe (Pink Floyd X Tati Quebra Barraco)
2 – Tá tomado, run ( Pink Floyd X Bonde Nervoso)
3 – Time de preto ( Pink Floyd X Mcs Amilka e Chocolate)
4 – The Great Ai Ai Ui Ui in the Sky ( Pink Floyd X Os Havaianos)
5 – Mercenária quer money ( Pink Floyd X MC Mascote)
6 – Aniversário of them ( Pink Floyd X Os Predadores)
7 – Any colour faixa de gaza ( Pink Floyd X MC Orelha)
8 – Adoleta Damage ( Pink Floyd X Bonde do tigrão)
9 – Eclipse na palma da mão ( Pink Floyd X MC Mascote)


[som na cesta] Hypnotic Brass Ensemble - War

video clip oficial




[iutubí] Marcelo Adnet e CIA - Gaiola das Cabeçudas

um vídeo paródia ao grupo "Gaiola das Popozudas"





[em breve] MARCELO D2 CANTA BEZERRA

quinta-feira, 17 de junho de 2010

BEBIDA É ÁGUA

:txt: Tiago Jucá Oliveira__

Outro dia eu proseava com um crazy man sobre os mashups feitos por João Brasil, e explicava a ele o significado dessa nova onda sonora do século XXI. Segundo ele, o defeito do mashup é a falta de criatividade, pois pegava duas ou mais músicas prontas e nada de original acrescentava. Não deixei barato o equívoco alheio.

Assim como perguntei a ele, questiono a você, perturbado leitor(a): me diga um, não precisa ser mais do que isso, apenas um artista que é ou que pelo menos um dia foi original. Como diria o padre fulano, isso non existe.

Pra alguém ser original, seria preciso ele inventar um instrumento, novas notas musicais, um novo gênero, uma nova língua, entre tantas outras invenções necessárias pra legitimar a originalidade. Isso sem falar nos fatos, lugares, situações, pessoas, comidas, bebidas, drogas e fatores naturais que influenciam todas pessoas.

Àquele amigo citei um exemplo. O que seria dos Beatles sem a influência musical que tiveram, tais como Bob Dylan ou Chuck Berry, etc. E se esses artistas, e outros também que talvez os fab four não curtiam, não usassem a combinação guitarra/baixo/bateria/teclados, os Beatles usariam? Paul ou John acorda do sonho e diz: “nossa banda vai tocar assim, com esses instrumentos que ninguém nunca tocou e será inventado o rock'n'roll”. Conta outra, mané.

Posso ir adiante no pensamento contrário aos que acreditam na lorota do original style. O que seria deles sem a Lucia, sem o céu e sem os diamantes? Haveria “Lucy in the Sky with Diamonds”? E se não usassem drogas? Os Beatles recriaram tudo que havia ao redor deles pra ser o que foram. Eles não eram pessoas isoladas do mundo, cegas e surdas, sem emoções e sentimentos. Aliás, ninguém é assim. Todos nós somos influenciados por alguém, e algo sempre nos inspira a cada momento.

Se aplicar ao jornalismo, veremos o quanto estão errados os jornais que lutam pelos direitos autorais de suas fotos e reportagens, como se eles também fossem autores do fato e das pessoas retratadas. Pense no que seria esses panfletos caso não existissem os acontecimentos, ou, se cada fato acontecido viesse com os direitos de propriedade intelectual embutido no ato.

Quanto cada defunto ganharia de copyright pela morte noticiada? Haveria valores maiores e menores, dependendo da origem do salame? E eu, quantas moedas me dariam pra reportar o meu óbito? Ou então, o preço seria baseado pelo tipo de morte. Talvez. Tragédias são milhões, já uma véia pobre cardíaca algumas moedas, “por caridade, minha filha”. Avião lotado com alguns famosos levaria os jornais a falência.

De tanto ler bobagem, é possível você entender o meu pensar. O homem é um ser recombinante por natureza, a natureza também é. Nada vem do nada. É óbvio que podemos discutir o termo “original”, eu o peguei sob outro aspecto apenas pra defender a obra de João Brasil, que no momento é o grande nome da música brasileira.

O mashup trata-se, no explicar duma breve frase, duma colagem de duas ou mais músicas, como se fossem uma só. João Brasil tem feito um mashup por dia e disponibilizado na internet. A missão dele este ano é entregar 365 recombinações até 31 de dezembro. Seu liquidificador sonoro mesclou o rapper Jay Z com Gilberto Gil, Dorival Caymmi e Rita Lee, Beatles com Deize Tigrona e MC Créu, Bob Dylan com Olodum, Marcelo D2 com Roberto Carlos, entre outras presepadas. Original? Só se for bem gelada.

* Você pode fazer qualquer remontagem com este texto.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O SUMIÇO DO LUBISCO 1



#agência pirata
Mash up literário

txt: Alexandre Lucchese

O que você vai ler agora é o meu primeiro mash-up de textos, ou seja, um conto composto apenas de colagens de outros textos. É bem comum encontrar na rede mash-ups musicais, mas de textos nunca vi – embora provavelmente eu esteja simplesmente mal informado. É possível que a história de Lubisco continue por vários e vários posts. Ou não. E que João Brasil salve a literatura!

[todos os textos e imagens aqui roubados usam a licença Creative Commons]


NORBERTO LUBISCO, editor da revista, blog e redes sociais ABSURDO, está sumido desde o início do carnaval deste ano. Segundo o capitão Macalé, Norberto foi visto pela última vez tentando escapar dos inimigos ao atravessar o Rio das Almas dirigindo um carro anfíbio. Nem ele, nem o carro jamais foram vistos novamente.

“Estamos certos que nesse tempo manter-se-ão intactas as relações de profunda amizade, respeito profissional e carinho cultivadas entre os integrantes d’O ABSURDO”, afirma a moça de pele escura, aspecto hippie e graciosos gestos de bailarina oriental solidamente construídos nesses onze anos de convivência. E mais: “estive conversando com capitão Macalé e chegamos a seguinte conclusão: DEVEMOS raptar a mulher do Palhaço”.

Palhaço se propôs a renascer deixando pra trás símbolos do passado e passou a investir nos últimos anos na identificação como oposição ferrenha aos sentimentos profundos de apelo universal, da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas. Palhaço também fez com que Lubisco se desfiliasse para expulsar nesta quarta-feira o governador interino e determinou que todos os cargos de confiança deixassem o governo d’O ABSURDO, na tentativa de se desvincular do desgaste.

“Que foda, horrible!”, dispara a moça de pele escura. Concentrada diante do palco, ela dança e tece evoluções com o auxílio de uma canga.

***

Lubisco foi até a janela e afastou as cortinas de tafetá branco. Ficou quase uma hora apreciando a paisagem e a mudança de tonalidade das folhas das árvores enquanto o sol mudava de posição em sua eterna vigilância das horas.

Não entendia muito de mulheres, pensou ele. Depois da morte da mãe, seu pai não quis se casar novamente e as garotas da escola lhe eram indiferentes. É claro que namorara uma ou outra menina, mas nunca entregou seu coração a nenhuma delas. Pra complicar ainda mais, embora casado com uma bela bailarina russa, suas idéias viraram do avesso: “Por que nos apaixonamos pela pessoa errada?”.

Uma batida na porta freou seus pensamentos.

- Com licença, Lubi – Dr. Love estava bem à vontade de terno bege e gravata cinza – hoje estou extremamente bem-humorado, parece até que acabei de assistir algum daqueles filmes onde os animais falam e sempre tem um cachorro inteligente que salva a turma no final… ahn…

- Dr. Love, a verdade é esta, estamos na merda, e precisamos de uma grande descarga de água para desentupir a nossa atual economia estagnada, e não creio que brincar aos aviões e comboios seja o melhor meio para isso…

- Então por que você se fez de tão misterioso? Todo lugar que eu me encontrava com você, você fugia!

- Eu tinha medo de as suspeitas caírem sobre mim…

- Teve efeito contrário…

- Ok, acho que estou quase desvendando este crime…

Então os dois descem a montanha e se separam.

(continua aqui)


Autores e fontes dos textos aqui mixados:

* Arlei Arnt

* Marcelo Noah

* http://espicacandomarketing.blogspot.com/2009/03/ruina-da-balipodia.html

* Pedro Alexandre Sanches

* Luiza Monteiro

* Wikipedia – verbete “Carl Gustav Jung”

* Chellot

* Marcelo Manzano

* Dr. Love

* http://aquiloqueescrevo.blogspot.com/2005/12/critica-pseudo-revoltada.html

* Mario S. R.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • AtribuiçãoVocê deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).

  • Compartilhamento pela mesma licençaSe você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob licença similar ou compatível.

Ficando claro que:

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