#CADÊ MEU CHINELO?

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

[escrituras marginais] PORCARIA E SEU MARLON




::txt::Arlei Arnt::

A marofa nem havia se sacudido no ar quanto avistei o Porcaria se aprochegando na bocada. Trazia com ele um espelho de moto e duas antenas de rádio de caranga. Me surpreendi com a cena:

- Qualé, Sacolé. Trabalhando na night?
- Pô, cara, tu não quer comprar um espelhinho de moto, aí? Tem estas antenas também. Te faço por cinco mil réis. Barbadinha!
- Porra, mané, tu tá de chacrinha na zona?
- Claro que não, né, eu não sou chinelo. Tu acha que eu vou roubar as caranga da minha área, tá loco, né?

Sacolé é o apelido do nego Porcaria pro lado de cá da zona. Suas veias furadas são tão visíveis quanto à mercadoria roubada. Os picos de agulha, uma do lado da outra, formam quatro avenidas: uma em cada perna e em cada mão. Ele jura que toma nos cano nunca mais. Agradece a deus e relata alguns roubos de viciado. Interrompo:

- Tu quer quanto pelo espelho e pelas antenas?
- Cinco pila, mano, pra eu comprar uma pedrinha de crack. Hoje eu fumo minha pedrinha e fico mais sossegado. Dá um tempo aí, que eu vou vê se alguém quer.

Porcaria sai por um lado e o seu Marlon chega pelo outro. Seu Marlon é o dono do pedaço. Qualquer venda tem que ter o seu nariz. O mesmo vale prás puta. Ele gigoleia uma barganha das transas e boquetes feitas pelas mulheres, inclusive da própria esposa. A grana arrecadada tem um só destino: pedras de crack. O clima na fala de Seu Marlon está à beira do estopim. Brigou com a mulé, o movimento tá devagar, sem um puto tostão no bolso e ainda fica sabendo da desconfiança de outras cabeças que o nego Porcaria tá trabalhando as carangas estacionadas. O ambiente pega fogo quando Sacolé volta:

- To loco pra meter uma bala em alguém.
-Qualé, tá me tirando, eu não sou chinelo. Isso aqui já tá lá em casa uns cinco dias.

Seu Marlon é pura irritação. Tem cabra vendendo pó na área dele:

- Porra, os caras tão metendo uma branca ruim e mirrada, e quem fica sujo com os clientes sou eu. Vão dizer que o bagulho do Marlon não vale nada. Quem vende aqui sou eu
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