#CADÊ MEU CHINELO?

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quarta-feira, 21 de março de 2012

[premio uirapuru 2011] O ANO DO CRIOLO DOIDO



XII PRÊMIO UIRAPURU DE MÚSICA BRASILEIRA
= OS MELHORES DE 2011 =
CRÍTICA ANIMAL


::txt::Tiago Jucá Oliveira::


Desde a criação do Prêmio UIRAPURU, no ano 2000, jamais um álbum foi tão unânime entre a crítica musical. Criolo, através de seu Nó Na Orelha conquistou o topo do pódio em praticamente todos os prêmios especializados, seja na grande imprensa ou em blogs mais alternativos. A exceção que confirma a regra é a nossa versão do Uirapuru feita pelos leitores, que não colocou Criolo em primeiro lugar, mas sim em segundo.

Com quase o dobro dos pontos obtidos pelo segundo colocado, de acordo com a crítica animal, o disco de Criolo já faz parte de qualquer discoteca básica da música brasileira. Um álbum que sintetiza o rap como um gênero para o qual convergem vários expoentes da black music nacional e estrangeira. Esse novo fôlego à música brasileira é um dos fatores decisivos para que Nó Na Orelha seja tão celebrado. Criolo é o artista mais emblemático de 2011, sem dúvida nenhuma.

Assim como na escolha dos leitores do Uirapuru, abaixo você verá uma lista bem abrangente do cenário musical. Talvez a principal diferença entre ambas escolhas seja que esta aqui não deu chances pra artistas mais veteranos. Aliás, muitos álbuns eleitos pela crítica são exatamente os primeiros de cada artista. Ou seja: mal botaram o pé na estrada e já estão contribuindo pra renovação musical de um país marcado pela diversidade e dinâmica artística.

Semana que vem o UIRAPURU traz os eleitos nas categorias melhores músicas, cantores, compositores, shows, bandas e instrumentistas. Parabéns Criolo e a todos os demais artistas que abrilhantam o nosso prêmio!


1º - CRIOLO - NÓ NA ORELHA


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2º - BIXIGA 70 - BIXIGA 70


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3º - CAÇAPA - ELEFANTES NA RUA NOVA


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4º - MARCELO CAMELO - TOQUE DELA


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5º - ANELIS ASSUMPÇÃO - SOU SUSPEITA, ESTOU SUJEITA, NÃO SOU SANTA


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6º - LIRINHA - LIRA


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7º - WADO - SAMBA 808


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8º - METÁ METÁ - METÁ METÁ


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9º - ROMULO FRÓES - UM LABIRINTO EM CADA PÉ


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10º - LUCIANA MELLO - 6º SOLO


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11º - GUI AMABIS - MEMÓRIAS LUSO AFRICANAS


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12º - KASSIN - SONHANDO DEVAGAR


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13º - ACADEMIA DA BERLINDA - OLINDANCE


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14º - EMICIDA - DOOZICABRABA E A REVOLUÇÃO SILENCIOSA


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15º - FUNK COMO LE GUSTA - A CURA PELO SOM


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16º - EDDIE - VERANEIO


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17º - PÉLICO - QUE FIQUE ENTRE NÓS


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18º - LOS PORONGAS - O SEGUNDO DEPOIS DO SILÊNCIO


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19º - FABIO GÓES - O DESTINO VESTIDO DE NOIVA


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20º - CASUARINA - TRILHOS TERRA FIRME


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= GALERIA ANIMAL =
Todos os vencedores do Prêmio UIRAPURU de Música Brasileira

2011
Criolo - Nó Na Orelha
2010
Marcelo Jeneci - Feito Pra Acabar
2009
Cidadão Instigado - Uhuu!
2008
Curumin - Japan Pop Show
2007
Nação Zumbi - Fome de Tudo
2006
Eddie - Metropolitano
2005
Cidadão Instigado - Método Tufo de Experiências
2004
Mombojó - Nadadenovo
2003
Los Hermanos - Ventura
2002
Racionais MCs - Nada Como Um Dia Após O Outro Dia
2001
Mestre Ambrósio - Terceiro Samba
Trio Mocotó - Samba Rock
2000
vários - Música do Brasil


Participaram da crítica animal de 2011:

Bruno Costa, Caio Jobim, Daniel Calasans, DJ Yuga, Fernando Fhenso Souza, Jam da Silva, Lafaiete Júnior, Otaner, Pablo Francischelli, Tiago Jucá Oliveira e Wagner Eugênio.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

[noéspecial] QUANDO DEGOLARAM MINHA CABEÇA



::txt::Tiago Jucá Oliveira::

“Acorda Maria Bonita, levante e faça o café, que o dia já vem raiando e a puliça já tá de pé”. Como explicar que alguns compositores, em algumas músicas ou em trechos delas, tenham reencarnado a fala e até mesmo o pensamento de Lampião?

Há quem se comporte assim. Chico Science, como vimos na edição anterior, trazia o capitão cangaceiro como mártir, mas em certos momentos tomou o corpo de Lampião pra sua revolução estético-musical ficar mais eficaz. O cangaço pra justificar o manguebit.

O episódio da morte de Lampião e de quase todos de seu bando marcou a história do país, encerrando assim o ciclo do cangaço. Imagens de cabeças degoladas e expostas ao público após a emboscada povoam até hoje o imaginário popular.

Na letra de “Sangue de Bairro”, Chico toma o cérebro de Lampião, já decapitado, por mais um breve instante. Ele relata o nome de 24 cangaceiros do bando de Lampião, antes de tomar uma decisão: “quando degolaram minha cabeça, passei mais de dois minutos vendo meu corpo tremendo e não sabia o que fazer; morrer, viver, morrer, viver!”.

O assalto ao corpo de Lampião não teve monopólio. Lirinha, líder do grupo Cordel do Fogo Encantado, também baixou o espírito do rei do cangaço. A canção “O Cordel Estradeiro” apresenta o local inóspito: “meu moxotó coroado, de xiquexique e facheiro, onde a cascavel cochila, na boca do cangaceiro”, para em seguida assumir sua personalidade: “eu também sou cangaceiro”, e, enfim, salientar o poder de sua peixeira agora reencarnada em versos: “e o meu cordel estradeiro, é cascavel poderosa. (…) é canção de lavadeira, peixeira de Lampião, as luzes do vagalume (…) pois meu verso é feito a foice, do cossaco cortar a cana”.

A curiosa relação sobre o poder do vagalume, mais brilhante na intensidade do horizonte da árida vegetação da caatinga, remete a própria morte de Lampião e Maria Bonita. Em entrevista à revista TPM, de março de 2001, Sila, mulher do cangaceiro Zé Sereno, ambos sobreviventes da tragédia de Angico, lembra que na noite de véspera da emboscada, ela e Maria Bonita conversavam no alto de uma ribanceira: “vi uma luz que acendia e apagava, até perguntei a ela se era uma lanterna. Ela disse que devia ser vagalume. Se eu tivesse descido e falado com Zé Sereno, não teria acontecido o que aconteceu”.

Em “Profecia Final (ou No Mais Profundo)”, Lirinha encarna o messiânico Antônio Conselheiro - “Adeus povo, adeus árvores, adeus campos, aceitai minha despedida” - antes de voltar a ser Rei do Cangaço. A letra contém trechos de uma famigerada carta enviada por Lampião em novembro de 1926 para o governador de Pernambuco, através de Pedro Paulo Magalhães Dias, inspetor da Esso que se fizera preso pelo bando, mas que fora liberado com a missão de entregar a carta. Nela, o rei do cangaço se auto proclama governador do sertão E apresentava uma “proposta que desejo fazer ao senhor para evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas. Se o senhor estiver no acordo, devemos dividir nossos territórios”. Lampião queria limites, e Lirinha repetiu: “fico governando esta zona de cá, por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar”, no Recife.

Coincidência ou não, Rio Branco, como era conhecida antes a cidade de Arcoverde, a porta de entrada pro sertão, é onde surgiu o Cordel do Fogo Encantado.

* este texto pode ser reencarnado. Domínio Público!

domingo, 16 de maio de 2010

O TERNO SAIU DO ARMÁRIO

#over12
Nada como um dia após o outro dia

txt: Arlei Arnt

Preciso concordar com o Monsenhor. Nei Lisboa e O Teatro Mágico como atração de alguma coisa só tem uma explicação: é artista bancado pelo Partido. "Tremula minha bandeira aqui, que eu te ponho no palco acolá".

Mas ontem a cousa merolhou (sim, eu escrevo assinzis mesmo). A noite começou com Coco Raízes de Arco Verde. Ouvi de longe, no desgustar das cachaças. O grupo é ótimo! Depois tivemos um dos melhores shows da Feira, talvez o melhor. Num mesmo palco: Frank Jorge, Jimi Joe, Wander Wildner, Júlio Reni, Alemão Birck e mais um que a cachaça tapou a visão. Os clássicos da música gaúcha desfilado pelos nomes que infelizmente não tem a atenção devida dos cadernos culturais do centro do país. Tanto aqui como lá se olha demais pro próprio umbigo. Perdemos nós ouvintes viciados em cultura. A gente não conhece o fulano dali, eles não sabem quem é o beltrano daqui. Wander foi fantástico: "precisa vir alguém de fora pra fazer algo aqui no Cais do Porto". Uma prefeitura há 24 anos dominada pelo mesmo partido dá nisso.

A night encerrou com outro show legal. Otto, com participação de Lirinha e seu pacote de farinha. O galego teve que puxar o ex-Cordel pelos cabelos: "microfone tá aqui, fera". Nos teclados, outro maluco: Bac Simpson (não tenho certeza, mas acho que saiu do mundo livre s/a). Enfim, um campeonato pernambucano de doideira. E Lirinha ganhou a louca taça com rodadas de antecedência. Ah, o show. Tava cacildiz. Mas no fim senti que "naquela mesa tá faltando ele", o galego volta pro bis junto com o Nelson Gonçalves. Se estivesse vivo, não ia sobrar nada pro Lirinha. E hoje ainda tem Monobloco. Fui!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

OTTO e BNEGÃO



# conection #
Brasil Rural Contemporâneo

txt, phts n vds: Júnior Godim


Choveu o dia todo, o lamaçal na porta da bilheteria da feira não era muito convidativo, mas valeu chegar na Marina da Glória, local da feira Brasil Rural Contemporâneo (sobre o qual eu falo mais tarde). A Marina é muito legal, com vista pra Baia de Guanabara e tal, mas pra chegar lá a pé é uma batalha. Falam muito sobre sustentabilidade, redução de emissão de carbono, etc., mas fazem uma feira que só se chega de carro...



Essa feira já acontece desde o ano passado, mas nunca tinha me despertado o interesse. Achei que era uma feira de negócios, ainda mais quando vi a logo do Ministério da Agricultura, me deu preguiça de ir. Preconceito puro: uma estrutura gigante, com uma decoração bem bacana, com produtos de todo país (desde roupas até comida, passando por móveis, cachaças, artesanatos) e mais um monte de coisas que não tive tempo de ver. Muito legal mesmo, ano que vem vou checar melhor.

Além do preço ser bem acessível (R$20,00, com meia entrada), o local dos shows (PALCO MULTICULTURAL), era digno de show gringo – iluminação de primeira, som potente, telões de led e edição de vídeos ao vivo, impressionante. Nem o Tim Festival, que cobrava pelo menos 5 vezes mais, tinha essa estrutura.

Os Seletores de Frequência começaram tocando uma base de funk 70, tipo blaxploitation, quando entra o Bnegão no palco com uma guitarra, fala com a galera e manda Funk (Até o Caroço). A banda é foda! Naipe de metais, uma batera fuderoso, percussão, guitarra, baixo estalando no peito, o show não podia ter começado melhor. Seguiram tocando seus clássicos com várias novas bem bacanas, que me pareceram mais pop que o primeiro disco e lembraram bastante o Funk Como Le Gusta. Bnegão até brincou, dizendo que o “segundo disco lendário vai sair em março, nas bancas, com um preço justo, pra não furar o bolso de ninguém”. Vamos esperar.



O primeiro convidado foi Totonho, de quem não sou fã, e cantaram “Tudo pra ser feliz” e “Segura a Cabra”, música de Genival Lacerda, com participação de Chico Correa nos beats eletrônicos, o que deixou a música melhorzinha. Depois entra Siba, ovacionado pelo público, e tocaram “Será”e “Toda Vez Que eu Dou Um Passo O Mundo Sai Do Lugar”. Foda! O público veio abaixo, com muita gente cantando junto. O que me fez pensar na hora: de onde esse povo conhece essas músicas, já que a mídia de massa o ignora completamente? Mas não era hora pra tese-cabeça.




O último convidado foi Lirinha, também ovacionado, com recepção de popstar por parte de algumas meninas, e tocaram “Pedra e Bala” e “Chover”, que virou uma samba-reggae-pesado meio estranho, mas divertido. Tem algumas músicas que ficam piores sem a banda original, fica faltando peso, e as do Cordel são dessas. No final todos entraram pra cantar o verdadeiro “hino nacional, com 509 anos de existência”, a Dança do Patinho. Final apoteótico, que Bnegão emendou num beatbox e o naipe de metais tocou “Minha jangada vai sair pro mar...”. Clássico! (veja o vídeo)



Depois teve uma tentativa de show de Naná Vasconcelos com alguns grupos folclóricos de caboclinho e maracatu que participaram da feira, que virou mais uma intervenção que show propriamente dito. O Naná, apesar de ser gênio, não conseguia se entender muito bem com o povo dos grupos, que pareciam meio deslocados naquela estrutura de show.



Otto entrou tocando “Filha” (assista ao vídeo), do novo “Certa manhã acordei de sonhos intranqüilos”, com a Jambro Band detonando no som. Também, uma banda que conta com Pupillo, Catatau e Bactéria não precisa de muito esforço. Tocando mais algumas novas e dos discos anteriores, o rebolativo Otto parecia bastante feliz, já que segundo ele “tem 5 ou 6 anos que eu não toco aqui, na cidade da minha filha”. O show só não foi melhor porque ele começou a beber muito uísque e meio que se perdeu um pouco, falando muito entre uma música e outra, e coisas sem sentido, ameaçando fazer striptease, gritando no microfone... Uma pena, por que como já escrevi, a estrutura do lugar era muito boa, tinha tudo pra ser tão bom quanto o Bnegão.



Os convidados do Otto foram: Maciel Salú, Danni Carlos e Lia de Itamaracá, que entrou no palco parecendo uma entidade africana, linda! Tocaram várias cirandas com Maciel tocando rabeca, mas como Otto já tava bêbado, ficou meio de qualquer jeito.



Danni Carlos, que cantou “Crua” e quase estragou a música, proporcionou um momento pitoresco na platéia: um grupo de 5 homens, que tomavam cachaça (bebida oficial, já que era vendida na feira), pareciam que tinham caído de para quedas naquele show. Eu acho que eles vieram pra feira de alguma cidade do interior, pelas roupas e pelo jeito como se comportavam: só andavam juntos, sempre bebendo, quando viam uma mulher dançando iam azarar em grupo e com pique de procurar briga. Como Otto dançava e rebolava no palco, começaram a rir e tirar sarro do show, até que Danni Carlos (leia-se “A Fazenda”) entrou. Os cinco foram pra grade, atropelando umas meninas que estavam lá, e ficaram estáticos, tirando foto com o celular e quase babando pela “celebridade” que apareceu. Foi ela sair do palco que eles saíram da grade.



A noite terminou com mais chuva, mais lama, e eu pensando que shows assim, com estrutura bacana e preço justo deveriam acontecer com mais frequência.



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