#CADÊ MEU CHINELO?

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terça-feira, 8 de maio de 2012

[agência pirata] A CPI SERÁ UMA FEIRA DE VAIDADES






::txt::Arnaldo Jabor::

O País não pode ser dividido em "esquerda e direita", nem em corrupção e honestidade. Esta CPI que raia no sujo horizonte vai nos mostrar mais que essas dualidades simplistas. (Demóstenes foi um exemplo de perigosa 'ambivalência'; ladrões mais coerentes e sólidos se escandalizaram. Há no ódio a Demóstenes uma crítica velada a seu 'amadorismo'.) Veremos um desfile de perversões políticas e até sexuais que traçam um retrato mais complexo do País. Esquerda e direita dividia um mundo linear e óbvio. A esquerda achava que era sujeito da História, mas a Direita sempre soube que a História não tem sujeito; só "objeto" - o lucro.

Nossa vida social é movida por outras categorias. Há paranoicos, esquizofrênicos, histéricos - um vasto catálogo de patologias. Vejamos.

A burrice - Nelson Rodrigues dizia que a burrice é uma "força da natureza". Antigamente, os cretinos se escondiam pelos cantos, roídos de vergonha; hoje, andam de fronte alta e peito estufado. Nunca a estupidez fez tanto sucesso. Forrest Gump, o herói idiota do filme, foi o precursor; Bush seguiu-o e se orgulhava de sua ignorância. Uma vez em Yale, ele disse: "Eu sou a prova de que os maus estudantes podem ser presidentes dos USA." E nosso Lula que tem títulos de doutor 'honoris causa', se gabando de não ter lido nada? Inteligência é chato; traz angústia, com seus labirintos. Inteligência nos desampara; burrice consola. A burrice está na raiz do populismo. Para muitos, a burrice é a moradia da verdade, como se houvesse algo de "sagrado" na parvoíce dos pobres, uma 'sabedoria' primitiva que desmascara a mentira "de elite". A burrice é a ignorância em busca de 'sentido'; burrice no poder chama-se "fascismo".

A caretice - O careta é antes de tudo um forte. Está sempre atrás de certezas. Olha o mundo com um olho só e só vê o que já sabia. A caretice é uma posição política. A diversidade da vida é recusada como um desvio, a dúvida como fraqueza. Sua cara é uma careta - daí, o nome-, uma máscara fixa com uma única ideia na mente. Careta odeia novidades, ideias complexas. O careta é linear - tem princípio, meio e fim.

O careta tende mais para o que se chamava de "direita". Mas, há também muitos caretas de "esquerda", que querem uma sociedade sob controle, pois só eles sabem o que é bom para nós, os 'alienados'. Existe até o careta drogado, o 'bicho grilo' chamado "muito louco". Como disse alguém: "Pior que careta, só o "muito louco"...

A incompetência é uma maldição nacional, secular. Existe mais na chamada "esquerda" do que entre os "neoliberais". Os "ideológicos" não se interessam por nada prático, administrável, que chamam de 'epifenômenos' menores. Nada mais chato para eles do que a realidade, apesar de falarem nela o tempo todo. A realidade brasileira para eles é um delírio, com meia dúzia de "contradições" óbvias.

Antigamente, era 'latifúndio, burguesia nacional e imperialismo'. Agora, é a tentativa de tomar o Estado por dentro da democracia, instalando 'companheiros' oriundos da massa pelega no poder para fazer uma revoluçãozinha vulgar. Eles dizem que a 'competência' é perigosa porque pode ocultar uma política de direita, mascarar "táticas" do capitalismo. Leram um negocinho do Heidegger sobre a 'técnica' e usam-no para justificar suas trapalhadas gerenciais.

Mas, há mais...

A liberdade é outra doença que nos rói. Por um lado, é um ar puro que amamos depois de 21 anos de ditadura; por outro, provoca vertigens em gente que prefere a submissão. Poderosos sempre falam em democracia, mas muitos planejam impedir que a sociedade julgue o país. Se a crise nos atingir, a patuleia também vai sonhar com um bom tirano, um guia. De resto, a liberdade pode virar um vulgar produto de mercado - celebridades saltitantes e livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias: o sucesso sem trabalho, o marketing sexual, bundas querendo subir na vida, próteses de silicone na alma.

Imaginação falta-nos também. Não há. Na política, ela é vista como desvio da norma, como perigosa utopia que atrapalha a muralha patrimonialista que nos rege. Imaginação é considerada demagogia ou espetáculo barato. No Brasil, a política do espetáculo foi inventada por Jânio Quadros; Lula foi um bom aluno. Na CPI veremos shows esfuziantes.

O "passadismo rancoroso" é praticado por muitos esquerdistas renitentes. Vivem a nostalgia de heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhum projeto claro para o futuro, como se a vida social de hoje fosse a decadência de um passado que estava certo. Nacionalismo e terceiro-mundismo nascem daí: fome de voltar para a taba ou para o casebre com farinha, paçoca e violinha.

A preguiça é um dos cacoetes mais comuns. Administrar dá trabalho. A burocracia nos defende da 'urgência', da 'emergência', ritmos desconhecidos entre nós, criando a vida pública em câmera lenta, onde a única coisa que acontece é que não acontece nada.

A vaidade também será visível na CPI, nos bigodes e cabelos acaju ou negros como a asa da graúna, visível também no amor ao luxo cafajeste de batucada em restaurantes de Paris, lanchas, vinhos de dez mil dólares e prostitutas em cargos de confiança.

A amizade é outro vício comum, que enlaça cinturas de jaquetões e batuca palmadinhas nas costas, justificando presentes de geladeiras, carrões e bilhões roubados.

Mas, há mais... há mais... Temos os egoístas, os psicopatas (muito em moda...), os "fracassomaníacos", temos as imensas multidões dos "babacas" (serei um deles?...), comandados pelos boçais, cafajestes, oportunistas, ladrões de todas as cores.

De modo que não podemos nos contentar com a velha dualidade "direita/esquerda". O mundo é muito mais vasto, oh "raimundos" e vagabundos!...

E mais - não podemos esquecer os batalhões que crescem a cada dia, os exércitos invencíveis: a brilhante plêiade dos "F.D.P.'s".

quarta-feira, 1 de junho de 2011

[agência pirata] O QUE É ISSO, MACONHEIRO?



Globo acende o debate até a última ponta

::txt::Xico Sá::

Hey, Dude! Nessas encruzilhadas históricas sempre lembro do meu amigo Dude, que atua no filme em cartaz aí acima. Fica na maresia aí, Dude, joga o teu boliche, viaja no tapete, que preciso ganhar aqui honestamente a minha segundona.

E não é que a Marcha da Maconha, canetada pela turma da toga preta e reprimida nas ruas pelos frios homens de cinza, foi realizada em pleno “Fantástico” da rede Globo?!

#Fato, como diz a juvenília das redes, avarandados e puxadinhos sociais.

#Contradições do sistema, diria um velho comuna outsider.

Inevitável lembrar um ditado popular carioca que ouvi pela primeira vez no filmaço “Rio Babilônia” (1982) e que o Tim Maia repetia com frequência: no Brasil, traficante cheira, puta goza, cafetão se apaixona e o dólar paralelo é mais baixo que o dólar oficial.

Que adubado latifúndio de espaço a Globo deu ao assunto, Dude! Tão bom para o plantio quanto as ilhotas do rio São Francisco, o generoso Velho Chico.

O gancho, essa terrível e empobrecedora necessidade jornalística, ah o mané gancho, foi o documentário “Quebrando o Tabu”, dirigido pelo jovem Fernando Grostein Andrade, que estreia na próxima sexta, 03, nos cinemas.

O ator principal: o ex-presidente FHC, que defende o plantio para consumo e a regulamentação da maconha. Não farei, só por hoje, amém, o trocadilho siglístico com THC, o princípio ativo tetra-hidro-canabinol. Passo, embora nada combine mais com baseado do que trocadilho, como verão aqui nesse texto-palha.

[Inevitável lembrar, porém, do tratamento que o saudoso Casseta & Planeta dava ao ex: Viajando Henrique Cardoso].

Ótimo, mas voltemos ao chão da praça.

A marcha global, distante do gás-pimenta da PM comandada pelo tucanismo em SP, foi de efeito moral imediato: 57% de telespectadores convidados a opinar sobre o assunto, na enquete do programa, disseram sim à descriminalização do barato.

Sim, não temos o número de votantes, mas é bem significativo para uma emissora de massa. Se a reportagem conseguiu fazer ou não a cabeça da maioria, não importa. O bom é que o assunto já não é mais tão escandaloso assim como a tropa de choque da caretice imagina.

Além de FHC, outros ex-presidentes aparecem no doc do menino Andrade com discurso semelhante: Ernesto Zedillo (México), César Gaviria (Colômbia), Jimmy Carter e Bill Clinton (EUA).

O “Fantástico”, na sua marcha dominical nos lares doces lares, lembrou também que outro dia o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), defendeu o plantio coletivo de maconha, em cooperativas.

A carroça da história desembestou e avançaremos mesmo nessa questão?

Veremos. Bom é que as marchas das ruas acionaram o piloto automático dos avanços.

Sim, a gente que foi à Paulista tem uma saúde dentária de anúncio dentifrício, não havia um só desdentado, como tirou onda o gênio reacionário Nelson Rodrigues sobre os protestos de 1968. Como argumentam hoje outros enfezados sem a genialidade do tio Nelson.

Mas já valeu, tá valendo, é um luxo ter uma fatia da classe média moderna acendendo uma ponta do avanço histórico em vez de tocar fogo na fogueira eterna da liga das senhoras católicas.

Que a segundona lhe seja leve!

sábado, 8 de janeiro de 2011

[fla] UMA VEZ FLAMENGO SEMPRE FLAMENGO



"Cada brasileiro, vivo ou morto já foi Flamengo por um instante, por um dia".
Nelson Rodrigues - Famoso escritor e torcedor do Fluminense

::txt::Zico::


Certa vez me perguntaram por que eu havia escolhido o Flamengo para torcer. Respondi que não era eu quem tinha escolhido o Flamengo, mas sim, o Flamengo que tinha me escolhido. Com um olhar confuso, me pediu que explicasse esse negócio do 'Flamengo ter me escolhido'. Simples - eu falei - Cada um pode escolher o time que vai torcer, mas não quando esse clube é o Flamengo. Ninguem escolher ser Flamenguista, o Flamengo é que escolhe a pessoa, joga sobre ela um encanto de proporções inimaginaveis, e a abençoa com a dádiva de uma paixão infinita, o escolhido, em gratidão, espalha as glórias do Rubro Negro aos 4 cantos, não abandona o manto nem mesmo quando está na pior, sujo de lama. Está sempre presente festejando junto nos momentos de alegria, e como um verdadeiro amigo, não desaparece nas horas difíceis. Ser Flamenguista, é ser escolhido para a emoção, ser tocado pela grandeza!



Time que derrotou o Inter na final em 1987:
Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Bebeto, Renato Gaúcho e Zinho.

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