#CADÊ MEU CHINELO?

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terça-feira, 16 de março de 2010

ISRAEL VIBRATION e GROUNDATION



#conection
... e a noite que não acabou

txt, vds n phts: Gustavo Pereira

Era passado das 22hs da noite de 10 de Março de 2010, data e hora esta marcada para a apresentação, até então sem grandes murmurinhos dos veículos de mídia provincianos, da banda californiana Groundation, que faria sua quarta passagem pela capital Gaúcha. Contudo, desta vez eles seriam colocados no posto de coadjuvantes de luxo para quem estaria prestes a se apresentar depois.

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A noite começava calma e silenciosa rumo ao local onde ocorreria o espetáculo. Para quem conhece a capital sabe que a linha T5 corta de forma contundente as grandes avenidas de Porto Alegre, fazendo o trajeto Praia de Belas - Aeroporto. Logo não foi difícil avistar outros simpatizantes do Raggae Roots ou Raggae Raiz, como queiram, se apinharem no veículo ao longo do trajeto.



Conversas vazavam lentamente, uns risos, alguns olhos marejados, conhecidos que se encontravam e se cumprimentavam enquanto reviraram os bolsos com uma freqüência que revelaria facilmente comportamento compulsivo em busca da certeza de ter pegado em casa os ingressos, os documentos, o isqueiro e o que mais eu nem sei, afinal a seca já perdurava alguns meses na grande cidade e cercanias.



Seria uma noite de redenção, boa música e algum tapa, se não fosse pelo ar pesado e tenso que costuma sempre rondar shows como estes. Mas eis que ao desembarcar no fim da linha, todos que se puseram à espera de um plano mirabolante bolado pelas unidades de inteligência das forças armadas da república, se surpreenderam ao ver todas as ruas ao redor vazias, desabitadas, abandonadas, sem os temíveis reflexos dos giroflex que emitem as combinações de azul e vermelho, cores estas que todos sabem, não costumam andar juntas por aqui.

Tudo se desenhava de forma incrivelmente liberal, era a Jamaica sendo trazida como cenário para o show do Israel Vibration que garantiria quase duas horas de uma apresentação incrivelmente fantástica e som impecável. Alguns poucos seguranças faziam uma revista superficial nos expectadores que entravam no local sorrindo, tirando o pouco flagrante que lhes restava nos esconderijos que havia sido preparado com habilidade de um fugitivo para aquela noite.



Groundation fez sua apresentação para um público enérgico que respondeu prontamente aos sucessos que já são relativamente conhecidos por estas bandas do mundo, mostrando que aqui também se curte e se faz Raggae de qualidade. O palco então escureceu, tudo estava sendo preparado para a principal atração da noite, o Israel Vibration. Quando o Roots Radics subiu ao palco trazendo o instrumental hipnótico de Warm Up, o Pepsi On stage se transformava em Hiroshima, formando um cogumelo gigante de fumaça sob o centro da pista.

Era o início de uma noite que se tornaria inesquecível para um público de cerca de 3 mil expectadores que se deixava levar, embalados pela banda que por muitos anos ostentou o título de número 1 do Raggae mundial. Skelly e Wiss sabem realmente como fazer Raggae Roots e contagiar a multidão.



O fim disto tudo pouco importa, pois a música rolava solta, o cenário estava montado e a feira de acari estava aberta. Era cerveja sendo trocado por seda, isqueiro trocado por mercadoria, mercadoria sendo dividida por grupos desconhecidos que na melhor vibe da irmandade reguera que estava junta naquela noite de 10 de março de 2010 para celebrar um show que para os presentes, se tornou difícil de esquecer.

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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

ISRAEL VIBRATION

# porco e alma #

Israel Vibration – o legado da força de vontade

txt: Luis Henrique Vieira
phts: Rodrigo Avila Colla


Antes de fazer quatro shows em Porto Alegre, o Israel Vibration teve vasta bagagem de música e vida que, sem dúvida, merece ser relatada. O trio formado por Wiss (Lascelle Bulgin), Skelly (Cecil Spence) e Apple Gabriel (Albert Craig) se conheceu ainda na infância no Centro de Reabilitação Mona, onde estavam internados em função de serem portadores de poliomielite, em Kingston, na Jamaica. Os três tinham menos de cinco anos de idade. Mais tarde, foram expulsos do Centro por causa da prática do Rastafari (uso de maconha e por não cortarem os cabelos).

Influenciados pela música, principalmente, de Bob Marley e Dennis Brown, encontraram no Reggae o caminho para expressar sua espiritualidade. Em 1978, gravaram o primeiro trabalho denominado “Same Song”. Talvez por motivos financeiros, pirataria musical e falta de apoio, a carreira do Israel Vibration despencou, o que levou o grupo a se separar em 1983.

Os três se dirigiram aos EUA para obter tratamento médico adequado à polio. Em 1988, conheceram o norte-americano Gary Himelfarb, mais conhecido como Dr. Dread, (presidente e fundador da gravadora Ras Records), que os incentivou a voltarem a cantar com a frase “unidade é força”. Dr. Dread bancou turnês do Israel Vibration pelos EUA e posteriormente os álbuns Strenght of My Life, Praises, Forever, Vibes Alive, IV, On The Rock e Free To Move. Daí em diante, foram décadas de sucesso que marcaram muitas gerações de regueiros. Em 1997, Apple saiu do trio para iniciar carreira solo.

O Israel se apresentou pela primeira vez em Porto Alegre em janeiro de 2005, mostrando ao público um pouco do que foi sua história musical. O inegável carisma de Skelly e Wiss, acompanhado da técnica da banda Roots Radics, proporcionou à capital gaúcha no mesmo ano mais um show mostrando um pouco mais de seus hit´s, para o delírio do público local. Com mais um sucesso no Opinião, o Israel foi levado a gravar, em 2006, um DVD ao vivo na casa de shows. Ainda não há informações sobre possível lançamento do show gravado na capital.

Por fim, chegamos ao quarto show em Porto Alegre em apenas três anos. No último dia 18 de setembro, a dupla esteve presente mais uma vez no palco do Opinião, novamente acompanhada da Roots Radics, porém com formação reduzida. A casa estava mais uma vez lotada para receber as novas canções do mais recente álbum, “Stamina”. As novas músicas mostram que não seu perdeu a “pegada” do grupo. No show, Skelly e Wiss novamente dançaram, cantaram e sorriram como sempre, mesmo com a dificuldade de ter de usar muletas. Alguns hit´s históricos não foram esquecidos como “Same Song”, “Cool and Calm” e “Vultures”, levando à participação massiva por parte do público. Ou seja, Israel Vibration é sucesso absoluto para os regueiros da capital gaúcha ou mesmo para aqueles que curtem qualquer música feita com o coração e apreciam o legado de força de vontade.

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