#CADÊ MEU CHINELO?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

[do além] LOG ON, TUNE IN, DROP OUT



::txt::Timothy Leary::

Nada como uma viagem atrás da outra. Nos anos 60, me notabilizei por defender os benefícios emocionais, espirituais e terapêuticos do LSD. Fui expulso de Harvard por ministrar tal droga para meus alunos (com consentimento deles) e cheguei a ser chamado pelo então presidente Nixon de “o homem mais perigoso da America”. Título que levaram muito a serio, a julgar pelas inúmeras vezes que me colocaram na frente de um juiz.

Já na metade dos anos 80, comecei a fazer experiências com realidade virtual, na nascente World Wide Web. Os computadores me entusiasmaram. Virei um promotor da cultura cibernética. Em livros e palestras, descrevi a internet como o LSD dos anos 90. Quer elogio maior? Minha crença era de que o novo ambiente digital provocaria uma revolução no status quo maior do que as drogas ocasionaram.

Por isso li com curiosidade dois estudos que me chegaram às mãos. O primeiro, realizado pelo Instituto Americano sobre Abuso de Drogas (Nida), chegou à conclusão de que o consumo de ecstasy (sem adição de outros componentes além da metilenodioximetanfetamina) não provoca diminuição da capacidade cognitiva. Os investigadores advertem que, apesar desta conclusão, a droga é prejudicial à saúde. Isso significa, segundo o Nida, que um sujeito, depois de uma festa rave, segue capacitado para julgar, classificar, reconhecer e compreender, por exemplo, que linha ideológica seguirá o novo partido do Kassab, anunciado como livre dos rótulos de esquerda, centro e direita.

O segundo, bem mais extenso, foi publicado na forma de livro. Chama-se The Shallows - What the Internet Is Doing to our Brains (Os Superficiais - o que a Internet está Fazendo com nossos Cérebros). Foi escrito pelo jornalista Nicholas Carr e sustenta que a web está nos deixando burros. Sua tese, apoiada em pesquisas que incluíram até ressonância magnética para monitorar o cérebro dos internautas, afirma que a cultura multitarefa e o ambiente dispersivo da rede está minando nossa capacidade cognitiva.

Não creio que, diante de tais evidências, governo e sociedade criminalizem a internet e liberem o ecstasy. No máximo os notebooks e tablets ganharão frases de advertência e fotos de pessoas com cara de dúvida na frente de uma soma de 8 + 2, cuja resposta será procurada no Google. Nem quero sugerir aqui que todo mundo passe a usar o ecstasy indiscriminadamente, essa nem é uma droga que aprecio. Aliás, apesar de ser conhecido como o Guru do LSD, nunca pedi para me seguirem. Quando a onda vegetariana chegou, eu comi carne. Quando o budismo se difundiu e virou moda, eu bebi champanhe. Quando todo mundo entrou para o Facebook, eu passei a visitar os amigos. Só quero lembrar que das viagens de ácido, a grande maioria podia voltar. Mas quem se habilita a viver sem a web?
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