Hoje
o mundo está chocado com esse novo vírus e suas variantes cada vez mais
mortais. Temos uma imprensa globalizada para nos informar, há
laboratórios e cientistas em busca de vacinas que nos curem, e contamos
com hospitais, médicos e enfermeiros que nos acolhem em seus leitos. E
mesmo assim o serviço hospitalar está em colapso e a taxa de mortes não
para de subir. Conta muito o fato do nosso corpo não ter anticorpos
naturais e adaptados pra enfrentar as mazelas causada pelo vírus.
Que
tal dar um pulo de 500 anos pro passado e imaginar o poder destrutivo
que tinha o agora comum e leve vírus da gripe. Europeus que aqui
chegavam trazendo consigo o vírus, já acostumados com os efeitos da
gripe, e os índios, sem nenhum tipo de imunização. Cada espirro ibérico
equivalia a uma metralhadora giratória e mortífera para os povos
indígenas. A dizimação dos donos desta terra começou assim.
E,
pense comigo, o estrago foi imenso pois não havia nenhum amparo
medicinal, nada de ciência que buscasse uma solução, muito menos meios
de comunicação para levar estatísticas e recomendações tipo “fique na
taba”ou “não se aglomere com os galego”. E ainda tinha uma barreira
linguística enorme que dificultava tupi e guarani se comunicarem com
português e castelhano.
Pois no momento presente, com todo esse
legado humano, social, científico e tecnológico, uma bagagem cultural de
acúmulo histórico de cinco séculos, estamos a empilhar dois mil
defuntos em valas por dia. Se fosse apenas nossa suscetibilidade em
relação ao vírus, tal qual aconteceu com a população originária de 500
anos pra cá, e com o tempo adquiríssemos imunidade suficiente para logo
mais se tornasse uma “gripezinha”, tudo bem, são os caprichos da
natureza a que a humanidade sempre esteve sujeita.
O que não dá
para aceitar é negar tudo que já foi construído até hoje e jogar fora
uma infinita herança de conhecimento que todos nós temos, para retornar
aos obscuros séculos da Idade Média. Vamos ter que redescobrir a Ilha de
Santa Cruz se o rumo continuar na marcha ré. A ignorância está matando
mais que a falta de anticorpos, basta comparar os letais números do
Brasil com os de vários outros países. Agora podemos exigir vacinas, e
não aceitar mais bugigangas. Pois “nos deram espelho e vimos um mundo
doente”. Tentei chorar.
#CADÊ MEU CHINELO?
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sexta-feira, 12 de março de 2021
[mandachuva] FIQUE NA TABA
:: txt :: Tiago Jucá ::
quarta-feira, 10 de março de 2021
[mandachuva] CONTRA O FASCISMO NÃO HÁ DEBATE
:: txt :: Tiago Jucá ::
Pois hoje vou além. Como bem disse, até dá pra perdoar os eleitores do fascista que agora se arrependem. Mas aos que continuam aliados à milícia assassina, só nos resta radicalizar nossas ações contra esse estrume social. E, para começar, acabar imediatamente com os laços de amizade que ainda existem. Não tem conversa com essa corja. Não importa se é amigo, primo, parente, colega, etc, seja o que for.
Talvez você diga que essa atitude seja muito extremista. Ora, meu amigo social democrata, quer algo mais extremo do que ecoar o discurso de ódio vindo do Planalto? Quer seguir amando quem deseja te matar, mesmo que indiretamente? Quer tolerar uma pessoa que age com total intolerância? Essa gentalha não tem mais empatia humana. E nem tem volta. A lata de lixo da história é o destino deles todos.
Estamos numa guerra com mais de 2 mil mortes por dia. Ou você se posiciona e parte para o combate, ou você se acovarda e aceita conversar com o exército inimigo. Vale lembrar que contra o fascismo não há debate, afinal são eles que não querem debater. Uni-vos!
Esses dias escrevi sobre as pessoas que continuam a defender o genocídio vigente no país e a difundir o negacionismo através de fake news. E que esse tipo de gente é cúmplice do maior crime cometido no Brasil depois da escravidão negra e da dizimação indígena.
Pois hoje vou além. Como bem disse, até dá pra perdoar os eleitores do fascista que agora se arrependem. Mas aos que continuam aliados à milícia assassina, só nos resta radicalizar nossas ações contra esse estrume social. E, para começar, acabar imediatamente com os laços de amizade que ainda existem. Não tem conversa com essa corja. Não importa se é amigo, primo, parente, colega, etc, seja o que for.
Talvez você diga que essa atitude seja muito extremista. Ora, meu amigo social democrata, quer algo mais extremo do que ecoar o discurso de ódio vindo do Planalto? Quer seguir amando quem deseja te matar, mesmo que indiretamente? Quer tolerar uma pessoa que age com total intolerância? Essa gentalha não tem mais empatia humana. E nem tem volta. A lata de lixo da história é o destino deles todos.
Estamos numa guerra com mais de 2 mil mortes por dia. Ou você se posiciona e parte para o combate, ou você se acovarda e aceita conversar com o exército inimigo. Vale lembrar que contra o fascismo não há debate, afinal são eles que não querem debater. Uni-vos!
sexta-feira, 13 de abril de 2012
[agência pirata] REIS E RISOS

::txt::Cristovam Buarque::
No espaço de poucas horas de 2012, a história do Brasil registrou a perda de dois de seus maiores gênios: Chico Anísio e Millôr Fernandes. A morte deles tem a repercussão de um tsunami empobrecendo a cultura do país. Mas essas perdas não aparecerão, quando, no começo de 2013, o Brasil tomar conhecimento de seu desempenho baseado apenas no crescimento da economia. Ao contrário, o que ficará marcado é a renda per capita que aumentará, porque a população brasileira perdeu duas pessoas.
Não faz sentido levar a sério um indicador de progresso que mostra a morte de gênios ou de pessoas simples como fato positivo porque aumenta a renda per capta. Ainda pior: se as pessoas fossem assassinadas por bandidos armados, o PIB mostraria um aumento equivalente ao valor das balas. Na civilização do crescimento, a bala que mata uma pessoa aumenta o PIB e a renda per capita.
Se no lugar da morte de gênios, considerássemos a destruição de uma floresta, o PIB indicaria um aumento porque para o progresso uma árvore em pé não tem valor. Ela só é valorizada quando transformada em madeira ou fumaça pela queima de carvão para virar aço.
Ao longo de 2012, milhões de pessoas dedicarão suas vidas para cuidar de crianças, de velhos e doentes. Mas, se for voluntária, essa dedicação não entrará na medida do PIB, só valerá se for monetarizada pelo trabalho assalariado. Pela economia, um ato de amor só tem valor se for pago.
Ao longo do ano, milhões perderão preciosos dias de vida em engarrafamentos e por estarem presos no trânsito. Em vez de angústia, da vida desperdiçada, o PIB aumentará porque os carros gastarão mais combustíveis, poluirão ainda mais a atmosfera e, consequentemente, elevarão a temperatura do planeta, causando as trágicas consequências advindas das mudanças climáticas tão nefastas como todos nós já conhecemos.
De acordo com a economia, se um país está em guerra e milhares de soldados morrem, o país progredirá porque as armas produzidas aumentarão o PIB e as mortes dos soldados elevarão a renda per capita.
Algo está errado em uma civilização que mede seu progresso com base em indicadores tão cínicos e desumanos quanto o PIB e a renda per capita, mas é assim que ele é medido na sociedade consumista dos tempos atuais.
No mesmo ano em que o Brasil perde dois gênios, a humanidade se reunirá no Rio de Janeiro, na Cúpula chamada Rio+20. Durante alguns dias, os presidentes, reis e primeiros-ministros vão discutir o futuro do mundo. Mas, em vez de pensarem na substituição do PIB, a fim de redefinir o progresso como sendo o caminho para um mundo com mais gênios, produção cultural, florestas, tempo livre para os trabalhadores e trabalho voluntário, eles vão discutir como salvar a economia atual usando recursos renováveis, a chamada economia verde.
A Rio+20 - a Conferência da ONU, 20 anos depois da Rio 92 - seria o grande momento para a humanidade se encontrar na cidade do Chico e do Millôr, a fim de pensar um novo conceito de progresso na Terra de todos para todos. O Brasil deveria aproveitar a oportunidade para liderar um movimento mundial por esta revisão do propósito civilizatório. Um neoprogresso que leve em conta o valor da cultura, por si, não por sua venda; o valor do trabalho, por si, não pelo salário recebido; que assegure renda ao tempo livre de uma pessoa; um progresso que não inclua a produção, a venda e o uso de armas, seja no crime de rua ou no crime de guerras, como indicadores de avanço civilizatório.
Mas, lamentavelmente, não parece ser esse o caminho a ser adotado no Rio de Janeiro. A agenda em preparação não pensa em sugerir uma inflexão no rumo do progresso, nem mesmo uma reflexão no conceito de progresso; apenas a continuação dos mesmos métodos de produção usando novos meios de produção. Parece que será uma chance desperdiçada pela humanidade, pelo Brasil e nossos líderes no mundo. Felizmente ainda é possível uma esperança de que o bom-senso prevaleça e os líderes mundiais se comportem como estadistas mundiais e não apenas como políticos locais.
Até porque, dessa vez, não teremos Millôr para fazer humor filosófico que nos desperte e distraia ao mostrar o ridículo dos dirigentes; e também não teremos Chico para nos fazer rir, com toda a sua capacidade de dramatizar a hipocrisia dos dirigentes em uma escolinha dos reis do mundo.
quinta-feira, 15 de março de 2012
[agência pirata] A ORGANIZAÇÃO DO MUNDIAL NÃO PODE ATROPELAR OS DIREITOS DAS PESSOAS
::txt::Romário::
Minha relação com o futebol é conhecida no Brasil e no exterior. Desde meus tempos de jogador do Estrelinha, time fundado pelo meu pai na Vila da Penha, alimentei, como muitos meninos brasileiros, dois grandes sonhos: jogar uma Copa do Mundo pela nossa Seleção e ver o Brasil sediar um Mundial. O primeiro eu realizei em 94, ajudando o Brasil na conquista do Tetra. O segundo será agora, se Deus quiser, em 2014.
Esse amor pelo futebol, e o desejo de ver nosso País realizar uma Copa extraordinária, contribuíram para que a fiscalização dos preparativos para o Mundial se tornasse uma das bandeiras do meu mandato de Deputado Federal. Não posso assistir calado aos mesmos abusos que já vimos tantas vezes no Brasil, inclusive na organização de eventos esportivos. Como tenho dito em diversas oportunidades, sei que o dinheiro despejado em obras superfaturadas, em elefantes brancos (o TCU já denunciou que 4 das 12 arenas se tornarão elefantes brancos, como eu suspeitava), vai fazer falta na saúde, na educação, na segurança, na acessibilidade, etc. Não podemos aceitar.
Aliás, não posso aceitar calado que se gaste mais de R$ 1 bilhão para descaracterizar um estádio como o Maracanã. Essa dinheirama poderia, com certeza, ter sido gasta de outra forma, sem transformar em poeira o grande templo do nosso futebol.
Como vice-presidente da Comissão de Turismo e Desporto, visitei cada uma das cidades-sede. Vi de perto o que estava sendo feito e, em muitas cidades, o que NÃO estava sendo feito, ou tinha começado com muito atraso. Pude observar que, se muita coisa não mudar, e rápido, não teremos a mobilidade urbana, que era um dos principais legados previstos. Pelo que sei, menos de 30% das obras foram iniciadas. O programa “Mobilidade Urbana”, do Governo Federal, por exemplo, ficou quase parado em 2011. Dos R$ 650 milhões previstos, só 0,02% foi executado! E os aeroportos? Só Rio, Campinas, Curitiba e Natal deram início às obras. É uma situação preocupante. Uma vergonha.
Também acho inaceitável que esses preparativos sejam feitos atropelando os direitos das pessoas, com desapropriações a toque-de-caixa. Será que os cariocas, os paulistas, os cearenses, querem como legado da Copa a favelização? Aposto que não.
Não podemos permitir que a Lei Geral da Copa passe por cima da soberania brasileira para atender aos interesses da FIFA, que só vai ficar aqui um mês. Temos, também, que estar vigilantes para garantir que a Copa das Confederações e a Copa do Mundo deixem um legado positivo para o nosso povo. Por isso, com o apoio da Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, de que sou vice-presidente, lutei para garantir a acessibilidade nos estádios da Copa. E fiquei contente por termos conseguido o compromisso da CBF de destinar 32 mil ingressos para pessoas com deficiência. Mas ainda falta muito para o ideal.
Não abro mão das bandeiras que orientam a minha atividade política. Podem me esculachar, se quiserem: nada me tira do meu foco. Nunca me preocupei em ser unanimidade, e sei que quando abro a boca para criticar a FIFA, a CBF, ou a desonestidade de políticos e empresários, não sou apenas o Romário, e sim a voz de milhões de brasileiros.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
[conteúdo livre] VENTO ANARQUISTA

::txt::Zuenir Ventura::
Quem chamou a atenção para o que classificou de "enigma" foi o historiador e deputado pelo Parlamento Europeu Rui Tavares em recente artigo intitulado "A vingança do anarquista". Ele perguntava por que os mercados apertavam o cerco em torno de Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, e não incomodavam a Bélgica, que tinha uma dívida pública maior do que a portuguesa e, ainda por cima, estava sem governo eleito. Apesar disso, "a economia belga é a que mais cresceu na zona euro nos últimos tempos, ou seja, sete vezes mais do que a alemã".
Tavares ressaltava que isso aconteceu não "apesar", mas "graças" à situação singular dessa monarquia parlamentar que, "desgovernada" há 19 meses, desconhecia medidas de austeridade, recessão, arrocho, demissões e cortes de programas sociais. Desse modo, concluía o articulista, "a economia cresce de forma mais saudável, ajuda a diminuir o déficit e a pagar a dívida". Sede da União Europeia e da Otan, a Bélgica bateu o Iraque na categoria país sem governo, e não fez da crise política uma tragédia; preferiu enfrentá-la com bom humor e comemorar, chamando-a de Revolução da Batata Frita, como paródia à Revolução de Jasmim tunisiana e em homenagem ao prato nacional. Os jornais chegaram a fazer piada. Um anunciou em manchete: "Finalmente campeões do mundo"; outro celebrou, também com autoironia, o feito negativo inédito: "Recorde batido!"
Nos anos 70, o economista Edmar Bacha descreveu como Belíndia um país fictício, desigual e injusto, onde conviviam dois povos, um que tinha o padrão de vida da pequena e rica Bélgica e outro que lembrava a pobreza da Índia. Era o Brasil da época dos militares. Agora, o reino belga está sendo fonte de inspiração para outra fábula - a utopia anarquista de que não só é possível sobreviver sem governo como se vive até melhor sem ele.
Em tempos de descrença nas instituições, quando os jovens estão indo às praças públicas protestar em várias partes do mundo, independentemente de regime, ideologia ou credo, sabendo mais o que não querem do que o que querem, o exemplo belga pode exercer um grande fascínio, principalmente se considerarmos que nessa estação de tantas "primaveras" insurrecionais um pouco do vento da anarquia está soprando.
Já imaginou se a velha moda do "hay gobierno, soy contra" se espalha? No Brasil, onde o comportamento da Câmara e do Senado leva muita gente a sonhar com o seu fechamento por desnecessários, a experiência belga poderia ser adotada durante pelo menos alguns meses. Como se trata de um exercício de fantasia do tipo "o que não tem governo nem nunca terá", da música de Chico Buarque, quem sabe assim o país não funcionaria melhor? Uma coisa parece certa: sem ministros e ministérios, a corrupção seria menor.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
[agência pirata] COMIDA BRASILEIRA DE VERDADE

::txt::Nina Horta::
Ai, ai, ai, agora podemos ter certeza de que a cozinha brasileira está na moda no Brasil. Até uns meses atrás isso era conversa de gulosos, antropólogos, alguns donos de restaurante intelectualizados, críticos e interessados. Hoje chegou nas assessorias de imprensa e nos eventores e promotores.
Vai arribar nas nossas praias um estrangeiro importante. E vai precisar comer. Antes queriam servir a comida do país do visitante, como curry para os indianos e salsichas para os alemães. Os bufês se esfalfaram de dizer que não era educado.
Imagina você, brasileiro, resolver gastar o seu rico dinheirinho com uma viagem à Tailândia dos seus sonhos. Chega lá e já é recebido com uma homenagem à altura. Uma bela feijoada -e antes fosse bela.
O mais provável é que você ria muito do resultado conseguido. Ou uma farofa com dendê. "Raios, viajei tanto para comer comida malfeita do meu próprio país!", seria provavelmente a sua reação.
E então, imaginamos que a comida mais educada a se servir ao estrangeiro é a do Brasil, no caso, mas tomando-se os devidos cuidados, tendo que amansar uma pimenta, uma farofa, para que o hóspede não estranhe e adoeça.
Mas, viva, os eventores querem comida brasileira! Certo. Você manda um cardápio com entradinhas de mandioca, tudo bem pequeno, como telhas de biju, que eles adoram. Depois, um bacalhau em tiras, misturado com ovo e batata palha, quer comida mais brasileira que bacalhau? "Não", retruca a menina eventora inteligente. "Bacalhau é norueguês e português."
Bem, tem lá suas razões, mas se formos atrás da comida dos índios, seria a farinha, talvez um lagarto ou um macaquinho moqueado. Um belo peixe seco, um pirarucu. Pode ser. Vamos fazer um peixão do Amazonas, um pirão, (para disfarçar a farinhice), uns palmitos... Nada de mangas, nem coco, nem quindins, nem doces d'ovos, nem compotas, devagar com a louça, tem que ser brasileiro-brasileiro.
Poderíamos oferecer o que o brasileiro come, aquele que come e que não filosofa sobre a comida, só come. Do sul ao norte, com diferenças mínimas vamos ter o arroz com feijão, verdura, salada, um bolinho e um pedaço não muito grande de carne de peixe, ave ou vaca.
Ah, desmaia a promotora, "mas estou recebendo visitas importantíssimas, o rei da Bowela, a editora da 'Mode', vou dar arroz e feijão?". Pois é, minha filha, fomos colonizados, se quiser uma globalização, dá, mas comida brasileira antes de Cabral... Não vai dar não, não vai dar não... Os próprios brasileiros vão estranhar aquele pequi cheiroso, aquele tucupi da mandioca.
Acho que os experts em comida podem continuar seus estudos brasileiros, mas há que ter duas vertentes. Comida brasileira de verdade e picadinho carioca para eventos.
O picadinho será rebatizado, convertido, "antropofagizado", canibalizado, esqueceremos as origens da carne ensopada, das batatinhas fritas, do tomate, do arroz, e ficaremos com as bananas-da-terra (sei lá), os ovos de macuco (índio não conhecia vaca, nem galinha) e muita farinha. Se possível, lançada na boca de longe, o que faria a festa, com prosecco ou cauim, bem mais animada.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
[cc] É O MOMENTO DE UMA NOVA ORDEM MUNDIAL?
::txt::Bruno Lima Rocha::
A ameaça de calote da dívida pública dos Estados Unidos vem suscitando uma série de debates a respeito do possível fim de uma era ou ciclo de dominação dentro do capitalismo. Para quem viveu o período da Guerra Fria, o cenário hoje vislumbrado não era sequer imaginável. Hoje, pela primeira vez na história contemporânea, os efeitos da política interna e externa dos EUA pós-11 de setembro de 2001 se vêem como uma possível crise de legitimidade e perda da hegemonia mundial – no médio prazo – do único Estado do planeta que é uma superpotência militar.
Isto se dá por uma série de fatores, mas uma relação de causal de fácil compreensão é que a conta simplesmente não fecha. A equação é simples. Os EUA sozinhos gastam mais com o complexo industrial-militar do que todos os demais Estados existentes no planeta. Isto ajuda a gerar a maior dívida interna do mundo acompanhada de um progressivo corte de gastos públicos e aumento de isenções e repasses de verbas para grandes transnacionais. O efeito é o abismo social, fortalecendo os 1% mais ricos e seus poderosos lobbies. Um Império decadente com supremacia militar e sistemas produtivos dependentes da China não tem condições prolongadas de exercer sua vontade soberana acima de organismos multilaterais, desde que os Estados emergentes assim o desejem.
A gangorra poderia começar a pender para outros lados se blocos regionais ou de países, como a Unasur e o G-20, estabelecessem medidas de proteção mútua, tais como fundos de emergência e índices de risco, por fora das estruturas estabelecidas pela atual hegemonia em franca decadência. Por mais surreal que pareça, o balizador das dívidas dos países são índices de empresas privadas de análise de risco (da possível ausência de pagamento), a saber, Standard & Poors, Moody’s e Fitch. Para os organismos financiadores do capitalismo, a informação produzida através destas empresas é considerada superior a co-produzida pelas autoridades de países como Brasil, Rússia, Índia, Indonésia, China e Coréia do Sul.
Retirar a absurda legitimidade das empresas de “análise” de risco e, ao mesmo tempo, iniciar acordos multilaterais em busca de novos lastros para além do fator dólar-dólar, tal como uma possível moeda cambial dos emergentes, seria um belo primeiro passo. Se a economia do Império decadente é o motor engasgado da locomotiva mundial, romper com esta interdependência em escala planetária é tarefa de todo e qualquer governo minimamente balizado no respeito da soberania de seu país.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
[domínio público] PELA ABOLIÇÃO DO SISTEMA DE PATENTES

::txt::Partido Pirata::
Os monopólios como as patentes são um dos mais perigosos inimigos da sociedade. Ele leva a preços excessivos e grandes custos ocultos para os cidadãos. As patentes são monopólios privados oficialmente concedidos sobre idéias. As grandes empresas estão lutando arduamente para quebrar o recorde do número de patentes, sequer tiradas do papel, que depois usam frequentemente contra seus concorrentes menores e que não podem competir com essas grandes empresas. O objetivo monopolista não é manter o preço de mercado e competir em igualdade de condições oferecendo produtos de melhor preço e qualidade. Pelo contrário, as patentes são usadas como uma alavanca para elevar o preço a um nível que em um mercado livre e aberto não teria espaço e também para impor restrições que nunca seriam aceitas. Nós queremos limitar a possibilidade de monopólios desnecessários e prejudiciais.
As patentes e o conhecimento monopolizado prejudicam a sociedade
As patentes tem muitos efeitos colaterais. Patentes médicas são a razão para pessoas morrem de doenças a qual não podem se dar o luxo de tratar com medicamentos que já poderiam estar disponíveis se as prioridades de pesquisa não fossem distorcidas desnecessariamente em função do mercado dos países ricos. A flexibilização do sistema de patentes de medicamentos com a introdução de medicamentos genéricos no Brasil só demonstra o quanto é grave o défice de acesso e o custo excessivo dos medicamentos gerados pelas patentes, assim como a importância do uso racional do dinheiro público para a saúde pelo processo licitatório, que se torna inviável em um regime monopolista. O acesso a equipamentos médicos também é prejudicado pelo sistema de patentes que faz com que o governo tenha gastos excessivos com o diagnóstico e tratamento de doenças que requerem tecnologia que só pode ser adquirida de algumas poucas empresas estrangeiras, impossibilitando que outras empresas ofereçam os mesmos equipamentos a custos menores permitindo maior racionalidade nos gastos públicos e maior acesso das pessoas a uma medicina avançada.
As patentes sobre genes e da vida, tais como as sementes patenteadas, levam a consequências inesperadas e prejudiciais. Sementes geneticamete manipuladas tem causado dependência de agricultures a tecnologias de cultivo, no fornecimento de sementes e insumos. A polinização cruzada de sementes faz com que, plantas que outrora poderiam ser livremente cultivadas, passem a possuir genes patenteados ao qual é necessário uma autorização ou pagamento de royalties para cultivar. Algumas sementes modificadas se tornam estéreis na primeira safra, o que impede que o agricultor guarde parte de sua produção como sementes para a próxima safra. Isso pode levar a um futuro onde a produção de alimentos é contolada totalmente por algumas empresas monopolistas levando uma grave dependência e sérios riscos para todo o processo de produção.
As patentes de software inibem o progresso técnico na área de TI, e representa uma ameaça grave para as pequenas e médias empresas de TI do Brasil e da América Latina. O software moderno que é basicamente uma junção de diferentes tecnologias passa a se tornar cada vez mais inviável devido ao fato de que é cada vez mais custoso para as empresas se defender dos fequentes ataques jurídicos de empresas de maior porte que alegam possuir patentes de procedimentos triviais e pequenas partes de código nos produtos dos concorrentes.
As patentes supostamente incentivam a inovação por proteger aqueles que inventam e investem em novas invenções e processos de manufatura. Cada vez mais, no entanto, as patentes são utilizadas principalmente por grandes empresas para evitar rivais menores de competir em igualdade de condições. Em vez de patentes para encorajar a inovação, as empresas agora estão usando sua “arvore de patentes” na guerra contra outros para evitar a concorrência. Muitas vezes, o detentor da patente não tem qualquer intenção de continuar a desenvolve-la ou tirá-la do papel.
Nós acreditamos que as patentes tiveram seu dia e agora estão ativamente prejudicando a inovação e o surgimento de novos conhecimentos. Além disso, pode-se ver que em todas as áreas onde produtos e inovações não podem ser patenteadas, as patentes não são realmente necessárias – os atores pioneiros em um mercado são plenamente suficientes para criar inovação. Os inventores devem competir com a inovação, preço e qualidade ao invés de ser concedido um monopólio patrocinado pelo estado a determinado conhecimento. Evitar pagar advogados especializados em patentes, liberando os recursos que poderiam ter sido utilizados para criar uma verdadeira inovação e melhorar os produtos em um ritmo mais rápido, é o que acabará por beneficiar a todos.
Queremos abolir gradualmente o sistema de patentes.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
[agência pirata] A VERGONHA DOS E-BOOKS BRASILEIROS
::txt::Helder Caldeira::
Os e-books são a sensação mundial em vendas da atualidade. São modernos, portáteis, práticos, de fácil compra e acesso e, principalmente, infinitamente mais baratos. No entanto, o mercado editorial brasileiro ainda não compreendeu essa dinâmica econômica dos livros digitais. Ou pior: compreendeu e está tentando lesar os consumidores para ganhar mais dinheiro enquanto for possível manter encoberta a farsa bandida ao grande público brasileiro. Você, caro leitor, está sendo literalmente roubado.
Vou tomar como grande exemplo o meu próprio caso, afinal, nada melhor que uma experiência pessoal para ilustrar um assunto tão delicado. Acredito que a maioria dos meus leitores, desde os mais distantes ricões às grandes capitais, tenha ciência de que eu lancei, no final de janeiro, o livro “A Primeira Presidenta”, com a honra de ser a primeira obra publicada no país sobre a trajetória política de Dilma Rousseff.
Diante da morosidade das editoras na análise dos jovens autores e do cruel monopólio da intelectualidade reinante no Brasil, decidi arriscar tudo: banquei minha própria publicação, arcando com todas as responsabilidades, incluindo divulgação, marketing e afins.
Guardando ufanismos imbecis, mas sem ficar atolado em falsas modéstias, tive um resultado surpreendente e em questão de dias, com comércio exclusivamente digital, tinha vendido milhares de cópias. Como consequência imediata, algumas editoras começaram a me cercar interessadas em publicar meu trabalho, agora já reconhecido. Por não concordar com a política editoral anacrônica e até mesmo por certo rancor, neguei todas elas. E explico: depois que eu tinha me arriscado, bancado todo jogo e feito todo o trabalho, agora alguns estavam interessados em garfar uma fatia dos meus lucros. Simples assim.
Eis que a editora-chefe de uma empresa me apresentou aquela que considerei a melhor e mais justa proposta e nesta semana estamos chegando às livrarias e ao comércio eletrônico com “A Primeira Presidenta” pela Editora Faces, uma jovem e arrojada empresa, comandada por Bia Willcox, uma “mulher-alfa” que parece não dormir nunca. Sua proposta é perfeita: ser justa com o consumidor literário brasileiro e dar aos e-books a cara que eles realmente devem ter, como em qualquer outro lugar do planeta. Um livro digital, muito além da praticidade e da tecnologia embutidas em sua concepção, tem o dever absoluto de ser mais barato, mantendo uma expressa qualidade. E foi exatamente dentro desses critérios que a Editora Faces me seduziu. Me são caras e fascinantes a possibilidade brigar pela democratização do acesso aos livros digitais e a luta intransigente contra o monopólio intelectual e os roubos descarados a que os brasileiros estão sendo submetidos.
Parece papo de “comuna”? Não é não. Com a publicação do meu livro pela Editora Faces e o início das vendas, veio a grande surpresa: minha obra é uma das mais baratas do mercado atual. O livro está sendo vendido nos principais sites do país por apenas R$ 9,90. Ainda assim, eu estou recebendo minha devida e justa quantia pelos direitos autorais e a editora está ganhando seu naco para arcar com toda a equipe de profissionais envolvida no processo, além dos lucros e dos impostos, obviamente. Parece uma pizza pequena a ser dividida por muitos? É sim. Mas é justo. É honesto. Principalmente com os consumidores.
Enquanto isso, uma pesquisa rápida pelos sítios de comércio eletrônico me comprovaram o absurdo: livros cujas versões impressas são vendidas nas livrarias por R$ 40 estão sendo colocados à venda no formato e-book por algo entre R$ 35 e R$ 38. Ou seja, tanto os autores quanto às editoras estão enganando os consumidores e faturando alto com a padronização irresponsável de preços dos livros digitais no Brasil. Certamente, cada um desses e-books poderiam estar sendo vendidos por, no máximo, R$ 15. Mas há um cartel disposto a continuar lesando o bolso dos leitores enquanto essa realidade esquizofrênica permanecer no mercado editorial. Sinceramente, como escritor eu me sinto envergonhado e insultado com essa prática suja dos nossos “pseudonotáveis”.
Fique aqui o alerta: se você vai comprar um e-book e ele estiver sendo vendido por mais que R$ 20, tenha a certeza de que você está sendo descaradamente roubado. Nesse sentido, acredito no poder dinâmico do mercado em pressionar essas empresas por um preço justo para um produto cada vez mais moderno e que chegou para dominar o comércio literário. O e-book é uma realidade mundial e é sensacional. Mas o Brasil precisa, com urgência e no mínimo, corrigir sua compreensão sobre esse mercado. Caso contrário, vamos continuar no nosso atrasado atoleiro cultural.
Os e-books são a sensação mundial em vendas da atualidade. São modernos, portáteis, práticos, de fácil compra e acesso e, principalmente, infinitamente mais baratos. No entanto, o mercado editorial brasileiro ainda não compreendeu essa dinâmica econômica dos livros digitais. Ou pior: compreendeu e está tentando lesar os consumidores para ganhar mais dinheiro enquanto for possível manter encoberta a farsa bandida ao grande público brasileiro. Você, caro leitor, está sendo literalmente roubado.
Vou tomar como grande exemplo o meu próprio caso, afinal, nada melhor que uma experiência pessoal para ilustrar um assunto tão delicado. Acredito que a maioria dos meus leitores, desde os mais distantes ricões às grandes capitais, tenha ciência de que eu lancei, no final de janeiro, o livro “A Primeira Presidenta”, com a honra de ser a primeira obra publicada no país sobre a trajetória política de Dilma Rousseff.
Diante da morosidade das editoras na análise dos jovens autores e do cruel monopólio da intelectualidade reinante no Brasil, decidi arriscar tudo: banquei minha própria publicação, arcando com todas as responsabilidades, incluindo divulgação, marketing e afins.
Guardando ufanismos imbecis, mas sem ficar atolado em falsas modéstias, tive um resultado surpreendente e em questão de dias, com comércio exclusivamente digital, tinha vendido milhares de cópias. Como consequência imediata, algumas editoras começaram a me cercar interessadas em publicar meu trabalho, agora já reconhecido. Por não concordar com a política editoral anacrônica e até mesmo por certo rancor, neguei todas elas. E explico: depois que eu tinha me arriscado, bancado todo jogo e feito todo o trabalho, agora alguns estavam interessados em garfar uma fatia dos meus lucros. Simples assim.
Eis que a editora-chefe de uma empresa me apresentou aquela que considerei a melhor e mais justa proposta e nesta semana estamos chegando às livrarias e ao comércio eletrônico com “A Primeira Presidenta” pela Editora Faces, uma jovem e arrojada empresa, comandada por Bia Willcox, uma “mulher-alfa” que parece não dormir nunca. Sua proposta é perfeita: ser justa com o consumidor literário brasileiro e dar aos e-books a cara que eles realmente devem ter, como em qualquer outro lugar do planeta. Um livro digital, muito além da praticidade e da tecnologia embutidas em sua concepção, tem o dever absoluto de ser mais barato, mantendo uma expressa qualidade. E foi exatamente dentro desses critérios que a Editora Faces me seduziu. Me são caras e fascinantes a possibilidade brigar pela democratização do acesso aos livros digitais e a luta intransigente contra o monopólio intelectual e os roubos descarados a que os brasileiros estão sendo submetidos.
Parece papo de “comuna”? Não é não. Com a publicação do meu livro pela Editora Faces e o início das vendas, veio a grande surpresa: minha obra é uma das mais baratas do mercado atual. O livro está sendo vendido nos principais sites do país por apenas R$ 9,90. Ainda assim, eu estou recebendo minha devida e justa quantia pelos direitos autorais e a editora está ganhando seu naco para arcar com toda a equipe de profissionais envolvida no processo, além dos lucros e dos impostos, obviamente. Parece uma pizza pequena a ser dividida por muitos? É sim. Mas é justo. É honesto. Principalmente com os consumidores.
Enquanto isso, uma pesquisa rápida pelos sítios de comércio eletrônico me comprovaram o absurdo: livros cujas versões impressas são vendidas nas livrarias por R$ 40 estão sendo colocados à venda no formato e-book por algo entre R$ 35 e R$ 38. Ou seja, tanto os autores quanto às editoras estão enganando os consumidores e faturando alto com a padronização irresponsável de preços dos livros digitais no Brasil. Certamente, cada um desses e-books poderiam estar sendo vendidos por, no máximo, R$ 15. Mas há um cartel disposto a continuar lesando o bolso dos leitores enquanto essa realidade esquizofrênica permanecer no mercado editorial. Sinceramente, como escritor eu me sinto envergonhado e insultado com essa prática suja dos nossos “pseudonotáveis”.
Fique aqui o alerta: se você vai comprar um e-book e ele estiver sendo vendido por mais que R$ 20, tenha a certeza de que você está sendo descaradamente roubado. Nesse sentido, acredito no poder dinâmico do mercado em pressionar essas empresas por um preço justo para um produto cada vez mais moderno e que chegou para dominar o comércio literário. O e-book é uma realidade mundial e é sensacional. Mas o Brasil precisa, com urgência e no mínimo, corrigir sua compreensão sobre esse mercado. Caso contrário, vamos continuar no nosso atrasado atoleiro cultural.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
[copyleft] CONTRA O BRASIL

::txt::Alberto Lins Caldas::
O patriotismo sempre me pareceu uma coisa monstruosa, ingênua e perigosa. Reverenciar um território que não é meu nem poderia ser; uma região que não diz nada à minha carne (nem poderia dizer!); uma bandeira que representa apenas os ideais nacionalistas dos donos de terra, industria, banqueiros e ao povo que acredita nos ideais dessas classes, passando a vida inteira lambendo sua deformações; uma língua regida e mantida como hegemônica à força de muita lágrima, muito sangue e sempre o suor do trabalho; um povo sempre covarde, sempre aberto, sempre risonho, sempre tolo, sempre disponível a não ser nada, a não se tornar nada, justificando esse nada com teorias de péssimo gosto e duvidosa reflexão (mas todo povo é assim e não somente o “brasileiro”: sempre bucha de canhão: sempre recheio de lingüiça: sempre esperança de dominação).
É sempre uma ignorância sem medida, uma inconsciência militante, uma aberração da vida. E perigosa! Falar contra aquilo que serve de cimento para a comunidade é sempre um perigo. A estupidez é profundamente perigosa. Não há uma ditadura que não faça sofrer a inteligência; não há um tolo que falte ao encontro e à circunstância de se tornar um torturador, um carrasco, um censor, um assassino em nome da pátria. Falta a tudo menos à defesa das burrices do mundo que o impedem de crescer e abrir os olhos. Há sempre uma reação constituída contra as idéias que “maculam o senso comum”. É por isso que não vale a pena morrer por povo algum, não vale a pena se sacrificar por nenhuma entidade criada somente para justificar a posse de um território e o exercício dos poderes nessa terra.
E essa ignorância passa e contamina o mundo inteiro. Tudo passa pelo mesmo critério. Deixamos de ver tudo aquilo que nos machuca para ver a “terra sem vulcões e terremotos”; o “homem cordial”; a “natureza privilegiada”; a “pátria amada”: vocês se calam na defesa de algo monstruoso e que jamais lhes pertenceu e jamais lhes pertencerá: exatamente essa entidade inexistente e existente somente com muita mentira, muita força bruta, muita cegueira: o brasil! Esse, não será jamais desses que reverenciam a bandeira e choram quando ouvem o nosso-hino e desejam o melhor para “o nosso país” e ficam contentes com o crescimento do PIB como se o PIB fosse deles! como se aquele dinheiro fosse deles! como se aquelas terras todas fossem deles! como se aquele hino e aquela bandeira fossem deles! como se aquela História (sempre uma historiazinha) contada pelos historiadorizinhos de província fosse deles! como se eles mesmos fossem deles e não de uma forma de exploração infame, gigantesca e insolúvel! É uma perversidade imensa e uma perversidade planetária! No fundo tentamos defendê-los da burrice mas eles se voltam contra nós como se tivéssemos esbofeteado suas bochechas sem vergonha.
Por isso e muito mais não sou brasileiro (jamais vendi o pau que vocês chamam de brasil), não sou nordestino, não tenho nada a ver com rondônias, com o norte, com o sul do país ou da nação: tudo isso e nada para mim é a mesma coisa. Minha língua não é o português, não é o russo, não é o espanhol, não é o inglês: não importa em qual língua se escreve ou se fala: ela é apenas uma circunstância: sua existência é ser traduzida e o que se traduz não é uma língua mas o que se aponta antes da língua, o que deseja depois da língua, o que corre como fogo por dentro dela. Esse fogo é a literatura.
Não me comove o país de vocês, não me interessa no sentido mais profundo do termo: é uma circunstância infeliz viver aqui e não ali ou acolá: em qualquer lugar é a mesma coisa, pesam os mesmos cretinos e os mesmos cretinismos. É impossível fugir. E não interessa fugir: é o enfrentamento que nos faz ser o que somos. Quem nada enfrenta e quem em tudo igual a todo mundo acredita jamais poderá compreender aqueles que podem viver sem viver, criar sem domesticar, descrer como maneira de continuar vivendo cultivando o não como a única maneira de sobreviver. Quem não se acostumou a pastar sente muita dificuldade em começar a comer capim, mas quem viveu sempre nesse regime sente muita dificuldade em levantar a cabeça e ver que existe algo além do campo e do verde eterno do chão dos pastos. Todos os que deixaram o mundo dos pais, dos professores, dos amigos, dos chefes, dos políticos, das mães, da mídia, das mulheres, das hienas e dos homens, do bom gosto e senso comum são os libertinos, os artistas que não deceparam seu espírito como se corta grama: quantos picaretas nessa terra de vocês se acham artista! Mas isso é outra história. É outro contra. Por enquanto abram os olhos: há uma nova espécie de nacional-socialismo sendo gritado o tempo inteiro como se fosse a coisa mais linda do mundo.
terça-feira, 31 de maio de 2011
[domínio público] GRACIAS, BRASIL!

::txt::Alfredo Mujica::
El jefe Raoni llora cuando se entera de que la Presidente Dilma publica el inicio de la construcción de la represa, incluso después de cartas dirigidas a ella por el mismo, que fueron ignorados y más de 600 mil firmas que también ignoró.
Esto conlleva la expulsión de 40 mil poblaciones indígenas y locales y la destrucción de hábitat, valioso para muchas especies.
Organizaciones humanitarias de Brasil denunciaron ante las Naciones Unidas que ejecutivos de la empresa que construye una represa en la Amazonia intimidaron a fiscales que cuestionan el emprendimiento por entender que amenaza el hábitat de los aborígenes que viven en la región.
El grupo de empresas Norte Energía S.A. fue acusado de intimidar al fiscal Felício Pontes Júnior y presionar a la Justicia para que lo aparte de sus funciones de veedor de las obras de la represa Belo Monte, que será la tercera mayor del mundo.
El Consejo Indigenista Misionario, la ONG Justicia Global y otras 12 entidades denunciaron al consorcio Norte Energía ante la Relatoría Especial sobre Autonomía del Poder Judicial de la ONU.
Los grupos cuestionaron además la construcción de Belo Monte por las consecuencias ecológicas que la obra tendrá en la región amazónica y por inundar tierras de los pueblos originarios de esa zona.
La usina Belo Monte también fue denunciada por la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH), de la OEA, que recomendó suspender su construcción.
El gobierno de la presidenta Dilma Rousseff expresó semanas atrás su “perplejidad” por el parecer de la CIDH.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
[cc] CHINA E O ELOGIO DA CRUELDADE
::txt::Bruno Lima Rocha::
A situação do dissidente chinês Liu Xiaobo retrata uma proposta de regime político fechado com expansão capitalista ilimitada. Enquanto o professor é agraciado com o prêmio Nobel da Paz de 2010 e não pôde recebê-lo porque se encontra em prisão domiciliar, o mundo transpira – e se cala - a cada oscilação da taxa de juros do país que é o maior comprador mundial de títulos da dívida pública dos EUA.
Nada disso é à toa. A China inspirada pelo ex-premiê Deng Xiaoping materializa um conceito caro ao neoliberalismo. É um raciocínio simples já expresso abertamente por doutrinadores como Milton Friedman. Trata de conceber as liberdades econômicas como superiores das liberdades políticas. Este Estado não inaugura uma era, mas expande em escala a conjunção de regime autoritário com economia de mercado incentivada por um governo interveniente. O regime “pioneiro” deste conceito foi o de Pinochet. Após o golpe de 11 de setembro de 1973 no Chile, a equipe econômica foi composta basicamente de ex-alunos de Friedman na Universidade de Chicago, também conhecidos como “Chicago boys”. O apelido destes mesmos operadores político-econômicos, dentro do país, era outro, um tanto mais realista, sendo chamados de “piranhas vorazes”.
Já na terra de Confúcio, os estudos recentes de implantação do capitalismo na década de 1990 apontavam para o nexo político-criminal como a forma de crescer economicamente. O lema “enriqueçam!”, proclamado por Deng ainda em vida, não veio acompanhado de normas e condutas de contenção do animal econômico e menos ainda de ampliação de direitos e garantias. Ao revés, a abundância de mão de obra barata e subserviente é essencial para aumentar as margens de quem lá investe.
Mesmo sabendo destas mazelas, no Brasil vemos economistas, colunistas e empreendedores econômicos demonstrando entusiasmo no modelo chinês como um todo. Já ouvi em programa de TV a notórios conservadores afirmando, após uma visita, a maravilha que é a “economia se desenvolvendo sem a pressão de sindicatos”. Outros se dizem gratamente surpreendidos pela “agilidade do poder Executivo” em tomar decisões fundamentais. Ou seja, sem pressão da sociedade organizada, a aliança entre Estado e Empresas faz o que quer e como quiser.
O elogio aberto da China traz consigo a idéia-guia de que o desenvolvimento produtivo está acima dos direitos fundamentais. Trata-se de pura e simples crueldade.
* Deng Xiaoping (1904-1997), líder inconteste do capitalismo chinês, homem forte da China quando do Massacre de Tian Amen, operador – de forma indireta – de conceitos macro-societários dos degenerados neoliberais de Mont Pèlerin
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
[cc] EFETIVAR O ESTADO LAICO
::txt::Túlio Vianna::
A Constituição estabeleceu um Estado no qual as liberdades de crença e culto são garantidas e a separação entre Estado e instituições religiosas é definida expressamente. Na prática, porém, a permissividade da política com a religião ainda é uma realidade a ser enfrentada
O monoteísmo não é nada democrático. A crença em um deus único pressupõe a negação da existência do deus do vizinho. Pior: pressupõe que os mandamentos do seu deus são mais justos que os do deus do vizinho. E é natural que todos aqueles que se arroguem o direito de falar em nome deste deus único e todo-poderoso não primem muito pelo pluralismo. Quem ousaria contestar alguém que fala em nome de um deus onipotente, onipresente e onisciente?
A história está repleta de casos de políticos que sustentaram seu poder em nome de Deus. A teoria do “Direito Divino dos Reis”, em voga no século XVII, deu a Luiz XIV a necessária fundamentação ideológica para tornar-se o maior monarca absolutista da França: “L`État c`est moi” (O Estado sou eu) é a frase que melhor sintetiza o poder do mandatário de Deus na Terra.
No século seguinte, a mão de Deus não evitou que as cabeças de seus representantes na Terra rolassem e só então os ideais iluministas de separação entre direito e religião começaram a prevalecer. Nascia, assim, a concepção de um Estado laico que viria a nortear as democracias ocidentais até hoje.
No Brasil, durante todo o Império, o catolicismo continuou sendo a religião oficial, e as demais eram apenas toleradas (art.5º da Constituição de 1824). Como Estado confessional, o imperador antes de ser aclamado jurava manter aquela religião (art.103) e cabia a ele nomear os bispos (art.102, XIV). Somente com a proclamação da República, o Brasil se tornou um Estado laico, garantindo assim a separação entre Estado e religião (art.72, §3º a 7º da Constituição de 1891).
A atual Constituição brasileira de 1988 não deixa dúvidas quanto ao caráter laico de nosso Estado, garantindo expressamente a liberdade de crença, a liberdade de culto e a liberdade de organização religiosa (art. 5, VI da CR) e estabelecendo claramente a separação entre Estado e religião (art.19, I, da CR).
E “nunca antes na história deste país” esta separação entre direito e religião foi tão importante. Com a expansão das religiões neo-pentecostais nos últimos anos, o catolicismo, que sempre foi francamente majoritário no Brasil, começou a perder espaço e os brasileiros começaram a deparar com os problemas típicos do pluralismo religioso.
Divergências de crenças de um povo 90% cristão
Pesquisa Datafolha de maio de 2007 mostrou que 64% dos brasileiros se declaram católicos, 17% evangélicos pentecostais ou neo-pentecostais, 5% protestantes não pentecostais, 3% espíritas kardecistas, 1% umbandistas, 3% outra religião e 7% sem religião.
Poderíamos simplificar estes números e afirmar que o Brasil é um país 90% cristão, mas, na verdade, estas religiões divergem sobre pontos significativos de suas doutrinas, a começar por católicos e protestantes. Para os protestantes, a Bíblia é a única fonte de revelação de Deus e eles tendem a interpretá-la em sentido mais literal. Já os católicos acreditam também na Sagrada Tradição, isto é, nos ensinamentos orais transmitidos pelos cristãos ao longo dos séculos, como complementares ao texto bíblico. Daí surgem diferenças importantes: católicos adoram os santos e Maria, mãe de Cristo; os protestantes, não. Os católicos reconhecem o Papa como líder espiritual e acreditam nos sete sacramentos como instrumento para sua salvação; os protestantes creem que somente a fé em Jesus é capaz de salvá-los. Católicos interpretam o livro do Gênesis, que narra a história de Adão e Eva, como uma metáfora; alguns protestantes o interpretam literalmente e defendem o ensino do criacionismo na escola.
Mas há diferenças significativas também entre as Igrejas Protestantes históricas (Batistas, Luteranos, Presbiterianos, Metodistas e outras) e as Pentecostais (conhecidas no Brasil como evangélicas). A principal delas é a de que os pentecostais acreditam que o Espírito Santo continua a se manifestar nos dias de hoje, por meio das práticas de curas milagrosas, profecias e exorcismos, entre outras.
Há diferenças substanciais também entre o Pentecostalismo Clássico (Assembleia de Deus, Congregações Cristãs, Deus é Amor e outras) e o Movimento Neo-Pentecostal (Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Renascer em Cristo e outras). A primeira delas é visível: os pentecostais clássicos se vestem com roupas bastante formais por imposição das Igrejas: homens de terno; mulheres de saias longas e cabelos compridos. Outros usos e costumes rígidos normalmente são impostos aos fiéis, como por exemplo, não assistir à TV e não praticar esportes e, para as mulheres, não se depilar ou usar anticonceptivos. O conservadorismo é a tônica da doutrina pentecostal clássica, que se baseia no ascetismo e no sectarismo. Já os neo-pentecostais são bem mais liberais, não se vestem de forma determinada e têm como principal foco a Teologia da Prosperidade, que propugna que os fiéis têm o direito de desfrutar uma vida terrena com saúde e riquezas materiais. Para tanto, precisam demonstrar sua devoção a Deus doando suas economias de modo a se tornarem credores de Deus em uma dívida que será paga com a concessão das dádivas divinas. O sacrifício ascético do corpo é substituído por um sacrifício econômico em honra de Deus.
Finalmente, os neo-pentecostais têm uma divergência inconciliável com os espíritas. Ambos creem em manifestações sobrenaturais na vida cotidiana. Os espíritas acreditam na reencarnação e creem que estas manifestações são causadas por espíritos de pessoas comuns que faleceram e ainda não reencarnaram. Já os neo-pentecostais não acreditam em reencarnação e nem na possibilidade de os mortos se comunicarem com os vivos. Para eles, estes espíritos são na verdade manifestações do demônio e, portanto, precisam ser combatidos. Daí o motivo de tanta hostilidade entre evangélicos e espíritas: enquanto estes creem na possibilidade de conversar com os espíritos de parentes e amigos já falecidos, aqueles os acusam de conversar com demônios.
Neste contexto fervilhante de crenças, nada mais natural que se retomem as discussões sobre a importância do Estado laico. Enquanto o Brasil era um país com população quase que exclusivamente católica, a maioria simplesmente impunha suas crenças sobre a minoria que, de tão pequena, não levantava sua voz para lutar pelo Estado laico.
Basta ver os crucifixos afixados nas paredes dos tribunais e órgãos públicos brasileiros. Se até então o símbolo do predomínio católico em nossos tribunais só incomodava à pequena minoria não-cristã da população, atualmente muitos protestantes já se insurgem contra ele. Infelizmente, em 2007, o Conselho Nacional de Justiça decidiu que os crucifixos nos tribunais não violam o princípio constitucional da laicidade, por se tratar de um costume já arraigado na tradição brasileira. Com este simplório argumento, os conselheiros do CNJ justificariam até mesmo a escravatura que, quando foi abolida em 1888, ainda era costume no Brasil. Se costume fosse fundamento jurídico para justificar o próprio costume, as mulheres ainda teriam que se casar virgens, não haveria o divórcio e o adultério ainda seria crime. Fato é que tribunais e órgãos públicos são mantidos com dinheiro público e não devem expressar as crenças pessoais de seus dirigentes. Os crucifixos não são, pois, apenas um símbolo do predomínio católico, mas antes de tudo de uma apropriação privada da coisa pública para a manifestação de crenças pessoais.
Ensino religioso nas escolas públicas
A questão atualmente mais polêmica que decorre do princípio constitucional da laicidade é a do ensino religioso, de matrícula facultativa, nas escolas públicas, previsto expressamente no art.210, §1º, da Constituição Brasileira.
O Acordo Brasil-Vaticano (Decreto 7.107/10) que em seu art.11, §1º, prevê “o ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas” provocou imediata reação da sociedade civil ao colocar em risco a igualdade de tratamento entre as religiões. A constitucionalidade do dispositivo está sendo contestada atualmente no Supremo Tribunal Federal (ADI 4.439) pela Procuradoria-Geral da República, que defende corretamente que o ensino religioso no Brasil deva ser não-confessional, limitando-se, pois a um apanhado teórico da diversidade de religiões existentes em nosso país.
Melhor seria, porém, que o Estado deixasse cada família decidir sobre a melhor formação religiosa de seus filhos, matriculando-os em cursos fornecidos pelas próprias Igrejas e outras instituições religiosas. Uma emenda constitucional que abolisse o ensino religioso nas escolas públicas resolveria de vez a controvérsia relegando a formação religiosa para a esfera exclusivamente privada.
A meta do Estado laico
O Estado laico ainda é uma meta a ser perseguida pelo Direito brasileiro. Se na questão dos crucifixos e do ensino religioso, a manifestação de cristãos não-católicos tem sido decisiva para colocar em pauta os debates, as violações do princípio da laicidade tendem a ser menosprezadas quando há consenso entre católicos e protestantes.
Veja-se, por exemplo, o art.79, §1º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, que prevê que “a Bíblia Sagrada deverá ficar, durante todo o tempo da sessão, sobre a mesa, à disposição de quem dela quiser fazer uso”. Se o Estado é de fato laico e a religião não deve ser fundamento da elaboração das leis, qual sentido há neste dispositivo? Se o deputado é cristão, que compre sua própria Bíblia e a leve consigo.
O nome do deus monoteísta tem sido usado sem maiores pudores na esfera pública, sob o argumento de que contemplaria todas as religiões. Alega-se que o preâmbulo da Constituição de 1988 se refere expressamente à “proteção de Deus” e, portanto, o ateísmo estaria excluído da liberdade de crença. Trata-se de um falso fundamento jurídico, já que o preâmbulo, por sua própria definição, é o texto que antecede a norma e, portanto, não faz parte dela. Em suma: não tem qualquer valor normativo.
A liberdade constitucional de crença é também uma liberdade de descrença, e ateus e agnósticos também são cidadãos brasileiros que devem ter seus direitos constitucionais respeitados. O mesmo se diga em relação aos politeístas, que acreditam em vários deuses e não aceitam a ideia de um deus onipotente, onisciente e onipresente.
Um bom exemplo do uso do nome de Deus com violação do princípio da laicidade é a expressão “Deus seja louvado” no dinheiro brasileiro. Como não incomoda à maioria da população, acaba sendo negligenciada em detrimento dos direitos constitucionais dos ateus, agnósticos e politeístas, que ainda não são bem representados no Brasil. Já se vê, porém, algumas destas expressões riscadas à caneta nas notas brasileiras, o que é uma clara manifestação de descontentamento com o desrespeito à descrença alheia.
O paradoxal desta menção de Deus no dinheiro brasileiro é que a Bíblia narra (Mateus: 22, 21) uma passagem na qual Jesus rechaça uma tentativa de uso político de seus ensinamentos e reconhece a importância do Estado laico, referindo-se justamente à moeda romana: “Dai o que é de César a César, e o que é de Deus, a Deus”. Das duas, uma: ou o Deus cristão mudou de ideia nestes últimos dois mil anos ou seus representantes na Terra andam excedendo os limites da procuração por Ele outorgada.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
[agência pirata] COVIL TROPICAL
::txt::Jana Lauxen::
O debate político, que deveria estar acontecendo nestas três semanas que separam o primeiro do segundo turno, virou uma guerra de travesseiros com direito a penas voando para todos os lados.
Propostas? Quase nenhuma.
Promessas? Aos montes.
Se ambos os candidatos fizessem um terço do que estão dizendo que farão, estaríamos salvos.
Mas ok.
Sabemos que é assim em tempo de eleição, e até já nos acostumamos.
Porém, nesta eleição em especial, presenciamos uma das mais explícitas e ordinárias troca de acusações e baixarias da história deste país, entre as duas pessoas que, dada a importância do cargo que pretendem ocupar, precisavam estar mais preocupadas em discutir soluções e criar alternativas, e menos em coletar pedrinhas para atirar contra o telhado de vidro alheio.
Serra e Dilma - e toda a corja que os acompanha - mais parecem duas garotinhas mimadas disputando a mesma boneca.
Os dez minutos diários a que cada aspirante a presidente tem direito, ao invés de tratarem sobre COMO cada um pretende resolver os problemas deste país (não seria este o objetivo? Sou ingênua?) viraram em travesseiradas e gritinhos.
Cada candidato se transformou numa metralhadora ambulante de apelações, e até deus já apareceu na história – e sem direito de réplica.
Num passe de mágicas, Serra e Dilma vestiram até mesmo a camisa verde da causa ambiental, e nunca pensaram tanto na preservação dos passarinhos amazônicos.
Cada qual apregoando que, se não for eleito, o Brasil estará perdido; como se não estivéssemos perdidos de qualquer maneira.
Agora, sabem o que é o pior?
Nem é constatar que, apesar do meu incorrigível otimismo, nossa política desce, DE FATO, frenética ladeira abaixo.
O pior é ver que os eleitores, que deveriam ser os primeiros a cutucar o ombro de Serra e Dilma e dizer: - Hã, oi? Quando terminarem o bate-boca, podemos começar a falar sério?, são os primeiros a ingressar no batalhão de choque e partir para o ataque, se agarrando com unhas e dentes em discussões que saem do nada e vão para lugar nenhum.
Neste exato momento eles estão discutindo amenidades, no maior estilo ‘sou ruim mas você é pior’, e nós, os maiores interessados, estamos numa platéia batendo palminhas e empunhando bandeirolas.
Não, isto não é um jogo de futebol.
Não somos torcidas rivais, meu povo.
Muito pelo contrário: jogamos todos no mesmo time.
Somos os juizes desta partida, e não o contrário.
Não há Serra versus Dilma. O que existe é Serra & Dilma versus nós.
E afirmo isto com convicção porque eles estarão numa boa de qualquer jeito.
Ganhem petistas, ganhem tucanos, eles continuarão morando em suas casas grandes e bebendo cicuta com azeitona ao entardecer, mamando na teta do governo enquanto eu, você e sua mãe continuaremos aqui, comendo o pão que Dilma e Serra amassaram.
Se PT e PSDB estão protagonizando este circo, acreditem, é porque existem espectadores.
Aliás.
Estas eleições nada mais são do que um perfeito e fidedigno retrato da sociedade onde vivemos: um monte de gente histérica gritando sem parar por causa de nada, enquanto o importante vai passando embaixo de nossas fuças sem que possamos sequer perceber, ocupados que estamos em fazer barulho.
Cada povo tem o governo que merece.
E este é mais um motivo para não votarmos em branco dia 31.
Seja nela, seja nele, quem será eleito para ser nosso representante pelos próximos quatro anos desempenhará com maestria a função para a qual foram eleitos: nos representar.
Afinal, desde já estão, os dois, representando nossa burrice e nossa vulgaridade com muita competência.
Nossos candidatos à presidência nunca serão pessoas sérias e compromissadas porque nós, eleitores e eleitoras deste país, também não somos.
Como poderíamos eleger alguém decente para nos representar, se somos, nós mesmos, tremendamente indecentes?
Parabéns Brasil.
E que vença o menos pior.
sábado, 24 de julho de 2010
CALA BOCA SYLVESTER STALLONE

::txt::Jucazito::
Prezado Rambo, ou Rock Balboa, ou Cobra, como você ousa falar mal do Brasil?
Aqui não tem corrupção. Temos uma floresta linda onde não há desmatamento. Nossa seleção quase foi hexacampeã nas duas últimas copas do mundo. Nosso parlamento é um exemplo de moral e ética, sem esquecer que estão sempre presente ao trabalho, de segunda a sábado, em troca de um mísero salário. A televisão brasileira é um exemplo de programas educativos. Aqui não há morte no trânsito, pois nossas estradas são impecáveis, onde jamais será permitido que um bêbado dirija ao volante. Teremos aqui Olimpíada, Copa do Mundo, Copa das Confederações, Copa América nos próximos seis anos, e os estádios já estão quase prontos.
Temos uma estabilidade política impressionante, pois com certeza nosso próximo presidente será do mesmo partido que governa o país há décadas. Ou você esqueceu que o Sarney era da Arena naquela época que o Lula pedia nas fábricas pra votarem no FHC?
Enfim, senhor Sylvester Stallone, cala essa tua boca. O Brasil é o país do futuro, desde que eu nasci.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
DUNGA: A TPM QUE NÃO PASSA
:txt: Bruno Mazzeo__
Pronto. Já formei minha opinião: acho o Dunga um mala. Mala no sentido mais possível da expressão. Sem alça. De papelão em dia de chuva. Praticamente um contêiner. Não cabem aqui críticas ao seu trabalho, muito já se falou disso e todo mundo sabe que nossa caminhada rumo ao hexa vai ser com um Felipe Melo aqui, um Josué acolá. Falo da sua postura. Arrogante, prepotente e, no mínimo, mal-educado. Não necessariamente com os jornalistas que fazem as perguntas e considerações que tanto o deixam irritadinho, mas com o público, os torcedores brasileiros que querem e têm o direito de ouvir suas considerações, por mais idiotas que possam ser.
Uma das mais perfeitas expressões populares é "não sabe brincar, não desce pro play". E Dunga não só não sabe brincar, como ainda recolhe os brinquedos quando perde. Como uma criança mimada. Não me lembro de um técnico da seleção que não tenha sido questionado, ainda mais se tratando de um país onde todos são técnicos. Seja a falta de ponta do Telê ou a retranca do Parreira, nunca houve uma unanimidade. Nem vai haver. Até mesmo Zagallo, o maior vencedor de todos, teve que berrar para ser engolido. Cabe ao questionado usar argumentos para explicar suas decisões. Como fez o Felipão falando o porquê de deixar o Romário de fora, quando todo o Brasil clamava pelo Baixinho. Concordando ou não, era uma explicação, um raciocínio, uma lógica. Respeita-se e pronto.
Dunga não aceita críticas e nem justifica nada. Em vez de argumentos, usa sua cara de mau, seus erros de concordância e - mais recentemente - um ou outro palavrão. Me parece que o rancor pelas críticas surgidas em 90, começo da Era Dunga, ainda não foram superadas. Ficaram impregnadas dentro dele, como se tivesse eternamente que provar alguma coisa. Ora, isso já passou. Ou deveria. Logo na Copa seguinte, quando virou capitão, líder e, com toda a justiça, ergueu a taça. Ali as bocas já tinham sido caladas. Ele continuou xerife da seleção, respeitado e mesmo admirado pelos torcedores. Encerrou a vitoriosa carreira de jogador e, ao começar a de técnico, trouxe de volta a raivinha.
Claro que a responsa por ter contrariado a nação com sua convocação mediana tem um preço. Nem que seja o das críticas. Até voltar com o hexa e calar a boca de todo mundo. E essa é a resposta que queremos. Porque, quando a bola rola, todo mundo esquece que o Felipe Melo tá ali e torce como se fosse o Ganso. Assim como ninguém mais fica enchendo o saco do Felipão por ele ter preterido Romário. Preço que ele ia pagar caso não ganhasse o título. Como Parreira pagou na última Copa com a insistência nos veteranos que arrumavam meiões e não tinham comprometimento.
Que TPM é essa que não passa nem depois de uma vitória "convincente" como a contra a Costa do Marfim? As aspas foram porque, a mim, não convenceu tanto. Desculpe o mau humor. Acho que baixou um Dunga por aqui.
Continuo achando o time brasileiro assim assim. Mas como é assim assim a Copa, temos chances de voltar com a taça. E Elano, com dois gols em dois jogos, é a consagração do jogador mediano.
Acho que foi Camarões, em 90, a primeira seleção africana a encantar o mundo com sua alegria. Depois vieram Nigéria e até mesmo Senegal. Os africanos viraram o América, o segundo time de todos nós. Mas de um tempo pra cá, não só esqueceram a alegria, como passaram a usar da raiva. O que fizeram os jogadores da Costa do Marfim contra o Brasil foi revoltante. Se fosse no Maracanã, sairiam de campo aos gritos "timinho". É a globalização da Era Dunga.
Totalmente injusta a expulsão do Kaká. Não houve nenhum revide, nenhuma peitada, nada. Ele simplesmente vacilou ao não ficar invisível para deixar o cara passar. Ou talvez tenha sido o fato de ele ter xingado o zagueiro africano de "cabeça de melão".
Que golaço o do Luís Fabiano, hein? Por mais que tenha sido um gol(aço) de pelada, levou até o juiz a abrir uma licença poética e fingir que não viu seus toques de mão. Um gol daqueles não merece ser anulado.
Só não foi mais bonito do que o do Vivinho. Lembra?
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A OUSADIA É ALBICELESTE
:txt: Monsenhor Jacá__
Como é bom ver times que jogam pra frente, com vários atacantes de qualidade, com esquema ofensivo, em busca do gol. Não posso negar que eu era um daqueles que não acreditavam num time treinado por Maradona. Don Dieguito foi um dos maiores jogadores que eu vi, ao lado de Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Van Basten e Rivaldo, abaixo somente de Zidane, o maior de todos. Lógico, não vi Pelé, Garrincha e Puskas, e peguei Zico e Platini em fim de carreira. Porém, como técnico, estava deixando a desejar. Basta notar a irregular campanha nas eliminatórias, quando se classificou na última rodada, em partida heróica no Centenário.
Ainda tenho algumas restrições com a pessoa de Maradona. O apoio à ditadura cubana é a principal delas. Mas nem se compara ao ex-perna de pau Dunga, um arremedo de técnico, um esnobe analfabeto nos microfones, um filho da mãe que hei de secar, principalmente se for numa final contra los hermanos albicelestes.
Ao contrário de nossa medíocre, burocrática e retrancada seleção de mentalidade anã, a esquadra Argentina vai pra cima dos adversários, sem medo de ser feliz. Aos poucos, estão me conquistando! Antes disso, gostaria de ver o Dunga dar aquela matada de bola, com categoria. Impossível né? Negócio dele sempre foi dar carrinho e jogar deitado.
Viva o futebol arte!
Como é bom ver times que jogam pra frente, com vários atacantes de qualidade, com esquema ofensivo, em busca do gol. Não posso negar que eu era um daqueles que não acreditavam num time treinado por Maradona. Don Dieguito foi um dos maiores jogadores que eu vi, ao lado de Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Van Basten e Rivaldo, abaixo somente de Zidane, o maior de todos. Lógico, não vi Pelé, Garrincha e Puskas, e peguei Zico e Platini em fim de carreira. Porém, como técnico, estava deixando a desejar. Basta notar a irregular campanha nas eliminatórias, quando se classificou na última rodada, em partida heróica no Centenário.
Ainda tenho algumas restrições com a pessoa de Maradona. O apoio à ditadura cubana é a principal delas. Mas nem se compara ao ex-perna de pau Dunga, um arremedo de técnico, um esnobe analfabeto nos microfones, um filho da mãe que hei de secar, principalmente se for numa final contra los hermanos albicelestes.
Ao contrário de nossa medíocre, burocrática e retrancada seleção de mentalidade anã, a esquadra Argentina vai pra cima dos adversários, sem medo de ser feliz. Aos poucos, estão me conquistando! Antes disso, gostaria de ver o Dunga dar aquela matada de bola, com categoria. Impossível né? Negócio dele sempre foi dar carrinho e jogar deitado.
Viva o futebol arte!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
O ROUBO É LIVRE
#over12
Distribuindo a renda
txt: Tiago Jucá Oliveira
Uma cena me desagradou muito ontem à noite, na saída do jogo do Grêmio, aqui em frente a redação. Uns cinco rapazes partiram pra cima de um cara que tinha entrado no carro deles, mas pelo que notei não roubou nada.
Tentei tirar o cara do bolo, mas já era tarde. Os covardes partiram pro soco, juntaram um tijolo e quase mataram o carinha. Mesmo assim tiramos ele do meio e demos um corre nele: "vaza magrão, os cara vão te matar".
Aí você começa a ouvir a opinião ao redor: "tinha que matar", "era pra deixar ele aqui pra apanhar até morrer", "eu devia ter tocado o tijolo na cabeça desse vagabundo". Sorte minha e do mundo que eu não estava sozinho. O ex-zelador e a atual zeladora do prédio também tentaram evitar a agressão. Régis, o ex-zelador, lembrou um fato antigo acontecido no prédio: "peguei um cara saindo do prédio com um relógio na mão; ae falei pra ele devolver o relógio; ele devolveu e eu fui lá na frente abrir o portão pra ele sair". Grande Régis, atitude digna dum ser humano.
Engraçado que nenhum desses covardes tem reação igual contra os nossos corruptos. Agora um pobre coitado (se você visse o cara, diria a mesma cousa), que nem roubou nada, quase é morto a porrada. Por isso que escrevo isso e venho a insulta-los, bando de bunda mole. Meu amigo Vermeio que me disse isso uma vez: "num país tão desigual como o Brasil, pobre roubando rico é a melhor forma de redistribuição de renda". Disse tudo, Vermeio! Viva Robin Hood!
Distribuindo a renda
txt: Tiago Jucá Oliveira
Uma cena me desagradou muito ontem à noite, na saída do jogo do Grêmio, aqui em frente a redação. Uns cinco rapazes partiram pra cima de um cara que tinha entrado no carro deles, mas pelo que notei não roubou nada.
Tentei tirar o cara do bolo, mas já era tarde. Os covardes partiram pro soco, juntaram um tijolo e quase mataram o carinha. Mesmo assim tiramos ele do meio e demos um corre nele: "vaza magrão, os cara vão te matar".
Aí você começa a ouvir a opinião ao redor: "tinha que matar", "era pra deixar ele aqui pra apanhar até morrer", "eu devia ter tocado o tijolo na cabeça desse vagabundo". Sorte minha e do mundo que eu não estava sozinho. O ex-zelador e a atual zeladora do prédio também tentaram evitar a agressão. Régis, o ex-zelador, lembrou um fato antigo acontecido no prédio: "peguei um cara saindo do prédio com um relógio na mão; ae falei pra ele devolver o relógio; ele devolveu e eu fui lá na frente abrir o portão pra ele sair". Grande Régis, atitude digna dum ser humano.
Engraçado que nenhum desses covardes tem reação igual contra os nossos corruptos. Agora um pobre coitado (se você visse o cara, diria a mesma cousa), que nem roubou nada, quase é morto a porrada. Por isso que escrevo isso e venho a insulta-los, bando de bunda mole. Meu amigo Vermeio que me disse isso uma vez: "num país tão desigual como o Brasil, pobre roubando rico é a melhor forma de redistribuição de renda". Disse tudo, Vermeio! Viva Robin Hood!
segunda-feira, 18 de maio de 2009
O ÚLTIMO BRASILEIRO

# repórter foca #
Marujo Barujo
txt e phts: Junior Bellé
Fala Jucá, aí vai a reportagem sobre o último habitante do território brasileiro. As fotos te envio em breve, tenho umas 10, mas o cara nao curte fotografias entao foi complicado um ângulo interessante. O texto precisa editar pois escrevi de um teclado em castellano entao faltam vários acentos. Me dá um toque pra confirmar que recebeu a matéria, se faltar algo me avise. To atrás da segunda pauta aqui no Uruguai. Abraço. Nao demore pra responder pois nao sei quando terei internet de novo depois de Montevideo.
Hasta Pronto, Junior Bellé.

O último habitante do Brasil é fã de Judith Cortesão, há 14 anos ocupou uma antiga instalação militar e a transformou no último museu em território tupiniquim, o Atelier, que também é o último instituto, chamado Balaena Australis. Tomei um ônibus na rodoviária do Chuí, direção Barra - já no município de Santa Vitória dos Palmares -, para chegar até ele, e logo estava vasculhando os arredores do museu, observando pelos vidros os pedaços de crânio de baleias expostos em uma das galerias. Segui por uma picada ao lado do lugar e topei com a casa mais ao sul do Brasil, uma grande construção de madeira negra e teto de palha, adornada por garrafas de vidro coloridas e alguns contornos feitos de ostras. Analisava o local até ser surpreendido por um homem com jeitão de remanescente hippie, vestindo galochas pretas e toquinha de lã.
- Opa, tudo bom? Hamilton? Eu sou Junior, Seu Francisco e Dona Tânia comentaram sobre você. Esse lance de ser o homem mais ao sul do país e essas coisas todas, o casal havia dado uma carona de Rio Grande até Santa Vitória e no caminho comentaram a respeito do último artista plástico antes do Uruguai.
-Jornalista?
-Isso.
- Tem esse detalhe geográfico mesmo, comentou sem dar muita importância.
- Além de ter que agüentar repórter chato no mesmo clichê toda hora, tem algum outro fator importante em ser o cara mais austral do Brasil? Ele não respondeu, simplesmente virou as costas e me convidou para entrar no Atelier.
Descreveram-no como ermitão, mas antes de topar com um estranho em seu quintal, Hamilton se preparava para subir em seu Jipe sem freios e rumar para Santa Vitória, sua cidade natal, atrás de uma moto-serra: iria cortar as acácias que tomam a beira da estrada para construir uma ciclovia. Hamilton Coelho tem 52 anos, é graduado em Escultura e Gravura, barbudo desleixado, artista plástico inspirado pelo mar, de onde retira quase toda matéria prima para suas obras, e os móveis de sua casa. - Eu não quero que minha arte entre na mesmice de sempre, de simplesmente expor em galerias, disse ele. Caminhávamos pelo instituto e Hamilton me contou sobre os shows que promove durante o verão no Marujo Barujo. E essa é a ironia etílica mais sacana da geografia brasileira: a derradeira construção em território nacional é um boteco, um bar feito de madeira e palha onde o homem mais austral do Brasil promove shows com fogueiras ao ar livre e muita bebedeira. “Da última vez veio uma banda de jazz, teve a fogueira e tudo, e tem até um lugarzinho pra dormir dentro do bar pra quem cansar”, apontou para um pequeno segundo piso, a menos de um metro da cobertura de palha.

Ele é um artista engajado e quer distância do mainstream cultural. Ecologista um tanto ortodoxo e fissurado por pinga de buchá. “Daqui a 200 metros é o começo do Brasil”, disse ele quando nos despedimos em frente ao museu. “Ou o fim, depende do teu humor e da fermentação gástrica”, sorrimos. O próximo ônibus só passaria uma hora e meia depois, por isso decidi voltar caminhando. Nove quilômetros de Mar de Copas, enxames de varejões verdes sanguessugas e Arlo Guthrie.
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