Você abre o seu negócio. Pensa no nome, local da loja ou sala, decoração, como e o que vai vender e faz a inauguração. Os clientes que imaginava não entram. As vendas não acontecem e o seu capital de giro está acabando.
Essa é uma simulação do que acontece com diversos empreendedores e empresários em todo lugar, em especial no RS. Não há planejamento mínimo e as coisas começam a ficar tão difíceis que a falência é inevitável. Cenário semelhante acontece na internet.
O “boom” da internet já passou. Quem não se preparou para imprevistos, em um mercado dia a dia mais profissional, vai fechar seu site assim como fechou a loja.
A internet é cheia de armadilhas aos empresários de primeira, segunda...terceira viagem. Por quê? Porque todos os dias novas e dinâmicas ferramentas são disponibilizadas para que o relacionamento com seu público foco seja nutrido. Sim, todos os dias é preciso que haja esse movimento e tudo resulta em números. Essa é a grande vantagem da internet que muitos pensam ser apenas virtual. Não! Ela é tão real quanto a fachada da sua loja que acabou rasgando com o último vento que bateu. Mas é bom deixarmos claro que ninguém é obrigado a entender de tudo. E também os empresários não devem pensar que sabem de tudo. Logo, qual a solução para esse impasse? Investir em profissionais capacitados teórica e tecnicamente.
Por isso, na hora de se “aventurar” empreendendo seu dinheiro suado, pense bem. Pense e evite perdas desnecessárias de tempo e dinheiro. Contrate profissionais que resolverão essas e outras situações. Afinal, médico não conserta motor, livreiro não pesca, contador não entende de propaganda e empresário não precisa saber de comunicação digital. Um Relações Públicas ou Jornalista sim.
A
noite da última quinta-feira no Opinião, foi uma noite de estreias.
Foi a primeira vez de Tulipa Ruiz e de Mariana Aydar nos palcos
gaúchos e a primeira vez que apresentaram um show juntas no Brasil.
Apesar do modesto número de pessoas na plateia, as paulistas
apresentaram shows descontraídos e demonstraram que o palco é seu
habitat natural.
Mesmo sendo uma
artista independente, Tulipa já tem seus fãs fiéis. O público
cantou junto com ela todas as músicas do seu primeiro e único
disco, “Efêmera”. Tulipa garantiu um dos momentos mais
descontraídos do show, quando o telão falhou e precisou improvisar,
ela mesma foi passando as “plaquinhas” com algumas
palavras-chaves da letra de “Às Vezes”.
Interagindo sempre
que possível com a plateia, Tulipa comentou a respeito da alegria de
finalmente estar se apresentando em Porto Alegre. Contou que Mariana
e ela haviam percorrido várias rádios locais durante a tarde e que
a fala que mais havia se repetido era sobre “as novas vozes da
MPB”. Ironicamente falando em homenagear um desses novos
compositores, Tulipa canta “Da Maior Importância” de Caetano
Veloso.
Qual
não foi a surpresa do público quando no bis, Tulipa chamou ao palco
seu amigo e vizinho em São Paulo, Filipe Catto. Repletos de gestos
de carinho, juntos cantaram “Cada Voz”, encerrando assim o
primeiro show.
Mariana
Aydar foi recebida por uma plateia já cansada e que não conhecia
assim tão bem suas músicas. Cantando canções do seu mais recente
disco “Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo” e sucessos dos dois
anteriores, ainda assim Mariana demonstrou estar inteiramente à
vontade. Em certo momento disse estar cansada do salto, tirou as
botas e seguiu o show de pés descalços.
Também
dividiu o palco com Filipe Catto, cantando juntos “Passionais”,
música presente no álbum mais recente da cantora. Canções como
“Vai Vadiar” de Zeca Pagodinho, “Deixa o Verão” do Los
Hermanos e “Zé do Caroço” de Leci Brandão, já consagradas e
regravadas pela cantora, foram as mais cantadas pelo público.
No
camarim, em uma conversa após o show, Mariana confirmou que irá
participar da gravação do DVD de Leci Brandão e que futuramente
também pretende lançar um. Confessou que desde o lançamento de seu
primeiro disco, em 2006, tinha vontade de vir a Porto Alegre, mas que
trazer um show até aqui é muito difícil. Ela acredita que o
bairrismo seja um dos motivos de, pelo menos aparentemente, o público
gaúcho parecer fechado a artistas pouco conhecidos e de fora do
estado.
Tulipa
Ruiz e Mariana Aydar já haviam se apresentado juntas outras duas
vezes, em Lisboa e em Bogotá. Como amigas estão acostumadas até
mesmo a dividir a banda. Com timbres e estilos musicais não assim
tão parecidos, ambas cativam o público à sua maneira. Lamentável
foi só o fato de Opinião estar praticamente vazio mesmo servindo de
palco para duas cantoras tão talentosas.
*essa reportagem é dedicada a Carolina, do Opinião, pela falta de profissionalismo em relação à imprensa. O local mais apropriado pra ela trabalhar é num puteiro. Grossa, e sem a mínima humildade pra admitir que errou. A reportagem d'O DILÚVIO também queria cobrir o show de Felipe Catto, mas graças a essa cadela não foi possível.
Comentário de Tiago Jucá Oliveira. Pode processar. Au au.
Li que cientistas conseguiram transmitir eletricidade sem fio. Encontrei essa notícia num canto de uma página de um jornal e depois a vi sem grande destaque em um portal. Cliquei para ler os comentários sobre essa auspiciosa descoberta. “Agora que a gente vai fritar mesmo kkkkkkk.” “Finalmente a bateria do meu celular não vai acabar antes do meio dia.” “Onde compra?”.
Não encontrei ninguém espantado. Nenhum comentário especulou sobre o impacto que essa descoberta poderá ter no desenvolvimento de novos produtos, no desenho das cidades e na ocupação de áreas remotas do planeta. Todos já dão como certo que esse era um passo inevitável dos avanços científicos. Assim como ninguém mais se deslumbra com as milhares de maravilhas tecnológicas que fazem parte do cotidiano do habitante do século XXI. Pelo menos é isso que descobri, recorrendo a uma ferramenta de pesquisa que no intervalo de 0,23 segundos me ofereceu 358.4560000 resultados.
A vida do escritor de ficção científica não está fácil. Não que ela tenha sido algum dia. Mas esse gênero que ajudei a construir e consagrar, dependia das impossibilidades tecnológicas para manter o seu fascínio. Se tudo é possível de ser realizado, não há mais ficção científica, mas apenas ficção.
Muitas das predições contidas em meus livros, como viagens à lua e submarinos, não só se concretizaram, como se sofisticaram ao extremo, superando até a minha prodigiosa imaginação. O problema é que hoje você imagina algo e quando vai pesquisar ela já existe. Por isso, vou abandonar as engenhocas e me dedicar a prever ficcionalmente comportamentos sociais. Esses ainda causam espécie.
É o caso da privacidade. A vida íntima já teve valor. Hoje ela é exposta voluntariamente nas redes sociais, nos programas de TV e nas revistas de fofocas. Até a reprodução é assistida. Meus contemporâneos ficariam de queixo caído em saber que virou um hábito, tão corriqueiro como escovar os dentes, informar, para conhecidos e desconhecidos, a onde está, o que está fazendo, o que está vendo e o que está pensando.
Prevejo que, num futuro não distante, a privacidade não será uma questão para a maioria das pessoas. Ninguém se importará em preservá-la. Pudores serão deixados de lado. Haverão redes sociais, baseadas em geolocalização, para compartilhar a realização das necessidades fisiológicas. “Simone acabou de urinar 102 ml em Ribeirão Preto.” Mães acompanharão a feitura da lição de casa dos filhos pelo feed de pensamentos. Tratamentos de canal serão transmitidos ao vivo e com espaço para comentários. “Vamos ver se agora ele cuida mais dos dentes”. Aplicativos medirão e postarão a performance sexual dos praticantes com gráficos que analisarão o desempenho do dia, mês e do ano, para os casados.
Quando esse dia chegar, seremos todos íntimos e desinteressantes. Pois já não representaremos mais nenhum mistério para o outro.
Antes de tudo, eu não vou ser analista da Xuxa. O Brasil inteiro já se coloca nesse papel agora. Todas as pessoas do país falam hoje (em tom de especialistas ou de julgadores) sobre a entrevista que a apresentadora deu ontem para o Fantástico.
Xuxa chorou e disse que foi abusada sexualmente com câmera dramática, cenário dramático e trilha dramática. Tudo ali cheirava a sensacionalismo. A chamada, de que Xuxa revelaria coisas inéditas, já soava como puro circo sensacionalista barato armado pelo ainda mais “importante” programa dominical do Brasil.
Xuxa ter sofrido abuso é muito triste. Mesmo. Ela chorar na TV também. Mas isso não é exatamente novidade. Ela sempre usou a mídia como divã. E ela não é a única. Muitas celebridades usam, sim, a imprensa, a TV, para tentar se resolver. Não sou capaz de dizer por que uma pessoa faz isso. Mas sou capaz de entender que a culpa não é só dela.
A mídia e os fãs, esses “amigos da onça”, estão sempre apontando as câmeras para você. São sempre carinhosos, afinal, te amam, se importam e querem saber ABSOLUTAMENTE TUDO SOBRE VOCÊ. Só que essa mesma gente que te ama um dia vai te usar e pode te matar.
De novo. Eu não vou analisar a vida da Xuxa. Essa hora mesmo, enquanto escrevo, todo mundo já está fazendo isso. E tem mais. O que ela disse não me assusta. Faz parte da trajetória de alguém que sempre se expos. O que assusta é o sensacionalismo do Fantástico e da TV Globo com uma das suas funcionárias mais rentáveis (se não está rendendo tanto, desculpem, já rendeu mais que o suficiente por muito tempo).
Mas não. É preciso aumentar o ibope. É preciso ganhar dinheiro. Faça um exercício. Imagine tudo o que a Xuxa disse escrito em uma revista ou em um jornal. Ela contar que sofreu abuso continuaria triste. Mas não seria tão chocante. O Michael Jackson ter a pedido em casamento seria apenas uma historia curiosa e quase engraçada. Ela ser solitária? Normal. Quantas estrelas solitárias existem por aí?
Mas com aquela luz. Aquela câmera próxima. Aquela trilha. Tudo pode virar filme de terror. E virou. No twitter, as pessoas BRIGARAM por causa da entrevista. Se brigamos por causa de uma entrevista dada por uma apresentadora de TV para um programa dominical, quem somos nós para chama-la de louca?
Pelo jeito não foi só a Xuxa que caiu no jogo do Fantástico. Nós, telespectadores, também caímos. E, na dúvida, saímos chamando a mulher de maluca. E esquecemos que aquilo era um programa de televisão usando o sensacionalismo mais barato. Na internet, as pessoas dizem que estão com vergonha alheia da Xuxa. Eu também estou com vergonha alheia. Só que é do Fantástico.
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