#CADÊ MEU CHINELO?

terça-feira, 14 de abril de 2009

FÁBRICA DE MENTIRAS

# conection #
A injustiça e o privilégio no reino da comunicação
txt: Repórter Popular



Mídia ilegal chama comunitárias de piratas

A comunicação social brasileira vive momentos difíceis. Se na ditadura militar tive-mos de enfrentar a censura, agora, na democracia neoliberal, confrontamos a injustiça e o privilégio. A maior parte das emissoras comerciais de rádio e TV estão com suas outorgas vencidas. Ou seja, são ilegais. Embora estejam fora da lei, continuam a receber patrocínio público e não sofrem repressão da Anatel.

É o inverso do que acontece com as rádios comunitárias. Campeãs de audiência nas classes C, D e E, estas emissoras, reguladas pela Lei 9612/98, levam de cinco a sete anos para ter sua outorga provisória e sofrem pelo menos quatro repressões ao longo deste período. A cada batida da Anatel, equipamentos são roubados, a propriedade coletiva é invadida e comunicadores populares são intimidados e freqüentemente presos.

A comunicação comunitária é um direito constitucional. A criação de um sistema público não-estatal de comunicação está garantida no Capítulo 5º, Artigo 223 da Constituição. Como o Estado não garante de forma justa o direito à informação, comunicação e cultura, o povo faz valer na marra.

Acreditando no papel do jornalismo como essencial para a democracia, enviamos 11 perguntas para 38 dos mais conhecidos jornalistas do Rio Grande do Sul. Simplesmente nenhum profissional da notícia emitiu sua opinião. Sequer nos responderam. Isso só comprova o que já sabíamos. Existem “jornalistas” e JORNALISTAS! Na mídia comercial impera o jabá (matéria e opinião pagas), a chantagem e a postura chapa branca (puxação de saco dos governos para não perder privilégios).

Uma vergonha para o nobre ofício de informar e formar opinião. Mas não há de ser nada. Do lado de cá, sobra valentia diante de tanta covardia e omissão.


Lista das maiores empresas de comunicação gaúcha com outorga vencida segundo a Anatel:


- Entidade
- Data Outorga
- Data Validade

Rádios AM – Ondas Médias


NORTE SUL RADIODIFUSAO LTDA
01/11/1993
01/11/2003
PORTAL RADIODIFUSAO LTDA
01/05/1994
01/05/2004
RADIO E TV PORTOVISÃO LTDA
01/05/1993
01/05/2003
RADIO ESPERANCA LTDA
01/05/1994
01/05/2004
RADIO GAUCHA SA
01/11/1993
01/11/2003
RADIO GUAIBA LTDA
01/05/1993
01/05/2003
RADIO PIONEIRA STEREO LTDA
01/11/1993
01/11/2003
REDE POPULAR DE COM. LTDA
01/05/1993
01/05/2003
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RS
01/11/1973
01/11/1983

Rádios FM – freqüência modulada

DIGITAL RADIODIFUSAO LTDA
13/07/1998
13/07/2008
FUND. CULT. PIRATINI RADIO E TELEVISAO
24/06/1985
24/06/1995
FUNDACAO PASTORAL INTER MIRIFICA
30/09/1988
30/09/1998
NORTE SUL RADIODIFUSAO LTDA
19/03/1995
19/03/2005
RADIO ATLANTIDA FM DE PORTO ALEGRE LTDA
19/03/1995
19/03/2005
RADIO E TELEVISAO BANDEIRANTES LTDA
06/07/1987
06/07/1997
RADIO E TV PORTOVISÃO LTDA
05/12/1984
05/12/1994
RADIO GUAIBA LTDA
09/08/1986
09/08/1996
RADIO ITAPEMA FM DE PORTO ALEGRE LTDA
01/05/1994
01/05/2004
RADIO PIONEIRA STEREO LTDA
01/05/1994
01/05/2004
RADIO PORTO ALEGRE FM LTDA
27/09/1988
27/09/1998
RADIO UNIVERSITARIA METROPOLITANA LTDA
01/05/1994
01/05/2004

Televisões

EMPRESA PORTOALEGRENSE DE COM. LTDA
17/11/1992
17/11/2007
FUND. CULT. PIRATINI RADIO E TELEVISAO
10/12/1989
10/12/2004
RADIO E TV PORTOVISÃO LTDA
05/10/1992
05/10/2007
TELEVISAO GAUCHA SA
05/10/1992
05/10/2007
TELEVISAO GUAIBA LTDA
19/04/1989
19/04/2004

Para consultar quais emissoras de Rádio e TV estão com a outorga vencida, basta acessar >>>> AQUI <<<<<:

segunda-feira, 13 de abril de 2009

CHARME CHULO

# conection #
O caipira é nosso punk



txt: Junior Bellé
phts: Aline Vessoni


A culpa é do Tião Carreiro. E do pagode do Pardinho. Doze anos após se encontrarem no Circo Rapa Rapa em 1954 e formarem a mais inovadora dupla do sertanejo de raiz, resolveram abrir a porteira para o "Boi Soberano". Ele galopou por trinta e sete primaveras até atropelar os tímpanos dos primos Leandro Delmonico e Igor Filus. Os dois jovens acabavam de desatolar da rebeldia punk ao descobrirem que aquela história de romper padrões era, na verdade, o padrão da rebeldia. Foi então que em 2003 a viola de Pardinho dilatou os acordes eletrificados de Clash, Cohen, Bowie, Smiths e Legião que embalavam as sinapses musicais dos primos. Tudo acabou misturado num liquidificador paranaense e assim nasceu o Charme Chulo: "a gente escutou uma moda do Tião Carrero e falou 'meu deus, isso tem a ver com a banda'. Não foi Bob Dylan nem Johnny Cash, foi Boi Soberano, uma música que marcou muito o começo da banda", explicou Leandro, fundador, guitarrista, violeiro e junkie box brega da banda.

É por isso que dizem por aí que a curitibana Charme Chulo é uma mistura do punk inglês dos 1980 com a viola do interioRzão véio. Vem desta mistura escandalosa o embrião original da banda: é rock – mas caipira -, é caipira – mas cosmopolita -, é indie – mas nem tanto -, é moderno – mas chulo -, é chulo – mas charmoso -, é Charme Chulo – mas sem clichês baratos como este! É por isso que os etiquetam nas resenhas musicais como pós-punk rural, folk tupiniquim, rock caipira. Grande parte do charme vem das dez cordas em cinco pares, A Viola, "que foi inserida dentro do conceito da banda, ela é um dos elementos do nosso som", anotou Igor, vocalista, arquiteto, fundador e o penteado oitentista charmoso do Charme.

"A gente tinha a necessidade de algo paranaense, o que a gente enxerga como caipira. Porque, bem, tem o fandango no litoral, e a gente tem alguma coisa que lembra o fandango, mas não é algo significativo no Brasil. Por exemplo, Londrina e Maringá, o noRtão ali é muito caipira, e o sul é gaúcho, então a gente fez algo com sanfona, acordeão também", Leandro comenta sobre a raiz caipira que originou o Charme, e que será o tutano do segundo álbum da banda. Sem produtor, data ou nome definidos, a única certeza é que a partir deste próximo disco, o Charme vai soar mais "Mazzaropi Incriminado" e "Polaca Azeda" e menos "Não deixe a vida te levar". Ou seja, nada de bipolaridades como "Romaria dos Desvalidos" e "Barretos".



Além disso, a trupe paranaense pretende mexer num detalhe interno importante: é possível que Rony Jimenez – baterista e a aura punk da banda – e Peterson Rosário – baixista e aquele brado Helena Meirelles do back vocal – "já nesse segundo disco comecem a compor junto, talvez já tenha música deles também", explica Igor. Mas enquanto os dois vão se integrando à banda e assimilando a chulice charmosa, melodia e letra permanecem a cargo de Igor, e o instrumental com Leandro: "bem no comecinho o Igor compunha muito mais, depois a gente começou a ver que eu vindo com uma idéia e ele pegando essa idéia e desenvolvendo ficava melhor, se tornou meio que uma fórmula pra gente, com exceções de músicas que eu componho inteiras, mas essas são exceções. E é claro que o Rony e o Peter arranjam com a gente, cada vez mais a banda vem absorvendo as influências deles e futuramente eles vão assinar musicas também". O objetivo, pontua Leandro, era chegar ao primeiro disco com algo definitivo, Peterson e Rony são essa definição, "hoje não dá pra imaginar a banda sem eles, a gente formou uma banda MESMO".

quarta-feira, 8 de abril de 2009

ZEROLÂNDIA PROMOVE UMA GUERRA

# ponto de vista #
Os verdadeiros criminosos de guerra



txt: Wladymir Ungaretti

Observem com atenção. Existe uma idéia e uma subjetividade sendo passada aos leitores. As duas fotos acima são da contracapa de Zerolândia (jornal Zero hora), edição de 12.09.2008. A palavra GUERRA esta associada à cidade do RIO. E a palavra PAZ está associada à cidade de NOVA YORK, aos americanos. O país mais violento do mundo está associado à palavra PAZ. É uma piada. E, o Rio de Janeiro, cidade cuja imagem tem sido trabalhada como sendo símbolo da violência, passa por mais uma GUERRA. Não importa qual é a GUERRA. GUERRA É GUERRA.

No entanto, na página interna, a matéria descreve uma situação e o título é "SEM CONFRONTO, tropas ocupam favelas no Rio". Uma GUERRA SEM CONFRONTO. Uma situação que poderia estar ocorrendo em Alagoas, por exemplo. Ou em Pernambuco. A foto é de soldados em posição de tiro. Não tem como o leitor não introjetar uma determinada subjetividade, reacionária. Pela repressão.

Observem, agora, como os jornais "O Estado de São Paulo" e "Folha de São Paulo" tratam da mesma questão, em suas respectivas capas. Não estamos afirmando que um jornal seja melhor do que outro.



A foto acima é da capa do jornal "Estadão", edição de 12.09.2008. Os soldados não estão, em princípio, em posição de combate. O cenário ao fundo é de miséria. E o título: "RIO: TROPAS PARA GARANTIR O VOTO." Não passa a idéia de GUERRA. Não estabelece uma comparação com a PAZ reinante em Nova York. Na página A11 temos uma foto de blindados com soldados em posição de patrulhamento. O título é "Exército nas favelas não atrai candidatos.”



A foto acima é da capa do jornal "Folha de São Paulo", edição de 12.09.2008. O título é "Operação Belezura". A imagem de fundo é um cartaz que passa uma idéia "bonita". De PAZ. O texto é "soldado patrulha bairro pobre da zona oeste do Rio, no primeiro dia do 'manto de segurança' formado por Exército e Marinha para garantir processo eleitoral em 7 favelas (...)" E a foto (interna) é de um soldado em de atitude patrulhamento, tendo ao fundo crianças brincando. Um clima de PAZ.

JORNALISTA trabalha, permanentemente, com noções de comparação. Nunca é demais lembrarmos que o leitor médio não lê mais do que um jornal. E, por isso mesmo, o leitor médio tem poucas chances de sacar a sacanagem, diária.

É o pessoal diplomado que produz essa merda. São criminosos de GUERRA.


#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • Atribuição — Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).

  • Compartilhamento pela mesma licença — Se você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob licença similar ou compatível.

Ficando claro que:

  • Renúncia — Qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais.
  • Domínio Público — Onde a obra ou qualquer de seus elementos estiver em domínio público sob o direito aplicável, esta condição não é, de maneira alguma, afetada pela licença.
  • Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença:
    • Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis;
    • Os direitos morais do autor;
    • Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais como direitos de imagem ou privacidade.
  • Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.

.

@

@