#CADÊ MEU CHINELO?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

DOMICIO GRILLO

A corja do grilo

enter vista: Tiago Jucá Oliveira
cool abor ação: Fernando Bacana Gomes
phts: Grillo (arquivo pessoal público)
dsng: Arlei Xuxu Beleza



Domicio Grillo é comunicador já bastante conhecido devido suas aparições quase diária na telinha, onde é reporter do programa Radar, da TVE do Rio Grande do Sul. Agora Grillo ataca em outra frente, com o Corja, junção de site, podcast e shows, locais reais e virtuais nos quais divulga e promove a música independente gaúcha. Num bate papo via gmail, conversamos um pouco sobre esse seu novo projeto.



Qual a idéia inicial e o objetivo do Corja?

Buenas, a idéia partiu de uma lida na folha teen, cara fiquei apavorado com aquilo, fiquei pensando alguém tem que fazer alguma coisa, chega de idolatrar a idiotice. Resolvi me juntar a pessoas como as que lêem e escrevem O DILÚVIO, por exemplo, parti para criar minha midia podemos assim dizer, a idéia inicial era usar apenas o suporte podcast por ser algo mais próximo do mundo rádio ao qual estou mais acostumado. Depois pensei, vou ficar colocando som de bandas pra tocar por que não agitar pra elas tocarem, então parti pra parada dos show no jekyll. E o resto veio na cola

Tu diz que se fala em globalização, que Londres e sua música parece mais perto, mas porque nao o caminho inverso, vamos levar o som daqui pra Londres e pro mundo. Sente falta de mídias locais com abrangencia mais global e que possam fazer isso, que é levar o som daqui pra fora?

Sinto da falta das pessoas e da mídia daqui não olhar muito pra cá. Não acho bairrismo falar do que te cerca se for com sinceridade.

O que tá rolando lá, quem tá tocando, quem pode tocar nos shows do Corja?

Já rolou de um tudo: rap; samba-rock; death-metal. O trabalho sendo independente ta valendo. Eu toquei por muito tempo em várias bandas e sempre foi dificil arranjar show em lugares legais. De repente me vi numa situação na qual se estivesse tocando hoje teria muitas oportunidades. Então pensei por que não usar isso pra dar uma força pra outros camaradas que estão na batalha. Uma coisa muito louca, meu trabalho de maneira indireta é baseado no meu conhecimento musical e meus relacionamentos no meio musical e descobri algo que pra mim é bizarro poder usar esse trabalho, e muitas vezes o meu nome pra desatar nós e facilitar muita coisa, então por que não usar e fazer? Porra, tem vários medalhões, que poderiam assinar qualquer porra de projeto e conseguir muita coisa pela cultura mas não... façamos nós então

Porto Alegre na tua opinião, oferece boas casas de shows pras bandas e artistas independentes?

Depende do carinha, tem neguinho que corre mas vai chegar num ponto onde a coisa não flui mais, mas existem bons espaços até certo ponto democráticos. Por outro lado a maioria dos locais quer explorar, tipo nego te cobra o som do lugar, te cobra o palca, pede pra vender ingressos antecipados se a cota x não for alcançada o músico paga a diferença. Ou seja os papéis estão invertidos o cara que deveria receber pra tocar está pagando. Sem contar que um bom instrumento custa grana, ensaiar também, pagou caro por uma guita não vai sair com ela no busão na madruga já vai mais um pro transporte. O bagulho é dificil então no minimo receber um dinheirinho, até pra cena deixar de ser amadora, e ainda vem os caras da ordem dos musicos te multar.

E esse lance de radio web, podcast, o que tu enxerga de vantagem nele em relação ao rádio? E o que ainda é insubstituivel?

Em relação ao radio não tem vantagem nenhuma.

Tu acha isso mesmo?

Quase nenhuma. A única vantagem é tu poder ouvir na hora que der vontade.

Mesmo pruma pessoa como eu que quase desistiu de ouvir radio e ouve muito podcast na web?

O teu problema e de todos nós como ouvintes consumidores de música e informação é outro, não de suporte e sim de conteúdo. O veículo rádio é maravilhoso e não deve sumir jamais, o que precisa mudar é a mentalidade de quem faz rádio atualmente. Eu e tu podemos procurar por um program na web, mas e o resto da galera?

Inclusive o jabá que impera na maioria das rádios, somado a muitos comerciais e conversa mole com locutor de voz irritante. Concorda?

Bah isso triste cara. Muito triste, imagina nesas porra de país que nego te trata diferente pelo jeito que tu te veste, pela tua cor, ainda ter que ouvir música de quem tem dinheiro pra pagar e o cara lá que tem um puta trabalho e nenhuma grana. As conversas fiadas que viraram moda nas rádios daqui é uma coisa, pra dizer no minimo, vergonhosa. Nesse aspecto a internet é uma grande saída, mas pra quem pode procurar. Outra, e que critérios a maioria usa pra buscar coisas na rede? Com tantas opções do que escutar, onde ir, o que ler, muita gente tá feito cego em tiroteio.

O estilo death/trash metal, tu vê uma dificuldade enorme aqui pra Porto Alegre desenvolver uma cena assim, ou se a solução por exemplo, pra Acusma, é tocar pra fora do Estado e até do país?

Essa cena é a mais bizarra, imagina só o metal tem público pra caramba, temos excelentes bandas, e não existe um só lugar referência no estilo na capital, nenhum bar, casa de shows. O interior também é super forte no segmento, mas também tem a mesma carência, os empresários do ramo ainda acham que a galera do metal fez pacto com o capeta e vai ser escomungado se trabalhar com os caras. Acho que falta pra bandas como a Acusma invadir os locais de shows em capital e no interior que o publico vai atras com certeza.

E os podcast que tu tem produzido, por enquanto foram 3, né, o que mais deve vir aí, que ganchos tu pretende usar pra faze-lo ser ouvido e com que os sons que ali estão se propaguem?

Bom, primeiro roubei um conceito de independente do Gabriel Renner que diz o seguinte, de maneira adaptada: "o Corja é um projeto independente, ou seja, independente de quem escute ele estará lá, pra levar ele ao maior número de pessoas possível minha idéia é fazer um boca-a-boca virtual. Como o projeto engloba várias facetas; são os textos, videos, os shows, o podcast espero que os públicos se cruzem.

Tá rolando um público legal lá?

O publico do bar é muito variavel estamos indo pra quinta edição agora em setembro. O Dr. Jekyll, que acolheu o projeto super bem, é identificado com uma galera da cidade, os mod, então levar bandas de outros estilos pra lá é complicado, mais uma barreira pra quebrar, quem curti outro som pensa; aquela bar de mod, e os mods acham que ão os donos do bar. Então a coisa varia. A edição em que rolou metal a galera compareceu, na que rolou hip hop e reggae'n'roll também as outras foram meio faiadas
00:21 o site tem ferramentas de controle de visitas, e acoisa vai crescendo, a principio o único metodo de divulgação do site era a própria rede(orkut, mala direta e tal) agora estou começando uma nova fase de divulgação do Corja. Com o crescer do show no Jekyll, começou a associar os shows ao site. O negócio é fazer com que as pessoas saibam que ta lá, o resto é com a natureza caótica do mundo. Acho que a cerveja bateu... Quando alguém se propõem a fazer algo no qual acredita essa pessoa de alguma forma se destaca da maioria, as coisa deveriam ser ao contrário. As ferramentas da internet te dão esse poder. insatisfeito com as rádios crie a sua, insatisfeito com os jornais crie o seu, mas seja sincero. Tudo no Corja não passa de uma análise baseada na minha bagagem cultural emocional social e outros por ai. Então quem le e ouve também tem o direito de discordar e escrever e dizer o que acha mais importante. Existe outra ou outras verdades circulando por aí, é necessário ouvi-las.

Quais as atraçoes das próximas Corjas?

Setembro tem Sonic Volt e Taxi Free, outubro Freak Brotherz e Telefunkey, novembro e dezembro ainda precisa de confirmação, mas vocês serão os primeiros a saber. O próximo podcast tem entrevista com a Sonic Volt. Agradeço o espaço, nós sabemos que propostas como estas não são bem vindas em muitos espaços e mesmo que fossem faço questão de poder falar com vocês, já tô até começando a me dar mais importancia deste papo. Se o pessoal do diluvio achou relevante pô....

Somos da arca de noé, e grilo tem tudo a ver.
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