#CADÊ MEU CHINELO?

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

AQUI FARROUPILHA

Kassin+2, Pata de Elefante e Monarco

txt: Marexal
phts: Marexal
vds: Marexal e Chong de Nardi


Quinta-feira, noite de 20 de setembro de 2007.

Enquanto o feriado farroupilha vai se acabando eu caminho pelas ruas chuvosas do Menino Deus até a casa de um amigo, de onde sairemos pra uma noitada de shows pela cidade. Apesar do 20 de setembro, data principal dos gaúchos, o roteiro não inclui nenhum show gaudério ou tradicionalista, o que estamos prestes a ver são os shows das bandas Kassin + 2 e Pata de Elefante no palco do opinião. Duas bandas ainda desconhecidas do grande público, mas já respeitadas no uderground e entre apreciadores de rock e MPB.

A Pata de Elefante é uma banda de rock instrumental que movimenta a cena local há mais de 2 anos e que, aos poucos, vem se consolidando no cenário nacional como uma das referências da música de Porto Alegre, na sua veia roqueira. Mas a Pata é uma banda que eu já tive oportunidade de ver em várias ocasiões, o que me fez sair de casa na noite chuvosa do 20 de setembro foi a banda Kassin + 2, que também atende pelos nomes: Moreno + 2 e Domênico + 2. Já havia sido propagandeado o quanto os caras que formam este trio entendem de música e estão por dentro de ótimos projetos da MPB. O disco que conheço e que fiquei muito grato de ouvir chama-se Futurismo, o último do trio. Segundo meu amigo, um cara que tá sempre ligado nas novidades da MPB, a banda no momento atende por Kassin + 2 pelo fato deste último disco ter sido produzido pelo guitarrista e baixista da banda, kassin, que já produziu nomes de peso da música japonesa, ou melhor, brasileira como: Los Hermanos, Vanessa da Mata e Caetano Veloso, por exemplo.

Como havia dito antes, meu amigo é um cara que tá sempre antenado nas novidades da MPB, mas não me expressei direito, na verdade ele é um consumidor compulsivo, não só de novidades, mas da música brasileira como um todo. Por isso mesmo, não lhe passou despercebido que um grande nome do samba estava se apresentando na cidade naquela mesma noite. Chegando a casa dele, fui informado de que, antes de rumarmos pro Opinião, daríamos uma passada no clube Saldanha da Gama, que fica ali ao lado do Beira Rio, para assistirmos ao show de Monarco, da velha guarda da Portela. Eu como todo bom sujeito, topei na hora e pra lá fomos, eu ele e sua namorada.

Chegando ao clube Saldanha da Gama, que mais parece uma quadra de escola de samba, já estava no palco vestido de azul e branco o grande Monarco. Confesso que se passasse pelo cara na rua não saberia de quem se tratava, só conhecia de nome. Acompanhado de uma banda local, caras que eu já havia visto tocando samba na noite porto-alegrense, Monarco manda um repertório certeiro pra quem conhece um pouco de samba cantar junto refrões como: “Portela eu nunca vi coisa mais bela”... Ou “foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar”, grande Paulinho da Viola, ou como chamou Monarco: Paulo da Portela! O show foi excelente pelo repertório, pela voz deste verdadeiro mestre do samba e menos pela banda que não estava a mesma altura, excelentes músicos, mas parecia que faltava um surdo, faltava um cavaquinho, sei lá, o som não ajudava muito também. Mas os caras não comprometeram ao ponto de prejudicar o show, valeu a pena!



Dez minutos após deixarmos as cercanias do Beira-Rio estávamos na frente do Opinião para tomar uns tragos antes de entrar no recinto e ter que amargar a cerveja a seis reais e cinqüenta lá dentro. Logo na chegada uma constatação: público fraquíssimo. Realmente, nem parecia que era dia de show. Tá certo, fui pra lá empolgado por versos do tipo: “Quando você saia, a casa entristecia, as torneiras choravam, as portas esperando, você voltar ”, mas na verdade quem mais conhece esses versos, ou quem mais acha esses versos tão bons assim? Na grande mídia eles não estão, o que pra gurizada que já bebia nos bares ali da frente faz pouca diferença. Passaram-se mais alguns minutos e começávamos a ver figuras conhecidas da cena musical porto-alegrense. Público pequeno sim, mas empolgado.

Lá dentro, começa a Pata de Elefante e pra lá vamos. “Power” trio, mas na verdade são dois “power” trios! Gosto mais quando o Guedes pega a guitarra. A outra formação é a que começa os shows, alguns que vi pelo menos começaram com o prego, também conhecido por Gustavo Telles, na bateria, e o Daniel Mossman na guitarra, depois ele troca com o Gabriel Guedes, ficando com o baixo. Gosto do estilo do Guedes rifs harmônicos e suingue na mão direita.. Gostei da performance deles pra um Opinião ainda quase vazio. Eles não querem nem saber, dá pra perceber o prazer que sentem em tocar, a gana com que tocam seus instrumentos, um rock cult inspirado em The Band e Bob Dylan, segundo relatou o prego em outra ocasião.

A Pata se despediu e sem muita cerimônia os rapazes do Kassin + 2, que eram eles três, mais dois: um que reveza baixo e guitarra com o Kassin, Alberto Continentino , e outro que toca percussão e bateria, Stephane San Juan. Domenico toca bateria, canta e comanda uma mesinha de efeitos e bases pré-gravadas. Moreno, toca violão, canta e toca guitarra e o Kassin canta, toca guitarra e baixo. Pelo que sei os três compõem, é que nesta fase de internet e maquininhas digitais não compro mais cd e acabo não tendo acesso aos encartes e sem saber que música é de quem. Ta certo, como jornalista deveria ter buscado isso na internet e trazer a informação precisa aqui, mas não é a proposta deste texto. Mas enfim, as composições deles são o que mais me agrada, a musicalidade da banda é diferenciada do universo de bandas que estão aí aos milhões hoje em dia.



Que os caras têm um sentido aguçado para compor e arranjar eu já havia percebido ao escutar Futurismo e fiquei muito satisfeito ao vê-los tocar ao–vivo. Uma banda coesa e certeira que oferece várias nuances de melodias e estilos: de ritmos caribenhos a rifs de “guitar bands estilo anos 90”, passando pela Bossa Nova, pelo samba e pelo Jazz. Gostei da fidelidade com que interpretaram as músicas do disco e de como eles trocam de função e o som da banda continua com a mesma identidade. Também gostei de ter conhecido músicas pra mim inéditas como “Deusa do Amor” que, pelo que apurei, é do Bloco Afro Olodum, e já foi gravada em um dos discos anteriores do trio. Saí do Opinião mais do que satisfeito, a lamentar apenas o público pequeno, mas era meio de feriado e véspera de um dia normal de trabalho pra maioria dos que estavam em Porto Alegre.

Na saideira do show ainda encontramos o Ricardinho que nos disse que não está indo mais pra Recife em nome do amor.
– A patroa não quer ir pra longe dos pais, então decidi ficar até o final de 2008 e daí eles me transferem.
– Tá certo, então vamo ali no bigodes comer um xis, tomá mais uma ceva e enrolá o últmo...
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