#CADÊ MEU CHINELO?

segunda-feira, 10 de março de 2008

ROBERTA SÁ


_noéntrevista________________

"NÃO SOU CANTORA DE SAMBA"


txt: Tiago Jucá Oliveira

ntrw: Leandro de Nardi e Tiago Jucá Oliveira


phts: Lucieli Galho


A melhor cantora do Brasil esteve recentemente em Porto Alegre, cidade onde apresentou o show de seu novo CD, "Que Belo Estranho Dia Pra Se Ter Alegria". Lógico, sabíamos que ela tem uma voz maravilhosa, e talvez não tenhamos ido lá para nos impressionar mais, embora tenha nos confirmado o que já é fato. O que chamou a atenção foi a excelente banda que a acompanha. Se Roberta nos diz num papo após o show que não é cantora de samba, o mesmo vale às quatro pessoas que tocam dos seculares violão, cavaquinho e tamborim aos modernosos efeitos elétricos e eletrônicos. E quando mais se complementam elementos melhor fica o espetáculo, como em "Mais Alguém". A platéia ainda sente a sobriedade do Teatro Bourbou Country, e quieta se levanta no balanço de alguns sucessos do primeiro disco, "No Braseiro", tipo "Ah, Se Eu Vou" e "A Vizinha do Lado".

E foi no embalo que Roberta tomou conta, fez valer voz e simpatia, tirou da banda a vibração que se erguem entre as cadeiras da platéia baixa. Saímos do show de alma lavada misturada com a incerteza desta possível entrevista que desce página abaixo. Após atender algumas turmas de fãs, sempre atenciosa com todos, Roberta nos é apresentada pela produtora da Opus Catia Tedesco. A conversa foi rápida, apesar de Roberta ser tri comunicativa e atenta, mas foi possível ouvir opiniões importantes sobre a música brasileira. Concordamos com você Roberta: a atual geração de músicos é fabulosa!


É comum que se façam comparações entre os compositores de hoje e os grandes nomes do passado. Na maioria das vezes é dito que no passado a música brasileira era muito mais rica. A música brasileira de hoje fica devendo em relação à música de outras épocas?

De maneira nenhuma. O que a gente tem pra comparar é muito rico, e aí fica muito complicado pros meninos que estão chegando agora e compondo cheio de referências. É muito difícil você inovar dentro de um universo que já é riquíssimo. Talvez as inovações sejam menores. Não sei o público em geral percebe. Eu acredito que sim, que o público perceba essa qualidade. Eu tenho vistos shows sempre lotados. Pessoas que estão se reunindo pra discutir a música brasileira que está sendo feita hoje. Isso é magnífico, você poder ter gente que se indentifique dentro da música brasileira num país onde a música que vem de fora, que não é ruim, mas que invade as televisões. Você não vê mais videoclip nacional. É muito bom que exista gente jovem fazendo música brasileira. Deviam ser apoiados para que eles possam crescer como artistas, como compositores... nós possamos, né. Mas a gente está num bom momento. O público está aberto para novas coisas. Não acredito que seja pior não. Não é todo o dia que aparece um Tom Jobim, em lugar nenhum do mundo. É difícil você ser do país do Tom Jobim, do Chico Buarque, da Elis Regina, da Maria Bethânia. É difícil você fazer algo novo com essas pessoas que revolucionaram a música brasileira. Mas a gente continua aí tentando e aos pouquinhos vamos dando uma cara de uma geração. Isso vai acontecendo. Acredito nisso.

Em que momento da história musical brasileira você acredita que a nova geração de músicos despertou e deu uma cara nova ao samba?


Quem começou essa história foi a Teresa Cristina e o Grupo Semente, na Lapa. E outros. Eu cito a Teresa e o Grupo Semente porque eles têm uma representatividade nacional, são conhecidos. Todo as pessoas que tocam na Lapa, o Zé Paulo Becker, os meninos do Trio Madeira Brasil, Silvério Pontes, Zé da Velha, são responsáveis por isso. Sem dúvida nenhuma. Pedrinho Miranda estava me contando outro dia que quando ele começou a tocar no Semente com a Teresa, a Lapa era vazia, deserta. Eles foram lá, resistiram, fizeram uma história bacana. E influenciaram até a mim, por exemplo. Comecei a gostar de samba, fui nos shows da Teresa. Essa coisa da gente voltar a ter contato com o samba tradicional, as pessoas começaram a usar aquilo como referência de novo, pois o samba sempre foi referência na música de qualquer pessoa. O samba sempre esteve presente, mas a gente estava um pouco adormecido pra perceber isso. E me preocupa muito hoje em dia em relação ao samba é que as pessoas não sabem mais referenciar o que que é samba tradicional, e o que que é uma música como a minha, que tem o samba como referência, mas que não é o samba tradicional. Críticos, jornais, imprensa acham que minha música é... claro que não é a maioria, obviamente, mas algumas pessoas dizem "ah, a cantora de samba". Não sou cantora de samba, com respeito ao samba, isso me preocupa muito, de mostrar pras pessoas que é uma música que tem o samba como referência, mas não é o samba puro.

O que você acha das novas ferramentas tecnológicas, como MySpace e You Tube?

Acho ótimo. Maravilhoso que tenha alguém filmando, não preciso nem me preocupar com isso, hahahaha, que eu não sou muito boa disso. Mas acho sensacional, genial. Inclusive meu trabalho é muito mais divulgado pela internet do que por qualquer outro meio, e por uma coisa espontânea dos fãs. Isso é maravilhoso, fico muito feliz que eles se reúnem. Acabei de encontrar um menino que está na comunidade do Orkut... minha comunidade é papo sério. Vocês já foram lá?

A gente está lá.

É papo sérissimo. As pessoas discutem, uma loucura, nem vou mais lá, deixa eles, agora o espaço é deles, não é nem mais meu.

A gente queria conhecer o Urso...

Eu também queria conhecer o Urso, que está sempre lá na comunidade. A gente acaba conhecendo as pessoas. Acho isso interessante, divertido, contando que não fique uma coisa pesada.

Você costuma assistir seus vídeos que são postados?

Não gosto muito não. Nunca gostei de me assistir. Eu sempre faço isso como um exercício pra melhorar, mas não gosto não de assistir. Vejo pouca coisa. A gente acabou de fazer um show no Circo Voador, foi lindo e tal. Eu vi uma música e não quero mais ver. Não que eu não tenha gostado, achei bonito, mas eu já vivi aquilo, já me satisfez, já me preencheu, pra quê colocar alguma coisa negativa daquele momento que foi lindo. Eu vou olhar e aí falar "ah, essa nota". Não quero ver.
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