#CADÊ MEU CHINELO?

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

[águas passadas] CARTA PARA ZEZÉ DI CAMARGO



::txt::China::
::ilstrç::Kika Novaes::

Zezé, você não me conhece e nem faz ideia de quem eu sou, mas pode ficar sossegado comigo. Eu não quero te conhecer e nem quero ser teu amigo, mas resolvi te escrever esta carta pra te dar um toque, velho. Porra, Zezé, desiste de ser ícone da MPB, para de querer ser aceito por Caetano, Gil e Chico Buarque... esses caras não passaram pela metade do que você passou pra se tornar um artista cheio da grana. Você vende mais disco que os três juntos, faz mais shows e com certeza deve comer mais mulher do que os caras. Se liga man.

Assisti o filme sobre a sua vida e confesso que me emocionei com o que vi. Que vida dura, cara... tu se fudeu pra caralho pra conseguir crescer na carreira. Admiro isso e te respeito como artista exatamente por causa de todas essas dificuldades que tu passou sem nunca desistir do sonho (que frase blasé). Zezé, porra...TU COMEU OVO CRU!!!

Duvido que Chico, Gil ou Caetano tenham comido ovo cru pra ficar com a voz potente. Esses caras tomavam era suquinho com biscoitos e vestiam casaco de lã pra não gripar. Tu quer mesmo ser amigo dessa turma? Só menino criado em berço de ouro... todos mimadinhos e cheios de vontades. Não, Zezé, tu é melhor que isso.

Você já é um ícone da música brasileira, nem se preocupe. Todo mundo te conhece, canta tuas músicas, vai nos shows, assite teu filme... tu queres mais o que? Depois do Roberto Carlos, só dá tu na arrecadação do ECAD, toca no rádio o dia inteiro e teve uma das maiores bilheterias do cinema nacional. Você precisa mesmo do respeito de um pequeno grupo pseudo intelectual? Sei não, Zezé, acho que tu vacila quando tenta colar nessa turma. Você já provou o seu talento brilhante, não precisa se rastejar. Acabo esta carta deixando claro que não quero ser seu amigo. Escrevi estas linhas porque não podia deixar passar a oportunidade de te dizer algumas verdades. Respeito sua vida, seu trabalho e o exemplo de que não devemos desistir jamais, porém não posso compactuar com essa safadeza que você está fazendo com a sua carreira.

PORRA, ZEZÉ...TU COMEU OVO CRU!!!


*texto originalmente escrito pra um edição antiga da revista O DILÚVIO, lá por meados de 2007.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

[do além] PÁ DE KARL




::txt::Engels::

No começo, era tudo lindo. Eu deixava a barba crescer e logo a dele aparecia comprida também. Eu tuitava e, em seguida, ele dava um RT. Fazíamos tudo juntos, pensávamos parecido. Tinha gente que achava que eu me chamava Marx &, de tanto ouvir nossos nomes andarem juntos. Outros, que consideravam ossas ideias um tanto quanto nonsense, nos apelidaram de irmãos Marx. Qualquer coisa que um escrevia, mesmo que o outro nem tivesse dado palpite, ambos assinavam. Éramos assim tipo Lennon & McCartney. Aliás, seguindo nessa comparação, uma amiga dizia que o papel de Ringo cabia a Stalin, mas eu acho isso uma maldade com o Stalin.

Porém, em determinado momento, Marx me surpreendeu. Disse que se sufocado, que precisava de mais espaço para expressar suas ideias. Insinuou que fosse a hora de partir para uma carreira solo. E finalizou revelando que nossa produção, até então, muito panfletária.

Fiquei atônito, confuso. Não entendi que naquele momento estava se erguendo o muro de Berlim de nossa amizade. Como bom materialista, ainda teve coragem de me pedir uma grana emprestada, prometendo que, em alguns anos, aquilo viraria O Capital. Dei o dinheiro, não sou de perder uma oportunidade.

De Lennon & McCartney passamos a Roberto e Erasmo, comigo, obviamente, a fazer o papel de Tremendão e sem direito a receber homenagens do tipo: você meu amigo de fé meu irmão camarada. A partir daí, nossas carreiras se bifurcaram com visibilidades distintas.

Não sei se a intenção de Marx era a de me alienar da autoria do pensamento fundador da doutrina comunista. Se era esse o seu propósito, mais valia ele o ter deixado claro. O fato é que seu nome é o seu único sinônimo. Ninguém usa engelismo nem mesmo marxengelismo para se referir à concepção materialista e dialética da História. Para isso consagrou-se o termo marxismo. Fiquei relegado aos livros de história. Não figuro em bandeiras, flâmulas, camisetas e pôsteres. Enfim, não entrei para a cultura pop. Infelizmente, a ideia do comunismo virou propriedade privada de Marx.

terça-feira, 28 de junho de 2011

[agência pirata] ENTREVISTA COM CHINA MAN



::txt y ntrvst::Paulo Marcondes::

China Man, ou China Ina, ou como preferir, vive aos 31 anos de idade um dia lindo de morrer. Depois de despontar para o cenário nacional com o som visceral do Sheik Tosado (1996 – 2001), o pernambucano tomou a rota das atuais gerações e rumou para São Paulo resguardado pelos ótimos trabalhos solo e a desenvoltura de sobra segurando o mic do Del Rey – combo de China + Mombojó que faz o Rei Roberto Carlos rejuvenescer décadas e falar de igual com os mais novos.

Após gravar Simulacro, há quatro anos, China se aperfeiçoou na produção musical e lançou, junto de Chiquinho (Mombojó) e Homero Basílio (Orquestra Sinfônica do Recife), o selo Joínha Records. Enquanto o terceiro disco solo da carreira esquenta mais e mais no forno – China promete que no mês que vem servirá a mesa com o esperado Moto Contínuo -, o cabra se transformou num dos novos rostos da nova Mtv, com o programa sobre música nacional da casa: Mtv Na Brasa (de seg. a sex., às 20h30).

Em meio a atribulada agenda do cantor/produtor/apresentador, conseguimos uma palavrinha do cara sobre o momento na Mtv, o novo álbum e até uma monossilábica solução para os problemas do rubronegro da Ilha do Retiro. Confira abaixo.

Cara, como você foi parar na Mtv? Você sente que ficou conhecido por um público diferente?

Eu recebi um convite pra fazer um teste há uns dois anos atrás. Até então, achei que não tinha dado em nada, mas aí me convidaram pra gravar um piloto de um programa bem parecido com o Na Brasa… gravei e a galera da Mtv curtiu. Daí perguntaram se eu tava afim de ser VJ, e assim rolou. E percebo que muita gente não conhecia a minha carreira musical, mas como eu tô na tv direto agora, essas pessoas estão procurando mais informações sobre mim e aí acabam encontrando a minha música, e eu tô adorando isso.

Como é essa sua nova rotina de apresentador de tv e de que maneira você avalia a reformulada que a Mtv deu na programação e na linguagem?

Cara, agora eu tenho horários a cumprir, chego na tv todo dia, gravo o Na Brasa, discuto as pautas… mas é bem tranquilo. Adoro a Mtv, acho massa trabalhar lá o dia inteiro falando de música, que é o que eu mais gosto na vida, e ainda receber salário por isso? Acho lindo.

Acho que a Mtv precisava dessa mudança. Ao longo dos anos o canal perdeu o foco da música e deixou de apresentar ao Brasil muita gente boa. Agora as coisas são diferentes… a música volta ao seu primeiro plano, e sinto que a Mtv recuperou o prestígio que tinha, de ser um canal que aponta as novas tendências musicais. Fico muito honrado de estar fazendo parte disso.


Capa do single Só Serve Pra Dançar, nova canção de China

Cara, o que falta para seu disco novo sair e no que ele vai diferir do Simulacro (2007) e do Um Só (2004) – que foram elogiados pra caramba?

Meu disco novo vai sair em julho. Agora, o que vai ser diferente dos outros? Bom, acho que o fato de eu mesmo ter produzido esse disco já diz muita coisa. Os outros trabalhos tinham produtores junto, dando pitacos e me ajudando no melhor caminho para cada música. O Moto Contínuo [nome do novo disco de China] sou eu de cabo a rabo. Lógico que tenho vários amigos que me ajudaram um monte – e todos acabaram sugerindo várias coisas – mas curti produzir esse disco. Uma certeza eu tenho: o Moto Contínuo sou eu desde a composição até a gravação dos instrumentos. Isso para mim é diferente, e acho que essa é a grande diferença para os outros discos. Sobre as composições, vou esperar as pessoas dizerem o que acham. Não posso dizer que esse disco é melhor do que os outros… para mim, todos os meus trabalhos são legais. Afinal de contas, são todos crias minhas.

Por que nomes como Ortinho, Cérebro Eletrônico, Tulipa Ruiz e você mesmo, por exemplo, demoraram a estourar? Aliás, dá para dizer que alguém “estourou” na música independente ou só ficou mais conhecido dentro da cena?

Esse lance de estourar é relativo. Eu prefiro uma carreira estável do que fazer sucesso durante seis anos e depois sumir (isso é o que acontece com todas essas bandas pseudo estouradas). O ibope não me preocupa e nem vou pagar para tocar em rádio. Prefiro fazer meus shows do jeito que são, pois cada vez que eu toco, aparece mais um pouco de gente e assim vai. Hoje em dia eu sou bem mais conhecido do que quando comecei… o processo é esse… o processo é lento.

E não acho que a cena independente esteja sedenta para estourar alguém… até porque são outras pessoas que dizem se você tá estourado ou não. Pra mim, o Cérebro e Tulipa estão estourados na minha casa. Ouço direto o som deles e mostro pra todos os meus amigos. (risos)

Como surgiu a ideia do vídeoclipe do Só Serve Pra Dançar?

Eu adoro o Youtube, vejo de tudo lá, e um dia me peguei assistindo garotas dançando em casa uma música de Justin Bieber. Daí eu pensei, será que algumas garotas dançariam uma música minha? Fiz o convite no Twitter e recebi 50 vídeos… achei incrível, nem acreditei. E daí nasceu o clipe.

assista aqui ou abaixo o novo clip de China



Ultimamente eu tenho ouvido muito uma banda instrumental de Recife, o Joseph Tourton, que tá começando a fazer shows pelo sul/sudeste. O que agrada seus ouvidos e que ainda não ganhou o destaque merecido?

Puta, man… gosto de tanta coisa. Eu vi uma banda na Bahia chamada Suinga, e pirei no som deles, lembra Moraes Moreira depois que saiu dos Novos Baianos. Também me amarro no som de Jr. Black, Catarina Dee Jah, tô sempre procurando coisas novas. Vi um vídeo no Youtube de uma banda que toca dentro de uma kombi… acho que chama Test a parada…. fodão. Agora que tenho um programa de música brasileira, tento escutar tudo sem o menor preconceito e estou descobrindo muita coisa bacana. Dá gosto de ver essa cena brasileira.

Pra terminar, o que falta pro glorioso Sport Recife voltar a primeirona?

O Sport é um time de primeira… só esqueceu disso! (risos)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

BEBIDA É ÁGUA

:txt: Tiago Jucá Oliveira__

Outro dia eu proseava com um crazy man sobre os mashups feitos por João Brasil, e explicava a ele o significado dessa nova onda sonora do século XXI. Segundo ele, o defeito do mashup é a falta de criatividade, pois pegava duas ou mais músicas prontas e nada de original acrescentava. Não deixei barato o equívoco alheio.

Assim como perguntei a ele, questiono a você, perturbado leitor(a): me diga um, não precisa ser mais do que isso, apenas um artista que é ou que pelo menos um dia foi original. Como diria o padre fulano, isso non existe.

Pra alguém ser original, seria preciso ele inventar um instrumento, novas notas musicais, um novo gênero, uma nova língua, entre tantas outras invenções necessárias pra legitimar a originalidade. Isso sem falar nos fatos, lugares, situações, pessoas, comidas, bebidas, drogas e fatores naturais que influenciam todas pessoas.

Àquele amigo citei um exemplo. O que seria dos Beatles sem a influência musical que tiveram, tais como Bob Dylan ou Chuck Berry, etc. E se esses artistas, e outros também que talvez os fab four não curtiam, não usassem a combinação guitarra/baixo/bateria/teclados, os Beatles usariam? Paul ou John acorda do sonho e diz: “nossa banda vai tocar assim, com esses instrumentos que ninguém nunca tocou e será inventado o rock'n'roll”. Conta outra, mané.

Posso ir adiante no pensamento contrário aos que acreditam na lorota do original style. O que seria deles sem a Lucia, sem o céu e sem os diamantes? Haveria “Lucy in the Sky with Diamonds”? E se não usassem drogas? Os Beatles recriaram tudo que havia ao redor deles pra ser o que foram. Eles não eram pessoas isoladas do mundo, cegas e surdas, sem emoções e sentimentos. Aliás, ninguém é assim. Todos nós somos influenciados por alguém, e algo sempre nos inspira a cada momento.

Se aplicar ao jornalismo, veremos o quanto estão errados os jornais que lutam pelos direitos autorais de suas fotos e reportagens, como se eles também fossem autores do fato e das pessoas retratadas. Pense no que seria esses panfletos caso não existissem os acontecimentos, ou, se cada fato acontecido viesse com os direitos de propriedade intelectual embutido no ato.

Quanto cada defunto ganharia de copyright pela morte noticiada? Haveria valores maiores e menores, dependendo da origem do salame? E eu, quantas moedas me dariam pra reportar o meu óbito? Ou então, o preço seria baseado pelo tipo de morte. Talvez. Tragédias são milhões, já uma véia pobre cardíaca algumas moedas, “por caridade, minha filha”. Avião lotado com alguns famosos levaria os jornais a falência.

De tanto ler bobagem, é possível você entender o meu pensar. O homem é um ser recombinante por natureza, a natureza também é. Nada vem do nada. É óbvio que podemos discutir o termo “original”, eu o peguei sob outro aspecto apenas pra defender a obra de João Brasil, que no momento é o grande nome da música brasileira.

O mashup trata-se, no explicar duma breve frase, duma colagem de duas ou mais músicas, como se fossem uma só. João Brasil tem feito um mashup por dia e disponibilizado na internet. A missão dele este ano é entregar 365 recombinações até 31 de dezembro. Seu liquidificador sonoro mesclou o rapper Jay Z com Gilberto Gil, Dorival Caymmi e Rita Lee, Beatles com Deize Tigrona e MC Créu, Bob Dylan com Olodum, Marcelo D2 com Roberto Carlos, entre outras presepadas. Original? Só se for bem gelada.

* Você pode fazer qualquer remontagem com este texto.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

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