#CADÊ MEU CHINELO?

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

[resenha] #MOTOCONTÍNUO, O NOVO DISCO DO CHINA



::txt::Monsenhor Jucá::

Entre as multifacetadas atuações artísticas de China, sem sombras de dúvidas a que o colocou sob os holofotes foi a música. Desde os tempos do Sheik Tosado, em meados dos anos 90, em plena ebulição do manguebit, que o conhecemos como músico. Depois ele teve suas andanças no cinema, na televisão (o programa Estereo Clip), no jornalismo (como colunista da nossa revista), no seu projeto musical com a galera do Mombojó (a banda Del Rey, que toca ao vivo os grandes clássicos de Roberto Carlos) e, agora recentemente, como apresentador do MTV na Brasa. Acredita-se, enfim, que é com as notas musicais que ele se sente mais em casa, embora em todas as outras áreas tenha se saído bem. Seus textos pr'O DILÚVIO sempre foram bem comentados por nossos leitores e seu programa na MTV é um dos melhores da televisão brasileira.

Vamos ao que interessa: após quatro anos de silêncio desde Simulacro, seu segundo disco solo, China retornou ontem com a novidade aguardada por muitos. Numa primeira audição rápida (em menos de 12 horas ouvi somente três vezes), não há motivos pra desapontamentos. O terceiro álbum está bem elaborado, sem enfeites em demasia, porém, há porém, com uma riqueza de detalhes que lhe confere uma sonoridade bem elegante. Os músicos convidados colaboram para esse clima. E as diversas influências que China absorveu ao longo dos anos, como a Jovem Guarda, os repentes envenenados de hardcore e o indie rock do terceiro milésimo, diluem-se aqui sem ser possível rotular o trabalho. Ou então traduzi-lo para “jóinha músiqui” através de seu inconfundível sotaque.

MotoContínuo abre com “Boa Viagem”, letra em parceria com Jr. Black em homenagem a famosa praia do Recife (“ouço o silêncio de teus tubarões”), que tem guitarras um pouco Klaxons style de André Édipo e Yuri Queiroga e com uma dupla linha de baixo formada por Dengue e Hugo Gila. “Só Serve Pra Dançar”, faixa já conhecida do público, é a que mais lembra as parcerias de China com o Mombojó (Chiquinho é um dos autores da música). Os riffs de guitarra ecoam a surf music resgatada pelos meninos no começo dos anos 2000.

“Overlock” é um dos grandes momentos do disco. A participação especial de Pitty dá o tom certo pros deliciosos solos de guitarra e pra envolvente levada da bateria de Vicente Machado. E traz um China que solta o verbo e mostra que está entre os melhores letristas da nova geração: “segure em minhas mãos/ não me deixe escapar e vamos por aí onde o perigo está”.

Na canção seguinte, “Nem Pensar em Você”, há mais sinais de letras intimistas de China: “eu preciso mesmo crescer pra te deixar no chão”. Já em “Mais um Sucesso Pra Ninguém”, que conta com a voz de Ylana Queiroga, China reclama da querida que “nunca quis ligar o rádio pra me ouvir”, uma “canção que vai morrer no ar” (aqui uma referência a ele mesmo) apesar dele dizer que ainda tem “esperança de fazer tocar essa música no seu coração”.

“Distante Amigo”, outra letra em parceria com Jr. Black, traz cuidadosos diálogos entre as guitarras a la Television e os arranjos de metais assinados por João do Cello. Já “12 Quedas” é talvez a melhor canção do álbum, na qual Lenine assina a letra juntamente com China. A música, de autoria de Bruno Ximarú, é uma delícia. Difícil rotular o estilo, há momentos que lembra a Mula Manca inspirada num Erasmo Carlos. Mas isso é uma análise muito subjetiva pra definir como certa.

Logo depois em “Terminei Indo”, Tiê empresta a voz pra adoçar a balada que não descansa “pra você dormir”. O disco segue pros finalmentes com “Programador Computador”, chega em “Espinhos” (“todo malandro tem seu dia de otário/ abra o olho o próximo é você”), música já gravada por Zé Cafofinho e termina com chave de ouro na linda “Anti-Herói”, composta somente por China e harmonizada num singelo arranjo de cordas. “Quero educar sem medo as crianças que hoje eu sou”.

MotoContínuo é um dos grandes discos de 2011! Coalé minha criança, não baixou ainda? Tomaê o download gratuito.







terça-feira, 28 de junho de 2011

[agência pirata] ENTREVISTA COM CHINA MAN



::txt y ntrvst::Paulo Marcondes::

China Man, ou China Ina, ou como preferir, vive aos 31 anos de idade um dia lindo de morrer. Depois de despontar para o cenário nacional com o som visceral do Sheik Tosado (1996 – 2001), o pernambucano tomou a rota das atuais gerações e rumou para São Paulo resguardado pelos ótimos trabalhos solo e a desenvoltura de sobra segurando o mic do Del Rey – combo de China + Mombojó que faz o Rei Roberto Carlos rejuvenescer décadas e falar de igual com os mais novos.

Após gravar Simulacro, há quatro anos, China se aperfeiçoou na produção musical e lançou, junto de Chiquinho (Mombojó) e Homero Basílio (Orquestra Sinfônica do Recife), o selo Joínha Records. Enquanto o terceiro disco solo da carreira esquenta mais e mais no forno – China promete que no mês que vem servirá a mesa com o esperado Moto Contínuo -, o cabra se transformou num dos novos rostos da nova Mtv, com o programa sobre música nacional da casa: Mtv Na Brasa (de seg. a sex., às 20h30).

Em meio a atribulada agenda do cantor/produtor/apresentador, conseguimos uma palavrinha do cara sobre o momento na Mtv, o novo álbum e até uma monossilábica solução para os problemas do rubronegro da Ilha do Retiro. Confira abaixo.

Cara, como você foi parar na Mtv? Você sente que ficou conhecido por um público diferente?

Eu recebi um convite pra fazer um teste há uns dois anos atrás. Até então, achei que não tinha dado em nada, mas aí me convidaram pra gravar um piloto de um programa bem parecido com o Na Brasa… gravei e a galera da Mtv curtiu. Daí perguntaram se eu tava afim de ser VJ, e assim rolou. E percebo que muita gente não conhecia a minha carreira musical, mas como eu tô na tv direto agora, essas pessoas estão procurando mais informações sobre mim e aí acabam encontrando a minha música, e eu tô adorando isso.

Como é essa sua nova rotina de apresentador de tv e de que maneira você avalia a reformulada que a Mtv deu na programação e na linguagem?

Cara, agora eu tenho horários a cumprir, chego na tv todo dia, gravo o Na Brasa, discuto as pautas… mas é bem tranquilo. Adoro a Mtv, acho massa trabalhar lá o dia inteiro falando de música, que é o que eu mais gosto na vida, e ainda receber salário por isso? Acho lindo.

Acho que a Mtv precisava dessa mudança. Ao longo dos anos o canal perdeu o foco da música e deixou de apresentar ao Brasil muita gente boa. Agora as coisas são diferentes… a música volta ao seu primeiro plano, e sinto que a Mtv recuperou o prestígio que tinha, de ser um canal que aponta as novas tendências musicais. Fico muito honrado de estar fazendo parte disso.


Capa do single Só Serve Pra Dançar, nova canção de China

Cara, o que falta para seu disco novo sair e no que ele vai diferir do Simulacro (2007) e do Um Só (2004) – que foram elogiados pra caramba?

Meu disco novo vai sair em julho. Agora, o que vai ser diferente dos outros? Bom, acho que o fato de eu mesmo ter produzido esse disco já diz muita coisa. Os outros trabalhos tinham produtores junto, dando pitacos e me ajudando no melhor caminho para cada música. O Moto Contínuo [nome do novo disco de China] sou eu de cabo a rabo. Lógico que tenho vários amigos que me ajudaram um monte – e todos acabaram sugerindo várias coisas – mas curti produzir esse disco. Uma certeza eu tenho: o Moto Contínuo sou eu desde a composição até a gravação dos instrumentos. Isso para mim é diferente, e acho que essa é a grande diferença para os outros discos. Sobre as composições, vou esperar as pessoas dizerem o que acham. Não posso dizer que esse disco é melhor do que os outros… para mim, todos os meus trabalhos são legais. Afinal de contas, são todos crias minhas.

Por que nomes como Ortinho, Cérebro Eletrônico, Tulipa Ruiz e você mesmo, por exemplo, demoraram a estourar? Aliás, dá para dizer que alguém “estourou” na música independente ou só ficou mais conhecido dentro da cena?

Esse lance de estourar é relativo. Eu prefiro uma carreira estável do que fazer sucesso durante seis anos e depois sumir (isso é o que acontece com todas essas bandas pseudo estouradas). O ibope não me preocupa e nem vou pagar para tocar em rádio. Prefiro fazer meus shows do jeito que são, pois cada vez que eu toco, aparece mais um pouco de gente e assim vai. Hoje em dia eu sou bem mais conhecido do que quando comecei… o processo é esse… o processo é lento.

E não acho que a cena independente esteja sedenta para estourar alguém… até porque são outras pessoas que dizem se você tá estourado ou não. Pra mim, o Cérebro e Tulipa estão estourados na minha casa. Ouço direto o som deles e mostro pra todos os meus amigos. (risos)

Como surgiu a ideia do vídeoclipe do Só Serve Pra Dançar?

Eu adoro o Youtube, vejo de tudo lá, e um dia me peguei assistindo garotas dançando em casa uma música de Justin Bieber. Daí eu pensei, será que algumas garotas dançariam uma música minha? Fiz o convite no Twitter e recebi 50 vídeos… achei incrível, nem acreditei. E daí nasceu o clipe.

assista aqui ou abaixo o novo clip de China



Ultimamente eu tenho ouvido muito uma banda instrumental de Recife, o Joseph Tourton, que tá começando a fazer shows pelo sul/sudeste. O que agrada seus ouvidos e que ainda não ganhou o destaque merecido?

Puta, man… gosto de tanta coisa. Eu vi uma banda na Bahia chamada Suinga, e pirei no som deles, lembra Moraes Moreira depois que saiu dos Novos Baianos. Também me amarro no som de Jr. Black, Catarina Dee Jah, tô sempre procurando coisas novas. Vi um vídeo no Youtube de uma banda que toca dentro de uma kombi… acho que chama Test a parada…. fodão. Agora que tenho um programa de música brasileira, tento escutar tudo sem o menor preconceito e estou descobrindo muita coisa bacana. Dá gosto de ver essa cena brasileira.

Pra terminar, o que falta pro glorioso Sport Recife voltar a primeirona?

O Sport é um time de primeira… só esqueceu disso! (risos)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

[premiouirapuru] PÚBLICO ESCOLHE OS MELHORES DA MÚSICA BRASILEIRA DE 2010

1º - EEK_FANTASIA DE EQUILIBRISTA




2º - COISA LINDA SOUND SYSTEM_ROCHEDO DE PENEDO




3º - ZECA BALEIRO_CONCERTO




4º - MARCELO JENECI_FEITO PRA ACABAR




4º - TULIPA RUIZ_EFÊMERA




6º - MAQUINADO_MUNDIALMENTE ANÔNIMO




7º - KARINA BUHR_EU MENTI PRA VOCÊ




7º - MY MIDI VALENTINE_MY MIDI VALENTINE




9º - ALMAZ_SEU JORGE AND ALMAZ




10º - MOMBOJÓ_AMIGOS DO TEMPO




10º - ROBERTA SÁ & TRIO MADEIRA BRASIL_QUANDO O CANTO É REZA




12º - PATO FU_MÚSICA DE BRINQUEDO




13º - CABRUERA_VISAGEM




13º - FINO COLETIVO_COPACABANA




15º - ANDRÉ ABUJAMRA_MAFARO




15º - RODRIGO MARANHÃO_PASSAGEIRO




15º - WILSON DAS NEVES_PRA GENTE FAZER MAIS UM SAMBA




18º - VANESSA DA MATA_BICICLETAS, BOLOS E OUTRAS ALEGRIAS




19º - GUIZADO_CALAVERA




19º - LUISA MAITA_LERO-LERO




21º - APANHADOR SÓ_APANHADOR SÓ




21º - MARKU RIBAS_4 LOAS




21º - MILTON NASCIMENTO_... E A GENTE SONHANDO




24º - E.M.I.C.I.D.A._EMICÍDIO




25º - SÍLVIA MACHETE_EXTRAVAGANZA

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

[release] ORTINHO, O HERÓI TRANCADO



::txt::Ronaldo Bressane::

Cuidado: este álbum contém hits chicletosos e canções de romantismo rasgado

Este é um álbum de rock'n'roll. Não, pera lá. É um álbum de pop romântico. Também não é só isso... Digamos, então, que seja um álbum de jovem guarda. Só que um álbum de jovem guarda adulta. Um disco da Jovem Guarda de Caruaru, em plenos anos 2010. Difícil de entender? Claro: estamos falando de Ortinho, fiel seguidor do lema do também pernambucano Chacrinha: "Eu vim pra confundir, não pra explicar".

Desde que surgiu, no início dos 90, liderando a lendária Querosene Jacaré, Wharton Gonçalves Filho, dito Ortinho, demonstrou-se nota dissonante no cenário do rock pop nacional. Se sua banda recuperava as texturas de psicodelias setentistas como Ave Sangria ou do early Alceu Valença, as idéias de Ortinho integravam a primeira hora do manguebeat – é dele, por exemplo, o clássico "Sangue de bairro", gravada por Chico Science & Nação Zumbi. Nessa época, misturava ao rock lisérgico o coco, o maracatu, a ciranda e o samba, diluindo as fronteiras desses gêneros com voz rascante e percussiva, em letras cheias de jogos sonoros e nonsense que o colocaram como um dos melhores cantores e compositores de sua geração.

Ocorre que, com este O Herói Trancado, Ortinho afinal desoptou pela confusão. Trocou as dissonâncias pelo pop simples, largou a metralhadora giratória por um tiro certeiro: o rock clássico. O resultado é seu álbum mais coeso, mais maduro, mais exato – e mais do que nunca, pop até a medula. Em seus outros álbuns Ortinho lançou sonoridades e idéias que o tornaram um artista cult (meio sobrevoado por certa aura maldita); este disco, porém, este é pra tocar no rádio.

Se a jovem guarda sessentista conspira a favor de canções como a chicletosa "Pense duas vezes antes de esquecer" (parceria com Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci), o rock brasileiro dos anos 80 comparece depurado em "O cara do outro lado". A explicação é que, além da sombra de Antunes, parceiro em várias canções (cuja dobradinha Ortinho devolveu em algumas faixas do recente álbum de Arnaldo, Iê Iê Iê), tambén se ouve um timbre inconfundível daqueles tempos: o virtuosismo canhoto de Edgard Scandurra.

Em "Saudades do mundo" e "Modelo vivo", Ortinho mostra o outro lado da ponte, agregando à sonoridade robertocarliana a voz suingante de Jorge Du Peixe, a metaleira puxada pelo genial saxofonista Spok, os teclados de Chiquinho (Mombojó) e o piano prodígio de Victor Araújo. Só nesse time de allstars de três gerações se percebe a esperteza de Ortinho como catalisador de talentos – e se entende o álbum também como um recorte muito original do rock brasileiro de todas as épocas.

Com "Moldura", observa-se que o conteúdo social das obras anteriores deu lugar a um romantismo desesperançado, meio dark, mas não sem doses de humor e leveza (combinação repetida na largada "Retrovisores"). A canção é temperada, como o resto do disco, pela guitarra sutil de Yuri Queiroga, sobrinho de Lula Queiroga, que auxilia Ortinho na produção do disco. A faixa seguinte, canção-título, ganha participação de outro grande guitarrista: Luiz Chagas, que formou na Isca de Polícia de Itamar Assumpção. Pop pra dançar, clássica como aquelas canções que você sente que já tinha escutado em algum lugar, traz a melhor letra do disco, original na mistura de dor e humor:

"Fiquei trancado do lado de fora/ Deixando você livre para eu ir embora/ E agora vou aproveitar a minha vida/ Preso pelo mundo afora/ Não tô a fim de receber visitas/ Estou me sentindo livre feito um turista/ Tem muita gente que divide esse mundo comigo/ Alguns até são meus amigos/ Espero com sinceridade/ Que estejas bem/ Que tenhas ocupado/ Meu lugar com outro alguém/ Que sua casa esteja alegre colorida/ Fui condenado a viver sem você o resto de minha vida"

A grunge barra-limpa "Você não sabe dessa missa um terço", faixa-título de um álbum de Querosene Jacaré, ressurge leve e básica – e aqui louve-se o feijão-com-arroz bem temperado da dupla Vicente Machado (Mombojó) e Dengue (Nação Zumbí), que espalha por quase todo o disco uma eficiência quase transparente, limpa como as melhores cozinhas. Bom lembrar também que o álbum tem a mixagem segura de Yuri Calil, responsável pelos melhores momentos do Cidadão Instigado.

"Sonhar de novo" e "Café com leite de rosas" são mais dois exemplos do novo romantismo tchaptchura de Ortinho (a segunda trazendo, além do wah-wah de Scandurra, o sax barítono de Marcelo Monteiro), um retorno às letras diretas cujo recado é o seguinte: rock bom é sobretudo sobre sexo.

Mas, como com Ortinho nunca se sabe exatamente o que vai acontecer, o álbum se encerra com a fofa "Já fui rei", uma semiciranda cujo mantra entoado por várias crianças sinaliza, paradoxalmente, a segurança e a maturidade deste artista surgido há 40 anos da lama febril da cidade de Caruaru. Liberdade para o Herói Trancado!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MOMBOJÓ



# conection #
Mombojó no Ponto.Ce

txt n' phts: Keka


Foi assim que na sexta-feira, seis de novembro de dois mil e love. Um dia cheio de ansiedade e um festival rolando no fim-de-semana. Há mais de dois anos a cidade esperava por esse dia. O show começou mais ou menos às 1h15 da madrugada do dia sete. As bandas anteriores não eram nada empolgantes, não muito boas, essa é a verdade, mas deu até pra rir.

Depois de tanta espera, Mombojó entrou no palco para o delírio da maioria dos presentes. Confesso, até a metade o show estava meio desanimado. Acho que o Felipe S. estava com preguiça ou agoniado com tanto calor dessa cidade. Aí, mandou entrar, nada mais nada menos, do que o onipresente, o cara do gingado, o China! Foi nessa parte que a galera começou a se animar também. Uma energia do caramba.

O novo álbum, Amigo do Tempo, ainda não saiu, mas tocaram algumas faixas como "Casa Caiada" (que, definitivamente, não é música para se dançar), "Amigo do Tempo" (que além de ser faixa título do álbum, eu escutei quinhentas vezes para aprender a letra!) e "Papapa" (talvez a hora mais divertida da noite, já que Felipe chamou ao palco algumas meninas da plateia para ser dançarinas).

As músicas do Nadadenovo soaram um pouco estranhas sem a melodia da doce flauta dO Rafa, mas o público improvisou uma com um assovio coletivo. Um dos momentos mais esperados foi, com certeza, quando tocaram "Deixe-se Acreditar". Nessa hora, fiquei ali no pé do palco. E, meudeusdocéu, a gente tira energia até de onde não tem mais só para ver esses músicos absurdos tocarem suas músicas absurdas e pulsantes.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

DE QUEM É A MÚSICA?

# agência pirata #
Condenação dos responsáveis por site de troca de arquivos levanta a velha questão sobre a quem pertence a produção artística

txt: Leonardo Foletto

De 16 de fevereiro a 17 de abril deste ano, o mundo digital esteve como nunca atento ao que acontecia na longínqua Suécia, especialmente ao pequeno Tribunal Distrital de Estocolmo, capital do país. Essas duas datas marcaram o início e o fim de um dos julgamentos mais importantes dos últimos anos: governo sueco X Pirate Bay, conhecido site de troca de arquivos digitais e ícone do que se convencionou chamar de “pirataria digital”.

A ação julgada tratava da violação de 33 leis internacionais de direitos autorais por parte do Pirate Bay, que oferecia gratuitamente links para servidores que hospedavam diversos arquivos, especialmente produtos culturais como filmes e músicas.

O veredito final do caso, dado em 17 de abril de 2009, foi surpreendentemente duro com o Pirate Bay. Sob a alegação de que os fundadores e colaboradores do site – Hans Fredrik Neij, Gottfrid Svartholm Warg, Peter Sunde e Carl Lundström – “assistiam a disponibilização de conteúdo protegido por copyright”, a Justiça sueca condenou os quatro a um ano de cadeia. Foi exigido ainda o pagamento de 3,62 milhões de euros a diversos estúdios de Hollywood e gravadoras de música, representados, respectivamente, pela Motion Picture Association of America (MPAA) e International Federation of the Phonographic Industry (IFPI).

Em nota divulgada à época, a IFPI dizia que “o Pirate Bay, ao violar sistematicamente os direitos de autor, prejudica os artistas e produtores de arte”. Como é uma decisão em primeira instância, havia a possibilidade de recorrer. Enquanto o caso se desenrolava, outros processos parecidos ocorriam ao redor do mundo. Em setembro de 2008, o blog Som Barato, que disponibilizava para download gratuito centenas de discos raros de música brasileira, foi retirado do ar pelo Google, que alegou ter recebido diversas denúncias de abusos de violação de direitos autorais e terminou por apagar todo o conteúdo da página.

Não muito tempo depois, outros blogs de download de música – como o Um que Tenha e o Só Pedrada – receberam notificações da empresa estadunidense para apagar conteúdos específicos de seu acervo, ao mesmo tempo em que a brasileira Associação Antipirataria de Cinema e Música (APCM), de tanto insistir, conseguiu fechar a comunidade do Orkut Discografias, que oferecia um acervo gigantesco de discos e contava com mais de 700 mil integrantes.

Estes episódios são recorrentes na odisseia que as grandes empresas detentoras dos direitos autorais travam contra a livre circulação de informações na rede. E, pelo menos nos casos aqui citados, têm se mostrado inúteis: tanto o Som Barato quanto Um que Tenha e a comunidade do Orkut Discografias continuam existindo, com nomes ligeiramente diferentes e número de arquivos disponibilizados até maior do que antes.

Ofensivas agridem o público e o próprio artista

Embora o pano de fundo da batalha contra o download de produtos culturais sejam os lucros cada vez menores dos cartéis culturais, o argumento ideológico preferido de seus representantes é a defesa dos “direitos do autor” – mesmo que a produção cultural em si jamais tenha diminuído por causa da “pirataria”. O problema é que, ao contrário do que afirmam as companhias, as ofensivas agridem, além do público, o próprio artista – os dois lados da produção cultural.

Surgido na Inglaterra do século 16, quando a difusão da imprensa passou a possibilitar a cópia massiva de textos, o copyright sempre esteve associado a empresas, e não a criadores. Tão logo a cópia de textos passou a se difundir, o estado inglês criou, em 1556, a Stationers’ Company (Companhia dos Editores), um grupo de profissionais que passa a deter com exclusividade o direito de copiar. A partir daí, passariam a ser impressas apenas obras que tivessem autorização (ou seja, o selo do censor do Estado) e que estivessem listadas no registro oficial em nome de um editor.

O editor se torna o dono da obra, com a conivência do Estado. O copyright surge da censura preventiva e da necessidade de restringir o acesso aos meios de produção cultural. Desde sua concepção, portanto, o copyright submeteu a criação cultural aos interesses de empresas, ferindo o principal interesse do artista: alcançar o público. E uma cultura em que o público não tem acesso aos bens culturais é, no mínimo, antidemocrática. Só no momento em que surge a Internet, barateando os meios de produção e oferecendo tecnologias como o Peer-to-Peer e o MP3, que o acesso aos bens é facilitado.

A “pirataria” tem estado presente nas principais descobertas científicas e criações artísticas. Quando Thomas Edison inventou o fonógrafo, os músicos que ganhavam dinheiro acusaram-no de roubar seu trabalho. Segundo eles, a invenção iria acabar com os músicos e, consequentemente, com a música – algo parecido com o que ouvimos hoje de alguns artistas sobre o download de músicas. Mais tarde, o próprio Edison criou a tecnologia para exibir filmes e exigiu de quem quisesse usá-la o pagamento de uma taxa. Para escapar do pagamento, um grupo de cineastas saiu de Nova York, onde morava Edison, e foi para a costa Oeste americana, onde começou a produzir seus filmes sem pagar a tal taxa. Alguns destes, anos depois, criariam Hollywood, e o resto é história.

Mais perto de nós, o século 20 inteiro foi marcado por disputas desse tipo. Invenções hoje obsoletas, como o VHS e a fita K7, foram fartamente atacadas pela indústria, a mesma que hoje acusa o Pirate Bay e a livre troca de arquivos digitais. O que essas empresas não lembram é que, passado o período de acusações, elas próprias lucraram com aquelas invenções.

Democratização da cultura

O que todas essas tecnologias têm em comum é o fato de colocarem em prática um conceito central para qualquer sociedade que se preze: a democratização da cultura. Tanto do acesso do artista aos meios de produção (é cada vez mais barato gravar, ou publicar, por exemplo), quanto do público aos produtos – que podem ser shows gratuitos, livros baratos ou arquivos baixados da Internet. No último caso, embora a prática ainda seja comumente rotulada de “pirataria”, vários artistas já lançam suas obras assim. Para citar casos de sucesso, vale falar da banda Nine Inch Nails, que não apenas tem lançado seus últimos discos oficialmente em formato virtual como tem se mantido campeã de vendas, ou das brasileiras Mombojó (com dois discos disponíveis no site oficial) e Móveis Coloniais de Acaju, que lançou em março deste ano seu segundo disco, C MPL T E, pelo projeto Álbum Virtual, da gravadora Trama.

– A lei e a tecnologia estão sendo alteradas para dar aos detentores do copyright um nível de controle sobre nossa cultura que jamais tiveram antes – já escreveu o americano Lawrence Lessig, referência mundial na discussão e autor, dentre outros, do livro Cultura Livre.

E, ao contrário do que pregam as propagandas da indústria, Lessig afirma:

– Uma cultura livre não é uma cultura sem propriedades; não é uma cultura onde os artistas não são pagos. Ela é composta por regras de propriedade e contratos que são garantidos pelo estado.

Regulamentação é bom, mas não é por isso que mais regulamentação será melhor – neste caso, pode-se correr o risco de que regras excessivas engessem a inovação e a criatividade. Há gêneros musicais inteiros, como o hip hop e o dub, que não existiriam sem o sampler – uma das formas mais criativas de “pirataria”. E várias obras e artistas jamais teriam sido descobertos se não fosse pela livre circulação de arquivos na Internet. As grandes empresas estão comprovadamente lucrando menos, mas não é difícil perceber que a sociedade está lucrando cada vez mais.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • AtribuiçãoVocê deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).

  • Compartilhamento pela mesma licençaSe você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob licença similar ou compatível.

Ficando claro que:

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    • Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis;
    • Os direitos morais do autor;
    • Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais como direitos de imagem ou privacidade.
  • Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.

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