#CADÊ MEU CHINELO?

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

[premiouirapuru] PÚBLICO ESCOLHE OS MELHORES DA MÚSICA BRASILEIRA DE 2010

1º - EEK_FANTASIA DE EQUILIBRISTA




2º - COISA LINDA SOUND SYSTEM_ROCHEDO DE PENEDO




3º - ZECA BALEIRO_CONCERTO




4º - MARCELO JENECI_FEITO PRA ACABAR




4º - TULIPA RUIZ_EFÊMERA




6º - MAQUINADO_MUNDIALMENTE ANÔNIMO




7º - KARINA BUHR_EU MENTI PRA VOCÊ




7º - MY MIDI VALENTINE_MY MIDI VALENTINE




9º - ALMAZ_SEU JORGE AND ALMAZ




10º - MOMBOJÓ_AMIGOS DO TEMPO




10º - ROBERTA SÁ & TRIO MADEIRA BRASIL_QUANDO O CANTO É REZA




12º - PATO FU_MÚSICA DE BRINQUEDO




13º - CABRUERA_VISAGEM




13º - FINO COLETIVO_COPACABANA




15º - ANDRÉ ABUJAMRA_MAFARO




15º - RODRIGO MARANHÃO_PASSAGEIRO




15º - WILSON DAS NEVES_PRA GENTE FAZER MAIS UM SAMBA




18º - VANESSA DA MATA_BICICLETAS, BOLOS E OUTRAS ALEGRIAS




19º - GUIZADO_CALAVERA




19º - LUISA MAITA_LERO-LERO




21º - APANHADOR SÓ_APANHADOR SÓ




21º - MARKU RIBAS_4 LOAS




21º - MILTON NASCIMENTO_... E A GENTE SONHANDO




24º - E.M.I.C.I.D.A._EMICÍDIO




25º - SÍLVIA MACHETE_EXTRAVAGANZA

quarta-feira, 17 de março de 2010

MAQUINADO




#uirapuru2010
Mundialmente Anônimo

txt: Ramiro Zwetsch

Misturar, confundir e transformar é preciso. A feijoada, a tropicália, o afrobeat, o gol de bicicleta, o Kraftwerk, o Mané Garrincha, o Moacir Santos, o Moebius, o cachorro vira-lata, “Pulp Fiction” e milhares de outras maravilhas do mundo estão aí pra desfazer qualquer dúvida. O Maquinado é mistura, confusão, transformação. O projeto de Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, era de um jeito nos primeiros shows (com três guitarras, baixo e bateria na banda), apareceu bem diferente no disco de estreia “Homem Binário” (cheio de batidas eletrônicas e participações, principalmente nos vocais), mudou outra vez sua formação de palco (para guitarra, baixo, percussão e toca-discos) e surge novamente transformado em “Mundialmente Anônimo” – o segundo e novo disco.

Considerado um dos melhores guitarristas de sua geração, Lúcio fez um primeiro disco mais voltado para sua vocação como produtor. Havia guitarras, claro. Mas elas não uivavam com a mesma tensão de “Mundialmente Anônimo”. O peso e a distorção das seis cordas permeiam o disco, aliviam em algumas faixas e explodem na última – “SP”, um clique preciso da babilônia paulistana em dias de caos.

Lúcio também está mais à vontade como cantor e já apresenta uma identidade vocal mais definida. Neste disco, ele é o vocalista em sete das oito faixas cantadas – as rimas que gingam no rap “Tropeços Tropicais” são cortesia de Lurdez da Luz (Mamelo Sound System). Duas são instrumentais: além de “SP”, a letárgica “Um Recado Para o Lucas Extensivo ao Pio” – essa estabelece um criativo telefone sem fio com “Um Recado Para o Lúcio Maia” (de Pio Lobato) e “Um Recado Para o Pio Lobato” (de Lucas Santtana). O melhor jeito de cantar já aparecia em uma das faixas de destaques de “Homem Binário” – a cinematográfica “Sem Conserto” – e agora se intensifica nas climáticas “Bem-vinda ao Inferno”, “Girando Com o Sol”, “Pode Dormir” e “Provando a Sanidade”.

Mas nem tudo é transformação: “Mundialmente Anônimo” segue fiel à essência do Maquinado, de liquidificar várias referências – do rock ao hip hop, do dub aos ritmos brasileiros, das batidas afro-caribenhas à vanguarda eletrônica – sem soar desconexo ou descontínuo. Do cancioneiro verde e amarelo, o repertório pinça versões para Jorge Ben (“Zumbi”, o abre-alas do disco) e Mundo Livre S/A (“Super-homem Plus”) – ambas profundamente modificadas.

Se fosse um personagem, o Maquinado seria uma mistura de Ranxerox (um frankstein pop criado pelos quadrinistas italianos Tanino Liberatore e Stefano Tamburini, bem pra lá da beira do ataque de nervos) com os protagonistas soturnos e melancólicos dos filmes do chinês Won Kar Wai – uma amálgama viva de humores e temperamentos. Na boa música brasileira contemporânea, quase todo mundo é meio assim.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

HUMAITÁ PRA PEIXE: MAQUINADO

# O DILÚVIO e Tuba do Pindzim - cobertura conjunta do festival carioca #

Maquinado

txt e video: Pindzim
foto: divulgação HPP
clip: Fernando Sanches



Ao anunciar o show do Maquinado na noite de domingo, Bruno Levinson, idealizador do festival, apresentou Lucio Maia como um dos maiores guitarristas do Brasil. Com todo respeito a todos os demais, o integrante da Nação Zumbi há tempos é "O" melhor. Se na banda, os riffs de sua guitarra são a espinha dorsal das canções, frases que determinam o ritmo e a intensidade da massa percussiva, e o encaixe dos versos de Jorge du Peixe, Lucio faz do Maquinado um espaço recreativo. Com o chapéu enterrado na cabeça sob uma iluminação sombria, mal se vêem as expressões em seu rosto. Todas as luzes se concentram sobre a guitarra. Os beats e scratches do DJ PG e o gravíssimo baixo de Dengue compõem a base, ao mesmo tempo sólida e sútil, para os devaneios elétricos do Homem-binário. As canções se dissolvem ao serem recriadas ao sabor do passeio da mão esquerda de alto a baixo sobre o braço da guitarra e do manejo dos pedais, fazendo desvanecer qualquer conceito de autoria. O suíngue da mão direita é parente próximo do batuque de outro velho companheiro de Nação, o percussionista Toca Ogan. E o rock flui naturalmente, eminentemente elétrico com leve tempero acústico-eletrônico. Um convite à dança que as cadeiras da sala Baden Powell não deixaram se materializar, exceto pelo próprio Lucio e alguns poucos empolgados da platéia posicionados no fundo da sala.

É interessante observar que o show do Maquinado, distancia-se totalmente do disco lançado no ano passado. Enquanto Homem-binário pode ser enquadrado dentro do conceito de disco de produtor, em que Lucio Maia se propôs a explorar outras possibilidades formais como guitarrista e compositor, diferentes de seu trabalho com a Nação Zumbi. Os riffs poderosos continuam constituindo o núcleo celular das composições, mas as diversas texturas de guitarra que Lucio consegue extrair e combinar em uma mesma música, unidas a um teclado, ou a um trompete, como em "Alados", se destacam mais do que o virtuosismo de seus solos. Assim como grande parte do repertório do disco não foi incluído do show, em parte porque não seria fácil reunir o grande elenco de convidados que colaborou com os vocais em pelo menos metade das músicas, no palco, os solos, em que cada nota é mais importante do que a harmonia, são o show.

Há quem prefira ver no palco uma reprodução fiel da sonoridade obtida a partir do disco gravado em estúdio, mas provavelmente não é o caso daqueles que lá estavam. E também daqueles que ainda terão a oportunidade de assistir a futuras apresentações do Maquinado. Lucio Maia, o homem-binário em seu projeto solo, não parece ser capaz de fazer uma apresentação igual a outra. Assim, que venham as próximas.

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