#CADÊ MEU CHINELO?

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

[agência pirata] MARCELO YUKA PREPARA NOVO CD


Preparando CD depois dos tiros que o deixaram paraplégico, Marcelo Yuka defende a força do afeto

::txt::Leonardo Lichote::

A voz de Cibelle, sobre bases graves, enche a sala do estúdio com as palavras de Marcelo Yuka: "Agora, nesse momento/ Não tenho o peso do tempo." A canção, "Agora, nesse momento", está em "Mito?" (título provisório), disco que o artista planeja lançar até o fim do ano - e os versos marcam a leveza que o acompanha hoje, aspecto refletido no álbum e, mais que isso, na forma como olha para a vida. Uma leveza que não abre mão da contundência, da indignação, da consciência de que é necessário atacar sem trégua o reacionarismo ("Precisamos de mais barulho do que bombas", a letra continua), mas que agora se apoia sobre o amor - a palavra é dita como quem sabe a pieguice que a ronda, mas com a segurança do que está falando ("Precisamos de mais barulho do que bombas/ Tanto fora quanto dentro", conclui o verso).

- Tudo o que eu estou fazendo agora vem da descoberta que tive, a única que tive na cadeira, de que o amor não é só um sentimento. É a maior forma de inteligência que temos - diz Yuka, em frente à mesa de som do estúdio em sua casa, com a Tijuca se mostrando ao fundo, pela janela. - Ele está na essência de tudo o que fizemos de melhor. As mudanças mais positivas do mundo vieram dessa capacidade do homem de transcender. Quem é mais forte, Hitler ou Gandhi? Me parece fácil responder, até porque Hitler foi derrotado. Aprendi que não adianta ocupar as ruas se não ocuparmos o sentimento das pessoas. Tem que haver outra maneira de regular os relacionamentos sem ser pela força. O F.UR.T.O. (projeto com o qual lançou um CD em 2005) tinha que ser rancoroso, foi o primeiro depois dos tiros (que o deixaram paraplégico, em 2000). Tudo me era dado para que eu aprendesse pela dor. Porque eu não sou só um cadeirante, meu tipo de lesão me causa muita dor e praticamente não existe tratamento. Comecei a perceber que eu não queria o caminho óbvio de aprender só pela dor. Tive que procurar em mim meu remédio. Pela meditação, cheguei nisso.

A consciência do amor como força política ultrapassa as letras do disco - as canções são parcerias com artistas como Cibelle, Marisa Monte, Aleh e Apollo 9, produtor do CD. Sua sonoridade parece afirmar a todo o tempo a convivência da placidez com o vigor afro-eletrônico. Como na base que ele mostra da canção que está compondo com Marisa. Nela, o ritmo do funk dialoga com um piano que traça caminhos suaves sob a pressão do batidão - como que alheio a ele, mas na verdade em profunda afinidade.

- Picotei o tamborzão (um tipo de batida de funk), reconstruí à minha maneira e meti esse piano, com harmonias e melodias que não são usadas no funk. Não sou só eu que estou fazendo isso, me apropriando do funk dessa forma, criando essa espécie de funk-canção - diz Yuka. - Há um preconceito que diz que o funk é americano, é cópia do Miami bass. Mas o tamborzão é macumba eletrônica, é o folclore do futuro, vem dos tambores do quintal da vovó. E foi feito por uma geração que nem ouviu Miami bass.

O funk ("F-A-N-Q-U-I", soletra, para deixar claro que está falando do gênero nascido nas favelas, e não do som de James Brown, George Clinton e companhia) está no centro do novo álbum de Yuka. Novamente, numa afirmação política e afetiva:

- Comecei querendo fazer um disco de samba, mas o funk acabou se tornando a maior influência. A minha noção musical vinha de meu pai, que ouvia samba, e do que eu ouvia na minha condição de suburbano. Não tenho formação de rock. Aprendi música indo a baile. Lembro da primeira vez em que ouvi "Planet rock", do Afrika Bambaataa, no Clube Luso-brasileiro, em Campo Grande. Mesmo sem entender a letra, era aquilo que eu queria viver. O funk é a minha essência.

Sua aproximação do samba-enredo de maneira nada ortodoxa - e mesmo do funk - se revela um modus operandi.

- Minha dificuldade como músico não me permite fazer nada ortodoxo - diz, sorrindo, depois de mostrar uma música que soma dub e climas Radiohead e funk. - Por exemplo, quero fazer rock, então me juntei com Sérgio Espírito Santo, dos Tubarões Voadores, uma banda de Itaboraí que, antes dos Raimundos, já usava coisas de baião, antes de Nação Zumbi, já fazia crossovers impensáveis. Eu e Sérgio estamos juntos no Mestiço, um projeto eletro-indígena-hardcore (ele mostra uma música na qual, sobre a base pesada e tribal e em meio a samples de falas de Darcy Ribeiro, correm versos como "Droga que escraviza o mundo/ Chá de papel-dinheiro").

Mestiço é apenas um dos trabalhos paralelos de Yuka ("Aleijado não pode ficar parado", brinca). Ele montou um show com Amora Pêra (guitarra e vocal), Patrick Laplan (baixo), Jomar Schrank (teclado e guitarra) e Daniel Conceição (bateria) - banda base de seu disco -, juntando músicas do Rappa, F.UR.T.O e inéditas. Planeja um CD com Seu Jorge, outro com o produtor Chico Neves e outro com o DJ americano Maga Bo. Além disso, lançará seu primeiro livro de poesia pela editora Dantes e um de quadrinhos, com histórias baseadas em suas letras, pela Leya. O jornalista Bruno Levinson prepara sua biografia, e a cineasta Daniela Broitman faz um documentário sobre o músico. Mas o projeto do qual Yuka fala com mais orgulho está na sua frente no momento da entrevista, ensaiando em seu estúdio: uma banda de pagode formada por presos em regime semi-aberto. Ele produzirá o disco da banda, fruto do trabalho que faz com o delegado Orlando Zaccone em carceragens cariocas, montando bibliotecas e promovendo sessões de filmes.

- Nunca imaginei que meu trabalho na cadeia pudesse render isso. Porque, quando você sai da cadeia, pode fazer qualquer coisa, ir comer mulher, assaltar de novo... O Gilson (Camilo, um dos integrantes da banda) escolheu vir aqui. Achou meu endereço e bateu aqui em casa. Eu vi que tinha que fazer alguma coisa, conversamos, e soube que ele tinha uma banda de pagode. "Posso te ajudar com isso", eu disse - conta Yuka, que agora monta com Zaccone a Boca (Brigada Organizada de Cultura Ativista), um centro de debates que será inaugurado quinta-feira no Circo Voador.

Yuka ressalta que tudo o que está produzindo é sem patrocínio ou auxílio de gravadora. Mas isso não o impede de seguir, apoiado no que chama de fé no ser humano.

- Faço trabalhos como o Carceragem Cidadã porque acredito. Teria todos os motivos para não acreditar no ser humano, mas acredito. E a minha profissão me dá a chance de ser utópico. Minha arte se mistura com a minha vida. Talvez eu pague por isso. Não tenho filho, não tenho família, porra nenhuma. Meu plano maior para este ano, aliás, é juntar dinheiro para me tornar pai solteiro - conta. - As pessoas falam em superação, mas eu não superei nada. Estou sempre superando e espero seguir assim até o meu último dia.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

[release] ORTINHO, O HERÓI TRANCADO



::txt::Ronaldo Bressane::

Cuidado: este álbum contém hits chicletosos e canções de romantismo rasgado

Este é um álbum de rock'n'roll. Não, pera lá. É um álbum de pop romântico. Também não é só isso... Digamos, então, que seja um álbum de jovem guarda. Só que um álbum de jovem guarda adulta. Um disco da Jovem Guarda de Caruaru, em plenos anos 2010. Difícil de entender? Claro: estamos falando de Ortinho, fiel seguidor do lema do também pernambucano Chacrinha: "Eu vim pra confundir, não pra explicar".

Desde que surgiu, no início dos 90, liderando a lendária Querosene Jacaré, Wharton Gonçalves Filho, dito Ortinho, demonstrou-se nota dissonante no cenário do rock pop nacional. Se sua banda recuperava as texturas de psicodelias setentistas como Ave Sangria ou do early Alceu Valença, as idéias de Ortinho integravam a primeira hora do manguebeat – é dele, por exemplo, o clássico "Sangue de bairro", gravada por Chico Science & Nação Zumbi. Nessa época, misturava ao rock lisérgico o coco, o maracatu, a ciranda e o samba, diluindo as fronteiras desses gêneros com voz rascante e percussiva, em letras cheias de jogos sonoros e nonsense que o colocaram como um dos melhores cantores e compositores de sua geração.

Ocorre que, com este O Herói Trancado, Ortinho afinal desoptou pela confusão. Trocou as dissonâncias pelo pop simples, largou a metralhadora giratória por um tiro certeiro: o rock clássico. O resultado é seu álbum mais coeso, mais maduro, mais exato – e mais do que nunca, pop até a medula. Em seus outros álbuns Ortinho lançou sonoridades e idéias que o tornaram um artista cult (meio sobrevoado por certa aura maldita); este disco, porém, este é pra tocar no rádio.

Se a jovem guarda sessentista conspira a favor de canções como a chicletosa "Pense duas vezes antes de esquecer" (parceria com Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci), o rock brasileiro dos anos 80 comparece depurado em "O cara do outro lado". A explicação é que, além da sombra de Antunes, parceiro em várias canções (cuja dobradinha Ortinho devolveu em algumas faixas do recente álbum de Arnaldo, Iê Iê Iê), tambén se ouve um timbre inconfundível daqueles tempos: o virtuosismo canhoto de Edgard Scandurra.

Em "Saudades do mundo" e "Modelo vivo", Ortinho mostra o outro lado da ponte, agregando à sonoridade robertocarliana a voz suingante de Jorge Du Peixe, a metaleira puxada pelo genial saxofonista Spok, os teclados de Chiquinho (Mombojó) e o piano prodígio de Victor Araújo. Só nesse time de allstars de três gerações se percebe a esperteza de Ortinho como catalisador de talentos – e se entende o álbum também como um recorte muito original do rock brasileiro de todas as épocas.

Com "Moldura", observa-se que o conteúdo social das obras anteriores deu lugar a um romantismo desesperançado, meio dark, mas não sem doses de humor e leveza (combinação repetida na largada "Retrovisores"). A canção é temperada, como o resto do disco, pela guitarra sutil de Yuri Queiroga, sobrinho de Lula Queiroga, que auxilia Ortinho na produção do disco. A faixa seguinte, canção-título, ganha participação de outro grande guitarrista: Luiz Chagas, que formou na Isca de Polícia de Itamar Assumpção. Pop pra dançar, clássica como aquelas canções que você sente que já tinha escutado em algum lugar, traz a melhor letra do disco, original na mistura de dor e humor:

"Fiquei trancado do lado de fora/ Deixando você livre para eu ir embora/ E agora vou aproveitar a minha vida/ Preso pelo mundo afora/ Não tô a fim de receber visitas/ Estou me sentindo livre feito um turista/ Tem muita gente que divide esse mundo comigo/ Alguns até são meus amigos/ Espero com sinceridade/ Que estejas bem/ Que tenhas ocupado/ Meu lugar com outro alguém/ Que sua casa esteja alegre colorida/ Fui condenado a viver sem você o resto de minha vida"

A grunge barra-limpa "Você não sabe dessa missa um terço", faixa-título de um álbum de Querosene Jacaré, ressurge leve e básica – e aqui louve-se o feijão-com-arroz bem temperado da dupla Vicente Machado (Mombojó) e Dengue (Nação Zumbí), que espalha por quase todo o disco uma eficiência quase transparente, limpa como as melhores cozinhas. Bom lembrar também que o álbum tem a mixagem segura de Yuri Calil, responsável pelos melhores momentos do Cidadão Instigado.

"Sonhar de novo" e "Café com leite de rosas" são mais dois exemplos do novo romantismo tchaptchura de Ortinho (a segunda trazendo, além do wah-wah de Scandurra, o sax barítono de Marcelo Monteiro), um retorno às letras diretas cujo recado é o seguinte: rock bom é sobretudo sobre sexo.

Mas, como com Ortinho nunca se sabe exatamente o que vai acontecer, o álbum se encerra com a fofa "Já fui rei", uma semiciranda cujo mantra entoado por várias crianças sinaliza, paradoxalmente, a segurança e a maturidade deste artista surgido há 40 anos da lama febril da cidade de Caruaru. Liberdade para o Herói Trancado!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

[noéspecial] O CARÁTER REVOLUCIONÁRIO DO CANGAÇO



::txt::Tiago Jucá Oliveira::

Que aspectos de revolução tem os cangaceiros ? Como indivíduos, adverte Eric Hobsbawm, em “Bandidos”, são “menos rebeldes políticos ou sociais, e menos ainda revolucionários, do que camponeses que se recusam à submissão, e que, ao fazê-lo se destacam entre seus companheiros; excluídos da carreira habitual que lhes é oferecida, são forçados à marginalidade e ao crime”.

Os cangaceiros, em grupo, “representam pouco mais do que sintomas de crise e tensão na sociedade em que vivem; não constitui um programa para a sociedade camponesa, e sim uma forma de auto-ajuda, visando escapar dela, em dadas circunstâncias. Exceção feita à sua disposição ou capacidade de rejeitar a submissão individual, os bandidos não tem outras ideias senão as do campesinato de que fazem parte. São ativistas, e não ideólogos ou profetas dos quais se deve esperar nova visões ou novos planos de organização política”, define Hobsbawm.



De acordo com Rui Facó, “eram elementos ativos de uma transformação que prepara mudanças de caráter social, que subvertem a pasmaceira imposta pelo latifúndio durante séculos, provocam choques de classes, lutas armadas”. Segundo Facó, autor de “Cangaceiros e Fanáticos”, o cangaço não era ainda “a revolução social, mas são o seu prólogo”, muito menos uma luta pela terra, mas “uma luta em função da terra”.

Para Hobsbawm, “uma vez que os horizontes dos bandidos são estreitos e circunscritos, como os do próprio campesinato, os resultados de suas intervenções na História talvez não sejam o que eles esperavam”. Talvez “o oposto daquilo que esperavam”, o que não faz do banditismo “uma força histórica menor”.



No âmbito cultural, o cangaço é força constante há várias décadas. O Movimento Manguebit, surgido em Pernambuco nos anos 90, causou uma revolução na música brasileira, ao misturar os tambores de maracatu com riffs de guitarra, mangue com antena parabólica, caranguejos com cérebro, samba com noize. A sonoridade e a estética tinham discurso. A letra de “Monólogo ao Pé do Ouvido”, faixa inicial do primeiro álbum de Chico Science & Nação Zumbi, 'Da Lama ao Caos”, introduz heróis rebeldes pra embasar a novidade artística que o movimento propõe:

“Modernizar o passado/ é uma evolução musical/ cadê as notas que estavam aqui/ não preciso delas/ basta deixar tudo soando bem aos ouvidos/ Viva Zapata!/ Viva Sandino!/ Viva Zumbi!/ Antônio Conselheiro/ todos os Panteras Negras/ Lampião, sua imagem e semelhança/ eu tenho certeza eles também cantaram um dia”. Na música que vem na sequência, “Banditismo por uma questão de classe”, compara a violência do passado sertanejo com o presente suburbano:

“Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela/ a polícia atrás deles e eles no rabo dela/ acontece hoje, acontecia no sertão/ quando um bando de macaco perseguia Lampião/ E o que ele falava outros ainda falam/ 'Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala'/ em cada morro uma história diferente/ que a polícia mata gente inocente/ e quem era inocente hoje já virou bandido/ pra poder comer um pedaço de pão todo fodido”.

A influência do cangaço sobre o imaginário popular e a cultura nordestina é um dos pilares do movimento que revolucionou alguns conceitos artísticos na final do breve século passado. Como diria Chico, “banditismo por pura maldade, por necessidade, por uma questão de classe”. A ruptura não foi somente na estética. O manguebit “roubou” a cena. E da lama, nos trouxe o caos.

*este texto pode ser plagiado.

quarta-feira, 17 de março de 2010

MAQUINADO




#uirapuru2010
Mundialmente Anônimo

txt: Ramiro Zwetsch

Misturar, confundir e transformar é preciso. A feijoada, a tropicália, o afrobeat, o gol de bicicleta, o Kraftwerk, o Mané Garrincha, o Moacir Santos, o Moebius, o cachorro vira-lata, “Pulp Fiction” e milhares de outras maravilhas do mundo estão aí pra desfazer qualquer dúvida. O Maquinado é mistura, confusão, transformação. O projeto de Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, era de um jeito nos primeiros shows (com três guitarras, baixo e bateria na banda), apareceu bem diferente no disco de estreia “Homem Binário” (cheio de batidas eletrônicas e participações, principalmente nos vocais), mudou outra vez sua formação de palco (para guitarra, baixo, percussão e toca-discos) e surge novamente transformado em “Mundialmente Anônimo” – o segundo e novo disco.

Considerado um dos melhores guitarristas de sua geração, Lúcio fez um primeiro disco mais voltado para sua vocação como produtor. Havia guitarras, claro. Mas elas não uivavam com a mesma tensão de “Mundialmente Anônimo”. O peso e a distorção das seis cordas permeiam o disco, aliviam em algumas faixas e explodem na última – “SP”, um clique preciso da babilônia paulistana em dias de caos.

Lúcio também está mais à vontade como cantor e já apresenta uma identidade vocal mais definida. Neste disco, ele é o vocalista em sete das oito faixas cantadas – as rimas que gingam no rap “Tropeços Tropicais” são cortesia de Lurdez da Luz (Mamelo Sound System). Duas são instrumentais: além de “SP”, a letárgica “Um Recado Para o Lucas Extensivo ao Pio” – essa estabelece um criativo telefone sem fio com “Um Recado Para o Lúcio Maia” (de Pio Lobato) e “Um Recado Para o Pio Lobato” (de Lucas Santtana). O melhor jeito de cantar já aparecia em uma das faixas de destaques de “Homem Binário” – a cinematográfica “Sem Conserto” – e agora se intensifica nas climáticas “Bem-vinda ao Inferno”, “Girando Com o Sol”, “Pode Dormir” e “Provando a Sanidade”.

Mas nem tudo é transformação: “Mundialmente Anônimo” segue fiel à essência do Maquinado, de liquidificar várias referências – do rock ao hip hop, do dub aos ritmos brasileiros, das batidas afro-caribenhas à vanguarda eletrônica – sem soar desconexo ou descontínuo. Do cancioneiro verde e amarelo, o repertório pinça versões para Jorge Ben (“Zumbi”, o abre-alas do disco) e Mundo Livre S/A (“Super-homem Plus”) – ambas profundamente modificadas.

Se fosse um personagem, o Maquinado seria uma mistura de Ranxerox (um frankstein pop criado pelos quadrinistas italianos Tanino Liberatore e Stefano Tamburini, bem pra lá da beira do ataque de nervos) com os protagonistas soturnos e melancólicos dos filmes do chinês Won Kar Wai – uma amálgama viva de humores e temperamentos. Na boa música brasileira contemporânea, quase todo mundo é meio assim.

sábado, 7 de novembro de 2009

NAÇÃO EM BH




# noé ae?! #
Nação Zumbi apresenta show que marca trajetória do grupo


rls: CL Assessoria em Comunicação
pht: Fabio Braga

O grupo Nação Zumbi traz ao Music Hall (Av. do Contorno, 3239 - Santa Efigênia) dia 14 de novembro, sábado, show comemorativo de um período histórico para a identidade musical pernambucana e também do décimo quinto aniversário de ‘Da Lama ao Caos’, um dos álbuns de maior sucesso para o grupo.

Primeiro disco da banda Chico Science & Nação Zumbi, o trabalho é representativo também por ser o primeiro da Cena Mangue. A partir dele, os mangueboys celebraram a fertilidade dos mangues e retiraram daí um “sumo” da diversidade.

A Nação Zumbi abre seu show com a música ”Banditismo por uma questão de classe”. Composta por Chico Science, a interpretação é de Jorge Du Peixe que ousa no tom de voz nesta canção. Deste álbum, também merece destaque a canção “Rios, pontes & overdrives”, uma composição que tem como autores dois expoentes da década de 90 recifense: Chico Science e Fred 04.

No repertório, também estarão outros sucessos como: “A Praieira”, que remete a uma mistura energética; “Samba Makossa”, música conhecida na versão de Marcelo D2; “Salustiano Song”, canção que atingiu o grande público e “Da Lama ao Caos”, cuja mistura com o Sepultura em `Chaos AD´ganhou notoriedade.

Em muitas das canções que serão apresentadas, a Nação Zumbi dividirá o palco com convidados que marcaram presença no Movimento Mangue. Estão confirmados os cantores Otto e Fred 04, além de abertura com a banda 112 Sobrado.

Music Hall – Sábado - Dia 14 de novembro

Festa Original do Brasil

Nação Zumbi

Participações especiais: Fred 04 e Otto

Abertura: 112 sobrado

Abertura da casa – 22 horas.

Ingressos: (VALORES SUJEITOS A ALTERAÇÕES SEM AVISO PRÉVIO, CONFORME OS LOTES SE ESGOTEM)

Pista

1º lote – R$ 50,00 (inteira) / R$ 25,00 (meia)

2º lote – R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia)

3º lote – R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)

4º lote – R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia)

Camarote

1º lote – R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia)

2º lote – R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia)

3º lote – R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia)

4º lote – R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia)

Classificação Etária: 18 anos.

Venda de Ingressos: Bilheteria do Music Hall, de segunda a sábado, das 12 às 20 horas (Avenida do Contorno, 3239 – Santa Efigênia); loja 5ª Avenida (27C no 3º piso), Leitura Megastore BH Shopping, pelo site www.ingressorapido.com.br e telefone 4003-1212.

Meia-entrada: De acordo com Recomendação do Ministério Público, a meia-entrada é válida para estudantes mediante a apresentação da carteira de estudante válida, acompanhada de comprovante de matrícula e/ou freqüência – será exigido na compra do ingresso e na entrada da Casa. Está limitada a 30% dos ingressos disponíveis, não se aplicando às áreas Vip e Camarotes.

Outras informações - Telefone: 3461 4000 e www.musichallbh.com.br

Assessoria de Imprensa BH

CL Assessoria em Comunicação – 3274 8907

quinta-feira, 2 de abril de 2009

NAÇÃO ZUMBI



# noé ae ? #
O original não morre falso

txt e phts: Rodrigo Colla


No dia 26 de março, quinta-feira, a banda esteve em Porto Alegre – RS pela primeira vez desde o lançamento de seu último disco “Fome de Tudo” (2007), que ganhou o prêmio Uirapuru de melhor álbum da música brasileira em 2007, tendo ainda as músicas “Bossa Nostra” e “Inferno” respectivamente em primeiro e segundo lugar no quesito melhor música, além de outros prêmios e figurações no topo do ranking de diversas categorias. Ver lista completa >>> AQUI <<<



A Nação Zumbi foi ao palco do Drakkar Music Hall por volta das 00h30min. O público nitidamente já mostrava sinais de ansiedade. Era uma fome de tudo interativa e vinda de todas as partes, fome de ouvir e ser ouvido, fome de Fome de Tudo, “forte como quem come”. Foi com a canção que dá nome ao álbum que a banda de Recife abriu o show, o público pôde, satisfeito, degustar os primeiros acordes e rufares.



Cabe fazer um “parêntese” aqui para falar do último disco da banda. O álbum Fome de Tudo é certamente o melhor da Nação Zumbi desde a morte de Chico Science. Parece ser também o mais maduro e se pode considerar perfeitamente uma obra de arte como um todo, onde o conteúdo é indissociável embora separado por faixas. Percebe-se uma coerência entre as canções, elas são bem amarradas e constroem o significado do que vem a ser a “Fome de Tudo”. Através desses entre outros fatores, a banda prova uma maturidade atingida por poucos na música contemporânea. Em A Culpa, faixa 10 do Fome de Tudo há um verso que diz “o original não morre falso”. A originalidade da Nação Zumbi é perene e parece reviver e se resignificar cada vez de forma mais original.



A Nação Zumbi mesclou canções do Fome de Tudo com músicas da época de Chico Science e sucessos dos álbuns anteriores como Meu Maracatu Pesa uma Tonelada, Blunt Of Judah e Hoje, Amanhã e Depois. Executou sua versão de Quando a Maré Encher da banda Eddie e homenageou ainda Jorge Ben com Umbabarauma e Siba e a Fuloresta com Bringa.

A banda fechou o show com Da Lama ao Caos, música que dá nome ao álbum de 1994, considerado fundador do movimento manguebeat. O público ainda ficou querendo mais e “sem fastio, com fome de tudo”, gritou em uníssono “Nação Zumbi”.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

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