#CADÊ MEU CHINELO?

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domingo, 21 de março de 2021

[mandachuva] FORA JUCÁ!

:: txt :: Tiago Jucá ::

Há alguns poucos séculos, milhões de africanos resolveram de livre e espontânea vontade tentar a sorte no continente americano. Cansados da liberdade, e decepcionados com o desempenho de suas seleções na Copa da Rússia de 2018 (que depois viria a se tornar a União Soviética), pediram gentilmente aos portugueses, que não botavam os pés em solo africano, uma carona para o Brasil.
 
E assim vieram e chegaram pelas bandas de cá. Alguns morreram pelo caminho, de tanta felicidade. Os que conseguiram chegar, mostraram gratidão pela oportunidade, e em gestos de agradecimento, se acorrentavam e se chibatavam como forma de dizer obrigado. Trabalhavam de graça quase 20 horas por dia para retribuir o carinho.
 
Não eram muito afeitos a essa coisa de politicamente correto. Quando alguém os chamavam de afro e aos seus filhos e netos de afrodescendentes, eles respondiam brabos: “escravos”. Alguns ingratos tentaram fugir pra quilombos, espaços de doutrina marxista liderados pelo ditador Zumbi, mas os escravos montaram uma patrulha de caça para resgatá-los e salvá-los do mal. Eram os capitães do mato, legendários protetores da família, tradição e propriedade.
 
Com a implantação do regime comunista da princesa Isabel, infelizmente acabaram com a escravidão. E vergonhosamente passaram a oferecer trabalho remunerado para os ex-escravos. Revoltados, só aceitaram sob a condição que o salário fosse o mínimo possível. Mas também pediram pra não morar nos tristes condomínios de lixo da zona sul. Queriam habitar morros nobres, com vista pro mar. Apelidaram de favela. E negaram qualquer ajuda do estado comunista. Nada de saúde, educação nem saneamento básico. O poder público podia somente enviar a PM, armada. Era essa a condição, para manter a paz na comunidade e apenas matar crianças que desobedecessem a ordem de estudar nas escolas marxistas do Pezão e do Crivella.
 
Influenciados pela doutrina comunista, alguns favelados passaram a pedir cotas em faculdade. E inverteram a história, falando em vitimismo, e negando o real desejo de seus antepassados. De acordo com o historiador e ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro, 2019-2025 (não terminou o segundo mandato por causa de um golpe do MDB, apoiado por tucanos e petistas, assumindo o vice), ”não se estupra mulher que não merece ser estuprada”. Ele disse isso se referindo às escravas e faveladas que mereciam, pois eram gentis e educadas, e não reclamavam da “cultura do estupro”. Mas depois do fim da revolução militar de 1964, algumas mulheres passaram a adotar esse discurso esquerdista e hoje se você elogiar carinhosamente alguma mulher, tipo “que bunda bem gostosa” e “delícia, vou te meter todinha”, elas já dizem que é estupro, assédio, machismo, fascismo, etc.
 
É uma pena que a verdade seja contada pelos vencedores e que o real fique escondido. Depois dos anos comunistas da gestão do PT, héteros, fascistas, machistas, rascistas e homofóbicos passaram a ser perseguidos cruelmente pelo CCC, Comando de Caça aos Coxinhas. Páginas da internet do MBL foram tiradas do ar e Bolsonaro teve apenas míseros segundos pra falar no horário político durante a campanha presidencial. Mesmo assim ganhou, apesar da urna eletrônica, pois seu discurso do bom costume foi bem aceito pelos cidadãos de bem, que imploravam pela volta da escravidão e do estupro. O único erro de Bolsonaro foi se coligar com o MDB, antigo oponente da Arena. Agora temos que aguentar Jucá presidente! Com um grande acordo nacional com o STF comunista e tudo.
 
Fora Jucá!
 
* txt escrito em julho de  2018, logo após uma declaração do então candidato a presidente Bolsonaro dizendo que os portugueses jamais haviam pisado na África.


 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

[agência pirata] O TEMPO FECHOU EM BRASÍLIA




::txt::Suzana Singer::

Na cobertura do caso Cachoeira, a imprensa precisa evitar a armadilha do PT, mas precisa dar exemplo de transparência

As nuvens carregadas do novo escândalo político que tomam Brasília são um tremendo desafio para a imprensa. Personagens tidos como probos estão sendo revistos, um sem-número de interesses emerge a cada nova revelação, não é fácil entender a posição do governo e a própria mídia está sob escrutínio.

A primeira surpresa do caso Cachoeira foi a descoberta de sua relação com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM), até então uma espécie de arauto da moralidade, sempre disponível para repercutir denúncias de corrupção. Só nas páginas da Folha, ele se pronunciou contra juízes, o PC do B, Palocci, Arruda, José Sarney, Renan Calheiros...

Figura importante na denúncia do "mensalão", o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), também aparece nas investigações, que apontam uma influência do bicheiro em seu governo.

Mas não sobrou apenas para a oposição. Sombras foram lançadas sobre o governador petista Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, e sobre um assessor que dava expediente no Palácio do Planalto.

Em meio à confusão, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, detectou uma "operação abafa" de setores políticos e veículos de comunicação para tentar impedir que "se esclareçam plenamente" as relações entre Demóstenes e o bicheiro.

Falcão incitou também a futura CPI do Cachoeira a investigar "os vínculos obscuros" de "Demóstenes e sua quadrilha" com a imprensa.

Não sei o que o presidente do PT anda lendo para achar que estão querendo colocar panos quentes no caso, já que os principais jornais e revistas do país não param de publicar grampos e denúncias. Sobre os tais "vínculos obscuros", o que veio a público, por enquanto, foi um diálogo entre Carlos Cachoeira e um de seus auxiliares, citando um jornalista da "Veja". Na conversa, publicada pela própria revista, Cachoeira diz que os "grandes furos" dados pelo jornalista foram passados por ele, mas que não recebeu nenhum favor em troca.

A Folha enxergou na fala do PT a intenção de investir, uma vez mais, contra a mídia. E saiu em defesa da imprensa, ao afirmar que a "produção de reportagens investigativas naturalmente envolve contato de jornalistas com fontes de informação de vários matizes".

Não se sabe se algo comprometedor envolvendo a imprensa surgirá desse lamaçal. Para o PT, interessa usar o caso Cachoeira para empastelar o "mensalão", que poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal nos próximos meses. O presidente do partido fala em desfazer a "farsa do mensalão" montada por "supostos moralistas".

A imprensa não pode cair na armadilha de permitir que um escândalo anule o outro. Tem o dever de apurar tudo -mas sem se poupar. É hora de dar um exemplo de transparência.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

[águas passadas] UNGARETTI PSICOGRAFA MENSAGEM DE LUTHER BLISSET




::txt::Luther Blisset::
::trnscrç::Wladymir Ungaretti::

Quero fazer uma rápida intervenção nessa discussão sobre as eleições. Quero intervir tendo por pano de fundo uma idéia expressa por Eduardo Galeano: " não me animaria a desclassificar movimentos. Prefiro aplaudí-los pelo que fazem. Se há um salva-se quem puder, me parece bastante saudável que existam, principalmente em uma época na qual está proibida toda energia que não esteja a serviço do mercado". Portanto, que fique bem claro que minhas observações não tem por pano de fundo uma posição excludente.

Mas, é preciso dizer algumas coisas, entre tantas que poderiam ser ditas e alinhadas. Não é por acaso que esta tímida discussão tenha sido desencadeada pelo Tiago Jucá, um anarquista expontaneísta, no seu sentido mais puro e verdadeiro. Assim como não é por acaso que as principais figuras d esta faculdade andem com estrelinhas do PT, no peito e representem a fina flor do reacionarismo, do atraso. Não é por acaso que o jornalismo "ensinado" às novas gerações tenha se transformado no ensino do jornalismo-tipo-rp. Claro, durante muito tempo apontado como revolucionário.

Tenho orgulho por ter dado minha modesta contribuição ao desmascaramento da farsa. Aliás, a farsa continua. Claro, que com ares de novidade. Até mesmo o governo do Maluf deve ter aspectos positivos, assim como o do Garotinho, o do Ciro Gomes e até mesmo a gestão do Serra, na Saúde. Este último um ex-militante da AP (Ação Popular), católicos de esquerda, reformistas. É evidente que as administrações do PT - aqui no sul - reformaram muitas coisas. Já escutei, por exemplo, empresários manifestando satisfação pelo fato de que tais administrações são de um elevado senso de honestidade, em relação a coisa pública. Que bom.

O jornalista Mino Carta, pelo qual tenho o máximo respeito e diga-se de passagem o primeiro a colocar o companheiro Lula na capa de uma revista (Istoé de1978), em recente editorial, afirmou que se a elite brasileira não fosse tão selvagem, quem, nesse momento, melhor administraria o capitalismo brasileiro seria o PT. Quando o candidato Lula anuncia que respeitará todos os acordos internacionais, incluindo
os estabelecidos com o FMI, fica claro qual será o tom de tudo em caso de vitória. E, eu torço por esta vitória, acreditem. Quando o companheiro Tarso se deixa pautar pela RBS, na questão da violência, está fazendo o jogo do que tem de mais reacionário na sociedade gaúcha. Colocar câmaras de vigilância, no centro da cidade, para registar pequenos furtos é fazer a lição de casa pelos interesses da elite, ou seja, contribuição expressivamente na colocação de mais miseráveis na cadeia.

Privatizar espaços públicos(os estacionamentos) não me parece uma política inteligente. Expulsar os camelôs das áreas centrais reabrindo as ruas para a circulação de veículos não é correto. Tenho uma irmã expulsa do Deus mercado de trabalho e que trabalha como camelô. Talvez o indicado é que ela vire assaltante dentro daquela idéia: seja marginal, seja herói. Não tenho nenhuma dificuldade em dizer que, acho que pela idade, não sou (única e exclusivamente) pelas reformas do capitalismo. Mas a luta por reformas - está provado historicamente com o socialismo real, acaba amortecendo as revoluções transformadoras. A idéia não é minha. Temos o melhor transporte coletivo do país. Os empresários do setor estão satisfeitos. O asfalto foi levado às vilas. O que é ótimo. Assim, os ônibus da Sudeste ganharam novos mercados. Facilitou a vida dos trabalhadores, sim. O que é também ótimo. Os lucros também cresceram. A RBS não tem nenhuma crítica nesse caso.

Sou pela revolução, sem partidos, sem hierarquizações burocráticas. Sou pela utopia. Mas insisto, não sou excludente. O mesmo não se pode dizer de grande parte da militância "falsamente de esquerda". Tenho cruzado, ao longo da minha militância, com muitos "esquerditas" e, quase todos com raríssimas exceções, são os que acabam se transformando nos mais eficientes defensores do sistema estabelecido. Quase sempre administram bem. Na primeira oportunidade se agarram com unhas e dentes ao poder. Vide Fabico. Com suas biografias políticas "de esquerda" controlam as revoltas. Poderia alinhar muitas variantes sobre o tema. Não tenho a intenção de polemizar, de transformar tudo isso numa grande discussão de princípios, até mesmo pelo fato de que não tenho nada a provar a ninguém e muito menos a mim mesmo.

Tudo bem, que venham as reformas. E quando vier a revolução, um dia após sua implantação, serei oposição crítica. Vejo com uma certa simpatia - por não ser excludente - pela militância do PSTU, embora seja um partido até mais hierarquizado, pela sua tradição trostkista. Continuarei contribuindo para que aconteça uma verdadeira revolução, para a desorganização cotidiana do sistema, pela implosão, pelo incentivo a que os miseráveis tomem de assalto as instituições e que num ato de elevada e refinada criação destruam tudo. Não é, também por acaso, que no mundo inteiro o que mais cresce são os movimentos sociais com alta inspiração anarquista. São estes grupos de afinidades que melhor usam a Internet. Estes grupos são a
vanguarda da luta contra a globalização da miséria. Não essa coisa organizada (fóruns) e disciplinada que acontece por aqui e que tem uma certa importância, evidentemente. Importância simbólica pelas imagens e nada mais.

É preciso criarmos Black Blocks: " aqueles que possuem autoridade, temem a máscara pelo seu poder de indentificar, rotular e catalogar: em saber quem você é... nossas máscaras não servem para esconder ou ocultar nossa identidade, mas revelá-la...hoje nos devemos dar um rosto a essa resistência... colocando nossas máscaras mostramos nossa união; e levantamos nossas vozes nas ruas, nós botamos para fora toda nossa raiva contra os poderosos sem rosto..." ) mensagem distribuída junto com as máscaras, em 18 de junho de 1999, num carnaval anti-capitalista, que destruiu o distrito financeiro de Londres). No quinto mundo existente (nos EUA) temos uma população carcerária de um milhão de negros e latinos, miseráveis. Está é a política globalizada e exportada. Não tenho nenhum compromisso com um certo tipo de "coerência". Não busco raciocínios lineares. Sou pela chapação dos parangolés paradoxiais.

Fraternalmente, Luther Blissett (2003)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

[agência pirata] EM DESENVOLVIMENTO




::txt::Leandro Demori::

Minha história com a WikiLeaks vem de outro carnaval, um tanto distante do #cablegate das últimas duas semanas. Em 2008, recebi documentação que predizia uma bomba em um setor econômico importante no Brasil. Sondei alguns jornais e algumas revistas buscando saber sobre a possibilidade de investigação aprofundada em cima do que eu tinha em mãos. Estava basicamente atrás de uma parceria: algum jornalista brasileiro que ajudasse com a reportagem no Brasil, já que moro na Itália. Não encontrei.

Fiquei pensando em um modo de fazer a reportagem, mas sobretudo em uma forma de vendê-la para alguém que segurasse a barra em possíveis processos judiciais (que eu tinha certeza, viriam). Como eu disse, é um setor econômico importante, anuncia pesadamente em rádios, TV e impresso, tem boa participação no PIB e penetração nos governos. Quer dizer: é um tipo de reportagem que não interessa a ninguém mesmo, exceto ao público. Esse setor já matou gente.

Busquei pela rede possíveis projetos que investissem em reportagens como aquela que eu queria fazer. Existem vários fundos — sobretudo americanos mas também europeus — que tutelam esse tipo de trabalho e pagam para que você o faça. Vivo disso, afinal, e jamais arriscaria postar nada daquilo em um blog, de graça, correndo altos riscos por isso.

Foi por essas buscas que conheci o WikiLeaks, que na época atuava através de uma organização chamada Sunshine Press. Havia várias formas de entrar em contato com eles, usei um chat criptografado que garantiria minha privacidade. Conversei por cerca de 20 minutos com alguém na outra ponta, que disse que o site tinha interesse no material, que o considerava importante e prioritário, mas que havia um problema: os pagamentos por reportagens estavam suspensos por seis meses. E de graça eu não estava disposto a trabalhar.

O que o Sr. Sunshine me explicou é que os fundos que os financiavam tinham secado por conta da crise nos EUA, e que temiam, inclusive, que o WikiLeaks fosse fechar por falta de grana. Fiquei com o contato para enviar o material, e ele ficou de me avisar quando (e se) a grana recomeçasse a entrar. Nunca mais obtive resposta.

Quando o WikiLeaks voltou com força divulgado dados sobre a guerra infinita e um vídeo de militares matando gente a esmo, entendi tudo. O foco, que antes era regionalizar investigações, tinha sido ampliado e restrito ao mesmo tempo: a metralhadora fora apontada para os EUA em particular.

Não sei quem é Julian Assange e nem de onde veio a grana que manteve o WikiLeaks em pé. Estamos no meio de um processo importante para a informação, mesmo que eu acredite que seja utópico um mundo onde toda e qualquer movimentação diplomática seja pública. País algum fará isso, jamais.

No mesmo ano de 2008, eu e uns amigos investigamos a movimentação financeira das contas de publicidade do governo do Rio Grande do Sul por termos certeza de que algo cheirava mal. Mais tarde se “descobriu” que fedia. Conversamos com políticos, promotores, procuradores, jornalistas. Queríamos ver os contratos, quem pagava e quem recebia, quanto recebia e, sobretudo, qual era a medida para avaliar o mérito dos gastos.

As dúvidas eram simples: o que faz o governo gastar dinheiro público, o meu dinheiro, com publicidade? Um governo que precisou pedir 1,1 bilhão de dólares emprestado para não falir e gasta 168 milhões de reais com anúncios. Por que isso é tão prioritário assim? Como se mede o quanto vale um banner em um site, por exemplo? Audiência? Relevância? Público-alvo?

Este post explica um pouco a situação que fotografamos na época.

O valor bruto de um banner em um site no RS era de 60 mil reais por ano. Um site. Um banner. Eram (e são ainda) vários e insignificantes sites, como você pode ler no post acima. Tempos depois, o valor foi retirado do ar (os banners não). Como a gente volta e meia usa Tico & Teco, fizemos print screen de tudo e deixamos aqui, público, novamente, no melhor espírito WikiLeaks.




O que conseguimos arrancar da “Transparência” oficial na época? Nada. Nem mesmo os deputados do PT com quem conversamos se mostraram dispostos e colaborar. Eram da oposição, deveriam querer alguma transparência, certo? Não seria na base do governo, no PSDB, que conseguiríamos as coisas. Demoramos para entender que o modus operandi que hoje beneficia Chico amanhã pode ser usado por Francisco.

Para terminar de modo leve, deixamos aqui algumas dicas culturais para você. Dicas patrocinadas pela bondade do dinheiro público, esse lindão. Caso a página saia do ar, podem pegar o print. Mas confiamos que ficará onde está há 3 anos, exatamente da mesma forma, “em desenvolvimento” eterno. Igualzinho à transparência no Braziu.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

[CC] MEMÓRIAS SONOLENTAS PARA ELEIÇÕES VIOLENTAS



::txt::Eugênio Bucci::

Nas eleições que correm, alguns veículos declararam seu apoio a um ou a outro candidato ao Planalto. Primeiro foi a revista CartaCapital, que afirmou sua preferência por Dilma Rousseff. O diário O Estado de S.Paulo, no domingo (26/9), manifestou-se favorável ao candidato tucano, José Serra.

Há um frisson em torno do tema. Mais que frisson. Os cabos eleitorais se excitam, exaltam-se, gritam de punhos cerrados, socando o ar. Acreditam que, com seus decibéis a mais, desmascaram as "mídias" tendenciosas que, finalmente, deram nomes a seus próprios bois. Discursam com fúria justiceira.

E vã. Rigorosamente, ninguém deveria perder muito tempo com isso. Desde os tempos da máquina de escrever, ou mesmo antes, desde os tempos do Lívio Xavier, de Rui Barbosa, e mais longe ainda, desde as eras de Hipólito da Costa, jornais no Brasil e no mundo tomam partido num debate ou noutro, às vezes discretamente, outras vezes com alarde. Também em eleições, claro. Há diários que cerram fileiras com um partido e não nominam candidatos. Outros, menos reservados, personalizam a questão e pedem voto num sujeito de carne, osso, nome e sobrenome. O que não contraria em nada a tradição jornalística. Desde que não contamine a cobertura honesta dos fatos, um editorial de apoio a uma campanha (cívica, eleitoral, militar, desportiva, o que for) não mata a credibilidade de ninguém. Antes o contrário: declarar abertamente a preferência partidária, ao menos nas condições normais de temperatura e pressão, é uma forma de jogar mais limpo com o leitor.

Só o que é preciso é saber que não estamos diante de um imperativo incontornável. A imprensa conhece mil maneiras de se posicionar – ou de não se posicionar. Mil maneiras e mais outras mil. Só é preciso saber que os jornais têm o direito de declarar ou de não declarar em quem os seus dirigentes pretendem votar, assim como têm também o direito de não declarar coisa alguma. A declaração de voto não é obrigatória, assim como não é errada. Um diário pode, com toda a legitimidade, preferir não tomar partido – ainda que sua cobertura sugira uma inclinação para esse lado ou aquele lado da disputa. Se essa inclinação ferir ou frustrar a justa expectativa dos leitores, o problema é desse jornal. Ele terá que pagar o preço pelas forçadas de mão.

Não há neutralidade na imprensa, já se sabe desde a invenção da escrita. O que pode haver, se quisermos ser otimistas, é um pouco de objetividade (no sentido de fazer com que o relato decorra mais do objeto que é a pauta e menos do sujeito que a escreve). O que pode haver é boa fé. O que pode haver é transparência. Agora: declarar voto não é sinônimo automático de transparência. Assim como é possível mentir dizendo só (fragmentos d’) a verdade ("a verdade é seu dom de iludir"), é possível ser opaco e traiçoeiro declarando voto a todo momento.

Nessa matéria, vale repetir, não há receita universal. A única receita é o respeito pela autonomia de cada um e pelo público leitor. Cada órgão jornalístico é autônomo para decidir sobre o modo de se conduzir – e a instituição da imprensa será tanto mais saudável quanto mais diversidade comportar. No mais, cada um que resolva o pacto que quer firmar – e respeitar – com o seu público. É assim que funciona. Aliás, é só assim que funciona.

Essa confusão dos diabos

Bem, mas, se é assim, por que o frisson inútil?

Em parte, porque as paixões partidárias, na falta de outras, apimentam o ambiente, e o pessoal se diverte. É mais ou menos como ir brigar num fim de baile na cidade de Igarapava, às três da manhã. Falta de sono. Falta de coisa melhor para fazer. Há uma certa sanha hormonal nessa história, embora as ideologias não se saibam porosas aos hormônios. O sujeito se inflama – e com isso experimenta um gozo que julga ser secreto. O outro fala em golpismo e se vê virando estátua no museu da revolução. Um terceiro se dá ares de indignação santificada, e surge aquele que se pretende imolar nas rotativas. A coisa toda é imaginariamente sangrenta, mas, no fundo, a coisa toda é muito mais simples. É natural, quero dizer, essa gritaria cheia de afetações fundamentalistas de um lado a outro, essa teatralização tanto dos que vêem atentado contra a democracia numa manchete e como dos que vêem golpe de Estado nos desaforos que o presidente da República pronuncia – tudo isso é natural, ainda que artificial. É do jogo, ainda que possa ferir a regra do jogo. Está na conta, ainda que subtraia quando prometa somar. É previsível, ainda que nos pregue sustos.

As ondas de raiva irrompem porque a polarização foi longe demais. Nem tão longe como na Venezuela, mas foi longe demais entre nós. Falta-nos serenidade. Tanto nos falta que, nesse momento, quem defende a serenidade passa por demagogo. Eu, como partidário convicto do movimento minoritário pela serenidade, ainda que demagógico, insisto: nada de novo sob o sol.

As lembranças que nos escapam

Não estou bem certo se já disse isso nos parágrafos anteriores, mas já faz muito tempo que jornais tomam partido em eleições. Deveríamos puxar pela memória, se é que temos alguma, e deveríamos pegar mais leve.

Eu me lembro que, em 2000, o mesmo Estadão que agora vai de Serra, foi de Marta Suplicy quando ela disputou a prefeitura de São Paulo contra Paulo Maluf. O meu ponto forte não é a memória – é o esquecimento. Não obstante, eu me lembro bem desse editorial, e fui buscá-lo em arquivos que estão aí à disposição dos mortais comuns. Era um bom editorial, aquele de dez anos atrás. Vamos a ele, ou, melhor, retornemos a ele. Ou, melhor ainda, retornemos a algumas passagens dele. Foi publicado na edição de 3 de outubro de 2000 de O Estado de S. Paulo.

"Um balanço positivo

"A ida de Paulo Maluf ao segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo – por uma diferença de 7.691 sufrágios, em mais de 5,5 milhões de votos depositados – é apenas uma ofuscante exceção nos resultados que – tomados em conjunto – podem ser considerados auspiciosos do pleito de domingo.

"O primeiro deles foi o pleno êxito da informatização do processo em todo o território eleitoral. Trata-se de uma verdadeira proeza, dadas as dimensões e a diversidade do País e o baixo índice de escolaridade da maioria do eleitorado brasileiro. Graças à votação e à apuração eletrônica, a fraude eleitoral foi, afinal, definitivamente riscada do mapa político brasileiro. Esse, literalmente, é um acontecimento histórico.

"Auspiciosos também podem ser considerados os resultados apurados pelo TSE nos médios e grandes municípios, nos quais se concentra a grande maioria do eleitorado, na medida em que não deixam qualquer dúvida sobre o amadurecimento da sociedade brasileira. Embora tivesse todos os motivos para fazê-lo, o povo não deu as costas à política, nem votou a esmo, apenas por obrigação, como se os candidatos fossem todos ‘farinha do mesmo saco’. Dando uma demonstração de discernimento que desmente os eternos céticos, para os quais ‘o povo não sabe votar’, os eleitores escolheram candidatos e partidos segundo critérios pragmáticos, estritamente vinculados à aspiração de ver melhoradas as condições de vida em suas cidades.

(...)

"Se o PT colheu bons resultados nos municípios com mais de 200 mil eleitores, onde haverá segundo turno, é exatamente porque, em vez de ‘federalizar’ o pleito municipal, os candidatos petistas colocaram a ética no topo de suas propostas eleitorais. Outros partidos também fizeram praça dos compromissos com a moralidade administrativa, mas o PT teve a respaldá-lo uma inequívoca tradição de combate às maracutaias com o dinheiro do contribuinte e de honestidade no exercício de cargos executivos.

"Mais de 2,1 milhões de paulistanos deram à petista Marta Suplicy 38% dos votos válidos porque ela e seu partido passaram a ser percebidos como a encarnação do antimalufismo. Outro não foi o motivo pelo qual o PT acaba de conquistar 16 cadeiras na Câmara Municipal de São Paulo (ante 10 há quatro anos), enquanto o PPB de Maluf, que elegera 19 vereadores em 1996, agora não foi além de 5. É pouco provável, porém, que o PT tivesse se saído como se saiu desta vez, pelo País afora, se o seu empenho em defesa da ética no governo continuasse a coexistir com o sectarismo e o rancor radical que dele sempre afugentaram parcelas ponderáveis do eleitorado.

"O PT vitorioso anteontem, a rigor, é ‘o PT que diz sim’: ao menos na esfera municipal, seus candidatos procuraram abrir-se ao diálogo, prometeram sepultar preconceitos, trataram de apresentar soluções inovadoras e, ao falar em ‘austeridade’, referiam-se não apenas ao manejo honesto dos recursos, mas também à administração responsável das finanças públicas –contra o que se insurgem, em escala nacional, os interesses corporativos cuja expressão política por excelência ainda é o próprio PT.

"Seja como for, o ‘centro civilizado’ de São Paulo, para quem o PT raramente é a primeira escolha eleitoral, só pode dar o seu voto a Marta Suplicy no segundo turno, ainda que nada haja em seu currículo que garanta sua competência como administradora da coisa pública. Entre ela e Maluf, o eleitor preocupado com a moralização dos costumes políticos não pode hesitar. 

(...)

"São Paulo espera do governador Mario Covas e do PSDB a grandeza de uma manifestação imediata em apoio da candidata contra quem o político ‘nefasto’ – a expressão é de Marta Suplicy – recorrerá a tudo nesta segunda campanha."

Além de apoio, voto de confiança

Foi um editorial que marcou meu precaríssimo reservatório de lembranças. Um editorial favorável ao PT. Favorável à defesa da bandeira da ética na política, àquela época encarnada no PT. E a boa vontade dos editorialistas do jornal voltou à carga logo após o segundo turno, no dia 1º de novembro de 2000, num outro texto marcante.

"Crédito de confiança

"Se, por uma fatalidade, o candidato Paulo Maluf – que representa tudo o que este jornal repudia em matéria de costumes políticos e administrativos – tivesse vencido a eleição para prefeito de São Paulo, ainda assim o Estado iria torcer para que ele fizesse um bom governo, apesar dos justificados receios de que essa esperança dificilmente se concretizaria. Isso porque, como já assinalamos outras vezes neste espaço, os princípios pelos quais se orienta a linha do jornal excluem qualquer desejo mórbido de que fracassem os governantes dos quais diverge, descalabro. Se assim é, só cabe fazer votos para que se confirmem as expectativas favoráveis dos eleitores dos novos prefeitos do PT, não obstante as profundas diferenças ideológicas que sempre nos separaram do partido.

(...)

"Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, (...), respondendo a uma pergunta sobre os limites das negociações que manterá com os vereadores paulistanos disse: ‘Não farei nada que não possa sair na imprensa.’ Pode ser – apenas pode ser – que algo de muito novo esteja começando em São Paulo. A nova prefeita de São Paulo vem mostrando boas atitudes."

(Engraçado como o tempo passa e ao mesmo tempo não passa. Enquanto escrevo estas maltraçadas, vejo Maluf, ele mesmo, no horário eleitoral: "Bias abigas e beus abigos". Nada de novo sob o sol.)

Voltando ao ano 2000, pelo que me lembro, naquele tempo, não se falava em "golpe" – embora, como avisei há pouco, se não me falha a memória, a memória não seja exatamente o meu forte. O jornal deu sua opinião. Cravou sua posição. Apoiou uma candidata, apoiou-a resolutamente. Também não me recordo de registros de que tenha sido acusado, por isso, de distorcer seu noticiário. Os tempos mudam. As pessoas mudam. O humano esquece. Eu é que, justamente por não ser bom de memória, às vezes me esqueço de esquecer.

Um post scriptum em sentido inverso

As investidas de Lula contra os jornais foram tão contundentes, tão perfuro-cortantes, que roubaram a cena. Roubaram, digo, com todo o respeito. Por terem roubado (com todo o respeito) a cena, saiu de cena a comparação entre Dilma e Serra, que são os dois concorrentes aptos a receber votos. Mas se a nossa memória nos lembrasse de que são eles, Dilma e Serra, que disputam o voto, nós iríamos comparar um com o outro, também no que se refere ao trato com a imprensa.

O resultado da comparação seria engraçado. Muito se acusa a candidata Dilma Rousseff de querer censurar jornalistas, mas, no plano dos fatos, é José Serra quem briga com repórteres. Ele já interpelou agressivamente jornalistas da TV Brasil, alegando que as perguntas eram orientadas eleitoralmente, como no episódio de falta d’água em São Paulo (foi numa terça-feira, 9 de fevereiro de 2010). Antes e depois disso, foi protagonista de outros atritos.

Em setembro, no dia 15, uma quarta-feira, quem apanhou foi a jornalista Márcia Peltier, na gravação do programa Jogo do Poder, da CNT, se a memória não me sabota. Ela indagava sobre a quebra do sigilo na receita e sobre o mau desempenho do tucano nas pesquisas, e o tucano perdeu as estribeiras. Conforme relato do repórter Marcio Allemand, no site de O Globo, Serra afirmou que estavam "perdendo tempo" ali com a repetição de "argumentos do PT" que são "fajutos". Houve uma interrupção na gravação, que foi retomada em seguida, depois de breve diálogo, sem holofotes nem câmeras.

Apenas para que fique anotado: em matéria de fustigar a imprensa, o presidente da República segue imbatível, mas, quando se compara o candidato do PSDB com a candidata do PT, Serra dá sinais de ser bem menos paciente com entrevistadores que o contrariem. No entanto, é ela quem leva a fama. Ah, sim, a memória me avisa que foi o programa de governo dela, e não o dele, que, nas primeiras versões, atacava o jornalismo. Mas depois o trecho de media criticism do programa de Dilma foi deixado de lado. Foi esquecido. Alguém se lembra?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

[o inimigo do rei] PARTIDO TRABALHADOR



::txt::Martins Freire Lustrador::
::ntrdç::Tiago Jucá::

Esses dias, Rodrigo "Chaves" Jacobus fez uma de suas costumeiras visitas à redação dO DILÚVIO. Diz ele pra mim: "Mandachuva, te trouxe um presente, umas edições do O Inimigo do Rei, jornal que circulou a partir do final dos anos 70". Guardei o regalo, e deixei pra ler depois, com calma. Não pude deixar de rir já no primeiro sinal de manifestação de intenções do dito cujo: "um jornal antimonarquista", em época que a ditadura nem sonhava em ser a ditabranda. O pau comia até o atual presidente da república, personagem central do texto abaixo, do Lustrador, de setembro de 1979.

Há coisas ditas a 31 anos atrás que ou são proféticas ou são exatamente o contrário. O autor duvida que Lula consiga ter sucesso na criação de um partido somente de trabalhadores, mas já indica as ligações políticas do futuro partido com o MDB, hoje carne e unha da governabilidade.

Há também dentro do texto uma citação da Folha, um comentário hilário do periódico sampaulistano de quem um dia seria oposição "imparcial". Ahh, o tempo, meu amigo, o tempo.




Partido Trabalhador

Não faltasse a série de barbitúricos para adormecer e desviar o trabalhador da luta sindical direta, de enorme importância no momento e um grupo de “profetas illuminados”, inventou mais um.

O tal de partido trabalhador.

O que seja tal ajuntamento, nem os autênticos operários sabem ao certo.

Quando isso afirmamos excluímos, naturalmente, o “grupo de iluminados”, no qual pontifica o sabidíssimo “Lula”.

É através de seus pronunciamentos ou mais certeiramente através de suas “brizoladas”, de que vamos nos apercebendo o que venha ser tal agrupamento político, o denominado PT.

Inicialmente afirmou “Lula”, que o tal partido dos trabalhadores não visava a conquista do poder. Foi um Deus nos acuda, um corre no galinheiro que pega pra capar em chiqueiro de roça.

Seria o primeiro partido do brasil a não querer o poder. Algo assim como a roda quachada.

O “Lula” alertado em relação à “mancada”, muito timidamente retornou à ribalta e, como o menino que fez pipi nas calças na hora de recitar poesia, deu o dito por não dito, e o assunto caiu no esquecimento.

Muitos mais tarde, depois de inúmeras andanças, nas quais não faltaram afirmações de que o PT seria fundado, constituído e dirigido somente por trabalhadores, Luís Inácio deu violentíssima marcha a ré e delta falação, dizendo que alguns componentes do MDB poderiam fazer parte da agremiação política.

A partir desse fato, as águas ficaram muito mais claras. Ora, sabemos que o Luís Inácio não é suficientemente “tapado” para desconhecer que a lei orgânica eleitoral da ditadura em vigor estabelece que para fundação de qualquer partido é necessário um manifesto contando com assinatura de 10% de senadores e mais 10% dos deputados federais o que torna inviável a formação de um partido exclusivamente de trabalhadores.

Evidente que no presente caso teria que contar com a classe burguesa, pois a troco de que iriam deputados e senadores pedir a formação de um partido, senão fosse para se constituir em vanguarda dirigente. Salvo a hipótese de que a lei fosse modificada.

Agora, porém, o trapesista “Lula”, dá seu salto mortal, declarando que “não poderia separar a criação do PT daquele pessoal consequente do MDB que a imprensa chama de autênticos”, e que o PT “só vai aceitar quem não detem os meios de produção, que não são empregadores”. “Os dirigentes sindicais que defendem a formação do PT chegaram a conclusão de que devem participar politicamente por que dentro da atual estrutura sindical já tentaram fazer tudo para melhorar a situação do trabalhador, não conseguindo”. (Folha de São Paulo, 19,08,79).

Os “sábios iluminados” na melhor tradição paternalista, autoritária, confabularam e decidiram, as bases, os companheiros de fábricas, indústria, etc que escutem e acatem.

Estamos vendo como quinze anos de ditadura acabou formando uma série de discípulos proletários, decididos na continuidade do “cale a boca” e do “faça o que mando”.

Entretanto, os ventos que estão soprando nas hostes operárias indicam que os rumos são outros.

Desde a posse do general Figueiredo eclodiram no país 83 greves, envolvendo 1 milhão e duzentos mil operários, muitas delas feitas contra o desejo das diretorias sindicais quase sempre apelegadas e temorosas de perderem os mandatos expresso em assembleias gerais.

Há um trabalho pertinaz a ser executado na esfera sindical, visando à modificação da estrutura fascista, e não será, naturalmente o “Lula”, pessoa interessada nessa luta, pois seus objetivo claro agora é o de resolver seu problema pessoal se candidatando ao cargo de deputado pelo hipotético PT, e assim afastar a ameaça de voltar a ser operário metalúrgico.

E isso será efetivado através do PT. O diabo é que nesse momento de pseudo abertura uma série de partidos estão se autoproclamando como autênticos partidos dos trabalhadores. É o PC do senil Carlos Prestes, o PCBR do ressuscitado João Amazonas, o PTB do gozador Leonel Brizola e o PSB. Todos se proclamando a vanguarda operária. É vanguarda em demasia para tão escassa retaguarda. E é certo que os operários sofridos e curtidos na duríssima luta sindical não embarcarão nessas canoas furadas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

DEM




# gência pirata #
Mensagem aos Democratas

txt: Klauber Cristofen Pires

Hoje li uma mensagem distribuída pela Associação Brasileira dos Jornalistas - ABJ, lamentando o fato de que a Comissão de Constituição e Justiça aprovou nesta quarta-feira, dia 02/12/2009, a PEC nº 33/09, que retoma a obrigatoriedade do diploma para a profissão de jornalista e regulamenta a figura do colaborador, para a publicação de artigos de opinião.

Já tenho dito aos Democratas: entre o PT original e outro, digamos assim, "made in Paraguay", não há dúvida sobre a preferência entre os adeptos do primeiro.

Recentemente, muito feliz estive por conta da valente senadora Kátia Abreu, por ter pela primeira vez questionado a questão da produtividade como fator legitimador do direito de propriedade do imóvel rural. Não sei se por coincidência, mas poucos dias antes eu havia enviado à CNA uma mensagem, que foi publicada em vários sites e blogues, inclusive o meu, LIBERTATUM, eu que eu levantava justamente esta questão, tendo a colocado em planos doutrinários. Eu tenho absoluta certeza que a CNA e a sua presidente, a Sra Kátia Abreu, acertaram, e por mais que hoje tal proposta se distancie do nosso quadro atual, o argumento paulatinamente há de vencer pelo só fato de ser verdadeiro e realmente justo.

O caso acima reflete com clareza que os Democratas têm hoje à disposição uma fonte nascente, firme e próspera da doutrina liberal e dos valores do conservadorismo cristão. Hoje o Brasil conta com vários institutos e dezenas de pensadores, a começar por aquele que não temo em dizer que é um dos maiores sábios da atualidade mundial: o filósofo Olavo de Carvalho. Infelizmente, quanto ainda são desprezados!

Somente com a clareza da boa doutrina liberal na cabeça e com o conhecimento dos passos e das intenções das esquerdas é que os democratas haverão de reverter a preferência da opinião pública, denunciando-as, ao mesmo tempo em que ensinam ao povo sobre a filosofia da liberdade. Chega de jogar o jogo deles! Aprendam pelo menos que a repetição dos mesmos erros não é capaz de transformá-los em acertos.

Na nota da ABJ, que reproduz diálogos havidos na CCJ, salta-me aos olhos que o senador Efraim Morais (DEM-PB) tenha contestado os argumentos do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e enfraquecido a sua posição, assim fornecendo fôlego para que o petista Aluízio Mercadante se sentisse à vontade, com sua lógica peculiar, para atacar mais uma vez as liberdades civis em prol do projeto totalitarista de seu partido.

Somente para início de conversa, pondo a questão em termos jurídicos, que, afinal, é a própria tarefa de uma Comissão de Constituição e Justiça, a liberdade de expressão é ampla (art. 5º, IV e IX) e não admite regulações, pois tem aplicação imediata (Art. 5º, §1º) . Finalmente, qualquer proposta de emenda constitucional tendente a abolir este direito dos cidadãos é nula (Art. 60, § 4, IV) .

Agora, preste atenção, Senhor senador Efraim Morais, e aprendam se tiverem um pingo de consciência os petistas e congêneres: A Constituição é um documento elaborado por homens e mulheres livres. Qualquer restrição de liberdade, pois, é caso de extremo cuidado legislativo, e somente pode ser lançada aos cidadãos em prol da defesa contra um grave perigo para a existência da própria sociedade.

Exemplar e histórica, portanto, a decisão do STF, ao abolir lei que não foi recepcionada pela nova Carta nem por uma vírgula que fosse, por absolutamente imprestável, haja vista que o material de trabalho do jornalista é puramente decorrente do direito amplo à liberdade de expressão.

Ademais, a proposta do Poder Legislativo de propor emenda contrária à decisão da Suprema Corte, logo assim, em ato contínuo, configura o que o jurista Cristiano Carvalho denomina de ruptura da “autopoiese”, isto é, da capacidade de a sociedade poder manter vivo e saudável seu sistema jurídico, por prejudicar o sistema de cheks and balances. O que o Senado neste momento está fazendo é produzir grosso “ruído” na comunicação com a sociedade, que se traduz pelo convite ao desprezo à decisão por parte daqueles cuja missão maior é proteger a Constituição. Em termos mais simples, trata-se de uma afronta à harmonia entre os poderes.

Ora, que perigo há em que jornalistas não diplomados exerçam a profissão? Que alguns cometam erros ortográficos ou gramaticais? Pois todos os dias eu testemunho as piores aberrações nos jornais, e são produzidas por diplomados. Que alguns deles deturpem a notícia? Oras, o Brasil dos jornalistas diplomados é o maior caso de ocultação em massa da notícia, desde há pelo menos dezenove anos atrás, quando decidiram esconder do público as tramas do Foro de São Paulo. Pelo contrário, um famoso jornalista não diplomado, o Sr Bóris Casoy, viu-se desempregado tão somente por perguntar ao candidato Lula sobre a existência do FSP, após ter recebido o pito de que "nem deveria falar na tv sobre uma coisa dessas".

A questão das faculdades de jornalismo não pede a complacência dos parlamentares para os futuros repórteres. Quem o Congresso deve defender? Os direitos de reserva de mercado dos jornalistas diplomados ou o direito da população de escolhê-los dentre os melhores e de maior reputação, e ainda mais do que isto, de expressarem-se cada um dos cidadãos como bem lhes aprouver? Que sejam muito úteis as faculdades, tão úteis que os profissionais da notícia sintam a necessidade de freqüentá-las. Assim nasceram todas as universidades, isto é, a partir de um desejo íntimo sincero e decidido de buscar o conhecimento, casado com uma proposta honesta de oferecê-lo.

A obrigatoriedade do diploma, ao contrário, inverte esta fórmula, fazendo das faculdades umas fábricas de diplomas, a quem os interessados as buscam tão somente com intenção pró-forma, ou seja, tendo em vista obter uma licença para trabalhar, e isto, afinal, vale para todas as outras profissões, exceto aquelas para o qual o perigo para a sociedade é real e estimável, tal como o risco do prédio desabar ou do internado morrer. Não é mais a faculdade que serve à profissão, mas a profissão é que serve à faculdade, nos próprios termos do Sr senador Aluízio Mercadante.

Agora, somente para nos atermos ao caso, justamente para se tornar um ministro da mais alta corte do país não se exige diploma de bacharel em Direito, mas que seja cidadão brasileiro com “notável saber jurídico e reputação ilibada” . Em via contrária, recentemente foi acolhido um novo ministro que, não obstante ostentar o diploma de bacharel e a carteira da OAB, sugere alguma discussão quanto ao seu notável saber, eis que, por duas vezes, foi reprovado em concurso para juiz.

Do exposto, não é o Senhor Demóstenes Torres quem tem que suar a camisa para defender a inutilidade desta coisa que, aprovada, há de reforçar o conceito da sociedade corporativista ou como tenho cunhado, da sociedade de trincheiras. Quem tem que se explicar são os defensores da obrigatoriedade do diploma, este que já tentaram várias vezes ceifar a liberdade de expressão. Estes têm de ser denunciados em alta voz!



Art. 5º, IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;


Art. 5º, § 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

Art. 60, § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: (...) IV - os direitos e garantias individuais.

Cristiano Carvalho. Teoria do Sistema Jurídico - direito, economia, tributação. São Paulo: Quartier Latin, 2005.

Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada.

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