#CADÊ MEU CHINELO?

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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

[cc] ENTRE CASAR E COMPRAR UMA BICICLETA



::txt::Alexandre Lucchese::
::phts::Thais Brandão::
::ntrdç::Tiago Jucá Oliveira::

Domingo passado. Gre-nal pras bandas da Azenha. Churrasco no Vale Azul, condomínio onde fica a sede da revista O DILÚVIO. Gustavo, o vizinho, me diz que o chileno que pedala pela América Latina, virá pro churraz. E veio mesmo. Uma figura simpática, cheio de histórias, que recém adentra ao continente brasileiro e que irá até a Cidade del México, e depois voltará. Pedalando, amigos!

O texto abaixo é de meados de junho, quando Luchese e Thais o encontraram na banda oriental cislplatina. O casal também peregrina pela América Latina. Conheçam um pouco mais da história do corajoso e aventureiro pedalante:




Um trampo como repórter de uma rádio totalmente dedicada à música popular e ao rock, um apartamento cheio de gatos numa grande metrópole e uma mulher para amar: foi tudo isso que o chileno César Altamirano, 34 anos, teve de abandonar para realizar o sonho de percorrer a América Latina desde o sul do Chile até o México. E ele ainda vai chegar lá, mas vai demorar um pouquinho, já que cumpre uma média de 15 km/h na sua Fuser – assim chama a bicicleta que tem sido sua única companheira nas longas horas de estrada.

Encontramos César em Mercedes, uma pequena cidade do sudoeste uruguaio, sob uma chuva torrencial. Ao chegar na casa onde nos hospedamos, ele torceu os sapatos encharcados e selecionou alguns papéis e roupas de maior importância para secar junto à lareira que nos protegia deste junho gelado. Não parecia nada incomodado com a umidade que penetrava todo seu equipamento, estava era feliz de agora estar quente e seco perto do fogo. E deve ter sido essa positividade que o fez resistir às intempéries que atravessou nesses mais de 4.000 km de viagem.

Princípio difícil

Filho único de uma professora de ensino fundamental, César nunca teve o pai muito presente em casa. Os dias solitários, no entanto, eram vividos com muito prazer desde a infância, pois neles podia mergulhar por horas na sua crescente paixão: a música. Desde criança era atraído pelo rock, principalmente pelos discos dos Beatles que encontrava em casa.




Foi assim que na adolescência decidiu se tornar um jornalista especializado em música. Como no Chile não existem universidades públicas gratuitas, encarou o curso mesmo sem ter como pagá-lo, e só conseguiu quitar sua dívida com a instituição devido a uma feliz participação, em 2002, da versão chilena do programa Quem quer ser um milionário? Das 15 perguntas que compunham o programa, César chegou até a décima terceira.

Saiu do estúdio de televisão e foi direto para a universidade validar seu diploma. Com o resto do dinheiro, presenteou a mãe com reformas na casa e ainda ajudou a família de outras maneiras. Agora que o prêmio se acabou, viaja com as escassas economias geradas com o trabalho de jornalista. Havia também negociações com patrocinadores, porém todos abandonaram o projeto ao se verem descapitalizados devido ao terremoto que devastou o Chile em fevereiro de 2010.


Mochila com painel solar capta energia para carregar celular, I-pod e outros eletrônicos

César dorme na casa de moradores das cidades por onde passa, ou então arma sua barraca atrás de postos de gasolina – quando não alcança um posto antes de cair a noite, arma sua tenda detrás de arbustos na beira da estrada. Sempre gosta de frisar que é muito bem recebido em todos os lugares e nunca se sentiu ameaçado ou com medo durante a jornada. Ele estima gastar entre 200 a 250 reais por mês de viagem.

Crise e renovação

Quem vê o jeito risonho de falar do ciclista, quase não acredita quando ele diz:
- Cheguei a desistir no meio da viagem, voltei ao Chile em crise. Uma depressão me fez perder dez quilos, tive que me guardar um tempo freqüentando psiquiatras e me recuperando.



O ciclista iniciou sua odisséia em 15 de março de 2009, em Concepción, sua cidade natal, no sul do Chile. Em 13 de julho conseguiu alcançar Buenos Aires. Depois de pouco mais de um mês na capital argentina, deixou sua bicicleta na casa de amigos e partiu para o Chile de ônibus a fim de buscar uma companheira pela qual estava apaixonado e que estaria se preparando para seguir viagem com ele.

Porém, ao chegar, sua expectativa amorosa não foi correspondida, sendo obrigado a tomar o ônibus de volta remoendo a dor de desconstruir seus planos a dois e ter de seguir viagem solitário. Passou duas semanas em Buenos Aires, mas começou a sentir pânico de regressar para a estrada, além de uma sensação aterradora de vazio que o deixava imóvel.

César decidiu voltar mais uma vez para sua terra natal, no fim de setembro de 2009, com a idéia de desistir da viagem. Aos poucos foi restabelecendo o equilíbrio emocional, até que finalmente resolveu partir em abril de 2010 para retomar a viagem na bicicleta. “Tinha afirmado a mim mesmo e a todos que realizaria esse sonho de infância e juventude, agora é hora de continuar”, nos diz César enquanto termina de montar seus alforges na Fuser e voltar a pedalar mais uma vez.



Acompanhe a jornada do ciclista no blog loscaminosqueseabren.wordpress.com.

* Este post é dedicado ao ciclista e fotógrafo Roberto Furtado, um dos maiores incentivadores da jornada d’Os Estrangeiros. Gracias de todo, hermano! E que todas as porteiras se abram nos novos caminhos que estás trilhando!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

PETROSSAURO x MIDIASSAURO




# over12 #

Tupi or not tupi?

txt: Arlei Arnt



É bom começar esta postagem com a seguinte condição. Não sou defensor da Petrobrás, pelo contrário. Não acredito que ela pertença ao povo brasileiro, e sim a um pequeno e determinado grupo de pessoas que a controlam. Com certeza o petróleo não é nosso. Pronto. Agora estou livre de alguém querer me associar (como fez o twitter do José Serra, que nos agrediu durante coase uma hora) a defensor da empresa que processou o Paulo Francis (embora fossem outros dirigentes, embora fizessem a mesma cousa caso fosse hoje), mania infeliz que tomou conta aqui no Rio Grande do Sul. E que coalifico como censura.

Pois bem. Impossível defender a mídia no caso do blog da Petrobrás. Para quem ainda não sabe ou está por fora da coestão, jornais enviaram perguntas a assessoria de imprensa da empresa, e esta, através do blog recém criado, publicou as perguntas e as respostas antes dos jornais, obviamente, recortarem as respostas de acordo com o olhar "imparcial" dos editores.

Os jornais argumentam que "as perguntas, encaminhadas por escrito, são de propriedade do jornalista e do veículo a que ele representa". Cuma? Túlio Vianna, advogado de melhor espécie, cita pedaços da Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98), a mesma lei obsoleta que proíbe downloads, xerox, edições de fotos e remix. E não há na lei nenhuma menção a "propriedade das perguntas".

A Zero Hora de hoje seguiu o mesmo caminho de seus amigos do centro do país. Como não leio esse panfleto de coarta catigoria, fiquei sabendo pelo post de hoje do pessoal do Jornalismo B. Ale Lucchese foi sábio: "Quer dizer que fazer uma coletiva de imprensa e deixar a porta aberta ou transmitir ao vivo é antiético?"

Pense conosco leitor. Imagine que neste momento há uma entrevista coletiva, ao vivo, com Kaká falando de sua contratação junto ao Real Madrid. O repórter da Rede Globo faz uma pergunta. Pela visão desses jornais, ninguém mais pode transmitir a pergunta, propriedade do repórter da emissora, e nem podem transmitir a resposta, pois a emissora ainda não editou a resposta. Eu vejo e não morro tudo.

O que a Petrobrás fez foi de uma utilidade a opinião pública até então jamais vista neste país. O blog da empresa é mais um argumento a meu favor sobre se blog é jornalismo ou não. É claro que é! Eis a prova que um blog pode ser mais importante ao jornalismo do que os próprios jornais.

Ah, por falar em Petrobrás, lembra-se da CPI. Ora, com a "credibilidade" que nosso Congresso Nacional tem, sempre será assim: se a Petrobrás é culpada, a situação seguirá dizendo que é inocente; se a Petrobrás é inocente, a oposição seguirá afirmando que é culpada.

Até a próxima, cágados e pombas. Estou com fome. Sinto cheiro de pizza. Eu ia perguntar: "quer um pedaço?". Não vou mais, essa pergunta já tem dono.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

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Ficando claro que:

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