::txt::Ricardo Noblat::
Há sempre a esperança de que, nesta época do ano, o espírito do Natal consiga infiltrar-se pelas veias esclerosadas do mundo. Ele é bem necessário, num momento em que toda uma fileira de países sofre o impacto de uma crise econômica brutal. Pode ser ainda mais necessário, um pouco adiante, quando tensões políticas e econômicas ressuscitarem o espectro do confronto direto entre nações.
Desde o final do último conflito global, o mundo tem sido palco de guerras localizadas — a do Vietnam, a da Bósnia, a do Iraque, a do Afeganistão. Surgem, agora, novos motivos de tensão. Há quem se lembre, contemplando este cenário, do período que antecedeu a I Guerra Mundial.
Naquele início de século XX, a civilização europeia conhecera algumas décadas de paz. Por conta disso, havia progressos econômicos e científicos, um clima geral de prosperidade, de vitalidade. Mas, nesse aumento da riqueza e do poder, alguns países sentiam-se prejudicados na divisão do bolo — por exemplo, a Alemanha imperial e o Japão. Sem que houvesse motivo concreto para isso, esse crescimento de energia levou à primeira guerra mundial, que foi também a preparação da segunda.
O mundo tem hoje pontos de estagnação e de crise. Mas, a partir do leste da Ásia, propaga-se uma onda inédita de crescimento e de enriquecimento. A China de agora é uma potência que se candidata a mais poder e a maiores espaços na geopolítica mundial. Isso lança ondas de choque por toda a vizinhança — inclusive porque o poderio militar chinês tem aumentado muito além do que seria necessário para fins defensivos.
As reações não se fazem esperar. O Japão, depois de ter sido humilhado num conflito sobre águas territoriais, já modifica os seus mecanismos de defesa — sem alterar totalmente a política pacifista com que emergiu da II Guerra Mundial. A India endurece suas posições em relação à China — com a qual já teve um conflito sério nos anos 60. A China, por sua vez, incrementa seus laços com o Paquistão, inimigo da India. Poucos dias atrás, Estados Unidos e Vietnam elaboraram um projeto comum de defesa (quem podia achar isso possível, há não muito tempo?). A Coreia do Sul reforça sua política de segurança, tendo ao lado a ameaça de um regime alucinado.
O pano de fundo deste cenário é que se projeta, a médio prazo, uma mudança de posição relativa entre as grandes potências, sendo a China candidata ao número um. Isso também aconteceu antes da I Guerra Mundial, envolvendo, ali, Inglaterra e Estados Unidos. Faz parte da psicologia nacional americana a identificação de adversários. Se, nesse contexto, a China passa a ser vista como adversária, isso prejudicaria profundamente o relacionamento entre os dois gigantes.
Nenhum dos dois tem tradição de diplomacia sofisticada — e a China vem de um período de profundo isolamento, seguido, agora, por acessos de insegurança que alimentam um nacionalismo mal resolvido. Neste cenário, quem poderia atuar como mediador no caso de um agravamento das tensões? Talvez, só mesmo o medo do pior — de um conflito incrivelmente devastador, com armas nucleares.
#CADÊ MEU CHINELO?
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domingo, 26 de dezembro de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
JUNINEFEST NA COPA
:txt: Monsenhor Jacá__
Três dias de copa e a esperança de arte veste branco. Nós brasileiros temos todos os anos nossas divertidas festas juninas, enquanto os alemães e seus decendentes bebem todo chopp disponível no mundo durante um mês no porre da oktoberfest. Este ano, a alemoada antecipou a festa pra junho.
O esquema de futebol alemão nesta copa é simples, eficiente na defesa com uma envolvente ofensividade. Eu nunca torci pra Alemanha por ser ela uma seleção sem graça, dura e pragmática. O povo alemão não é exatamente tudo isso. Observe o chopp e dança de outubro e seus carnavais de salão e bandinha e você verá um schneider borracho e feliz.
Não vi Gerd Müller nem Franz Beckembauer, mas Rummenigge e Klismann tive a sorte de ver. Fora eles, a Alemanha sempre foi um monte de fuscas. A lesão de Ballak foi uma benção pro bom futebol. Pela média de idade do time alemão, a mais baixa da história deles em copas, conclui-se que a tristeza, o terror, o silêncio e o medo gerados pelo nazi-comunismo, todo eles derrubados há duas décadas em Berlin, deram lugar pra alegre espuma do chopp alemão. Encerrou-se uma geração dividida pelo muro. Enfim!
A seleção alemã tem também qualidades técnicas e táticas. Joga num esquema simples e compacto, com leveza e rapidez. Os dois laterais protegem bem a defesa e avançam pra tabelar com o meio de campo. Os dois volantes sabem jogar e chegam ao ataque pra surpreender o adversário. À frente deles, três armadores. Pelos lados, Muller na direita e Podolski na esquerda lembram os antigos ponteiros de ataque, porém tem funções dos modernos alas sem a necessidade de recuar tanto. E livre pelo meio o criativo Ozil. A referência dentro da área é Klose, e ele só tem até agora onze gols em três copas do mundo disputadas. Pelé fez doze.
Desenhe na cabeça a tática alemã e verá a versátil compactação. Defendem seis, e na frente três cercam a saída de bola do outro time. Quando ataca, podem chegar com dois laterais-alas-ponteiros em cada lado. As jogadas tem boa saída de bola pelos dois volantes e uma boa tabela com Ozil, para a bola chegar em Klose. Se o artilheiro não fizer, tem outros sete jogadores por perto em boas condições ofensivas pra dar assistência ou finalizar.
Ainda está cedo pra falar, e muitas seleções nem entraram em campo ainda. Mas a alegria dum povo unido após a ruína das semi-seculares ditaduras nacionais socialistas em torno de um barril de chopp derramou-se pelo gramado. Até a tão criticada bola está arrotando cevada e salsicha.
Vuvuzelas e chucrutes, uni-vos! O contagiante e alegre colorido dos sul-africanos nas arquibancadas, por enquanto, joga fardado de branco e preto.
Três dias de copa e a esperança de arte veste branco. Nós brasileiros temos todos os anos nossas divertidas festas juninas, enquanto os alemães e seus decendentes bebem todo chopp disponível no mundo durante um mês no porre da oktoberfest. Este ano, a alemoada antecipou a festa pra junho.
O esquema de futebol alemão nesta copa é simples, eficiente na defesa com uma envolvente ofensividade. Eu nunca torci pra Alemanha por ser ela uma seleção sem graça, dura e pragmática. O povo alemão não é exatamente tudo isso. Observe o chopp e dança de outubro e seus carnavais de salão e bandinha e você verá um schneider borracho e feliz.
Não vi Gerd Müller nem Franz Beckembauer, mas Rummenigge e Klismann tive a sorte de ver. Fora eles, a Alemanha sempre foi um monte de fuscas. A lesão de Ballak foi uma benção pro bom futebol. Pela média de idade do time alemão, a mais baixa da história deles em copas, conclui-se que a tristeza, o terror, o silêncio e o medo gerados pelo nazi-comunismo, todo eles derrubados há duas décadas em Berlin, deram lugar pra alegre espuma do chopp alemão. Encerrou-se uma geração dividida pelo muro. Enfim!
A seleção alemã tem também qualidades técnicas e táticas. Joga num esquema simples e compacto, com leveza e rapidez. Os dois laterais protegem bem a defesa e avançam pra tabelar com o meio de campo. Os dois volantes sabem jogar e chegam ao ataque pra surpreender o adversário. À frente deles, três armadores. Pelos lados, Muller na direita e Podolski na esquerda lembram os antigos ponteiros de ataque, porém tem funções dos modernos alas sem a necessidade de recuar tanto. E livre pelo meio o criativo Ozil. A referência dentro da área é Klose, e ele só tem até agora onze gols em três copas do mundo disputadas. Pelé fez doze.
Desenhe na cabeça a tática alemã e verá a versátil compactação. Defendem seis, e na frente três cercam a saída de bola do outro time. Quando ataca, podem chegar com dois laterais-alas-ponteiros em cada lado. As jogadas tem boa saída de bola pelos dois volantes e uma boa tabela com Ozil, para a bola chegar em Klose. Se o artilheiro não fizer, tem outros sete jogadores por perto em boas condições ofensivas pra dar assistência ou finalizar.
Ainda está cedo pra falar, e muitas seleções nem entraram em campo ainda. Mas a alegria dum povo unido após a ruína das semi-seculares ditaduras nacionais socialistas em torno de um barril de chopp derramou-se pelo gramado. Até a tão criticada bola está arrotando cevada e salsicha.
Vuvuzelas e chucrutes, uni-vos! O contagiante e alegre colorido dos sul-africanos nas arquibancadas, por enquanto, joga fardado de branco e preto.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
MURO DE BERLIN
# manda chuva #
O muro entre as vergonhas
txt: Tiago Jucá Oliveira
Hoje comemoramos 20 anos da queda do muro que ficou conhecido como o da vergonha, que dividia Berlin ao meio. É a mais significativa revolução do breve século passado. Não há um caracter de tomada de poder, de conflito, de lideranças populistas, de organizações sindicais e de militares golpistas. É uma revolução num sentido mais espontâneo, feito por pessoas comuns, em nome da liberdade.
E esse é o grande mérito dela. O lado até então dominado pelos comunistas ficara livre da totalitária ditadura do proletário modelo pirâmide, e foi apresentado a selvageria do mercado, também piramidal. O povo alemão outrora com a cabeça a prêmio de um golpe de martelo ou foice, caso quisesse se opor, enfim sentia os ventos de poder ter liberdade pra se expressar. Conheceu o mundo competitivo e seus efeitos colaterais, como violência e desemprego, mas pelo menos saiu da gaiola.
Algumas ditaduras se mantem com apoio da sociedade quando a economia está no mínimo suficiente pra por comida na boca do povo subordinado, e com medidas populistas em programas sociais. Os que defendem a ditadura cubana enchem a boca pra dizer: "Cuba tem bons indicadores sociais em educação e saúde".
No caso alemão, e de todo leste europeu, nada mais era possível fazer pra calar o povo, nem o próprio poder de estado, ainda em pé, tinha forças para isso. O curioso, é que por seguir a cartilha soviética, os países do leste não tiraram proveito do pior momento da economia de mercado, após o boom do preço do petróleo na década de 70.
Um barril de petróleo era vendido por U$ 2,53 em 1970 e por U$41 em 1980. Como observa Eric Hobsbawm, "é uma ironia da história o fato de que as economias 'socialistas reais' da Europa e da URSS se tenham tornado as verdadeiras vítimas da crise pós-Era de Ouro da economia capitalista global"
Calados por décadas, a massa não mais se contentava, pois a barriga começou a roncar mais alto que o silêncio obrigatório das ditaduras comunistas. Pessoas dizem que "sem comida a cabeça nao pensa direito". Eu completaria: "não pensa, age". Famintos de liberdade, com o apoio dos alemães doutro lado do muro, vimos pela tevê uma das mais belas imagens do breve século XX. Eu adoro distruição!
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
OS NEO FASCISTAS
# manda chuva #
Cresce a simpatia pelo autoritarismo
txt: Tiago Jucá Oliveira
Resolvemos jogar uma isca no twitter e pescar opiniões. O resultado foi lamentável. Jornalistas, amigos, estudantes e demais áreas criativas de nossa sociedade apóiam ditaduras, ruralistas, latifundiários, coronéis e distruição de alimentos.
Como diz o açougueiro, vamos por partes. Cuba há 50 anos é dominada por uma ditadura. Naquela ilha a população não tem dinheiro, não pode reclamar, não tem liberdade de expressão, nem pode mudar de governante. Se isso não é ditadura, o que é então? Mas como os fatos estão aí pra provar que Cuba vive sob a batuta dum ditador, impossível crer que haja apoiadores a esta barbárie. Acredito que seja uma brincadeira só pra me contrariar ou chamar atenção. Uma pessoa do bem não apóia regimes totalitários.
Em Honduras, a elite latifundiária rachou. Uma ala decretou um golpe, e o presidente deposto, um coronel estilo Sarney em versão hondurenã, passou a ser o novo ícone do socialismo moreno. Com um discurso que lembra o nacionalismo de Hitler, hoje incorporado por Chávez, Zelaya tem apoio inclusive do #pio (partido da imprensa oficialesca), fiel aliado do governo Lula/Sarney/Renan. Também sou contrário a golpes, mas idolatrar um filhote da elite agrária passou dos limites. "Ah, mas ele foi eleito pelo povo". Ok, mas o Collor também foi, e gastamos a garganta com o "Fora Collor", assim como estamos hoje a gritar "Fora Sarney" e "Fora Yeda". Somos golpistas?
Quem conhece O DILÚVIO sabe do nosso apoio a causa da reforma agrária pela qual o MST luta. Mas por favor, apoiar a distruição de alimentos é ridículo. Se defendem a reforma agrária, como podem defender esse ato babaca num país faminto que nem o Brasil? Se, como a gente, não gostam da perseguição da grande mídia em relação ao MST, por que apóiam um facto que só dá munição a esta mesma mídia? O governo federal, através do ministro da agricultura, representante dos ruralistas, foi o primeiro a criminalizar a atitude sem noção do MST. Quem aplaude isso é a classe média que nunca passou fome na vida.
A reação de pessoas a algumas frases nossas serve pra ilustrar o que temos por aí. O discurso do nacionalismo, do socialismo, do autoritarismo, do totalitarismo e da censura; o desrespeito a opiniões contrárias e o culto a falta de liberdade de expressão; a contradição entre defender coronéis e elite latifundiária ao mesmo tempo que defende o MST, e também de quem defende reforma agrária mas acha lindo distruir comida.
Pra quem não lembra da história, cabe aqui lembrar o nome do partido que chegou ao poder na Alemanha nos anos 30: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Depois veio o irmão do nazismo, que só caiu em 1989 junto com as ruínas dum muro. Foram mais de 60 anos de totalitarismo, falta de liberdade e muitas mortes. Estima-se que o Nazi-Comunismo tenha matado quase 100 milhões de pessoas. E você defende isso?
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