#CADÊ MEU CHINELO?

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sexta-feira, 12 de março de 2021

[mandachuva] PÕE A MÁSCARA, IDIOTA

 

:: txt :: Tiago Jucá ::

 
A RBS TV tem convocado durante o dia de hoje um aplauso coletivo às 19h30 desta sexta-feira em homenagem aos profissionais de saúde. Neste mesmo horário a emissora exibe o seu noticioso noturno, o RBS Notícias, e quer transmitir ao vivo as nossas felicitações. Palmas vindas da Serra, do Litoral, das Missões, dos Pampas, tudo junto e ao mesmo tempo. Showrnalismo, diria o Ungaretti.
 
Médicos, enfermeiros e demais trabalhadores merecem muito esse carinho, não há dúvida. Mas o que eles mais precisam neste momento é descanso. E também melhores salários para viver com dignidade, mais condições estruturais para exercer suas funções sem sofrimento e, principalmente, respeito de quem não se importa com o sacrifício diário a que eles estão se submetendo há um ano, agravado nas últimas semanas a um estado de colapso.
 
Da mídia burguesa espera-se o de sempre, que é defender os interesses de sua classe. A mesma empresa de comunicações que hoje pede nossos aplausos, nos últimos meses jamais levantou a bandeira de um lockdown geral e irrestrito para frear as mortes e aliviar as lotações em UTIs. Essa atitude seria a melhor homenagem a esses profissionais. Nem houve por parte da emissora uma sistemática campanha editorial exigindo do governo federal vacinação em massa
Porém o velho hábito de amansar a classe trabalhadora segue em curso, aquela coisa de O Funcionário do Mês, na eterna tentativa de evitar revoltas que resultem em greve, por exemplo. Conciliar opressores e oprimidos, tática bem feita nos governos Lula. Como bem diziam os Titãs, “bonificações aos bancários, congratulações para os banqueiros”
 
Não serei eu a pedir pra você não aplaudir esses heroicos profissionais. Nem sou eu o porta-voz das categorias da saúde, porém tenho convicção, mesmo sem provas, de que o melhor pra eles é você ficar em casa e seguir as recomendações sanitárias. Não adianta porra nenhuma bater palma de noite mas de dia circular sem máscara pelas ruas e parques da cidade ou escadas e elevadores do seu edifício. E se acaso é do tipinho que repete discursos negacionistas contra vacina e distanciamento social, ou aquele que concorda com as políticas de austeridade como a PEC que foi aprovada ontem, congelando o salário desses mesmo servidores até 2036, será muita hipocrisia de sua parte posar hoje de amigo da medicina.
 
Põe a máscara, idiota!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

[do além] STALIN PROCESSA MARCELO FROMER POR CRIME CONTRA A HONRA



::txt y ntrvst::Monsenhor Jucá::

O ex-ditador Stalin e eterno ídolo da playboyzada universitária do PSOL e PCdoB encaminhou ao Ministério Público do Além uma queixa crime contra o ex-guitarrista do Titãs Marcelo Fromer. A acusação diz respeito a letra da música “Nome aos Bois”, sucesso da banda nos anos 80. Conseguimos um contato com Stalin graças a intermediação do médium Chico Xavier. Abaixo alguns trechos da entrevista.

Porque o senhor quer processar o Marcelo Fromer?
Minha intenção é colocar esse inimigo da revolução no seu devido lugar. A música até é legal, mas a letra é desrespeitosa.

Desculpe, mas não vi nenhum desrespeito na letra! Ela somente cita o seu nome e de outras pessoas, não há nenhum juízo de valor.
Como que não, camarada? Preste a atenção no título da música: “Nome aos Bois”. Nem eu e nenhum dos meus camaradas citados na letra somos, fomos e jamais seremos bois. Nós somos grandes personalidades da história. Milhares de livros contam nossa vida e nossa obra. E ele, quem é ele? Nunca vi uma estátua dele. Conhece alguma cidade com o nome dele? Algum movimento chamado “marcelista” ou “fromista”?

Não, mas …
...Então. Ele quer fazer fama às nossas custas!

Mas os Titãs foram uma das melhores bandas dos anos 80! Foi não?
Isso é uma mentira produzida pela propaganda capitalista. Esse sujeito já morreu, inclusive.

O senhor também!
Isso é outra mentira do capitalismo!

E como fica a liberdade de expressão?
Porra, camarada, você não sabe que sou comunista? Não tem essa de liberdade de expressão. Isso é discurso demagógico do Giovani Cherini pra imprensa e eleitores ... duas coisas que na União Soviética e nos outros países comunistas jamais existiu. Esse músico gaúcho aí, como é mesmo o nome dele?

O que o Cherini tá processando?
Como dizia meu pupilo Chavez, “isso isso isso”!

Tonho Crocco.
Então. Comigo já tinha ido pro paredão. Ele e todos esses manés que querem protestar a favor dele. Ah democracia, que nojo! Só estou processando o Marcelo Fromer por dois motivos: primeiro que não dá pra matar ele, pois já está morto. E também porque aqui no céu tem um carinha com uma tábua que diz “não matarás”.

Mas o senhor está no céu? Jurava que tinha ido pro inferno!
Pois é, o FHC privatizou o inferno. Deu de mãos beijadas pro capeta. Aí vim pra cá, é tudo estatal.

Mais alguém está apoiando a sua iniciativa contra o Fromer?
Quase todos os citados na letra assinaram a queixa. Meu camarada Hitler é o mais entusiasmado em colher assinaturas.

Vocês dois fizeram as pazes?
Sim, só tivemos aquela pequena briga nos anos 40 porque ele insistiu em matar uns camaradas judeus, mas antes disso sempre estivemos do mesmo lado. Se tu não sabe, o partido que elegeu o Hitler também era socialista.

O senhor sabia que há vários partidos no Brasil que o idolatram?
Sei, mas esses playboys do PSOL, do PPS e do PCdoB não são do meu tipo. Só querem um carguinho de CC, ou uma vaga no legislativo. Não são capazes de botar no paredão essa mulher de vocês aí que continua bebendo da cartilha capitalista e neoliberal.

E o Chico Xavier, o que pensa sobre isso?
Não sei.

Você viu o filme sobre a vida dele?
Vi sim, o Mussolini me emprestou o DVD.

Achou o filme bom ou ruim?
Médium!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

GERAÇÃO COCA-COLA

# over12 #
O Futuro da Nação




txt: Tiago Jucá Oliveira

A humanidade está cercada de vícios. Todos nós temos algum tipo de consumo cotidiano, sejam eles legais ou não. Uns desafiam a lei pra cheirar, fumar, tomar e injetar suas drogas prediletas. Outros, no entanto, são usuários compulsivos de remédios, chocolates, igrejas, cigarros, novelas e... coca-cola. E talvez não exista no mundo produto mais consumido do que esse líquido preto de fórmula secreta. Quem nunca tomou um gole sequer da bebida ícone do capitalismo? Você? Não minta que é feio!

Mas, por que? Somos vítimas da propaganda diária, onipresente e constante da coca-cola? Ou somos refém do sabor inimitável? E como um produto pode ser ao mesmo tempo tão amado e odiado, tão usado e evitado? Aquilo que a sociologia define ser “esquerda”, no espectro ideológico, é, sem dúvida, o grande inimigo do refrigerante. O acusam de poluir águas, explorar mão de obras infantis, monopolizar o consumo, elaborar mensagens subliminares, etc. Se duvidar existem até provas, relatórios e o escambau para abrir os olhos da rapaziada.

O problema, nesse caso, é que o discurso politicamente correto soa contraditório. Se tudo que causa danos a nossa saúde, à sociedade e ao meio ambiente, ninguém mais andaria de carro, comeria carne, compraria livro. Transar com camisinha... nem pensar, pois além do preservativo em si, há pelo menos duas embalagens de plástico para jogar fora antes de você cobrir o pinto. Mais do que contraditório, é chato pra cacete ficar ouvindo qualquer ladainha. Se a intenção fosse somente informar os malefícios do produto, tudo seria mais assimilado. Num mundo de livre opiniões, é normal e válido expor os pensamentos. Porém o policiamento ostensivo é o grande defeito da esquerda marlborista. Cada um de nós deve ter consciência do que consumimos e de suas consequências. E não um policial dos bons costumes azucrinando no que devemos ou não fazer. Ou então começar a liçao no quintal de casa, lá na China comunista, onde mais de um bilhão de pessoas tem todo direito pra beber coca-cola e nenhum pra reclamar.

Somos os filhos da revolução



Renato Russo já havia eternizado a principal característica de nossa geração, que “desde pequenos comemos lixo comercial e industrial”. A coca-cola é o melhor lixo produzido nos últimos cem anos. No entanto, não é só o inigualável sabor que nos fascina. Ninguém até os dias de hoje soube unir o intangível do sabor, da sensação e da marca com o tato da garrafa e de seus itens marketeiros. Crescemos juntando tampinhas para trocar por ioiôs e mini-garrafinhas (que os amiguinhos mais sem noção não resistiam e bebiam sabe-se lá o que). As campanhas publicitárias, na maioria das vezes, são de um refinado acabamento e indução ao consumo e idolatria. Sempre coca-cola, emoção pra valer, e outras pérolas tão simples e claras, e, paradoxalmente, envolventes. A própria garrafa vazia, com suas curvas pegajosas, é um monumento.

Porém saco vazio não fica em pé. De nada adiantaria a propaganda se o produto fosse uma baré-cola. O fato é que o lixo dos lixos é um luxo. Para uns é remédio que cura ressaca, caimbra, dor de cabeça e outros males. Se há 30 anos uma garrafa de um litro satisfazia toda família na feijoada de domingo, hoje todo dia é de encher a geladeira com as pets de, por enquanto, três litros. O vício aumentou e seu consumo parece estar desenfreado, descendo a lomba em ritmo alucinado. Mais alucinante quando era misturada com cachaça e formar o famoso tubão, a tal bebida da revolução, que nossos guerrilheiros escondiam do policiamento da pepsi, na tentativa de enlouquecer durante as noites de algum fórum social realizado em Porto Alegre nos últimos anos.

Você não tá entendendo nada do que eu digo?



Nenhuma marca de qualquer produto que seja foi tão cantada que nem a preta bebida. O mito se faz também por quem o consome. E principalmente por aqueles que o imortalizam. Se “você traz a coca-cola”, o mano Caetano toma, antes de você botar a mesa. Ou a titânica e non sense “ babi índio enjoy selva coca cola”. Nara Leão também já cantou sobre a pérola negra: “laranja da terra, coca-cola da China”.
Uma outra vertente trocou o chiclete com banana de Gordurinha, pioneira alusão á fusão cultural entre brasileiros e americanos, por uma outra mistura de sabores conceituais. Um exemplo disso é a letra de “Caboco.com.br”, de Erivan Araújo, Mário Filho e Naldinho Braga. “Caboco me dê seu e-mail ligeiro / Vamos navegar na mistura com-fusão / Vou mandar rapadura made in nova york / Me mande mc´donald com carne de bode / É coca-cola, é cajuína”.

No mesmo estilo de mistura maluca encontra-se a composição de Arleno Farias, “Coca Cola com Cocada”: “E nessa fusão de coca-cola com cocada / Descriminação cultural não tá com nada”. Um novo gênero musical, o “coke bit”, a incentivar a junção anteriormente propagada por Pixinguinha, Jackson do Pandeiro, Novos Baianos e Chico Science, porém com outros elementos.

Somos burgueses sem religião, o futuro da nação




A lendária banda A Barata Oriental, do dharma lover Nenung, brincava com a bebida no final dos anos 80. “Coca ou cola, é só questão de nível social / cola ou coca, tudo se cheira igual”. E dá barato sim. É o grande e legitimado e combatido e idolatrado vício de nossa geração. No Brasil o caso se acentua pela antropofagia cultural que está no DNA da nação. Criamos o caminho inverso, do qual ainda não sabemos o significado das consequências.

A Legião Urbana sabia disso. Queria isso. Ao rivalizar nosso costume contra nossa vocação antropofágica, Renato Russo conclamou após os goles de coca-cola de seus contemporâneos: “Mas agora chegou a nossa vez / Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês”. Nem mesmo o inventor da coca-cola imaginou o vômito azedo de uma ressaca secular. Quem não a coca aí na geladeira, que atire a primeira pedra!

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