#CADÊ MEU CHINELO?

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sexta-feira, 12 de março de 2021

[mandachuva] PÕE A MÁSCARA, IDIOTA

 

:: txt :: Tiago Jucá ::

 
A RBS TV tem convocado durante o dia de hoje um aplauso coletivo às 19h30 desta sexta-feira em homenagem aos profissionais de saúde. Neste mesmo horário a emissora exibe o seu noticioso noturno, o RBS Notícias, e quer transmitir ao vivo as nossas felicitações. Palmas vindas da Serra, do Litoral, das Missões, dos Pampas, tudo junto e ao mesmo tempo. Showrnalismo, diria o Ungaretti.
 
Médicos, enfermeiros e demais trabalhadores merecem muito esse carinho, não há dúvida. Mas o que eles mais precisam neste momento é descanso. E também melhores salários para viver com dignidade, mais condições estruturais para exercer suas funções sem sofrimento e, principalmente, respeito de quem não se importa com o sacrifício diário a que eles estão se submetendo há um ano, agravado nas últimas semanas a um estado de colapso.
 
Da mídia burguesa espera-se o de sempre, que é defender os interesses de sua classe. A mesma empresa de comunicações que hoje pede nossos aplausos, nos últimos meses jamais levantou a bandeira de um lockdown geral e irrestrito para frear as mortes e aliviar as lotações em UTIs. Essa atitude seria a melhor homenagem a esses profissionais. Nem houve por parte da emissora uma sistemática campanha editorial exigindo do governo federal vacinação em massa
Porém o velho hábito de amansar a classe trabalhadora segue em curso, aquela coisa de O Funcionário do Mês, na eterna tentativa de evitar revoltas que resultem em greve, por exemplo. Conciliar opressores e oprimidos, tática bem feita nos governos Lula. Como bem diziam os Titãs, “bonificações aos bancários, congratulações para os banqueiros”
 
Não serei eu a pedir pra você não aplaudir esses heroicos profissionais. Nem sou eu o porta-voz das categorias da saúde, porém tenho convicção, mesmo sem provas, de que o melhor pra eles é você ficar em casa e seguir as recomendações sanitárias. Não adianta porra nenhuma bater palma de noite mas de dia circular sem máscara pelas ruas e parques da cidade ou escadas e elevadores do seu edifício. E se acaso é do tipinho que repete discursos negacionistas contra vacina e distanciamento social, ou aquele que concorda com as políticas de austeridade como a PEC que foi aprovada ontem, congelando o salário desses mesmo servidores até 2036, será muita hipocrisia de sua parte posar hoje de amigo da medicina.
 
Põe a máscara, idiota!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

[massa crítica] A HISTÓRIA DE UM SOBREVIVENTE

::txt::Luciano Viegas::

“Carro é sinônimo de status”, diz o antropólogo Roberto Da Matta.

A massa crítica é um evento mundial, que tem em comum, em todos os lugares, o objetivo de propor a bicicleta como um MEIO DE TRANSPORTE urbano viável.

É um evento que surge num momento histórico em que já existe um consenso de que o transporte individual, o carro, é insustentável, e nos guia em direção a um SUFOCAMENTO dentro das grandes cidades – e não estou nem falando da fumaça.

Mas calma aí, é um consenso pra quem? é preciso botar o dedo na cara dos verdadeiros culpados.

A grande mídia mundial faz desde sempre o jogo duplo da “imparcialidade”. ao mesmo tempo em que aponta os “danos da poluição, e blá blá blá”, é ESCRAVA DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA.

São as grandes marcas de automóveis que sustentam o “jornalismo dominante”, colocando montantes absurdos de dinheiro dentro dessas empresas. Elas estampam diariamente em seus jornais, ou mostram em seus intervalos comerciais, o carro “mais em conta” pro consumidor.

Então vamos dar nome aos bois:
RBS e RECORD (desculpe se eu esqueci de alguém, hehe), as duas grandes indústrias de notícias que apareceram ontem, imediatamente após o atropelamento de dezenas de pessoas, na José do Patrocínio.

A mídia é CÚMPLICE das feridas das 11 vítimas que precisaram ir ao hospital após serem arremessadas pra cima daquele golf preto.

E ainda têm coragem de dizer que foi um “acidente”? entendo “acidente” como algo que acontece por acaso.

Quem viu com os próprios olhos sabe que foi uma TENTATIVA DE CHACINA por parte de um indivíduo que representa a personificação da mentalidade dessa nossa sociedade do automóvel. Uma linha de pensamento que nivela as pessoas por quem tem mais dinheiro, se veste melhor e tem o carro do ano – crias da mesma mídia.

Não quero me passar por teórico da escola de frankfurt: a imprensa não é um fator único na construção desse pensamento hegemônico, mas alimenta a desigualdade sócio-econômica no imaginário dos seus consumidores – sim, porque o jornalismo é só mais um produto nessa liberdade pra escolher a cor da embalagem.

Logo após o crime, chegou a polícia. Antes mesmo do socorro ser prestado às vítimas, quatro robôs enfileirados empunhavam seus fuzis para a “proteção” dos envolvidos. Pois bem: O ESTADO TAMBÉM É CÚMPLICE do politraumatismo sofrido por um dos atropelados.
E parece que para o deslocamento da lendária “delegacia móvel” (que não apareceu), é necessário estar “morto e estaquiado no chão”, palavra de um deles. É preciso que alguém MORRA para que mudanças aconteçam – e olhe lá.

Nossos REPRESENTANTES no poder nunca priorizaram o planejamento urbano com a devida atenção que essa causa merece. Essa tentativa de assassinato é só o estopim de longos anos de políticas públicas voltadas em benefício dos automóveis, em detrimento dos trens, das bicicletas, das pessoas.

Essas fábricas se alastraram pelo mundo com total apoio dos governos locais, através dos seus incentivos fiscais (oi, Juscelino Kubitschek), do estímulo à compra para superar a crise financeira (e aí, Lulinha paz e amor). Tudo isso, é claro, desvinculado de qualquer preocupação educacional, como é de praxe no Brasil desde os tempos mais remotos.

As mesmas pessoas que em 2005 votaram “não” para o referendo que previa o desarmamento, sabem que não é necessário ter uma pistola e munição pra acabar com a vida de uma multidão de pessoas. Basta um golf preto.

Carro: a arma mais popular e acessível do século. E dá pra parcelar em até 96 vezes.

mais informações podem ser encontradas no site da Massa Crítica.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

FABICULDADE

# over12 #
Faculdade de Comunicação da UFRGS assina parceria com empresa de comunicação

txt: Arlei 'xuxubeleza' Arnt

Tá pensando que é piada? Parece que é sério. Em função do fechamento da edição #15 da revista O DILÚVIO, e também por carecência de mais informações e fontes consultadas, vamos comentar o facto em breve. Mais hilário que o casamento entre museu de showrnalismo com o próprio showrnalismo, somente o vídeo abaixo:

O efeito das drogas ao volante

sexta-feira, 5 de junho de 2009

PENSAR: NEM PENSAR



# águas passadas #
A crise financeira e o consumo de drogas

txt: Arlei "Xuxu Beleza" Arnt

O crescente aumento do número de desempregados nas grandes capitais influenciou até mesmo o mundo das drogas. A maconha, droga mais barata e popular de Porto Alegre, chegou inclusive a baratear o preço nos últimos dez anos. Em 1994, auge do plano real, quando um dólar valia um real, o baseado de maconha era vendido há dois ou três reais. Hoje qualquer drive drugs vende a mesma quantia por um real. Os drive drugs são inclusive um dos símbolos da era do desemprego em massa instalada no governo FHC. A capital gaúcha deve ter mais de uma dezena de ruas onde o usuário nem desce do carro para comprar drogas. Ao longo de uma dessas ruas, a imagem de dezenas de mulheres oferecendo maconha e cocaína parece com a avenida Garibaldi, entre a Voluntários e a Farrapos, ponto 24 horas de fácil acesso às damas do meretrício.

O desemprego em massa também afetou o tipo de drogas que são usadas e o comportamento dos viciados. Em um bar da zona sul da capital, onde o tráfico e consumo de cocaína se faziam constantemente ao despertar da meia-noite, o cenário é outro. Noventa por cento dos freqüentadores trocaram a cocaína pelo crack. Com a triplicada da cotação do dólar em relação à moeda brasileira, o pó também multiplicou o seu preço por três. O crack, custando em média três a quatro vezes mais barato que a cocaína, é a nova onda do momento. Enquanto a classe média continua dando suas cafungadas, quase não existe viciado pobre que não tenha experimentado uma só pedra de crack.

A mudança de droga resulta na mudança de comportamento. Pelo diferente efeito que o crack causa (a sensação da dose é mais pesada que a cocaína, porém a duração é bem menor), os antigos viciados em pó acabam se tornando ainda menos sociais. Eles falam pouco e ficam sérios, suam muito e exalam um cheiro nem sempre agradável. E nunca param de fumar crack, pedra atrás de pedra. Duas profissões foram influenciadas pelo advento do crack. Tiquinho, que sempre vendeu bucha de pó, agora também vende pedra: “não é mais como antigamente, a galera chegava aqui no bar e soltava a grana pra cheirar um bagulho”, revela Tiquinho. “Se eu não vender pedra hoje, é capaz de eu voltar pra baia sem o leite da cria”.

Além dos traficantes, as prostitutas também alteram a rotina. Gláucia aluga o corpo há mais de quinze anos. O dinheiro que ela ganha dificilmente leva embora pra casa onde vive com as seis filhas. Pior, ela tem trabalhado bem menos depois que trocou o pó pela pedra: “antes eu dava uma cafungada na avenida mesmo e tava pronta para trabalhar a noite toda; hoje eu mal consigo levantar uma graninha e já me emburaco aqui fumar a minha pedra e não saio mais até raiar o dia”. A mudança no estilo de vida de Gláucia já trouxe conseqüências: “Milha filha de 14 anos tentou se matar semana passada”, confessa a prostituta. Para finalizar, um outro fato chama a curiosidade. É cada vez maior o número de adolescentes que se prostituem para conseguir o dinheiro de comprar crack. Aonde vamos chegar com tudo isso?

(este texto foi publicado pela primeira vez em 2004, no site Ponto de Vista, quando o crack não era promovido a show dramático. Aliás, pouco se falava sobre o crack, o que não dá pra entender, pois já era super visível os danos sociais. O professor Ungaretti comentou na época: "Acredite, o Jornal do Brasil, edição de 18.04.2004, levantou esta pauta após a leitura do texto que o jornalista e escritor Arlei Arnet enviou, diretamente do submundo, para o sítio pontodevista. O cara fareja os temas jornalísticos, mas passa longe das assessorias de RP.")

quinta-feira, 30 de abril de 2009

JUSTIÇA

# media #



txt: Elaine Tavares

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina realizou no dia 28 de abril de 2009 uma discussão histórica, colocando no banco dos réus o oligopólio da Rede Brasil Sul, a RBS. Mas, esta proposta de transformar a maior rede de comunicação do sul do país em ré comum não foi privilégio da direção do sindicato, portanto a ela não se pode reputar nenhuma intenção ideológica. O responsável por esta façanha é o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em Santa Catarina, Celso Antônio Três, que apresentou uma ação civil pública ao Ministério Público Federal contra a empresa dos Sirotski, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e a União.

Baseado exclusivamente na letra fria da lei, o procurador apela para a tutela dos direitos de informação e expressão do cidadão, a pluralidade, que é premissa básica do Estado democrático e de Direito. Com base nisso ele denuncia e exige providências contra o oligopólio da mídia sustentado pela RBS no Estado de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Segundo Três, é comprovada documentalmente a posse de 18 emissoras de televisão aberta, duas emissoras por cabo, oito jornais diários, 26 emissoras de rádio, dois portais na internet, uma editora e uma gravadora. Ele lembra ainda que o faturamento do grupo em 2006 chegou a 825 milhões de reais, com um lucro líquido de 93 milhões, tudo isso baseado no domínio da mente das populações do sul que atualmente não tem possibilidade de receber uma informação plural. Praticamente tudo o que se vê, ouve ou lê nos dois estados do sul vem da RBS.

No debate realizado pelo SJSC o procurador insistiu que filosoficamente ser é ser percebido e isso é o que faz a mídia, torna visível aqueles que ela considera “ser”. Os pobres, os excluídos do sistema, os lutadores sociais, toda essa gente fica de fora porque não pode ser mostrada como ser construtor de mundos. Celso Três afirma que na atualidade o estado é puro espetáculo enquanto o cidadão assume o posto de espectador. Nesse contexto a mídia passa a ser o receptor deste espetáculo diário, ainda que não tenha a menor consistência. “Nós vivemos uma histeria diária provocada pela mídia e o país atua sob a batuta desta histeria”.

No caso de Santa Catarina o mais grave é que esta histeria é provocada por um único grupo, que detém o controle das emissoras de TV e dos jornais de circulação estadual. Não há concorrência para a RBS e quando ela aparece é sumariamente derrotada através de ações ilegais como o “dumping”, como o que aconteceu na capital, Florianópolis, quando da abertura do jornal Notícias do Dia, um periódico de formato popular com um preço de 0,50 centavos. Imediatamente a RBS reagiu colocando nas bancas um jornal igual, ao preço de 0,25 centavos. Não bastasse isso a RBS mantêm cativas empresas de toda a ordem exigindo delas exclusividade nos anúncios, incorrendo assim em crime contra a ordem econômica.

Sobre isso a lei é muito clara. Desde 1967 que é terminantemente proibido um empresa ter mais que duas emissoras de TV por estado. A RBS tem mais de uma dezena. A Constituição de 1988 determina que a comunicação não pode ser objeto de oligopólio. Pois em Santa Catarina é. Segundo Três, na formação acionária das empresas existem “mais de 300 Sirotski” , portanto não há como negar que esta família controle as empresas como quis fazer crer o Ministério das Comunicações, também réu na ação. “Eles alegaram que a RBS não existe, é um nome de fantasia para empresas de vários donos. Ora, isso é mentira. Os donos são os mesmos: os Sirotski”.

O procurador alega que a lei no Brasil, no que diz respeito a porcentagem de produção local que deve ter um empresa, nunca foi regulamentada, mas não é por conta da inoperância do legislativo que a Justiça não pode agir. “Nós acabamos utilizando a lei que trata do mercado de chocolate, cerveja, etc. Nesta lei, uma empresa não pode controlar mais que 20% do mercado. Ora, em Santa Catarina, a RBS controla quase 100% da informação”.

Aprofundando o debate sobre a ação oligopólica da RBS, Danilo Carneiro, estudioso do sistema capitalista e membro do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, deu uma aula sobre a formação do sistema capitalista e mostrou como atualmente o capitalismo já não consegue mais reproduzir a vida, tamanha a sua dominação sobre a vida das pessoas e sua sanha por lucros. Desde as cidades-estado italianas, onde o comércio impulsiona a acumulação de lucros, até os dias de hoje a consolidação do capitalismo está ligada à exploração dos trabalhadores e da natureza. Para que isso aconteça é necessário manter as gentes em estado permanente de alienação e aí entram os Meios de Comunicação de Massa. Não é à toa, portanto, que instituições governamentais como o CADE e o Ministério das Comunicações façam vistas grossas ao oligopólio da RBS assim como da Globo. Tudo faz parte da manutenção do sistema.

Sobre a ação na Justiça contra a RBS, Danilo lembrou que hoje no Brasil existem mais de 60 milhões de ações em andamento e isso por si só já dá um panorama do que pode acontecer. Sem uma mobilização política efetiva das entidades e do povo catarinense, essa ação pode se perder no sumidouro da Justiça brasileira.

Na platéia do debate um público muito representativo do movimento social de Florianópolis, tais como representantes do Diretório Central dos Estudantes da UFSC, da União Florianopolitana de Entidades Comunitárias (UFECO), Sindicato dos Previdenciários (SINDPREVS), Sindicato dos Eletricitários (SINERGIA), jornalistas, estudantes, professores. Cada um deles compreendeu que à corajosa atitude do procurador Celso Três, devem se somar ações políticas e de acompanhamento da ação. O Sindicato dos Jornalistas deve se colocar como assistente do Ministério Público, abastecendo-o com informações e as demais entidades vão difundir as notícias e fazer a pressão necessária para o andamento da ação.

Conforme bem lembra Celso Três, esta não é uma ação voluntarista ou ideológica, ela é objetiva e se fundamente na lei maior. Oligopólios são proibidos e as populações de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul tem direitos a uma informação plural e diversificada. Não há amparo legal para a propriedade cruzada, o pensamento único e muito menos para a dominação econômica.

Na senda da fala de Danilo Carneiro, que deixou claro que sob a ditadura do capital é impossível a democratização da comunicação, também assomou entre os presentes a necessidade da discussão e da luta por outra comunicação e outro estado que não esse no qual imperam as relações de dominação. Agora é ficar atento e aprofundar a luta. Sem isso, não anda a ação, e tampouco acontecem mudanças estruturais.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

DEMOCRATIZANDO A INFORMAÇÃO

# águas passadas ou boizébuss #
(ou: secando a RBS)

txt: Eduardo Busss
art: Marexal



Há algum tempo, o editor me mostrou um emílio do velho mestre Wladimir -olha, meu, não é qualquer um que dá pra chamar de mestre. Ele dava parabéns pela lição de mau-jornalismo que NOÉ estava dando. Que bom que ele sacou isso. Na real, não tem nada melhor do que escrever um texto livre de regras tipo "piramide invertida". Essa foi a pior técnica que o curso de jornalismo me ensinou - talvez isso tenha contribuido pra desistir da profissão. É a tal da coisa pro cara burro, o texto que tu faz pro neguinho ler duas linhas - porra, ou lê ou não lê, e se não lê tudo, falhou de quem escreveu. Como profissionais da escrita podem usar uma técnica tão medíocre?

Voltando ao assunto, a gente ainda está esperimentando uma linguagem pra texto, uma mistura de carta, emílio e jornal sensacionalista, sei lá, é um jeito de escrever que não se preocupa com regras gramaticais ou de acentuação ou pontuação (como os profissionais do jornalismo se preocupamn com essas bobagens... pra isso tem editor, e que bom que o nosso não revisa porra nenhuma), não quer saber se as frases são curtas ou longas, ou se a pirâmide tá pra cima ou pra baixo - é quase uma fala escrita. Demonstra honestidade. Como é bom poder dizer "merda" no meio de um texto. A ZH diria: salário mínimo tem um aumento irrisório. NOÉ diria: salario mínimo tem um aumento de merda.

A línguagem da mídia não-marrom ainda está distante da linguagem popular, mas a tecnologia está modificando essas regras. Começam a surgir lternativas à imprensa tradicional, fora de todos os esquemas dos grandes veículos. Em alguns canais alternativos da internet, estão voltando a aparecer textos com opinião, deixando de lado a pretenciosa imparcialidade do jornalismo tradicional - provavelmente porque quem está escrevendo não é do ramo. Sorte da imprensa que ainda precisamos democratizar a tecnologia nesse país. Ainda vão ganhar dinheiro por algum tempo. Mas vão cair ladeira abaixo. O tombo está só começando. Vamos acompanhar toda a trajetória.

Buss

(N.do E.) texto públicado no saudoso Noé Leva Dor, edição 36 e 38, e-zine tosco que deu origem ao atual império O DILÚVIO. Acredita-se que este texto tenha sido publicado no começo de 2002. Talvez o Buss não pense mais desse jeito, mas o que ele disse continua muito atual. Buss pensou bem e não quis completar o curso de jornalismo. Pena que desistiu DO jornalismo. Ele tinha ótimas inversões de lógica e uma sarcástica pena. Observe o gancho "mau-editor" e como ele se refere ao editor.

terça-feira, 14 de abril de 2009

FÁBRICA DE MENTIRAS

# conection #
A injustiça e o privilégio no reino da comunicação
txt: Repórter Popular



Mídia ilegal chama comunitárias de piratas

A comunicação social brasileira vive momentos difíceis. Se na ditadura militar tive-mos de enfrentar a censura, agora, na democracia neoliberal, confrontamos a injustiça e o privilégio. A maior parte das emissoras comerciais de rádio e TV estão com suas outorgas vencidas. Ou seja, são ilegais. Embora estejam fora da lei, continuam a receber patrocínio público e não sofrem repressão da Anatel.

É o inverso do que acontece com as rádios comunitárias. Campeãs de audiência nas classes C, D e E, estas emissoras, reguladas pela Lei 9612/98, levam de cinco a sete anos para ter sua outorga provisória e sofrem pelo menos quatro repressões ao longo deste período. A cada batida da Anatel, equipamentos são roubados, a propriedade coletiva é invadida e comunicadores populares são intimidados e freqüentemente presos.

A comunicação comunitária é um direito constitucional. A criação de um sistema público não-estatal de comunicação está garantida no Capítulo 5º, Artigo 223 da Constituição. Como o Estado não garante de forma justa o direito à informação, comunicação e cultura, o povo faz valer na marra.

Acreditando no papel do jornalismo como essencial para a democracia, enviamos 11 perguntas para 38 dos mais conhecidos jornalistas do Rio Grande do Sul. Simplesmente nenhum profissional da notícia emitiu sua opinião. Sequer nos responderam. Isso só comprova o que já sabíamos. Existem “jornalistas” e JORNALISTAS! Na mídia comercial impera o jabá (matéria e opinião pagas), a chantagem e a postura chapa branca (puxação de saco dos governos para não perder privilégios).

Uma vergonha para o nobre ofício de informar e formar opinião. Mas não há de ser nada. Do lado de cá, sobra valentia diante de tanta covardia e omissão.


Lista das maiores empresas de comunicação gaúcha com outorga vencida segundo a Anatel:


- Entidade
- Data Outorga
- Data Validade

Rádios AM – Ondas Médias


NORTE SUL RADIODIFUSAO LTDA
01/11/1993
01/11/2003
PORTAL RADIODIFUSAO LTDA
01/05/1994
01/05/2004
RADIO E TV PORTOVISÃO LTDA
01/05/1993
01/05/2003
RADIO ESPERANCA LTDA
01/05/1994
01/05/2004
RADIO GAUCHA SA
01/11/1993
01/11/2003
RADIO GUAIBA LTDA
01/05/1993
01/05/2003
RADIO PIONEIRA STEREO LTDA
01/11/1993
01/11/2003
REDE POPULAR DE COM. LTDA
01/05/1993
01/05/2003
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RS
01/11/1973
01/11/1983

Rádios FM – freqüência modulada

DIGITAL RADIODIFUSAO LTDA
13/07/1998
13/07/2008
FUND. CULT. PIRATINI RADIO E TELEVISAO
24/06/1985
24/06/1995
FUNDACAO PASTORAL INTER MIRIFICA
30/09/1988
30/09/1998
NORTE SUL RADIODIFUSAO LTDA
19/03/1995
19/03/2005
RADIO ATLANTIDA FM DE PORTO ALEGRE LTDA
19/03/1995
19/03/2005
RADIO E TELEVISAO BANDEIRANTES LTDA
06/07/1987
06/07/1997
RADIO E TV PORTOVISÃO LTDA
05/12/1984
05/12/1994
RADIO GUAIBA LTDA
09/08/1986
09/08/1996
RADIO ITAPEMA FM DE PORTO ALEGRE LTDA
01/05/1994
01/05/2004
RADIO PIONEIRA STEREO LTDA
01/05/1994
01/05/2004
RADIO PORTO ALEGRE FM LTDA
27/09/1988
27/09/1998
RADIO UNIVERSITARIA METROPOLITANA LTDA
01/05/1994
01/05/2004

Televisões

EMPRESA PORTOALEGRENSE DE COM. LTDA
17/11/1992
17/11/2007
FUND. CULT. PIRATINI RADIO E TELEVISAO
10/12/1989
10/12/2004
RADIO E TV PORTOVISÃO LTDA
05/10/1992
05/10/2007
TELEVISAO GAUCHA SA
05/10/1992
05/10/2007
TELEVISAO GUAIBA LTDA
19/04/1989
19/04/2004

Para consultar quais emissoras de Rádio e TV estão com a outorga vencida, basta acessar >>>> AQUI <<<<<:

quarta-feira, 8 de abril de 2009

ZEROLÂNDIA PROMOVE UMA GUERRA

# ponto de vista #
Os verdadeiros criminosos de guerra



txt: Wladymir Ungaretti

Observem com atenção. Existe uma idéia e uma subjetividade sendo passada aos leitores. As duas fotos acima são da contracapa de Zerolândia (jornal Zero hora), edição de 12.09.2008. A palavra GUERRA esta associada à cidade do RIO. E a palavra PAZ está associada à cidade de NOVA YORK, aos americanos. O país mais violento do mundo está associado à palavra PAZ. É uma piada. E, o Rio de Janeiro, cidade cuja imagem tem sido trabalhada como sendo símbolo da violência, passa por mais uma GUERRA. Não importa qual é a GUERRA. GUERRA É GUERRA.

No entanto, na página interna, a matéria descreve uma situação e o título é "SEM CONFRONTO, tropas ocupam favelas no Rio". Uma GUERRA SEM CONFRONTO. Uma situação que poderia estar ocorrendo em Alagoas, por exemplo. Ou em Pernambuco. A foto é de soldados em posição de tiro. Não tem como o leitor não introjetar uma determinada subjetividade, reacionária. Pela repressão.

Observem, agora, como os jornais "O Estado de São Paulo" e "Folha de São Paulo" tratam da mesma questão, em suas respectivas capas. Não estamos afirmando que um jornal seja melhor do que outro.



A foto acima é da capa do jornal "Estadão", edição de 12.09.2008. Os soldados não estão, em princípio, em posição de combate. O cenário ao fundo é de miséria. E o título: "RIO: TROPAS PARA GARANTIR O VOTO." Não passa a idéia de GUERRA. Não estabelece uma comparação com a PAZ reinante em Nova York. Na página A11 temos uma foto de blindados com soldados em posição de patrulhamento. O título é "Exército nas favelas não atrai candidatos.”



A foto acima é da capa do jornal "Folha de São Paulo", edição de 12.09.2008. O título é "Operação Belezura". A imagem de fundo é um cartaz que passa uma idéia "bonita". De PAZ. O texto é "soldado patrulha bairro pobre da zona oeste do Rio, no primeiro dia do 'manto de segurança' formado por Exército e Marinha para garantir processo eleitoral em 7 favelas (...)" E a foto (interna) é de um soldado em de atitude patrulhamento, tendo ao fundo crianças brincando. Um clima de PAZ.

JORNALISTA trabalha, permanentemente, com noções de comparação. Nunca é demais lembrarmos que o leitor médio não lê mais do que um jornal. E, por isso mesmo, o leitor médio tem poucas chances de sacar a sacanagem, diária.

É o pessoal diplomado que produz essa merda. São criminosos de GUERRA.


quarta-feira, 25 de março de 2009

CENSURA NO JORNALISMO GAÚCHO




# over12 #
Mídia do chulé do país em busca do pensamento único

txt: Arlei Arnt

A imprensa do Rio Grande do Sul tem diversas famas: de ser a pior do Brasil e de cada veículo se pautar pelo outro. Como o pensamento é único, a pauta de hoje é repetir as notícias de ontem, e assim vamos nos informando na mesmice. Mas agora chegamos ao absurdo. O jornalista, professor e amigo Wladymir Ungaretti está proibido, pela (in)justiça, de citar o nome do fotógrafo super conhecido por Fotonaldo, cascateiro a serviço dos interesses do PRBS. Ungaretti, diariamente, desmascara a sacanagem que o panfleto Zero Fora metralha na cabeça dos idiotas que compram e sustentam isso que eles chamam de "jornalismo imparcial".

Nem imparcial, muito menos jornal. Zero Fora é o carro chefe do pensamento único do estado. Fotonaldo (apelido que o próprio não gosta de ser chamado, por ser verdade) é a marionete do grupo PRBS pra produzir fotografias cascatas, aquelas feitas por encomenda e especialmente produzidas pra passar alguma subjetividade, tais como esta inclusa neste post, em que ele, por uma absoluta sorte, está no lugar certo e na hora certa, pronto pra clicar.



Por um breve tempo, após suas armações serem desmascaradas constantemente pelo professor Ungaretti, Fotonaldo foi pro gelo. E retornou com a glória. Após meses e meses, todos os dias, sentado na beira dum lago do Parque Moinhos de Vento, conseguiu filmar um cágado dando um bote mortal numa pomba. A cena ganhou o mundo, e Fotonaldo (apelido que o próprio odeia ser chamado, pois a verdade dói) retomou sua credibilidade perante os medíocres leitores de Zero Fora.

O DILÚVIO, como também outros blogs e sites autônomos, denunciam aquilo que em palavras reais se chama censura e autoritarismo. Já não bastam todos os grandes veículos repetirem a mesma merda todos os dias, o pensamento único agora se faz a força através de decisão judicial. Ninguém neste chulé levanta a voz, nem mesmo os pseudo radicais defensores da ditadura do proletariado (nada diferente da ditadura de imprensa), contra esse absurdo.

A PRBS pode nos censurar, mas jamais vai nos calar. Forza Ungaretti ! Foda-se Fotonaldo ! Quem compra, trabalha e sustenta essa máfia, é cúmplice do autoritarismo. Muitos jornalistas da empresa foram nossos colegas de faculdade. Se antes tínhamos um pouco de compreensão, agora perdemos nosso total respeito. Fodam-se também!

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • AtribuiçãoVocê deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).

  • Compartilhamento pela mesma licençaSe você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob licença similar ou compatível.

Ficando claro que:

  • Renúncia — Qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais.
  • Domínio Público — Onde a obra ou qualquer de seus elementos estiver em domínio público sob o direito aplicável, esta condição não é, de maneira alguma, afetada pela licença.
  • Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença:
    • Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis;
    • Os direitos morais do autor;
    • Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais como direitos de imagem ou privacidade.
  • Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.

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