#CADÊ MEU CHINELO?

Mostrando postagens com marcador Hosni Mubarak. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hosni Mubarak. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de maio de 2012

[cc] INTERNET É EXTENSÃO DA CIDADE





::txt::Ronaldo Lemos::


“Não me tires o que não me podes dar!”, disse o cínico Diógenes para Alexandre, o Grande, quando este lhe fez sombra ao se posicionar em frente ao sol que banhava o filósofo. Milênios depois a anedota ainda ajuda a pensar sobre os limites da convivência. Questão que fica mais complexa à medida que a internet vai virando uma extensão da cidade: uma camada adicional do espaço público, igualmente permeada por regras de coexistência forjadas a duras penas nos embates do dia a dia.
Um exemplo fascinante desse embate é a recente moda dos bloqueadores portáteis de celular. Isso mesmo: aparelhos que cabem no bolso (ou na bolsa, dependendo do modelo) e criam um raio de até 15 metros onde é impossível usar o celular para falar ou acessar a internet. No Brasil os mais baratos são vendidos por R$ 90. O recurso vem caindo nas graças dos vigilantes do cotidiano, gente que pega ônibus (ou trem) e se cansou de ouvir conversas gritadas pelo celular durante a viagem. Solução: tapar o “sol” de todos para punir alguns.
Esse tipo de medida, além de ser uma modalidade de colapso da cidadania, expõe também a fragilidade do espaço digital. Se a moda pega, pode ganhar contornos de tragédia grega. Quem foi bloqueado hoje vai querer bloquear amanhã. Com isso o convívio vai se tornando inviável. Levada ao extremo, grupos articulados ou um governante mal-intencionado (como Mubarak fez no Egito) conseguem interromper partes da rede. Isso faz lembrar que, por incrível que pareça, a internet depende enormemente da ética de quem a utiliza para funcionar.
Três anos de prisão
Tal como nas cidades, ações de interrupção do espaço digital vão ganhando conotação política. É só pensar no Anônimos, o grupo hacker que consegue chamar a atenção derrubando sites como forma de protesto. Para além, não seria improvável protestos com base na nova onda. Por exemplo, um grupo segue para a avenida Paulista não para interromper o trânsito, mas para estrategicamente bloquear a comunicação por celular ao longo da avenida. O artista plástico Marcelo Cidade tentou fazer algo parecido na Bienal de 2006: interromper o sinal de todo o prédio da exposição, o que foi vedado pelo jurídico da Bienal. Bloqueadores de celular são ilegais no Brasil (exceto em presídios e em poucos casos permitidos). E o Código Penal estabelece pena de prisão de até três anos para quem “interrompe ou perturba serviço telefônico”.
Para a internet continuar a ser extensão da cidade, aberta e porosa, ela depende de um pacto social mais delicado do que se imagina. Se gentileza gera gentileza, a máxima pode ser multiplicada por cada byte que compõe a rede.

quinta-feira, 24 de março de 2011

[agência pirata] CHE KADAFI

::txt::Elio Gaspari::

Outro dia, um curioso estava em cima de um camelo nas ruínas de Petra. Saíra da pracinha onde Indiana Jones matou o beduíno fanfarrão, quando três sujeitos apareceram no caminho. Eram ladrões. Um deles vestia camiseta com a imagem do Che Guevara. Das selvas da Bolívia, a lenda do Guerrilheiro Heroico chegara à cidade perdida dos nabateus.

Ninguém pode prever o que acontecerá com Muamar Kadafi, mas os Estados Unidos estão no caminho da construção de mais um personagem lendário. Daqui a meio século, alguém poderá cruzar com um plantador de coca do altiplano boliviano vestindo uma camiseta do "Rei Filósofo" líbio.

Os mitos são construídos pelos inimigos. Se a Inglaterra tivesse mandado Napoleão para Boston talvez ele tivesse morrido comerciando vinhos com o ervanário que entesourou. Seu mito deve muito aos seis anos de confinamento na ilha de Santa Helena, onde morreu.

Muitos são os guerrilheiros latino-americanos lembrados — Jorge Masetti, Camilo Torres ou mesmo Sandino — mas só Guevara tem camisetas até em Petra.

Se Guevara tivesse ido a julgamento, certamente teria sido anistiado pela Bolívia e seria hoje um octogenário reminiscente em Havana. Em outubro de 1967, as forças da coalizão americano-boliviana que o capturaram decidiram executá-lo num casebre do vilarejo de La Higuera. A ordem foi dada pelo comando boliviano e transmitida por um agente da CIA que lhe tungou um Rolex.

A execução de Guevara e a exposição de seu corpo sobre tanques de lavar roupa, numa cena evocativa do Crucificado, abriram o protocolo da lenda. (No Youtube há dezenas de vídeos sobre esse episódio, para todos os gostos.) A casa virou museu e ao lado dela há um enorme busto do Che, à frente de um crucifixo.

Em 1997 seus restos mortais foram trasladados para Cuba e estão num mausoléu. As execuções que ordenou tornaram-se justiçamentos, seu fanatismo, coerência, e suas aventuras, desassombro.

Os personagens de cenas como a de La Higuera raramente percebem a dimensão histórica dos episódios de que participam. O general americano que comanda o bombardeio da Líbia acredita que a choldra é boba, manda explodir o conjunto onde se supunha que estivesse Kadafi, e diz que não se pretende matá-lo.

Exatos sete anos depois do bombardeio de Bagdá, transformou-se uma operação militar que se diz destinada a proteger civis numa ofensiva que incluiu o lançamento de bombas sobre a capital líbia. (Nunca é demais lembrar o primeiro verso do hino dos fuzileiros americanos: “Dos salões de Montezuma às praias de Trípoli”.)

À diferença de Che, Kadafi é um oligarca larápio, mas há nele um ingrediente messiânico ausente no DNA do tunisiano Ben Ali ou do egípcio Hosni Mubarak. Como eles, soube seduzir empreiteiros, petroleiros, políticos e professores.

Parece um fanfarrão, mas é possível que fale sério quando diz coisas assim: “Kadafi não é uma pessoa comum, que você possa envenenar ou armar uma revolução contra ele. Eu lutarei até a última gota de meu sangue”.

Imagine-se um cenário catastrófico: Kadafi sai do seu esconderijo e, em vez de se esconder numa cafua, como Saddam Hussein, desaparece, como d. Sebastião, durante um combate num oásis do Saara.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • AtribuiçãoVocê deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).

  • Compartilhamento pela mesma licençaSe você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob licença similar ou compatível.

Ficando claro que:

  • Renúncia — Qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais.
  • Domínio Público — Onde a obra ou qualquer de seus elementos estiver em domínio público sob o direito aplicável, esta condição não é, de maneira alguma, afetada pela licença.
  • Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença:
    • Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis;
    • Os direitos morais do autor;
    • Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais como direitos de imagem ou privacidade.
  • Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.

.

@

@