
::txt::Jana Lauxen::
Quando você, caro trabalhador brasileiro minimamente assalariado, quer um aumento, o que faz?
Procura aperfeiçoar seu trabalho?
Bajula o chefe?
Pede com carinho?
Busca especialização?
Correto.
E, mesmo aperfeiçoando seu trabalho, bajulando o chefe, pedindo com carinho e buscando especializar-se, às vezes não rola, não é mesmo?
Ou rola, mas menos, BEM MENOS do que você imaginava, gostaria ou supunha que merecia.
Sei como é.
Todos sabemos.
Isto é.
Nem todos.
Existem algumas pessoas que, quando querem aumento de salário, só precisam “permanecer como estão”.
Estes sortudos são as nossas vossas excelências, os políticos, e - pasme! – o patrão, que lhes aumenta o salário para que “permaneçam como estão”, somos eu e você.
E não é um aumentozinho ordinário de 30 pilas.
Falo de 62% de reajuste.
E isto sobre um salário que já estava bem longe de ser mínimo.
Foi o que aconteceu dia 15 de dezembro deste ano, quando 279 deputados federais apoiaram o requerimento de urgência para a votação do projeto de decreto legislativo que aumentou os vencimentos de deputados federais, senadores, presidente e vice-presidente da República, além de ministros de Estado, para R$ 26,7 mil.
É. Eu disse VINTE E SEIS MIL E SETECENTOS REAIS. E uns quebrados.
A votação foi simbólica, ou seja, do tipo em que o congressista não declara seu voto. Neste tipo de votação, quem preside a sessão anuncia: “Aqueles que aprovam, permaneçam como estão”. Para, em seguida, emendar: “Aprovado”.
A lista com os nomes dos políticos e seus respectivos votos você encontra clicando aqui.
De qualquer maneira, eu, que sou gaúcha, me dei ao trabalho de pesquisar a cara de pau de cada um dos parasitas políticos do meu estimado estado que votaram a favor deste despautério.
Seus nomes e seus partidos estão logo abaixo.
Se você é gaúcho também, guarde estes nomes e, PELOAMORDEDEUS, não lhes dêem nem bom dia – quiçá seu voto!
Cláudio Diaz PSDB
Darcísio Perondi PMDB
Fernando Marroni PT
Germano Bonow DEM
José Otávio Germano PP
Luis Carlos Heinze PP
Marco Maia PT
Mendes Ribeiro Filho PMDB
Osmar Terra PMDB
Paulo Roberto Pereira PTB
Pompeo de Mattos PDT
Renato Molling PP
Sérgio Moraes PTB
Vieira da Cunha PDT
Vilson Covatti PP
Mas se você não é gaúcho, veja a lista dos deputados do seu estado e não esqueça seus rostinhos feios e nomes-sobrenomes sob nenhuma hipótese.
O novo salário entra em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2011.
Ainda no Rio Grande do Sul: Luciana Genro, do PSOL e Paulo Pimenta, do PT, votaram contra. Emilia Fernandes, também do PT, absteve-se de votar.
Do montante total, 35 votaram contra, e são eles:
Henrique Afonso (PV – Acre)
Luiz Bassuma (PV – Bahia)
Augusto Carvalho (PPS – Distrito Federal)
Magela (PT – Distrito Federal)
Capitão Assumção (PSB – Espírito Santo)
Lelo Coimbra (PMDB - Espírito Santo)
Sueli Vidigal (PDT – Espírito Santo)
Vander Loubet (PT – Mato Grosso do Sul)
Luiz Couto (PT – Paraíba)
Major Fábio (DEM – Paraíba)
Alfredo Kaefer (PSDB – Paraná)
Assis do Couto (PT – Paraná)
Gustavo Fruet (PSDB – Paraná)
Marcelo Almeida (PMDB – Paraná)
Reinhold Stephanes (PMDB – Paraná)
Takayama (PSC – Paraná)
Raul Jungmann (PPS - Pernambuco)
Chico Alencar (PSOL – Rio de Janeiro)
Cida Diogo (PT – Rio de Janeiro)
Fernando Gabeira (PV – Rio de Janeiro)
Eduardo Valverde (PT – Rondônia)
Ernandes Amorim (PTB – Rondônia)
Mauro Nazif (PSB – Rondônia)
Décio Lima (PT – Santa Catarina)
Dr. Talmir (PV – São Paulo)
Emanuel Fernandes (PSDB – São Paulo)
Fernando Chiarelli (PDT – São Paulo)
Ivan Valente (PSOL – São Paulo)
José C Stangarlini (PSDB – São Paulo)
Luiza Erundina (PSB – São Paulo)
Paes de Lira (PTC – São Paulo)
Regis de Oliveira (PSC – São Paulo) Não
Iran Barbosa (PT – Sergipe)
Naturalmente, não é porque estes 35 votaram contra que não terão os mesmos 62% de aumento.
Eu, por exemplo, se fosse da política (e, sendo da política, naturalmente seria canalha & cretina) votaria NÃO só para acharem que eu sou honesta.
No entanto, dia primeiro de fevereiro, pegaria meu aumento bem feliz e com minha imagem pública intacta.
Queria ver se o aumento só valesse para quem votou a favor, se haveriam 35 contras.
Mas enfim.
Não há esperança.
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