#CADÊ MEU CHINELO?

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

[cc] A FIRME CANETA DE HENRIQUE MEIRELLES



::txt::Bruno Lima Rocha::

Reflexões imediatas após a vitória de Dilma Rousseff: uma crítica pela esquerda mais à esquerda

No momento em que escrevo estas palavras, a economista Dilma Rousseff (PT) acaba de ser eleita como primeira mulher presidente do Brasil. A derrota da dobradinha “clássica” PSDB-DEM, José Serra e Índio da Costa, demonstra um novo arranjo político e de parcelas do poder no Brasil. Mas, a eleição da ex-ministra em chefe da Casa Civil não significa necessariamente um avanço por esquerda, longe disso. A coligação de dez legendas, tendo ao deputado federal pelo PMDB quercista de São Paulo Michel Temer como vice, representa por si só a ampla margem de negociação e desistência de perspectivas históricas do reformismo radical dos anos ’80. E agora?

A economista e ex-guerrilheira do COLINA e da VAR-Palmares governará sobre o terreno da política econômica assentada pela firme caneta de Mr. Meirelles, homem da banca internacional. Não por acaso o tema do endividamento público ficou fora da campanha, uma vez que era pauta consensual com o tucanato-udenista. Freios de agentes de veto como este(s), em nome dos banqueiros, dominarão a agenda política do novo mandato de melhorismo, uma centro-esquerda não classista.

Para além do óbvio, analisando a vitoriosa composição de aliança política e de classes.

O pensamento socializante brasileiro tem algumas constatações relevantes, para as quais aporto meu grão de areia nesta reflexão. Temos duas novidades neste pleito, duas dentre várias. Elegeu-se uma ex-guerrilheira e mulher (estando separada em sua vida conjugal) para chefiar o Poder Executivo da 5ª economia do mundo e o país líder latino-americano do G-20. Não é coisa de pouca monta. Ou não seria. Esta mesma operadora política, com grande capacidade de execução de agenda, viu-se obrigada (ou se obrigou dado o volume de compromissos) a abandonar temas de convicção consensual no que resta das esquerdas com perfil militante no Brasil. Em termos de reivindicação imediata, o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, peça esta que Lula não assinara, traçaria um senso comum daqueles que entendem – ainda que por dentro do aparelho de Estado - como prioridade a divisão de recursos e de poder. Pois bem, esta mesma peça consensual e imediata, foi refutada, negada, afastada, retirada de pauta, por parte da candidata. Na ponta do problema, o tema do aborto, entrando pela porta dos fundos através dos factóides políticos e dos poderes de veto do obscurantismo nacional.

Não ficou por aí. A aliança da legenda de Luiz Inácio teve a “sabedoria” eleitoral de costurar com aqueles que serviram, em sua própria iniciação da vida política, de objeto de ódio na figura do inimigo visível. Sei que é chato, mas é inevitável lembrar o apoio dos oligarcas como Sarney, Jucá, Calheiros, Geddel & Cia ou o reforço de opinião de operadores pró-ditadura como o ex-ministro Delfim Netto ou o ex-reitor da Universidade Mackenzie do CCC, Cláudio Lembo; de agentes econômicos como os líderes do mercado financeiro, materializado nos bancos (FEBRABAN), na indústria automobilística (ANFAVEA), das transnacionais e mega-conglomerados nacionais de telecomunicações (SINDITELEBRASIL) capitaneados no Brasil pela Telefônica de Espanha e na fusão absurda que dera na BROi e após na compra de uma parte da nova super-empresa por parte da Portugal Telecom (PT). Não parou por aí.

Na mídia, frente de batalha prioritária no embate político-eleitoral, abriu-se uma cunha entre os líderes do oligopólio nacional das comunicações. Se por um lado as famílias, Marinho (Globo), Mesquita (Estado de SP), Frias (Folha de SP) e Civita (Abril-Naspers), de outro, grupos do porte da Rede Record, do portal Terra (Telefônica de Espanha), da estirpe da Carta Capital, no alinhamento recente do Grupo Três (Alzogaray, cujo veículo líder é a revista Istoé) e na posição rachada do empresariado dos radiofusores entre a ABERT (liderada pela Globo), e a ABRA (liderada pela Rede Bandeirantes, da família Saad). Ressalto este aspecto, pois a luta política migrara para o espaço midiático (que de público pouco ou nada tem) e a coligação governista sabiamente (espertamente, pragmaticamente) optou pela solução Getúlio Vargas encontrando o seu – no caso, os seus – Samuel Weiner. Poderíamos seguir narrando as composições com agentes econômicos líderes dos respectivos oligopólios do capitalismo operando e existente no Brasil, mas basta com ressaltar o perfil agro-exportador do Brasil e a relação mais que promíscua entre o Ministério da Agricultura e o latifúndio.

Para além do sectarismo, porque estamos piores organizados?

O que me assusta é o lado de cá do balcão. Lula deixa o poder conseguindo uma proeza paradoxal. Seria leviano dizer que os brasileiros e brasileiras vivem em condições piores do que a oito anos atrás. Não seria correto. Ao mesmo tempo, seria tão ou mais leviano afirmar que as forças sociais, muitas delas ainda tributárias do mesmo processo de reivindicações e protagonismo de luta popular dos anos ’80, a mesma matriz do PT e seu líder histórico, estão mais organizadas. Nossas entidades e movimentos populares estão piores organizados, mobilizam menos, milita-se menos, há um distanciamento muito maior entre dirigentes e bases, não têm uma entidade que seja transversal para os movimentos (como uma central ou confederação sindical mais à esquerda e livre das práticas do viciado aparelhismo e disputa sectária de correntes) e o próprio MST perde sua capacidade de liderança da luta popular uma vez que se esvai em posições tênues, abrandadas, e terminando por ir a reboque da União e do melhorismo. Para quem julga ser isto exagero deste analista, sugiro que leiam os embates na interna do jornal Brasil de Fato ou simplesmente converse entre a militância detentora de algum nível de responsabilidade.

Eleitoralmente, e esta não é a opção militante deste que escreve, os índices foram pífios. PSOL, PSTU, PCO e PCB não são a mesma coisa, tem diferenças de origens políticas (ressaltando-se este último) e tampouco representam alguma forma de consenso da esquerda que ainda crê na via eleitoral. Seus resultados sequer passam de 1% das intenções de voto e o escrutínio não veio acompanhado de um avançar de lutas sociais a ser galvanizada através da participação nas regras da democracia de tipo liberal e representativo. É difícil crescer eleitoralmente em conjunturas de pouca ou nenhuma mobilização e onde a tensão social está ausente da política.

Já da parte das organizações políticas que não optam pela via eleitoral por dentro do sistema – sendo esta a opção deste analista - o que se vê é uma grande chance de crescimento qualitativo, desde que seja explícito um projeto político para o curtíssimo e curto prazos (2 e 4 anos, respectivamente). Será necessária uma maturidade de outro tipo, quando as minorias ativas têm de compreender que a sensação popular é que suas vidas melhoraram, e ao mesmo tempo, os projetos de poder de transformação profunda estão mais distantes do que estavam no final dos anos ‘80 e, como um todo, o movimento popular brasileiro está muito mais confuso do que estava na segunda metade dos anos ’90, em pleno auge do neoliberalismo e da Era FHC.

Trata-se de um paradoxo de difícil compreensão para quem tem pressa – e é difícil fazer política apressadamente. De um lado a massificação reivindicativa se complica, uma vez que a sociedade como um todo (incluindo os setores de classe tradicionalmente organizados) está mais desorganizada, fragmentada e dispersa. De outro, o romper com as práticas viciadas e o manifestar de uma cultura política distinta pode e vem atraindo significativamente militantes com trajetória ilibada e que não concordam com as vias do legalismo-reformista (como a ilusão de fazer política radical através do Judiciário e do Ministério Público) e menos ainda com o compartilhamento de postos de poder tanto com inimigos históricos (como a leva de Arenistas presentes nos oito anos de Lula) e menos ainda com o espaço enorme dado e garantido a setores pelegos oriundos do sistema corporativo (como a Força Sindical, a CGTB e a recalcitrante UGT). O racha sindical que leva a construir a CTB é declaradamente uma peleia por recursos derivados da legalização das centrais sindicais e reflete também uma aproximação – em função de clivagem eleitoral – de PC do B e PSB. Romper com estas práticas é algo muito factível. A luta sindical abre um oceano de perspectivas de crescimento com qualidade da militância recrutada e é possível fazer desta uma via que dê oxigênio para as agrupações mais à esquerda e programaticamente distantes das urnas.

Apontando conclusões

É duro admitir que a guerrilheira que caiu de pé e não cantou sob tortura, resistindo com dignidade aos suplícios da Operação Bandeirantes e da estrutura do DOI-CODI do II Exército em São Paulo não representa sequer um projeto reformista. É mais duro ainda admitir que esta mesma pessoa, uma mulher, representa de por si uma quebra de paradigma. E, por fim, o mais duro de tudo é perceber a forma como se governou nos últimos oito anos e quanto esta prática política está distante da tensão social necessária para aumentar os níveis de organização popular para poder, de fato, acumular forças rumo a um câmbio profundo. Lula tem mais de 80% de aprovação é isto não implica (e nem poderia implicar) uma guinada à esquerda do povo brasileiro. Repito, é hora de refletir e buscar a consistência através de um crescimento qualitativo, rompendo com a cultura política viciada e dirigista.

Entender este momento e fazer política para ele é uma atitude construtiva. É diferente de afirmar que o melhorismo da coligação de centro-esquerda é idêntico da histeria de tipo udenista da coligação de centro-direita. Afirmar isso seria leviano e absurdo. Os projetos que chegaram ao segundo turno não são idênticos, e mesmo que através de Dilma as políticas sociais permaneçam, é preciso ter a firmeza e a maturidade para assumir que há governos de turno que melhoram a vida das maiorias e não constroem projetos de poder para estas mesmas maiorias serem donas de seus destinos. Este é o caso brasileiro e continuará sendo nos próximos quatro anos.

Se o objetivo determina o método segundo as condicionalidades, os sessenta dias restantes do ano servem para gerar a reflexão necessária a respeito das condições de existência e expansão da proposta que visa organizar desde abaixo, acumulando forças – através da luta popular em sua forma direta - no sentido da radicalização da democracia através de sua forma direta e participativa, socializando recursos e poder entre as maiorias. Fazer oposição por esquerda não é tarefa fácil. Há muito trabalho pela frente.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

[agência pirata] EM TEMPOS DE ELEIÇÕES...

::txt::Fórum do Anarquismo Organizado::

Programas iguais, discursos iguais

O sistema brasileiro é "democrático e pluripartidário", mas a dobradinha PT e PSDB já dura 16 anos e irá se repetir. E esta dobradinha, com um no apoio do outro, reforçou e armou ainda mais nossos inimigos de classe. O PSDB, com Fernando Henrique, "mostrou" ao PT qual modelo econômico seguir, qual o caminho da governabilidade, garantindo "crescimento e estabilidade econômica".

A equação tem um resultado já conhecido: o povo continuou na sua crise diária, oprimido pelo enriquecimento de banqueiros, pelo avanço do agronegócio e pelas privatizações de setores-chave. Com Lula da Silva, não foi à toa que o Banco Central tem o tucano Henrique Meirelles à sua presidência.

Mas o Governo Lula, além de manter a fórmula econômica, agregou uma política social que vem garantindo seus altos índices de popularidade. Os maiores da história, diga-se de passagem. A sua história de vida e a base social de seu partido foram também fundamentais para que Lula tenha se tornado maior que o próprio PT.

Fazendo escola, essa linha de conduta está claramente traçada na estratégia eleitoral de José Serra, que além de se abster de atacar Lula, já iniciou seu programa eleitoral dizendo que agora "sai o Silva e entra o Zé", se preocupando também em mostrar que é uma pessoa de origem humilde. É também batendo no mesmo ponto que Marina Silva vai tentar ganhar voto.

Crescimento econômico sustentável com desenvolvimento social é a fórmula da moda e a síntese do "programa" dos três candidatos preferidos da mídia, diferenciando apenas na ênfase dada a cada ponto. E essa é a linguagem atual do capitalismo que procura ganhar um rosto humano. Fora isso, o diferencial de cada, e é o que vai decidir as eleições, fica por conta da capacidade de cada um em mobilizar recursos (materiais e simbólicos) e costurar as alianças, principalmente com os grandes grupos econômicos e as oligarquias. Nessas condições, os oprimidos de norte a sul do país estão fora desse debate e o voto é quase que apenas uma homologação do que é desenhado nos bastidores.

A mudança que queremos se processa fora das urnas

As várias "alternativas eleitorais" à esquerda que se lançam na disputa não se cristalizam e, pra nós, não possuem qualquer capacidade de operar as mudanças, vendendo apenas ilusões, pois as saídas para conquistar as urgências do povo não vêm das urnas. A nossa alternativa, a qual abraçamos e militamos, é a luta de cada dia, construindo um projeto de longo prazo e trabalhando, nas bases dos movimentos e tendências; não para pedir votos, mas para criar povo forte e abrir, na luta, os cenários de mudanças.

É com este norte que atuamos em tempos de eleições, continuando a fazer o que é feito nos anos não-eleitorais e por isso nossa militância social se vê inserida na construção d'A Outra Campanha. As energias do povo não podem ser dissipadas numa urna, mas sim potencializadas onde ele se reconhece, no bairro, na vila, na escola, no trabalho. Nos reclamos e na organização de suas lutas com independência de classe

segunda-feira, 22 de março de 2010

O PIG TAMBÉM MANIPULA

#mandachuva

txt: Tiago Jucá Oliveira

Com a aproximação das eleições, algum setores da imprensa começam a perder a compostura, o senso crítico e inclusive faltam com a razão. Beiram ao ridículo.

O PIG, também conhecido por Partido da Imprensa Governista, virou uma espécie de bajulador do governo federal. Está proibido de criticar a administração Lula-Sarney-Globo. Faça isso e será rotulado de direitoso, golpista ou tucano. Como se a velha direita golpista de 64 não fizesse parte do governo populista da bolsa-esmola (expressão criada pelo Mino Carta, de certo também um golpista). Como se o tucano Henrique Meirelles não fosse o presidente do Banco Central dando seqüência à política econômica que todo banqueiro adora.

Talvez você não conheça Perseu Abramo. Ele é autor do livro “Padrões de Manipulação da Grande Imprensa”. Tudo indica que a imprensa nanica adotou o livro pra manipular também. Há dois tipos de padrões de manipulação em prática no momento pelos jornalistas do PIO: ocultação e inversão dos factos.

O PIG tem ocultado algumas coisas. Oculta Sarney, oculta Henrique Meirelles, oculta o representante dos latifundiários no Ministério da Agricultura e oculta o principal facto: o Ministro das Comunicações chama-se Hélio Costa, braço direito da Rede Globo no estado de Minas Gerais.

Ao ocultar isso, acaba por inverter a sigla pra Partido da Imprensa Golpista com o objetivo de atacar a Rede Globo e outros meios de comunicação. Mas como, cara pálida, que a Globo vai ser golpista? Por que a Globo vai ser oposição ao seu próprio governo? Auto-crítica? Qual razão teria a Globo de derrubar o governo que a levantou após a quebradeira que ela e o país tiveram assim que FHC foi reeleito?

Agora, se Veja, Estadão, Foia di Sampa e Zero Hora criticam o governo, é outra coisa. São revistas impressas, e não concessões públicas. Eles tem todo direito de criticar quem quer que seja. Vivemos num país democrático, e não na Venezuela, Irã ou Cuba, cujos presidentes são super amigos do nosso. Você não vai querer que a Veja apóie o MST, né? A Veja representa uma elite que todos sabem quem é. Mas claro, como ela sabe que grande parte de seus leitores é formada por conservadores (eleitores de FHC, Lula, Serra e Dilma), ela aproveita pra cutucar. Se você não é conservador, não deveria estar lendo essa bosta de revista. Mas não, perde seu precioso tempo lendo e relendo Veja, e depois vai pro twitter que nem uma bicha louca: “PIG”, “Veja é Golpista”. Ridículo, mano!

E ainda há coisas piores. Mestres do jornalismo brasileiro caíram em desgraça com a ala conservadora da imprensa nanica. Cansei de ver porrada pra cima de Marcelo Tas e Arnaldo Jabor. Ninguém pode criticar neste país. O sonho dessa gente é que aqui vire uma Venezuela, com censura a imprensa, restrições à internet e, claro, sem nenhuma luz no fim do túnel, literalmente. O pior apagão, meu amigo, não é o da Dilma nem o atual na Venezueira. É o da cabeça. Te liga, mané!

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