#CADÊ MEU CHINELO?
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sexta-feira, 30 de julho de 2010
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
RETOMADA
Semana passada este blog não teve nenhuma postagem. Demos um tempo aqui pra retomar nosso portal no wordpress, agora devidamente rebatizado de @ Arca de Noé. A Arca retorna pra ser o que já foi na nossa "pré-história", e também pra centralizar tudo que diz respeito a revista O DILÚVIO e seus canais na web.
E a partir de amanhã, aquilo que você sempre espera deste blog: CHUVA!
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
SNOOP DOGGY DOGG
# a arca de noé #
O incrível animal que late ritmos e poesias
txt: Arlei Arnt
Numa sociedade dividida entre os que tem e os que nao tem pedigree, o movimento hip hop é, atualmente, o único baseado em questionar os valores usados para tal divisão. A arte de maior expressão do hip hop é sem dúvida a música. O rap tem diversas variações, entre elas o gangsta-rap, a mais vira-lata de todas.
Snoop Doggy Dogg é o paradigma desse estilo de confrontar velhos costumes de segregação social e, ao mesmo tempo, de uma vida vadia-cheira-rabo-de-cadela (o "estilo cachorro" bem cantado pelos Racionais MCs).
Mas o mais significativo na carreira de Snoop Doggy é a força do latido. A poesia feroz ritmada em bateria eletrônica e com colagens sonoras do gangsta-rapper comprovam que o hip hop é o movimento sucessor da contra-cultura dos anos 60, da rebeldia punk dos 70 e do grunge suicida do começo da década de 90. E com um dentalhe vantajoso: tem estética musical bem mais atraente e um verbo bem mais poderoso e afiado.
Já dizia velho lorde: "cão que late não morde". Porém foram os cães de raça que ficaram mordidos com o latido de Snoop Doggy Dogg. Caso contrário, eles não colocariam na capa do CD de Snoop um selo de advertência aos pais sobre o conteúdo das letras das músicas. Parodiando novamente os Racionais: "olha só, mas quem diria/ seu filhote quer virar latas, que ironia".
sexta-feira, 24 de julho de 2009
ALEXANDRE PATO

# a arca de noé #
O incrivel animal que foi lá ver o que que há
txt::Jucazito
Um sério problema atinge o Brasil. Nossas aves estão vazando pro exterior cada vez mais novas. O caso mais famoso abalou a alegria dos brasileiros. O jovem talento Alexandre Pato migrou para os campos da Lombardia sem conquistar nenhum título nacional, sem disputar nenhum grenal e sem completar os 18 anos de idade.
Graças a diregentes de futebol como o Tio Patinhas, que só pensam em dinheiro, o torcedor vai ficar só com os cabeça de bagre. Dario Maravilha, o Beija-Flor, atacante de centenas de gols e que voou sempre nas áreas daqui durante os anos 70, comenta o fato. Para ele, são épocas diferentes, pois "naquele tempo eu punhetava o ganso no intervalo do jogo, hoje não tem mais disso”.
Falcão, um dos raros jogadores brasileiros que jogavam na Itália no começos dos anos 80 e hoje comentarista de futebol, acredita que Pato jamais será rei de Roma: “o rato rói a roupa do rei, mas o pato não pói a poupa do pei”. Fizemos uma pequena entrevista com Pato para traçar um perfil dessa ave que é maior promessa do futebol mundial.
Qual sua cidade natal?
Pato Branco, interior do Paraná.
Que lugar você gostaria de conhecer?
Porca miséria, eu ainda vou para a Patagônia.
O que você mais gosta de comer?
Pata à milanesa, hum! Mama mia, tem cada coxinha.
Qual sua banda favorita?
Pata de Elefante, a bateria do Prego fica martelando na minha cabeça. Porrada, uomo! Pato Fu é afu também.
Não pode ver numa loja e quer comprar?
Che, adoro pé de pato. Tenho que andar bem calçado para não parecer um patinho feio. Tenho de todas as cores, até um tricolor, que eu usava quando era piccolo.
Que goleiro você gostaria que engolisse um frango de um chute seu?
El Pato Abbondanzieri, do Getafe.
Quem foi seu melhor técnico?
Alexandre, o Gallo, além de xará, não me deixava no puleiro de reservas.
Que herói que influenciou sua personalidade?
Duck de Caxias, ele dizimou o original paraguay style, sobreviveu só o falsificado. Bem que ele podia ter acabado com o Peru também.
Que música i tiffosi rossi-negri cantam pra você?
Olelê, olalá, o Pato vem aê, para ver o que que há.
O que você cantou pra macadada na sua despedida?
Aquela do Adoniran Barbosa: “quá quá quá quá quá, não posso ficar mais nem um minuto ...”
sexta-feira, 24 de abril de 2009
JOÃO GATO
# a arca de noé #
O incrível animal que ensinava matemática
txt: Jucazito
ilstrç: Henrique Bittencort
“Eu adoro a democracia, sou um professor democrático: eu mando, vocês obedecem”. Assim João Gato miou na primeira aula do sétimo livro, lá no Ginásio. O professor era quase tudo que um professor não poderia ser. Bom de copo, Gato trazia pra aula o bafo da noite. Um fedor de ceva. Muita ceva. Muito fedor. Diz a lenda que numa mañana de carnaval ele sentou no bar do Batata Palha e só vazou após beber 48 cervejas, no dia seguinte.
Além do cheiro de bira, somava-se e multiplicava-se o fedor de crivo. Filtro vermelho. “Dois maços de oliú por dia”. João fumava feito cão, melhor, feito gato. Inclusive na sala da aula. Ninguém reclamava. Nem as freiras. As gatinhas sofriam mais. João era todo carinhoso com elas. Parava do lado de uma, alisava o cabelo com as mesmas mãos que aparava seus espirros, encostava a cabeça dela naquele imenso barril de chopp que ele chamava de barriga e ficava ali, no gozar democrático.
Se as gatinhas sofriam com o assédio e fedor, as ratinhas feiosas e os urubus malandros sofriam com o mau humor do Gato. A vítima mais constante era o Vareta, vulgo Alex. Aquele tipo de aluno que não sabia nada, a não ser falcatruar a prova pra não repetir de ano. Mas quando o professor o chamava para o quadro negro, ficava difícil enganá-lo. Certo dia, Vareta foi ao quadro resolver uma equação. Notando que a conta não ia adiante, João Gato foi mostrando a ele o caminho da roça. “Soma aqui, multiplica ali, isso, vinte e cinco”. Vareta finalizou feliz da vida. João dava risada: “Tudo errado”. “Mas o senhor disse que era assim”. O professor deu sua lição de moral: “Quando eu era pequeno e tinha um gatinho, ensinei ele a não comer. Dois dias depois ele morreu”.
Apesar da cerveja, do cigarro, da brabeza, dos espirros, da pança de fora e da moléstia nas gatas, João era um excelente professor. A aula era dividida em dois períodos: antes e depois do recreio. No primeiro ele ensinava e passava as tarefas, no segundo ele roncava enquanto a gente ria bem baixinho no calcular das contas. Mas aquela pérola de professor democrático, “eu mando, vocês obedecem”, é impossível esquecer. Assim são nossos governantes.
O incrível animal que ensinava matemática
txt: Jucazito
ilstrç: Henrique Bittencort
“Eu adoro a democracia, sou um professor democrático: eu mando, vocês obedecem”. Assim João Gato miou na primeira aula do sétimo livro, lá no Ginásio. O professor era quase tudo que um professor não poderia ser. Bom de copo, Gato trazia pra aula o bafo da noite. Um fedor de ceva. Muita ceva. Muito fedor. Diz a lenda que numa mañana de carnaval ele sentou no bar do Batata Palha e só vazou após beber 48 cervejas, no dia seguinte.Além do cheiro de bira, somava-se e multiplicava-se o fedor de crivo. Filtro vermelho. “Dois maços de oliú por dia”. João fumava feito cão, melhor, feito gato. Inclusive na sala da aula. Ninguém reclamava. Nem as freiras. As gatinhas sofriam mais. João era todo carinhoso com elas. Parava do lado de uma, alisava o cabelo com as mesmas mãos que aparava seus espirros, encostava a cabeça dela naquele imenso barril de chopp que ele chamava de barriga e ficava ali, no gozar democrático.
Se as gatinhas sofriam com o assédio e fedor, as ratinhas feiosas e os urubus malandros sofriam com o mau humor do Gato. A vítima mais constante era o Vareta, vulgo Alex. Aquele tipo de aluno que não sabia nada, a não ser falcatruar a prova pra não repetir de ano. Mas quando o professor o chamava para o quadro negro, ficava difícil enganá-lo. Certo dia, Vareta foi ao quadro resolver uma equação. Notando que a conta não ia adiante, João Gato foi mostrando a ele o caminho da roça. “Soma aqui, multiplica ali, isso, vinte e cinco”. Vareta finalizou feliz da vida. João dava risada: “Tudo errado”. “Mas o senhor disse que era assim”. O professor deu sua lição de moral: “Quando eu era pequeno e tinha um gatinho, ensinei ele a não comer. Dois dias depois ele morreu”.
Apesar da cerveja, do cigarro, da brabeza, dos espirros, da pança de fora e da moléstia nas gatas, João era um excelente professor. A aula era dividida em dois períodos: antes e depois do recreio. No primeiro ele ensinava e passava as tarefas, no segundo ele roncava enquanto a gente ria bem baixinho no calcular das contas. Mas aquela pérola de professor democrático, “eu mando, vocês obedecem”, é impossível esquecer. Assim são nossos governantes.
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