#CADÊ MEU CHINELO?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

GRITO ROCK ALAGOAS



# noé ae?! #

Coletivo Popfuzz promove Grito Rock 2010 em Maceió e Arapicara.
txt: Marcelo Cabral

Pela primeira vez em Alagoas, o evento terá 11 shows nas duas cidades durante as prévias de carnaval

“União é força”. Durante muitos anos esse slogan foi repetido em inúmeras reuniões de músicos e produtores da cena de música independente em Maceió, na tentativa de organizar o setor no estado. Apesar de algumas iniciativas e tentativas interessantes, a coisa ficou mais no slogan mesmo, com pouca ação prática. Houve claro, raras exceções, como a banda 70º Blight, que produziu três edições do Festival Acendedor de Lampiões, promovendo intercambio com bandas de outros estados e regiões, nos já distantes anos 90.

Lá pela metade dos anos 00, uma turma que reunia bandas e produtores iniciantes de Arapiraca e Maceió surgiu para fazer valer o slogan e partir para a prática. Inicialmente idealizado como um selo, o coletivo Popfuzz realizará em 2010 a sexta edição do Festival Maionese, que acontece todos os anos no mês de maio em Maceió, produzido na raça de forma coletiva e colaborativa pelos integrantes do grupo. Eles ocuparam espaços importantes nas duas cidades, e claro, na internet, revelando bandas como Neon Night Riders, Super Amarelo, My MIDI Valentine, entre outras.

Todo esse movimento despertou a atenção de músicos, produtores e jornalistas locais. O coletivo elegeu um delegado para as assembléias setoriais de música e também passaram a integrar o Circuito Fora do Eixo. Sobre esta parceria, com a palavra Caíque Guimarães, integrante do Popfuzz, “as conversas começaram pessoalmente durante o Festival Mundo, em João Pessoa, o perfil do Popfuzz era muito próximo ao dos outros coletivos do Circuito Fora do Eixo. As reuniões tiveram continuidade durante a Feira Música Brasil em dezembro e foram estabelecidas algumas metas, como a realização do evento Grito Rock em Arapiraca e Maceió”.

A parceria firmada já rendeu bons frutos, com a passagem por Maceió da Turnê Fora do Eixo Nordeste, em 13/12/09, que trouxe para a cidade os shows das bandas Burro Morto (PB), Porcas Borboletas (MG) e Macaco Bong (MT).



05/06 Grito Rock Maceió – Jaraguá Folia

Dentro das prévias carnavalescas do Jaraguá Folia, o Grito Rock Maceió 2010 apresentará uma diversidade de sons no palco montado na Praça Macílio Dias, no bairro histórico da capital alagoana. Na programação, diretamente de Arapiraca, a banda Gato Negro e o experimentalismo eletro-acústico-minimalista da dupla My MIDI Valentine. Do Rio Grande do Norte vem o rockão pesado e bem feito do Pumping Engines, além da surf music do Sex on The Beach, de Campina Grande, e os acreanos do Caldo de Piaba. As bandas locais Dad Fucked and the Mad Skunk e Coisa Linda Sound System completam a programação.

06/02 Grito Rock Arapiraca – Lago da Perucaba

O evento abre espaço para as bandas da cena rock de Arapiraca, com os grupos Sra. Rita e Sub Produto do Rock. Da capital, se apresentarão no parque Ceci Cunha as bandas Baztian e Cross the Breeze. As atrações de outros estados que tocam no Grito Rock Maceió 2010 também se apresentam na edição arapiraquense.

As bandas alagoanas Baztian e My MIDI Valentine se apresentam também no Grito rock Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, no dia 04/02. E o Coisa Linda Sound System toca em 06/02 no Grito Rock Recife 2010.

O Festival Grito Rock acontece em mais de 70 cidades durante o período carnavalesco. É uma realização da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN), em parceria com o Circuito Fora do Eixo, Casas Associadas e Brasil Música & Artes. O evento é o mais abrangente festival integrado da América Latina. Além de diversas cidades brasileiras, Buenos Aires e Córdoba (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) estão no roteiro.

SERVIÇO

O quê: Festival Grito Rock Alagoas

Onde e quando: No dia 05 de fevereiro em Maceió, na praça Marcílio Dias, às 17h, e no dia 06 de fevereiro em Arapiraca, no Parque Ceci Cunha, às 18h

Entrada franca

Informações: (82) 9925 9684 e no site

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

JOÃO DO MORRO E A VOZ DA FULEIRAGEM



# agência pirata #
"Uns me chamam de cronista da periferia, outros dizem que o estilo é suingueira e outros definem como ‘Fuleiragem Music’"
txt e ntrvst: Bruno Costa

A primeira faixa do disco do João do Morro, ‘Do Morro ao Asfalto’, você percebe a mistura inusitada de rock com axé, o axé-noize de ‘Ninguém segura’. Por causa dessa canção, com o cantor descrevendo a sim mesmo e dizendo que vai tirar onda e ninguém vai lhe segurar, é fácil imaginar que a próxima faixa vai seguir o estilo do axé music...

Pois não é que é verdade... Mais axé-noize. Então você começa a prestar atenção na letra da música e percebe que o cantor é um verdadeiro cronista do cotidiano das favelas. Se a próxima canção fosse um axé, o ouvinte provavelmente deixaria o disco de lado e partiria para outras aventuras musicais. Entretanto, a faixa é quase uma cumbia no melhor estilo da fuleiragem, na faixa ‘Eu não presto’. Pois é na próxima música, ‘Frentinha’, que ele mistura axé-noize com fuleiragem music.

A partir daí, João do Morro surpreende com o reggae, ‘O avião’, e ‘Cueca de copinho’ na sequência, em que ele faz uma crônica hilária sobre a indumentária masculina. Em ‘Balaiagem’, João do Morro faz uma nova exaltação ao cabelo pixaim – no melhor estilo de ‘Nega do cabelo duro – mas que desta vez retrata as famosas chapinhas tão comuns nos dias de hoje. E como se nada mais pudesse surpreender no disco do João do Morro, ele vem com um samba-rock que não faria feio na voz de qualquer grande cantor desse estilo.

Quando João faz crítica, ele é bem humorado e sempre vê o lado curioso e engraçado da situação. Tirando onda ou não, ele ainda encontra espaço para discutir a pirataria musical. João do Morro também tem uma canção incluída na coletânia da festa Criolina, ‘Globralization Grooves’, para a revista francesa ‘Brazuca’, que é editada pelo Daniel Cariello, o responsável pelo fanzine brasiliense do final dos anos 80, ‘A Verdade’.

Então vamos logo curtir uma entrevista com o João do Morro e saber o som que ele faz.



Como você define o seu som?
Meu som é sem preconceito. Bebo na fonte do samba de raiz e meu ritmo preferido é reggae. Prefiro não rotular. Uns me chamam de cronista da periferia, outros dizem que o estilo é suingueira e outros definem como ‘Fuleiragem Music’, mas ‘Do Morro ao Asfalto’ tem de tudo um pouco: rock, reggae, Rap, afoxé, samba...

Antes de ser cantor e compositor. Você fazia o quê?
Trabalhava como açougueiro em uma grande rede de supermercado e, nas horas vagas e finais de semana, eu cantava em rodas de samba. Quando meu trabalho cresceu eu pude me dedicar apenas à música.

Você que já vendeu seu CD como camelô... O que acha de downloads pela internet? Pirataria ou ascessibilidade?
Meu trabalho é independente então não é pirataria, pelo contrário. Eu mesmo disponibilizo meu CD pra download no www.myspace.com/joaodomorro e distribuo cópias para os vendedores ambulantes. O que importa é que o público conheça o trabalho do artista. A distribuição da música mudou e a carrocinha hoje funciona como uma estação de rádio ambulante, chega aos ouvidos do público. Sou grato e homenageio eles nesse disco na faixa ‘A voz das carrocinhas’.

Seus personagens existem de verdade? Ou simplesmente foram criados para caberem nos temas retratados nas suas canções...
Existe, sim. Às vezes eu mesmo testemunho as histórias, ou ouço histórias no meio da rua ou de amigos que me contam situações que acho interessantes. Com certeza você conhece alguém que já passou por alguma situação destas que eu conto e canto.

Quais os seus planos? Agora que o CD está pronto...
Depois do carnaval eu quero trabalhar o CD no Sudeste do país e pretendo gravar um DVD ao vivo ainda no primeiro semestre. Se tiver um convite pra Brasília eu vou, viu? E em relação à Criolina, a música que está na coletânia do ano passado, é a ‘3 Segundos’, remixada pelo DJ Bruno Pedrosa, daqui de Recife também. Dá uma sacada lá que você encontra a música.



2010 Do Morro ao Asfalto

1. Ninguém segura (com Zé Brown)
2. Sarará
3. Eu não presto (com Conde do Brega)
4. Frentinha
5. O avião (com Nando Mangabeira, Dó Mãozinha & Cosmo)
6. Cueca de copinho
7. Balaiagem
8. Eu-dô-lê
9. Lado B do jornalista
10. Dorô
11. Na mamata
12. A voz das carrocinhas (com Cardinot)

Baixe o álbum AQUI

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

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