#CADÊ MEU CHINELO?

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sexta-feira, 5 de março de 2010

LADO B DO JORNALISTA

#agência pirata
jornal ou revista, o destino é limpar bunda ou enrolar peixe

ltr e msc: João do Morro

A turma passa anos e anos estudando numa faculdade
pra ser um jornalista daquele que dá notícia, fala mal ou bem
eu sou um cara punk, sou escroto e, por isso, tomei liberdade
de fazer uma música que eu pudesse falar de vocês também

o jornalista tem uma vida babada, é muita fechação
nos bastidores da mídia, é vida louca, rola groove e rola pegação
e a putaria começa quando a turma se reune e sai pra beber
a turma fuma um charubeck pra tirar o stress e espairecer

eu tô tirando essa onda porque eu gosto dessa raça
de homens e mulheres e gays e muitos que adoram a massa
eu tô tirando essa onda, só espero que ninguém se queixe
jornal ou revista, o destino é limpar bunda ou enrolar peixe

ouça aqui

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

JOÃO DO MORRO E A VOZ DA FULEIRAGEM



# agência pirata #
"Uns me chamam de cronista da periferia, outros dizem que o estilo é suingueira e outros definem como ‘Fuleiragem Music’"
txt e ntrvst: Bruno Costa

A primeira faixa do disco do João do Morro, ‘Do Morro ao Asfalto’, você percebe a mistura inusitada de rock com axé, o axé-noize de ‘Ninguém segura’. Por causa dessa canção, com o cantor descrevendo a sim mesmo e dizendo que vai tirar onda e ninguém vai lhe segurar, é fácil imaginar que a próxima faixa vai seguir o estilo do axé music...

Pois não é que é verdade... Mais axé-noize. Então você começa a prestar atenção na letra da música e percebe que o cantor é um verdadeiro cronista do cotidiano das favelas. Se a próxima canção fosse um axé, o ouvinte provavelmente deixaria o disco de lado e partiria para outras aventuras musicais. Entretanto, a faixa é quase uma cumbia no melhor estilo da fuleiragem, na faixa ‘Eu não presto’. Pois é na próxima música, ‘Frentinha’, que ele mistura axé-noize com fuleiragem music.

A partir daí, João do Morro surpreende com o reggae, ‘O avião’, e ‘Cueca de copinho’ na sequência, em que ele faz uma crônica hilária sobre a indumentária masculina. Em ‘Balaiagem’, João do Morro faz uma nova exaltação ao cabelo pixaim – no melhor estilo de ‘Nega do cabelo duro – mas que desta vez retrata as famosas chapinhas tão comuns nos dias de hoje. E como se nada mais pudesse surpreender no disco do João do Morro, ele vem com um samba-rock que não faria feio na voz de qualquer grande cantor desse estilo.

Quando João faz crítica, ele é bem humorado e sempre vê o lado curioso e engraçado da situação. Tirando onda ou não, ele ainda encontra espaço para discutir a pirataria musical. João do Morro também tem uma canção incluída na coletânia da festa Criolina, ‘Globralization Grooves’, para a revista francesa ‘Brazuca’, que é editada pelo Daniel Cariello, o responsável pelo fanzine brasiliense do final dos anos 80, ‘A Verdade’.

Então vamos logo curtir uma entrevista com o João do Morro e saber o som que ele faz.



Como você define o seu som?
Meu som é sem preconceito. Bebo na fonte do samba de raiz e meu ritmo preferido é reggae. Prefiro não rotular. Uns me chamam de cronista da periferia, outros dizem que o estilo é suingueira e outros definem como ‘Fuleiragem Music’, mas ‘Do Morro ao Asfalto’ tem de tudo um pouco: rock, reggae, Rap, afoxé, samba...

Antes de ser cantor e compositor. Você fazia o quê?
Trabalhava como açougueiro em uma grande rede de supermercado e, nas horas vagas e finais de semana, eu cantava em rodas de samba. Quando meu trabalho cresceu eu pude me dedicar apenas à música.

Você que já vendeu seu CD como camelô... O que acha de downloads pela internet? Pirataria ou ascessibilidade?
Meu trabalho é independente então não é pirataria, pelo contrário. Eu mesmo disponibilizo meu CD pra download no www.myspace.com/joaodomorro e distribuo cópias para os vendedores ambulantes. O que importa é que o público conheça o trabalho do artista. A distribuição da música mudou e a carrocinha hoje funciona como uma estação de rádio ambulante, chega aos ouvidos do público. Sou grato e homenageio eles nesse disco na faixa ‘A voz das carrocinhas’.

Seus personagens existem de verdade? Ou simplesmente foram criados para caberem nos temas retratados nas suas canções...
Existe, sim. Às vezes eu mesmo testemunho as histórias, ou ouço histórias no meio da rua ou de amigos que me contam situações que acho interessantes. Com certeza você conhece alguém que já passou por alguma situação destas que eu conto e canto.

Quais os seus planos? Agora que o CD está pronto...
Depois do carnaval eu quero trabalhar o CD no Sudeste do país e pretendo gravar um DVD ao vivo ainda no primeiro semestre. Se tiver um convite pra Brasília eu vou, viu? E em relação à Criolina, a música que está na coletânia do ano passado, é a ‘3 Segundos’, remixada pelo DJ Bruno Pedrosa, daqui de Recife também. Dá uma sacada lá que você encontra a música.



2010 Do Morro ao Asfalto

1. Ninguém segura (com Zé Brown)
2. Sarará
3. Eu não presto (com Conde do Brega)
4. Frentinha
5. O avião (com Nando Mangabeira, Dó Mãozinha & Cosmo)
6. Cueca de copinho
7. Balaiagem
8. Eu-dô-lê
9. Lado B do jornalista
10. Dorô
11. Na mamata
12. A voz das carrocinhas (com Cardinot)

Baixe o álbum AQUI

quinta-feira, 21 de maio de 2009

JOÃO DO MORRO

# agência pirata #



Nem luxo nem lixo
txt: China


Fiquei amigo de João do morro. Pra quem não conhece, ele é um sambista daqui de Recife, que vem causando muita polemica por onde passa.

A primeira vez que ouvi o som dessa jóia, estava em São Paulo. Era um dia frio, sem muitas novidades, e já tava quase indo dormir quando percebi que tinha um novo e-mail para ver. Era meu amigo, Felipe Machado, dizendo que eu tinha que ouvir o anexo que tinha no e-mail. baixei a música e botei para tocar a todo volume. O som invadiu a sala, onde os meninos do Mombojó jogavam sinuca. E no momento que a música entrou nos seus ouvidos, todos viraram para a minha direção com aquela cara de pergunta: O que é isso?

Demos muitas gargalhadas ao som de "As nega indoidá", e ficamos repetindo aquela música até aprender a cantá-la. Inclusive, alguns notaram que tinha uma segunda voz no refrão bem parecida com a voz de Cannibal. É tu, cannibal? Mais Gargalhadas.
Até então, nem sabíamos que aquele som era de João do Morro, apenas nos divertimos com o teor da letra que dizia: Inventaram um novo nome para o loló / tão falando que é sucesso / e eu achei melhor...bota na camisa ou no algodão...e quando as nega dá um porre as nega indóida!

Ninguém naquela sala ficou querendo teorizar sobre a letra, nem entender a melodia. Só queríamos algo que nos fizesse dar algumas risadas antes de dormir, e João do Morro foi certeiro naquela noite.

Quando voltei pra Recife, percebi que o cara tinha se tornado uma celebridade. Críticos de música o descreveram como "cronista da periferia", outros diziam que as letras eram de mal gosto. Os alternativos da cidade logo o elegeram a coisa mais cool que havia, e os homosexuais meteram - lhe um processo por causa da música, Papa frango.

Enquanto todo mundo discutia a importância de João do Morro, o danado ia multiplicando sua conta bancária, fazendo shows em tudo quanto é lugar (inclusive em boates GLS).

Agora que conheci o cara e participei de um show dele, posso dar minha opinião.
Acho que João do Morro não se acha um cronista, não se acha cool, e não é papa frango, nem nada. É só um cara engraçadíssimo, que descarrega sua ironia nas letras e que tem vontade de fazer as pessoas se divertirem ao som da sua música.
E daí que seu som é meio suingueira? Uma vez na vida você não dançou e se divertiu com esse tipo ou outro de música? Não diga que nunca...e aquela vez que você tava bebum e botaram um disco do Gera samba? Você dançou e se divertiu sim, rapaz! E qual é o problema?

Não precisamos ficar negando essas coisas e também não precisamos ficar teorizando sobre João. Mas se você der risadas quando ouvir, não hesite em ver o show, pois o cabra improvisa toda hora, e sempre tem uma tirada melhor que a outra. E depois de algumas cervejas, seu corpo vai dançar mesmo sem você querer.

Vamos nos divertir e pronto, criançada. Deixa o homem trabalhar!

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

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