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terça-feira, 11 de outubro de 2011

[cc] STEVE JOBS, O INIMIGO NÚMERO UM DA COLABORAÇÃO



::txt::Rodrigo Savazoni::

Steve Jobs morreu, após anos lutando contra um câncer que nem mesmo todos os bilhões que ele acumulou foram capazes de conter. Desde quarta-feira (5/10), após o anúncio de seu falecimento, não se fala em outra coisa. Panegíricos de toda sorte circulam pelos meios massivos e pós-massivos. Adulado em vida por sua genialidade, é alçado ao status de ídolo maior da era digital. É inegável que Jobs foi um grande designer, cujas sacadas levaram sua empresa ao topo do mundo. Mas há outros aspectos a explorar e sobre os quais pensar neste momento de sua morte.

Jobs era o inimigo número um da colaboração, o aspecto político e econômico mais importante da revolução digital. Nesse sentido, não era um revolucionário, mas um contrarrevolucionário. O melhor deles.

Com suas traquitanas maravilhosas, trabalhou pelo cerceamento do conhecimento livre. Jamais acreditou na partilha. O que ficou particularmente evidente após seu retorno à Apple, em 1997. Acreditava que para fazer grandes inventos era necessário reunir os melhores, em uma sala, e dela sair com o produto perfeito, aquele que mobilizaria o desejo de adultos e crianças em todo o planeta, os quais formam filas para ter um novo Apple a cada lançamento anual.

A questão central, no entanto, é que o design delicioso de seus produtos é apenas a isca para a construção de um mundo controlado de aplicativos e micropagamentos que reduz a imensa conversação global de todos para todos em uma sala fechada de vendas orientadas.

Criar confiança

O que é a Apple Store senão um grande shopping center virtual, em que podemos adquirir a um clique de tela tudo o que precisamos para nos entreter? A distopia Jobsiana é a do homem egoísta, circundado de aparelhos perfeitos, em uma troca limpa e “aparentemente residual”, mediada por apenas uma única empresa: a sua. Por isso, devemos nos perguntar: era isso que queríamos? É isso que queremos para o nosso mundo?

Essa pergunta torna-se ainda mais necessária quando sabemos que existem alternativas. Como escreve o economista da USP Ricardo Abramovay, em resenha sobre o novo livro do professor de Harvard Yochai Benkler, The Penguin and the Leviathan, a cooperação é a grande possibilidade deste nosso tempo.

“Longe de um paroquialismo tradicionalista ou de um movimento alternativo confinado a seitas e grupos eternamente minoritários, a cooperação está na origem das formas mais interessantes e promissoras de criação de prosperidade no mundo contemporâneo. E na raiz dessa cooperação (presente com força crescente no mundo privado, nos negócios públicos e na própria relação entre Estado e cidadãos) estão vínculos humanos reais, abrangentes, significativos, dotados do poder de comunicar e criar confiança entre as pessoas.”

Colaboração: essa, e não outra, é a palavra revolucionária.

E Jobs não gostava dela.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

[cc] REMIXTURES

Estudo confirma: partilhadores também pagam pela música

::txt::Miguel Caetano::

No que toca ao efeito da partilha de ficheiros nas vendas de música, existem estudos para todos os gostos. Contudo, o grande inconveniente da grande maioria é que se baseiam em amostras de mil a dois mil – vá lá, por vezes dez mil… – indivíduos. Mas o que diriam se soubessem de uma empresa que se deu ao trabalho de realizar um inquérito online a 64 milhões de internautas?

Tanta gente é de facto de desconfiar mas isso é o que a Interpret, uma empresa de estudos de mercado nas áreas de entretenimento, media e tecnologia alega ter alcançado. E o que é que esta pesquisa nos diz em concreto sobre os hábitos de consumo musicais dos inquiridos?

Algo que será sem dúvida do desagrado das grandes editoras: 24 milhões dos inquiridos, isto é, 36 por cento (de acordo com o TorrentFreak, embora o Hypebot refira 38 por cento), admitiram ter realizado downloads não autorizados de música ao longo dos últimos três meses.

Numa altura em que a imprensa mainstream anglo-saxónica parece ter-se convencido de que ser pirata já não está a dar, estes números representam um sinal evidente de que existem muitos fãs de música que continuam a não se contentar com serviços de streaming como o Spotify ou a Last.fm.

No entanto, a persistência dos downloads ilegais não parece ser incompatível com o pagamento pela música: nove por cento dos partilhadores disseram ter adquirido um álbum completo durante os últimos três meses, ao passo que 16 por cento afirmaram ter comprado um download de um tema individual.

O normal seria que os ‘piratas’ preferissem pagar por música em suporte físico como CDs e discos em vinil – o estudo não parece adiantar grandes pormenores a este respeito – mas esta adesão aos downloads legais e pagos a partir de lojas online como o iTunes é algo de surpreendente. Na volta, talvez isto seja o resultado da decisão das grandes editoras de permitirem a venda de ficheiros sem DRM na Internet.

Aliás, mais estranho ainda é que quase metade (49%) dos partilhadores foram da opinião de que o preço de um álbum individual comprado a partir de um retalhista online deveria ser inferior ao de um CD. É claro que, ao contrário de outros, este estudo peca por não comparar os dados adiantados pelos “piratas” com uma amostra de indivíduos comuns que não costumam aceder regularmente à Internet. Se assim fosse, quanto queriam apostar que os dados acabariam por revelar – mais uma vez.. – que os partilhadores gastam em média mais dinheiro com música do que os restantes?

Miguel Caetano tem 33 anos e possui uma licenciatura em Comunicação Social pela Universidade Católica Portuguesa de Lisboa, para além de um mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação pelo ISCTE. Ele é autor do blog Remixtures, que tem conteúdo licenciado em Creative Commons. Com a pré-autorização, não foi preciso pedir permissão a ele pra publicar o texto aqui.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PEN BEATLES



# remixtures #
Beatles em formato digital para todas as carteiras

txt: Miguel Caetano
phts: gui.tavares


Não há fome que não dê em fartura! Depois de anos à espera que a discografia completa dos quatro magníficos de Liverpool fosse colocada à venda na Internet em formato digital, os fãs dos Beatles que ainda não compraram os CDs ou que não copiaram de borla os ficheiros de algum canto obscuro da Web têm agora à disposição não uma mas duas alternativas, uma para os mais “pobretanas” e outra para os endinheirados.

A primeira consiste no Bluebeat, aquele site de que vos falei aqui na semana passada e que, para além do streaming gratuito a quem se regista. vende o catálogo completo dos Beatles ao preço de 25 cêntimos por faixa ou 2,75 dólares por álbum.

Tendo em conta que até hoje a EMI – a antiga editora discográfica da banda – e os outros detentores de direitos nunca autorizaram a venda de downloads digitais das músicas de Lennon e McCartney e que o iTunes vende cada música ao preço médio de 99 cêntimos, é caso para perguntar como é que um site detido por uma obscura empresa sediada em Santa Cruz é capaz de praticar preços tão baixos. A resposta é fácil: porque não está a pagar direitos de autor a ninguém.

Foi por isso sem surpresa que hoje fiquei a saber que a EMI instaurou uma acção legal no tribunal distrital de Los Angeles contra o Bluebeat, a Media Rights Technologies – a empresa-mãe do site – e o seu director executivo e proprietário Hank Risan. Como já podem adivinhar, a EMI acusa os réus da infracção dos seus direitos de autor. Seja como for, por enquanto os álbuns continuam à venda no site.

Em alternativa, quem tiver uma carteira bem recheada e for rápido ainda poderá adquirir uma destas 30 mil pens USB em forma de maçã com capacidade para 16 Gbytes que trazem lá dentro os 14 álbuns em formato estéreo dos Beatles, bem como 13 mini-documentários sobre os discos, imagens das capas, fotos “raras” e notas adicionais disponíveis num interface em Flash. Tudo com uma qualidade áudio topo de gama: FLAC 44,1 Khz de 24 bits e MP3 de 320 Kbps. Trata-se de uma edição limitada a ser lançada a 7 de Dezembro. O preço é mesmo só para alguns: 200 libras na loja do Reino Unido ou 279,99 dólares na loja dos Estados Unidos. Por esse montante mais vale é comprar a box-set com os CDs remasterizados da banda que sempre sai 60 dólares mais barato.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • Atribuição — Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).

  • Compartilhamento pela mesma licença — Se você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob licença similar ou compatível.

Ficando claro que:

  • Renúncia — Qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais.
  • Domínio Público — Onde a obra ou qualquer de seus elementos estiver em domínio público sob o direito aplicável, esta condição não é, de maneira alguma, afetada pela licença.
  • Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença:
    • Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis;
    • Os direitos morais do autor;
    • Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais como direitos de imagem ou privacidade.
  • Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.

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