#CADÊ MEU CHINELO?
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quarta-feira, 29 de junho de 2011
segunda-feira, 17 de maio de 2010
DO CAIS AO PORÃO
#mandachuva
Último dia de Feira arrebenta a pau
txt: Tiago Jucá Oliveira
Depois de duas ótimas noites de shows, e uma que foi uma porcaria, a Feira encerrou com chave de ouro: (pela ordem) Maracatu Estrela de Ouro, Funkalister, Frank Jorge, Fruet e Os Cozinheiros, Monobloco, Frank Jorge, Fruet e Os Cozinheiros novamente e, por último, uma banda imporvisada comandada por Otto e Fruet. Difícil falar detalhadamente de todos os shows, mas tentarei dar uma breve noção.
Maracatu Estrela de Ouro
Banda que é o próprio folclore nacional. Vivo e ao vivo. No meio da multidão, que acompanhou o grupo após um arrastão pela beira do Guaíba. O cantor improvisou rimas de todo tipo, inclusive uma sobre o jogo Grêmio e Corinthians, na qual tirou uma onda do timão paulista.
Funkalister
Cansei de ouvir a respeito, mas não conhecia o som dos cara. Uma big banda fantástica, com diversos nomes conhecidos da música gaúcha, como Mateus Mapa e Leonardo Boff. O nome já diz tudo: é funk, mermão, daquele jeito setentista. Próximo show eu to lá.
Fruet e Os Cozinheiros
Uma das melhores bandas da nova safra da música nacional, formada por talentoso instrumentistas. Fruet vai se firmando como compositor. Um show sereno, temperado na cozinha quente de André e Brawl. Tem disco novo no final do ano, me disse Fruet.
Monobloco
Alegria. O melhor show da Feira. É baile, todo mundo dança, todo mundo canta, exceto eu, sem voz e sem pernas pra última noite de festa. Quem já foi num show da Orquestra Imperial pode imaginar o que é o Monobloco. É diversão garantida, com versões super dançantes pra Tim Maia, Jorge Ben, Salgueiro, Cazuza, Zeca Pagodinho, MC Marcinho. "Era só mais um silva que a estrela não brilha/ Ele era funkeiro mais era pai de família". O show do ano.
Frank Jorge, Fruet e Os Cozinheiros, Otto e Bactéria.
As surpresas da noite foram noticiadas em off, por debaixo dos panos. Havia uma festa preparada somente a convidados, no Porão do Beco. O convite, disputado pelos que iam descobrindo a notícia da festa, trazia somente o nome "DJ Lucho e convidados". Diziam que era Otto e Frank, depois já era Monobloco e Julio Reny. Aos poucos tudo vinha a tona.
Frank Jorge abriu a noite sozinho, ele e sua guitarra. Cantou meia dúzia de clássicos de sua importante obra, relembrou um Roberto Carlos, brincou com a platéia e vazou.
Tudo o que disse antes sobre o show do Fruet e Os Cozinheiros poderia repetir aqui. Mas acrescento: o show do Porão tava mais tri. Talvez o clima menor e chapado do lugar colabore pra bandas ainda sem muito apelo popular.
Por fim, uma banda sem nome e sem ensaio sobe ao palco. Um pouco antes, bati um papo com o Bactéria e perguntei se haveria show dele e do Otto. Ele disse que estavam cansados, o Otto sem voz. "Poi zé, Simpson, tem um monte de gente aqui que veio assistir vocês". "Sério?!", pergunta ele espantado. Pouco depois a banda se forma no palco: Otto e Fruet nos vocais, mais o baterista André Lucciano e o guitarrista Nicola Spolidoro, ambos dos Cozinheiros, Bactéria nos teclados, o filho do Giba Giba no chocalho e mais uns quatro caras que infelizmente não conheço, mas que tocam bem. Improviso total, música emendada atrás de música, um passeio em covers de Jorge Ben, Nação Zumbi, Tim Maia, Funk Como Le Gusta, Wilson Simonal e até do próprio Otto. Um final perfeito!
Último dia de Feira arrebenta a pau
txt: Tiago Jucá Oliveira
Depois de duas ótimas noites de shows, e uma que foi uma porcaria, a Feira encerrou com chave de ouro: (pela ordem) Maracatu Estrela de Ouro, Funkalister, Frank Jorge, Fruet e Os Cozinheiros, Monobloco, Frank Jorge, Fruet e Os Cozinheiros novamente e, por último, uma banda imporvisada comandada por Otto e Fruet. Difícil falar detalhadamente de todos os shows, mas tentarei dar uma breve noção.
Maracatu Estrela de Ouro
Banda que é o próprio folclore nacional. Vivo e ao vivo. No meio da multidão, que acompanhou o grupo após um arrastão pela beira do Guaíba. O cantor improvisou rimas de todo tipo, inclusive uma sobre o jogo Grêmio e Corinthians, na qual tirou uma onda do timão paulista.
Funkalister
Cansei de ouvir a respeito, mas não conhecia o som dos cara. Uma big banda fantástica, com diversos nomes conhecidos da música gaúcha, como Mateus Mapa e Leonardo Boff. O nome já diz tudo: é funk, mermão, daquele jeito setentista. Próximo show eu to lá.
Fruet e Os Cozinheiros
Uma das melhores bandas da nova safra da música nacional, formada por talentoso instrumentistas. Fruet vai se firmando como compositor. Um show sereno, temperado na cozinha quente de André e Brawl. Tem disco novo no final do ano, me disse Fruet.
Monobloco
Alegria. O melhor show da Feira. É baile, todo mundo dança, todo mundo canta, exceto eu, sem voz e sem pernas pra última noite de festa. Quem já foi num show da Orquestra Imperial pode imaginar o que é o Monobloco. É diversão garantida, com versões super dançantes pra Tim Maia, Jorge Ben, Salgueiro, Cazuza, Zeca Pagodinho, MC Marcinho. "Era só mais um silva que a estrela não brilha/ Ele era funkeiro mais era pai de família". O show do ano.
Frank Jorge, Fruet e Os Cozinheiros, Otto e Bactéria.
As surpresas da noite foram noticiadas em off, por debaixo dos panos. Havia uma festa preparada somente a convidados, no Porão do Beco. O convite, disputado pelos que iam descobrindo a notícia da festa, trazia somente o nome "DJ Lucho e convidados". Diziam que era Otto e Frank, depois já era Monobloco e Julio Reny. Aos poucos tudo vinha a tona.
Frank Jorge abriu a noite sozinho, ele e sua guitarra. Cantou meia dúzia de clássicos de sua importante obra, relembrou um Roberto Carlos, brincou com a platéia e vazou.
Tudo o que disse antes sobre o show do Fruet e Os Cozinheiros poderia repetir aqui. Mas acrescento: o show do Porão tava mais tri. Talvez o clima menor e chapado do lugar colabore pra bandas ainda sem muito apelo popular.
Por fim, uma banda sem nome e sem ensaio sobe ao palco. Um pouco antes, bati um papo com o Bactéria e perguntei se haveria show dele e do Otto. Ele disse que estavam cansados, o Otto sem voz. "Poi zé, Simpson, tem um monte de gente aqui que veio assistir vocês". "Sério?!", pergunta ele espantado. Pouco depois a banda se forma no palco: Otto e Fruet nos vocais, mais o baterista André Lucciano e o guitarrista Nicola Spolidoro, ambos dos Cozinheiros, Bactéria nos teclados, o filho do Giba Giba no chocalho e mais uns quatro caras que infelizmente não conheço, mas que tocam bem. Improviso total, música emendada atrás de música, um passeio em covers de Jorge Ben, Nação Zumbi, Tim Maia, Funk Como Le Gusta, Wilson Simonal e até do próprio Otto. Um final perfeito!
domingo, 16 de maio de 2010
O TERNO SAIU DO ARMÁRIO
#over12
Nada como um dia após o outro dia
txt: Arlei Arnt
Preciso concordar com o Monsenhor. Nei Lisboa e O Teatro Mágico como atração de alguma coisa só tem uma explicação: é artista bancado pelo Partido. "Tremula minha bandeira aqui, que eu te ponho no palco acolá".
Mas ontem a cousa merolhou (sim, eu escrevo assinzis mesmo). A noite começou com Coco Raízes de Arco Verde. Ouvi de longe, no desgustar das cachaças. O grupo é ótimo! Depois tivemos um dos melhores shows da Feira, talvez o melhor. Num mesmo palco: Frank Jorge, Jimi Joe, Wander Wildner, Júlio Reni, Alemão Birck e mais um que a cachaça tapou a visão. Os clássicos da música gaúcha desfilado pelos nomes que infelizmente não tem a atenção devida dos cadernos culturais do centro do país. Tanto aqui como lá se olha demais pro próprio umbigo. Perdemos nós ouvintes viciados em cultura. A gente não conhece o fulano dali, eles não sabem quem é o beltrano daqui. Wander foi fantástico: "precisa vir alguém de fora pra fazer algo aqui no Cais do Porto". Uma prefeitura há 24 anos dominada pelo mesmo partido dá nisso.
A night encerrou com outro show legal. Otto, com participação de Lirinha e seu pacote de farinha. O galego teve que puxar o ex-Cordel pelos cabelos: "microfone tá aqui, fera". Nos teclados, outro maluco: Bac Simpson (não tenho certeza, mas acho que saiu do mundo livre s/a). Enfim, um campeonato pernambucano de doideira. E Lirinha ganhou a louca taça com rodadas de antecedência. Ah, o show. Tava cacildiz. Mas no fim senti que "naquela mesa tá faltando ele", o galego volta pro bis junto com o Nelson Gonçalves. Se estivesse vivo, não ia sobrar nada pro Lirinha. E hoje ainda tem Monobloco. Fui!
Nada como um dia após o outro dia
txt: Arlei Arnt
Preciso concordar com o Monsenhor. Nei Lisboa e O Teatro Mágico como atração de alguma coisa só tem uma explicação: é artista bancado pelo Partido. "Tremula minha bandeira aqui, que eu te ponho no palco acolá".
Mas ontem a cousa merolhou (sim, eu escrevo assinzis mesmo). A noite começou com Coco Raízes de Arco Verde. Ouvi de longe, no desgustar das cachaças. O grupo é ótimo! Depois tivemos um dos melhores shows da Feira, talvez o melhor. Num mesmo palco: Frank Jorge, Jimi Joe, Wander Wildner, Júlio Reni, Alemão Birck e mais um que a cachaça tapou a visão. Os clássicos da música gaúcha desfilado pelos nomes que infelizmente não tem a atenção devida dos cadernos culturais do centro do país. Tanto aqui como lá se olha demais pro próprio umbigo. Perdemos nós ouvintes viciados em cultura. A gente não conhece o fulano dali, eles não sabem quem é o beltrano daqui. Wander foi fantástico: "precisa vir alguém de fora pra fazer algo aqui no Cais do Porto". Uma prefeitura há 24 anos dominada pelo mesmo partido dá nisso.
A night encerrou com outro show legal. Otto, com participação de Lirinha e seu pacote de farinha. O galego teve que puxar o ex-Cordel pelos cabelos: "microfone tá aqui, fera". Nos teclados, outro maluco: Bac Simpson (não tenho certeza, mas acho que saiu do mundo livre s/a). Enfim, um campeonato pernambucano de doideira. E Lirinha ganhou a louca taça com rodadas de antecedência. Ah, o show. Tava cacildiz. Mas no fim senti que "naquela mesa tá faltando ele", o galego volta pro bis junto com o Nelson Gonçalves. Se estivesse vivo, não ia sobrar nada pro Lirinha. E hoje ainda tem Monobloco. Fui!
quarta-feira, 10 de março de 2010
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
HUMAITÁ PRA PEIXE: FRANK JORGE e MANACÁ
# O DILÚVIO e Tuba do Pindzim - cobertura conjunta do festival carioca #
Noite de regionalismos universais
txt e video: Pindzim
No sábado, dia 12, apresentaram-se no Humaitá pra Peixe dois artistas de origens e influências tão diversas quanto possíveis. Como traço comum, apenas a clássica formação roqueira, assentada em guitarra, baixo e bateria e a exploração de tradições regionais tão diversas quanto os pampas gaúchos e o sertão nordestino.
Da flor desse Manacá
O prelúdio instrumental conduzido por viola, pandeiro e rabeca foi uma perfeita introdução ao universo poético e musical do Manacá. Em seguida, a viola é trocada pela guitarra e o som, antes singelo, de uma hora para outra se transforma, como nuvens pesadas que cobrem o céu claro anunciando a tempestade que está por vir. No centro do palco, as luzes recaem sobre a vocalista Leticia Persiles. Naturalmente, com um perfeito domínio cênico e vocal, sem maneirismos, ela assume a condição de líder messiânica da trupe. O show se transforma em um espetáculo de mão única. Toda força emana do palco. Impedido de se entregar aos convites do ritmo, devido às cadeiras da Sala Baden Powell, o público se deixa hipnotizar pelo magnetismoa da vocalista.
Enquanto muitas das letras de Leticia versam sobre temas como o misticismo, a religiosidade e os costumes nordestinos retratados no contexto de suas áridas paisagens, as melodias carregam a tortuosidade de secas raízes retorcidas, evocando lamentos sertanejos que, ao mesmo tempo que são desviados da obviedade do rock puro e simples, são potencializados pelo peso dos arranjos.
A síntese da musicalidade do Manacá é "Diabo". Aquele que, antes mesmo do lançamento do primeiro disco oficial da banda, programado para o mês de março, configura-se como o hit inaugural da banda É uma música que se pode muito bem imaginar tanto na voz de Pitty, como entoada por um dos muitos sanfoneiros anônimos do sertão em forrós de pé de serra. Enfim, uma canção universal unindo as pontas de pólos musicais opostos. Muito mais do que um bom começo para uma banda que tem menos de dois anos de estrada. O caminho para o sucesso está pavimentado e pelo que se viu no Humaitá pra Peixe, não será necessário passar pelas agruras às quais são submetidos os retirantes de vida severina.
Obsessão anos 60
O grande números de gaúchos que marcaram presença na platéia contribuíram para que o show de Frank Jorge tenha sido um dos mais animados do festival até então. Celebrando 10 anos de carreira solo em 2008, Frank entrou no palco vestindo terno e gravata pretos, apesar do calor, e ostentava um óculos retrô de proporções exageradas. Parecia um personagem de HQ. E foi muito bem recebido. Logo na primeira música, "Serei mais feliz (Vou largar a Jovem Guarda)", os mais animados se posicionaram no corredor central, bem em frente ao palco, fugindo das cadeiras, para dançar e puxar o coro com sotaque carregado. À medida que as canções se sucediam, mais gente se concentrava ali. Uma camiseta vermelha do mais Internacional dos times brasileiros se destacava no gargarejo e a marcante rivalidade futebolística não demorou a aflorar. Do fundo da platéia alguém gritou: Grêmio. Frank, de cima do palco, rebateu: "não fala essa palavra no meu show". Foi a senha para a torcida colorada entoar cânticos das arquibancadas. Até um torcedor do Juventude se manifestou. "Esse veio de Caxias do Sul", comentou Frank. Outro colorado lembrou: "e nós viemos de Dubai". Frank riu, sentindo-se praticamente em casa.
Mas ao primeiro acorde da guitarra introduzindo a música seguinte, a bailanta roqueira com influências sessentistas nacionais e estrangeiras apaziguou a rixa entre as torcidas unindo-as em uma só vibração: Frank Jorge Musical Clube. O repertório alternava canções de seus dois discos solos já lançados - Carteira Nacional do Apaixonado e Vida de Verdade - e algumas inéditas. As únicas concessões foram feitas a dois clássicos da Graforréia Xilarmônica - "Amigo Punk" e "Eu" -, e "Se Você Pensa", de Roberto e Erasmo Carlos, que encerrou a apresentação.
Pedro Veríssimo, da Tom Bloch, foi o convidado especial da noite. Ele subiu ao palco para cantar "Vida de Verdade". Na seqüência, juntos, eles emendaram "Pilhas de Livros", música que estará no terceiro disco e, nas palavras do próprio Frank, "tem um clima meio Mama's and the Papa's".
Do trabalho inédito, cujo nome ainda não está definido, foram apresentadas também: "A historiadora", cuja inspiração Frank garante não ter sido auto-biográfica, é "uma música que brinca um pouco com o universo de uma professora pós-graduada misteriosa que não dá bola pra um cara da vizinhança que é apaixonado por ela"; "Não espero mais nada" é "uma daquelas que mais remete à minha influência de Jovem Guarda". A promessa de abandonar a Jovem Guarda, motivada por um comentário de Julio Reny, companheiro de Caubóis Espirituais, ao que parece, serviu apenas de mote para uma canção e jamais será cumprida. Por fim, "Obsessão anos 60", que se caracteriza pelo tom irônico e nasceu a partir de uma frase que veio à cabeça do compositor: "não suporto mais sua obsessão pelos anos 60, não consigo explicar, só sei que ninguém mais aguenta". O disco está praticamente pronto e será lançado ainda no primeiro semestre. A gravadora não está definida.
assista ao vídeo com Manacá e uma reportagem com Frank Jorge aqui, (no alto desta página) ou na própria Tuba do Pindzim.
Noite de regionalismos universais
txt e video: Pindzim
No sábado, dia 12, apresentaram-se no Humaitá pra Peixe dois artistas de origens e influências tão diversas quanto possíveis. Como traço comum, apenas a clássica formação roqueira, assentada em guitarra, baixo e bateria e a exploração de tradições regionais tão diversas quanto os pampas gaúchos e o sertão nordestino.
Da flor desse Manacá
O prelúdio instrumental conduzido por viola, pandeiro e rabeca foi uma perfeita introdução ao universo poético e musical do Manacá. Em seguida, a viola é trocada pela guitarra e o som, antes singelo, de uma hora para outra se transforma, como nuvens pesadas que cobrem o céu claro anunciando a tempestade que está por vir. No centro do palco, as luzes recaem sobre a vocalista Leticia Persiles. Naturalmente, com um perfeito domínio cênico e vocal, sem maneirismos, ela assume a condição de líder messiânica da trupe. O show se transforma em um espetáculo de mão única. Toda força emana do palco. Impedido de se entregar aos convites do ritmo, devido às cadeiras da Sala Baden Powell, o público se deixa hipnotizar pelo magnetismoa da vocalista.
Enquanto muitas das letras de Leticia versam sobre temas como o misticismo, a religiosidade e os costumes nordestinos retratados no contexto de suas áridas paisagens, as melodias carregam a tortuosidade de secas raízes retorcidas, evocando lamentos sertanejos que, ao mesmo tempo que são desviados da obviedade do rock puro e simples, são potencializados pelo peso dos arranjos.
A síntese da musicalidade do Manacá é "Diabo". Aquele que, antes mesmo do lançamento do primeiro disco oficial da banda, programado para o mês de março, configura-se como o hit inaugural da banda É uma música que se pode muito bem imaginar tanto na voz de Pitty, como entoada por um dos muitos sanfoneiros anônimos do sertão em forrós de pé de serra. Enfim, uma canção universal unindo as pontas de pólos musicais opostos. Muito mais do que um bom começo para uma banda que tem menos de dois anos de estrada. O caminho para o sucesso está pavimentado e pelo que se viu no Humaitá pra Peixe, não será necessário passar pelas agruras às quais são submetidos os retirantes de vida severina.
Obsessão anos 60
O grande números de gaúchos que marcaram presença na platéia contribuíram para que o show de Frank Jorge tenha sido um dos mais animados do festival até então. Celebrando 10 anos de carreira solo em 2008, Frank entrou no palco vestindo terno e gravata pretos, apesar do calor, e ostentava um óculos retrô de proporções exageradas. Parecia um personagem de HQ. E foi muito bem recebido. Logo na primeira música, "Serei mais feliz (Vou largar a Jovem Guarda)", os mais animados se posicionaram no corredor central, bem em frente ao palco, fugindo das cadeiras, para dançar e puxar o coro com sotaque carregado. À medida que as canções se sucediam, mais gente se concentrava ali. Uma camiseta vermelha do mais Internacional dos times brasileiros se destacava no gargarejo e a marcante rivalidade futebolística não demorou a aflorar. Do fundo da platéia alguém gritou: Grêmio. Frank, de cima do palco, rebateu: "não fala essa palavra no meu show". Foi a senha para a torcida colorada entoar cânticos das arquibancadas. Até um torcedor do Juventude se manifestou. "Esse veio de Caxias do Sul", comentou Frank. Outro colorado lembrou: "e nós viemos de Dubai". Frank riu, sentindo-se praticamente em casa.
Mas ao primeiro acorde da guitarra introduzindo a música seguinte, a bailanta roqueira com influências sessentistas nacionais e estrangeiras apaziguou a rixa entre as torcidas unindo-as em uma só vibração: Frank Jorge Musical Clube. O repertório alternava canções de seus dois discos solos já lançados - Carteira Nacional do Apaixonado e Vida de Verdade - e algumas inéditas. As únicas concessões foram feitas a dois clássicos da Graforréia Xilarmônica - "Amigo Punk" e "Eu" -, e "Se Você Pensa", de Roberto e Erasmo Carlos, que encerrou a apresentação.
Pedro Veríssimo, da Tom Bloch, foi o convidado especial da noite. Ele subiu ao palco para cantar "Vida de Verdade". Na seqüência, juntos, eles emendaram "Pilhas de Livros", música que estará no terceiro disco e, nas palavras do próprio Frank, "tem um clima meio Mama's and the Papa's".
Do trabalho inédito, cujo nome ainda não está definido, foram apresentadas também: "A historiadora", cuja inspiração Frank garante não ter sido auto-biográfica, é "uma música que brinca um pouco com o universo de uma professora pós-graduada misteriosa que não dá bola pra um cara da vizinhança que é apaixonado por ela"; "Não espero mais nada" é "uma daquelas que mais remete à minha influência de Jovem Guarda". A promessa de abandonar a Jovem Guarda, motivada por um comentário de Julio Reny, companheiro de Caubóis Espirituais, ao que parece, serviu apenas de mote para uma canção e jamais será cumprida. Por fim, "Obsessão anos 60", que se caracteriza pelo tom irônico e nasceu a partir de uma frase que veio à cabeça do compositor: "não suporto mais sua obsessão pelos anos 60, não consigo explicar, só sei que ninguém mais aguenta". O disco está praticamente pronto e será lançado ainda no primeiro semestre. A gravadora não está definida.
assista ao vídeo com Manacá e uma reportagem com Frank Jorge aqui, (no alto desta página) ou na própria Tuba do Pindzim.
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