#CADÊ MEU CHINELO?

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quarta-feira, 31 de março de 2021

[mandachuva] O CONSTANTE MEDO QUE NÓS HOMENS CAUSAMOS

 

:: txt :: Tiago Jucá ::
 
Era uma noite de frio. Dez horas. Eu voltava de uma entrega na Cidade Baixa e caminhava pela deserta avenida João Pessoa. Nenhuma alma perdida na rua. Nem a de Neto. Ao atravessar sobre a ponte da Azenha, vem em minha direção uma mulher. Nunca vi ninguém tão apavorado diante de minha presença. Ela ficou pálida. Seu nervosismo era aparente. Seu olhar congelou fitando os meus. Mas firme e forte, manteve a calma e passou por mim.
 
Naquela noite passei a perceber o medo que causo e que todos nós homens causamos. Eu não sabia o que fazer. Me senti constrangido de estar ali, naquela hora. Em poucos segundos, pensei em várias alternativas: atravessar a avenida, falar alguma coisa pra acalmar, sorrir. Pedir desculpa por cruzar por ela. Por existir. Nada disso. Meu silêncio foi o reflexo do medo daqueles olhos que se agigantavam a cada passo que nos aproximava.
 
Vivemos numa sociedade capitalista, na qual, entre várias barbáries resultantes desse modo de vida selvagem, está o machismo, assim como racismo e homofobia. E como não vivemos em bolha, a gente replica tudo isso, em diferentes graus, tendo consciência disso ou não. Há algum tempo procuro me conscientizar, saber mais, não repetir práticas machistas e ouvir as mulheres. Mulheres, e ninguém mais.
 
Não é fácil, pois está encarnado em nossa cultura sermos assim e conviver com outros que assim também são. Quando você acha que já sabe um pouco, escorrega logo ali adiante. Talvez eu escorregue daqui a pouco. Talvez este texto seja machista. O que posso fazer é continuar meu processo de desconstrução, cotidianamente. O último aprendizado foi não discutir se fiz ou falei algo machista. Se ela diz, é porque é. Na hora eu achei que não fui.
 
Eu já era pra ter escrito isto no dia das mulheres. Preferi ouvir os relatos, ler matérias, compartilhar links. E dia após dia, ao longo da semana, choviam notícias de abuso, violência, estupro, morte, agressão, covardia... e por aí vai. E a tarefa de escrever foi sendo adiada. Até me cobraram isso. Acabo fazendo justamente na data de um ano do assassinato da Marielle. Logo ela, uma mulher trabalhadora e oriunda da favela, metralhada pelos piores porcos que a política brasileira já elegeu pra ocupar cargos no executivo e legislativo, que "coincidentemente" eram acusados por ela de práticas machistas, racistas e homofóbicas através de seus agentes militares e milicianos dentro das comunidades da periferia carioca.
 
Não sei se parabenizo, se agradeço, se peço desculpas. Ou se faço tudo isso todos os dias. Ou se sigo em silêncio o caminho pra casa. Eu não queria tá no lugar daquela mulher naquela ponte naquela noite. E olha que ali nem era o lugar mais sinistro da cidade. Imagina quantos locais horríveis não tem por ae pelos quais mulheres passam e esperam o bus pra trabalhar. Todo santo dia. Ou nem precisa ser tão terrível assim, pode ser dentro da própria casa, onde acontecem a maioria dos crimes contra às mulheres.
 
E nós achando que esse papo de feminismo é mimimi...

terça-feira, 13 de março de 2012

[over12] A CHATICE DE PORTO ALEGRE: OCUPEM A PADRE CHAGAS



::txt::Augusto Bisson::

Eu tenho dito que Porto Alegre está ficando cada vez mais chata com suas restrições à vida noturna e boêmia e parece que a reação a este estado de coisas já está começando a se manife...star. Inconformados com o que está acontecendo com os bares da Cidade Baixa – cujas mesas são recolhidas após a meia-noite - cerca de 100 pessoas resolveram “ocupar” a Padre Chagas neste sábado à noite (10/03). Eles carregavam dois cartazes, nos quais se podia ler “Cidade Baixa fechada; Padre Chagas ocupada” e “Se querem elitizar a Cidade Baixa, vamos chinelizar a Padre Chagas”.

A manifestação ocorreu em frente à Padaria Listo, que é muito frequentada como bar pelos noctívagos por ficar aberta 24hs. Boa parte dos manifestantes se trajava de forma, digamos assim, incomum para o modelito usado nesta região da cidade: bonés, bermudas, bolsas a tiracolo,os rapazes sem camisa etc. Um bom número desses jovens trouxe a sua própria bebida. A maior parte dos habituées da região assistiu áquela algazarra – havia um carro com o rádio ligado em alto volume para embalar a festa – entre atônita, divertida e revoltada. Tem gente que dizia que a Brigada Militar tinha de baixar o cacete no pessoal. E, de fato, a nossa polícia militar apareceu na Padre Chagas: seis motoqueiros, uma viatura e um camburão. Entretanto, eles apenas observaram o “evento” – pelo menos até às 01h20, quando deixei o local.

Para vocês que não são de Porto Alegre, informo que a Cidade Baixa é um reduto de boemia alternativa da cidade, famosa por atrair um grande público jovem e, também gay (mas não só estes). Por sua vez, a Rua Padre Chagas é a mais célebre do tradicional bairro Moinhos de Vento pela sua badalação diuturna, sendo chamada por alguns jornalistas paulistas de “a Oscar Freire” de Porto Alegre – o que é um enorme exagero, já que a rua não tem lojas de grife. Eu sou totalmente favorável ao direito ao sono dos moradores da Cidade Baixa, mas, ao mesmo tempo, não podemos acabar com a vida noturna de Porto Alegre. Não podem impor que as pessoas fiquem em casa nos finais de semana assistindo TV ou brincando na internet. A vida é maior do que isso, e é ridículo tentar transformar a cidade numa colônia italiana ou alemã dos anos 40. Não estamos na roça...ainda...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

LEI DA GROOVIDADE



# noé ae?! #
O BAGULHO É ISLÂMICO

phts: Rodrigo Colla
txt: Luis Vieira
ntrvst: Arlei Arnt


A Lei da Groovidade é uma festa que atende a uma demanda de muitos porto-alegrenses: ouvir música boa. Para quem acredita que a única opção que existe na Cidade Baixa é uma salada musical com tudo que se pode imaginar mais um pouco de samba-rock, há uma alternativa considerável.

Os DJ´s residentes do evento, Brawl, Marceleza, Fred e Rubim, fazendo do evento no Sótão, na rua João Alfredo, uma homenagem a música funk - aquela que surgiu nos Estados Unidos no fim da década de 60. Este estilo musical pode ser definido como uma mistura de elementos do soul, jazz e R&B com forte groove no contrabaixo. Isso dá mais ritmo à música e talvez, por consequência, mais vontade nas pessoas de dançar.

Apesar de ser um evento de um estilo, a Lei da Groovidade tende a não ficar totalmente presa ao funk. Se observarmos todos os artistas renomados do estilo, todos passaram por vários estilos musicais. Um exemplo pode ser um dos grandes ícones do funk: James Brown, que começou no gospel, passou pelo R&B, soul e funk. Por caminhos parecido passaram Stevie Wonder, Ray Charles, Tim Maia e Michael Jackson, que se tornou o rei do pop. Portanto, “Lei da Groovidade” não é um tiro para todos os lado, mas pode ter mais um alvo.


O DILÚVIO:
Como nasceu a idéia do projeto? Quais objetivos?

Rafael Rubim:
Eu estava com uma casa muito legal na mão, que é o sótão. Surgiu a idéia de fazer uma festa de black music old school, bem puxado pro funk, pro groove e imediatamente me lembrei do brawl, que é o baixista da Proveitosa Prática, uma banda de funk aqui de Porto Alegre. Na nossa primeira reunião ja chamamos o Marcelo (percussionista da PP) para agregar idéias, arrumar um nome, sons e ser mais um Dj, quer dizer, mais um colocando som na festa.
O objetivo era (e é) fazer uma festa com um som "novo" em porto alegre, que a gente curte, pra gente se divertir e se tivesse mais gente que curtisse a proposta, seria melhor ainda, e tem tido...hehehe. Ja na primeira festa, recebemos o Tonho Crocco, que ajudou a divulgar a festa e depois foi tocar seus vinis por lá tbem
Pra segunda festa convidamos o fred(Dj do Pé Palito) para discotecar na festa. Ele fez questão de levar vinis e a aparelhagem toda, foi foda, muito legal. Depois dessa ele entrou pra produção da bagaça

O DILÚVIO:
Começou em novembro ou dezembro do ano passado, né?

Brawl:
Aham, começou em novembro inicialemnte era pra ser quinzenal... e assim foi no final de 2008..mas a terceira edição...foi um sucesso impressionante pra nós, idealizadores, e tb pros donos da casa, que resolvemos apostar, durante a temporada de verão, em todas as terças de janeiro e quase todas de fevereiro...

O DILÚVIO:
Perché terça? Dia disponível ou estratégia?

Brawl:
Digamos que as duas coisas... a gente tava tri na pilha de um esquema profiça, porém com uma cara intimista...
juntando basicamente o pessoal que é da "coisa" – que é do funk não que estivessemos fechados para os marinheiros de primeira viagem, muito antes pelo contrario, mas a festa seria um ponto de encontro e bate papo pra esse povo, a nação do groove que tem em Porto Alegre, a "Lei" era pra ser aquele lounge/funk..num dia que geralmente não tem baile (trampo) pros musicos, djs e apreciadores...

Rafael Rubim:
Deu praticamente tudo certo, só a idéia de acabar cedo que foi por água a baixo...rsrs

Brawl:
A Lei da Groovidade viria a 'filtrar' um segmento bastante especifico do estilo funk...que é um conceito amplo, complicado muitas vezes de explicar...mas que a gente procura resumir em tudo aquilo que é descendente do nóe do funk, pai das cobra, James Brown...e seus netos...ehheeh

Rafael Rubim:
Dj James Brawl

Brawl:
Hahaha... é improtante lembrar que a gente também desde o inicio tem em mente fazermos uma série de testes no formato da festa pra coisa ir pegando corpo...e forma ideal...pois insistir é uma das chaves..não da pra parar..pro nome se firmar e ser uma marca de confiança, de referencia..que possa até vir a se expandir pra outros pagos, outras casas, levando o conceito...até chegar num ideal que a gente almeja. Que é: festa com discotecagem 'xiita' de funk aliado a shows das bandas só de funk.

O DILÚVIO:
E perché no Sótão, já que a casa é quase sempre identificada com um outro publico distinto?

Rafael Rubim:
Desde que surgiu a oportunidade de criar projetos pra casa, notamos que o Sótão não é uma casa de musica eletrônica, eu ja fiz festa de electro rock, de rock, de indie, ja teve festa anos 80, psy, house, samba-rock, ja teve de tudo lá, e o dono curte funk, jazz... tipo, a casa precisa sobreviver, muitas vezes não tem um rumo até que a grana começe a entrar, porque nao é no amor, é um negócio, o cara ta com aquilo pra pagar as contas, que não são poucas... Até a gente começar, a casa estava pra alugar, depois da Lei da Groovidade, o cara ja tirou até a faixa de aluga-se de la....hehehe

O DILÚVIO:
Então o bagulho tá islâmico?

Brawl:

Aham..fundamentalismo funk!

Rafael Rubim:
Além de ser uma casa muito bonita, aconchegante, com 2 ambientes, escondida.... bem inferninho....hehehe

O DILÚVIO:
como é a função, mais detalhadamente? Tipo começa como, são quantos djs? Quanto tempo cada um? O que mais alem disso?

Brawl:
Bão..o troço é orgânico...a gente faz divulgação só no boca-a-boca e na rede, baixo custo..a gente produz a arte...a gente chega cedo...e começa a tocar..se revezando, seguinto uma ordem estabelecida em cada edição...as vezes varios blocos curtos..as vezes mais longos...tem a idéia dOs DVDs também...Não necessariamente de musica, de funk, mas de coisas identificadas com 'old school'

Rafael Rubim:
Somos em quatro: Brawl, Marceleza, Rubim e Fred, que abraçou a causa e ainda leva pick-ups pra ele tocar os vinis dele. O cara é colecionador de disco, bem conhecido pela brasilidade, mas o cara tem muita coisa de funk, e ja começou a comprar uns vinis muito foda. Esses dias me mostrou um vinil do Sarava Soul, comprou um Funkadelic a pouco... ta se armando... e só nessa divulgação boca a boca e virtual, ja recebemos convite de outras casas e até de outras cidades como Santa Maria, Gramado e Floripa pra fazer a festa por lá. Sempre as 22horas, rua joao alfredo, 383 - Cidade Baixa, Porto Alegre.

Brawl:
Em fevereiro estaremos atacando em duas frentes: todas as terças em Floripa, no Vecchio Giorgio, na Lagoa da Conceição; terças 3, 10 e 17 no Sótão, em Porto Alegre! No orkut: perfil e comuna

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