#CADÊ MEU CHINELO?

quarta-feira, 31 de março de 2010

O SUMIÇO DO LUBISCO 1



#agência pirata
Mash up literário

txt: Alexandre Lucchese

O que você vai ler agora é o meu primeiro mash-up de textos, ou seja, um conto composto apenas de colagens de outros textos. É bem comum encontrar na rede mash-ups musicais, mas de textos nunca vi – embora provavelmente eu esteja simplesmente mal informado. É possível que a história de Lubisco continue por vários e vários posts. Ou não. E que João Brasil salve a literatura!

[todos os textos e imagens aqui roubados usam a licença Creative Commons]


NORBERTO LUBISCO, editor da revista, blog e redes sociais ABSURDO, está sumido desde o início do carnaval deste ano. Segundo o capitão Macalé, Norberto foi visto pela última vez tentando escapar dos inimigos ao atravessar o Rio das Almas dirigindo um carro anfíbio. Nem ele, nem o carro jamais foram vistos novamente.

“Estamos certos que nesse tempo manter-se-ão intactas as relações de profunda amizade, respeito profissional e carinho cultivadas entre os integrantes d’O ABSURDO”, afirma a moça de pele escura, aspecto hippie e graciosos gestos de bailarina oriental solidamente construídos nesses onze anos de convivência. E mais: “estive conversando com capitão Macalé e chegamos a seguinte conclusão: DEVEMOS raptar a mulher do Palhaço”.

Palhaço se propôs a renascer deixando pra trás símbolos do passado e passou a investir nos últimos anos na identificação como oposição ferrenha aos sentimentos profundos de apelo universal, da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas. Palhaço também fez com que Lubisco se desfiliasse para expulsar nesta quarta-feira o governador interino e determinou que todos os cargos de confiança deixassem o governo d’O ABSURDO, na tentativa de se desvincular do desgaste.

“Que foda, horrible!”, dispara a moça de pele escura. Concentrada diante do palco, ela dança e tece evoluções com o auxílio de uma canga.

***

Lubisco foi até a janela e afastou as cortinas de tafetá branco. Ficou quase uma hora apreciando a paisagem e a mudança de tonalidade das folhas das árvores enquanto o sol mudava de posição em sua eterna vigilância das horas.

Não entendia muito de mulheres, pensou ele. Depois da morte da mãe, seu pai não quis se casar novamente e as garotas da escola lhe eram indiferentes. É claro que namorara uma ou outra menina, mas nunca entregou seu coração a nenhuma delas. Pra complicar ainda mais, embora casado com uma bela bailarina russa, suas idéias viraram do avesso: “Por que nos apaixonamos pela pessoa errada?”.

Uma batida na porta freou seus pensamentos.

- Com licença, Lubi – Dr. Love estava bem à vontade de terno bege e gravata cinza – hoje estou extremamente bem-humorado, parece até que acabei de assistir algum daqueles filmes onde os animais falam e sempre tem um cachorro inteligente que salva a turma no final… ahn…

- Dr. Love, a verdade é esta, estamos na merda, e precisamos de uma grande descarga de água para desentupir a nossa atual economia estagnada, e não creio que brincar aos aviões e comboios seja o melhor meio para isso…

- Então por que você se fez de tão misterioso? Todo lugar que eu me encontrava com você, você fugia!

- Eu tinha medo de as suspeitas caírem sobre mim…

- Teve efeito contrário…

- Ok, acho que estou quase desvendando este crime…

Então os dois descem a montanha e se separam.

(continua aqui)


Autores e fontes dos textos aqui mixados:

* Arlei Arnt

* Marcelo Noah

* http://espicacandomarketing.blogspot.com/2009/03/ruina-da-balipodia.html

* Pedro Alexandre Sanches

* Luiza Monteiro

* Wikipedia – verbete “Carl Gustav Jung”

* Chellot

* Marcelo Manzano

* Dr. Love

* http://aquiloqueescrevo.blogspot.com/2005/12/critica-pseudo-revoltada.html

* Mario S. R.

terça-feira, 30 de março de 2010

SUPERGUIDIS




#conection
Uma sinfonia ainda mais AMARGA

txt: Fagner Marques

Uma porra de um soco na boca do estômago. Sempre quis usar essa expressão, mas ela nunca me pareceu sincera o suficiente até escutar o terceiro disco do Guidis. Ou melhor, dos SUPERguidis. Afinal, se a marca de calçados é hoje parte da representatividade da juventude das décadas 1960 e 1970, os guaibenses merecem, certamente, um título especial entre os recém-adultos do início do século XXI.

O reconhecimento da banda na cena alternativa pelos dois primeiros trabalhos, já demonstrava a paudurescência dos caras (paudurescência. Sempre quis ELOGIAR algo desta forma. E podem me chamar de guei). Mas o terceiro trabalho, homônimo ao grupo, mostra que eles vieram para marcar lugar no rock nacional.

E não há como discordar de TODAS as resenhas escritas até agora. O Superguidis, de 2010, mostra amadurecimento. E, principalmente, nos faz entender que crescer dói. Pra todo mundo. E que o mundo das responsabilidades não espera até nos sentirmos prontos.

Assim, o álbum dos triângulos abre com Andrio Maquenzi explicando que "quando se quer esquecer o que o Roger Waters disse em setenta e três" é preciso ter em mente que não há volta. Que o que passou deve ser deixado para trás. Mas este é só o primeiro baque para aqueles que esperavam a energia teenager de A Amarga Sinfonia do Superstar ou do disco de estreia, de 2006. No lugar da guitarreira grunge-powerpop-indie, a abertura vem no tom melodramático de alguém que viu que tudo o que acreditou na adolescência já não serve para mais nada. Um conjunto de cordas – falso – completa o clima, fazendo nos sentirmos passageiros de um navio naufragando, onde não há nada para se fazer a não ser esperar que o fim seja breve e sereno.

Mas a abertura é um grande engodo para a volta do 'bom e velho' estilo superguidiano. "Não Fosse o Bom Humor" tem título auto explicativo. "Visão Além do Alcance" é, talvez, a letra mais legal do disco, mesmo sendo completamente nonsense. O verso "com tanto artifício assim é difícil ser você mesmo" parece sintetizar em uma frase como é chegar perto dos 30 - e estar recém saindo da adolescência - em anos em que tudo parece superficial e falso.

"As Camisetas" e "Fã-Clube Adolescente" trazem a comprovação que, mesmo quando a gente cresce, não é possível se livrar da adolescência de uma vez só. “Camisetas”, inclusive, é para ser cantada na fossa, afinal, todo mundo se pergunta "por que será que sempre chove quando alguém te abandona?", não?

"De mudança" é, sem dúvida, a melhor faixa, no conjunto instrumental+letra. Traz o medo, as dúvidas e todas as expectativas de um casal que resolveu tentar a vida juntos. Das 11 faixas, merecem destaque, ainda,”Quando se é Vidraça”, que - explicando para aqueles que nunca aprenderam a fazer interpretação de texto nas aulas de português - tenta comprovar a tese de que ser pedra é fácil, o complicado é ser vidraça; "Nova completa", praticamente uma homenagem a todos aqueles cansaram de perder as coisas que mais prezava na vida; e "Aos Meus Amigos", trazendo o alento de que por mais furada que esteja nossa canoa, não estamos sozinhos.

No mais, Superguidis traz um peso nos instrumentos incomuns, até então, para o som da banda e uma obscuridade - muito culpa do tal falso conjunto de cordas - que, no futuro, poderá a torná-lo conhecido como um ÁLBUM CONCEITUAL.

Mas quem se importa com essas bobagens quando se está vivendo o turbilhão de dúvidas que as pessoas insistem em chamar de MATURIDADE? Alguém?

segunda-feira, 29 de março de 2010

JORNALISTA ARMANDO NOGUEIRA

#mandachuva
O jornalismo piora

txt: Tiago Jucá Oliveira

O jornalismo e a arte brasileira perdem um de seus poetas, filósofos e mais dinâmicos homens que este país já teve. É difícil pra mim falar de Armando Nogueira, pois não tenho a mesma doçura com as palavras que ele tinha. Mas estou a aprender coisas do tipo "é possível criticar sem ofender e elogiar sem bajular".

Alguns setores da sociedade não devem lamentar a perda do mestre:

1. Os partidos conservadores (aqui no Brasil autodenominados de "esquerda"), pois Armando criou o Jornal Nacional pra Rede Globo.

2. Os retranqueiros que tomaram conta das redações esportivas e das comissões técnicas dos clubes e seleções de futebol.

3. Os medrosos que defendem a obrigatoriedade do diploma. Não sabem ou não querem saber que Nogueira não tinha diploma. Apesar disso, criou o jornal mais assistido da TV brasileira.

Nós, discípulos da arte e do romantismo, vamos sentir falta dele. E sabemos que é cada vez mais difícil ter jornalista e pensadores dessa linha nas redações de grandes jornais e emissoras. Em sua homenagem me atrevo a dizer a seguinte paródia: "se Armando Nogueira não tivessa nascido homem, teria nascido caneta".

NOÉ AE?!: Breculê

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

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