#CADÊ MEU CHINELO?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

TOSH MEETS MARLEY

# conection #

Lendas do Reggae

txt e phts: Luís Henrique Vieira e Rodrigo Avila Colla

A noite do dia 08 de maio começou ao som da banda paulista Leões de Israel. Uma aposta do Opinião que deu certo. O público, mesmo alheio à maioria das canções da banda, foi participativo e mostrou aprovação ao show de abertura. A peculiaridade da Leões de Israel é o apelo para elementos teatrais como fantasias e pantomimas (às vezes até exageradas).

Por volta das 1h30min foi a hora da banda Tosh Meets Marley ingressar no palco para apresentar um show que faz jus ao nome do grupo, uma miscelânea de sucessos de Marley e Tosh, inclusive algumas canções da época em que tocavam juntos como Get Up Stand Up e I Shot The Sheriff. A banda é formada por lendas do reggae como Fully Fullwood, Junior Marvin, Vince Black e Tony Chin. Marvin, por exemplo, foi guitarrista solo dos Wailers na fase de maior repercussão mundial de Bob Marley. O baixista Fullwood, por sua vez, foi um dos pilares da carreira solo de Peter Tosh durante 6 anos (de 1981 à 1987). Ele ainda fundou o Soul Syndicate ao lado de Tony Chin e hoje é o líder da Fully Fullwood Band que serve como banda de apoio de diversos músicos de renome do reggae. Já Vince Black, integrou uma das bandas de reggae de maior destaque mundial nos anos 80, o Black Uhuru.

No palco do Opinião, todos provaram porque são considerados lendas e mostraram que não vivem do seu passado, que a qualidade de seu trabalho persiste à passagem tempo. Não é por acaso que ao final da apresentação Fully fez questão de apresentar a banda adjetivando todos os músicos como “lendas”, “homens importantes para a história do reggae”. Os vocais foram divididos entre Junior Marvin e Donovan Carless, vocalista original da Soul Syndicate. Ora Marvin cantava Marley, ora Carless cantava Tosh. Ainda houve participações vocais de Tony Chin e Jawge Huges, o tecladista.

As canções de Peter Tosh foram executadas com maior precisão, talvez em função do tempo em que Fully acompanhou Tosh. Carless também contribuiu com sua afinação impecável e timbre de voz aveludado nos sucessos de Peter. Como era esperado, a banda foi chamada para o bis finalizando a noite com “One Love”, uma canção que traduz muito bem a síntese da mensagem de Marley.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

LIMUSINE NEGRA

# conection #

Tributo a James Brown


txt: Rodrigo Colla
phts: Luis Henrique


A noite de Tributo a James Brown no Bate-macumba iniciou de modo inesperado. O proprietário da casa, Zé Enrique, comandou as pick-ups com mixagens de sons nacionais que normalmente agradam à galera que freqüenta a Cidade Baixa. A idéia aos poucos foi deixando o público muito à vontade que, aos poucos, foi lotando o “Bate”. A banda Limusine Negra é de Porto Alegre. No entanto, os caras já estão há 10 anos trabalhando no Rio de Janeiro, o que deixou o público da banda eufórico para vê-lo após este período. A canção de James Brown escolhida foi “Make It Funky”. Depois disso, a banda mostrou o trabalho próprio e tocou clássicos da música negra brasileira passando pelo reggae do Cidade Negra até a fase funk de Tim Maia. A Limusine Negra divertiu muito os amigos que havia deixado com muita saudade.

terça-feira, 25 de março de 2008

HERMANO VIANNA

# águas passadas #
UM OVERMUNDO DE ALEGRIA



txt: Carlos Hentges e Guilherme Carlin
pht: Zaoris Coletivo Pirata de Giornalismo



Um dos idealizadores do projeto Overmundo, Hermano Vianna é antropólogo, autor dos livros "O Mistério do Samba" e "O Mundo Funk Carioca". De acordo com ele, "o que a história da internet demonstrou, desde o início, é que as pessoas não querem só consumir coisas produzidas por uma minoria, as pessoas querem também produzir suas próprias notícias, seus proprios conteudos em texto, video".

Pra começar, você podia falar um pouco a respeito do OVERMUNDO, no contexto do que existe de web 2.0 no Brasil...

Bom, de web 2.0 no Brasil, o que eu vejo acontecer são sessões de determinados sites que estão abrindo para a produção coloborativa de conhecimento, para que os usuários possam colaborar etc. Tem experiencias bem interessantes, como a experiência do Estadão (de você enviar fotografias), o Jornal do Brasil também começa a publicar textos que as pessoas enviam pelo site. O que tem acontecido, que a gente pode chamar de web 2.0 no Brasil, são mais aspectos de determinados sites que estão se abrindo pra esse tipo de produção colaborativa de conhecimento. Eu acho que a web comercial no Brasil começou com a mentalidade de que, na internet, iria se reproduzir o que a gente já conhece nas midias de massa tradicionais, que era uma produção de conteudo feita de forma centralizada e com uma grande audiência. O que a história da internet demonstrou, desde o início, é que as pessoas não querem só consumir coisas produzidas por uma minoria, as pessoas querem também produzir suas próprias notícias, seus proprios conteudos em texto, video, etc..

Isso tem feito com que se aumente muito o conteúdo disponível na rede. Esse aumento pode ser um catalisador para o refinamento dos mecanismos de busca como, por exemplo, o mecanismo de busca do Google que segue uma espécie de orientação da massa, como tu mesmo disseste... esse refinamento é uma expectativa em relação à internet? Isso já está acontecendo?

Eu acho que esse é um grande desafio - de como você pode encontrar a informação dentro da internet. Eu acho que esse é o desafio básico porque hoje em dia tem muito mais gente produzindo coisas interessantes por ai, de musica, cinema, textos, blogs... é muita gente mesmo escrevendo e como é que você vai ter acesso àquilo que te interessa? Muitas coisas vão acabar passando sem você ver, sem você ao menos chegar perto daquilo ali, então, para a maior parte das ferramentas de busca o que tem interessado mais é o modo como você pode criar buscas personalizadas (...) É claro que eu posso estar buscando uma coisa que é parecida com a pessoa que tem um outro interesse completamente diferente do meu, então o resultado da minha busca e o resultado dessa outra pessoa têm que ser diferentes porque nós não vamos nos interessar pelas mesmas coisas. Então, essa personalização da busca é um grande desafio que não está ainda sendo desenvolvido, mas eu vejo, por exemplo, quando você usa o Gmail, o Google fica pesquisando o tipo de assunto que você troca nas suas mensagens e a idéia é que depois ele veja o que você se interessa a partir dos seus emails e que o resultado de suas buscas tenham a ver com o que você já se interessa. Isso depende muito também do que você quer manter privado nas suas trocas de informação. Esse é outro desafio porque para personalizar você tem que entregar informações de quem você é e do que você gosta. Como é que você vai entregar isso e confiar que as pessoas vão fazer bom uso disso?

Boa parte do que é disponibilizado hoje na rede é fruto de uma digitalização feita por terceiros e não pelos proprietários dos direitos autorais ou pelos próprios autores. Isso tem a ver com o fato de que a centralização não é possível por parte da indústria, segundo a observação que você fez durante a palestra. A indústria da música foi a mais resistente com relação às possibilidades que a internet oferece. Existe alguma perspectiva de mudança com relação à oferta de conteúdo feita através da internet por parte dos empresários e dessa indústria cultural?

Eu acho que já existe um consenso, mesmo que não seja explícito, mesmo que as pessoas não falem isso abertamente nas entrevistas da indústria fonográfica tradicional, de que o modelo de negócio deles, o modelo de distribuição e de produção está com os dias contados. Então, isso vai terminar daqui a pouco, não dá mais certo essa maneira tradicional de produzir musica, eles vão ter que criar outros mecanismos para sobreviver... então, eu acho que tá todo mundo tentando inventar uma nova maneira de sobreviver, mesmo comercialmente. Eles já estão de olho. Essa reação inicial de sair prendendo velhinhas e garotinhos que baixam músicas da internet foi uma reação estúpida. Eles estão vendo que isso provoca muito mais um afastamento do público que eles gostariam de ter e que vão ter que encontrar uma maneira de limpar a imagem deles. Então, eu acho que para a maioria dos grandes executivos de gravadoras, esse modo que a gente está acostumado de produção musical que existiu até agora já até deixou de fazer sentido.

A falta de um autor reconhecido ou "reconhecível" para a produção de conteúdo na internet, isso está deixando de ser um problema? As pessoas estão tendo mais facilidade em aceitar esse conteúdo como algo de credibilidade, por conta de mecanismos como os que o Wikipedia está desenvolvendo?

Tudo isso é muito novo. Mas, eu acho que estão acontecendo muitas experiências diferentes na maneira de dar credibilidade. Todos esses sites que usam carma, esses conceitos de quanto mais você participa, quanto mais as pessoas votam nas suas colaborações, mais poderoso você vai ficando dentro daquela comunidade, dentro daquele site, isso é um sistema de criação de reputação. Se aquela pessoa tem aqueles votos todos, se aquela pessoa participou tanto e fez comentários que as outras pessoas gostaram, que elas votaram naquilo, isso significa que o conteúdo que aquela pessoa vai criar é mais confiável do que o conteúdo de um novato que está chegando agora no site. A gente está buscando mecanismos de reputação, de criar credibilidade, de fiscalizar as mudanças que são feitas no site, as novidades que são introduzidas... porque quando você está criando um site aberto, pode vir qualquer coisa, há sempre um risco de que as pessoas mudem por brincadeira ou por maldade mesmo... então, eu acho que estão sendo desenvolvidas hoje experiências para lidar com esse novo tipo de realidade, mas ninguém ainda sabe o que vai acontecer.

Pra finalizar então, você poderia falar um pouco a respeito do código do Overmundo, da entrega do código, dessa parte mais técnica que vocês estão liberando?

A gente considera que, agora, início de setembro, a gente está completando o que a gente chama de Overmundo 1.0 , que é o Overmundo que a gente imaginou com todas as ferramentas que seriam necessárias para o site ser completo. Então, agora a gente se sente à vontade para disponilizar o código para que outras pessoas possam criar seus próprios "overmundos". Se você quiser fazer um overmundo de política, um overmundo de esportes, da sua universidade ou da sua empresa ou de qualquer outro lugar, você vai poder ter aquele código, pois é tudo desenvolvido sob a licença de software livre. Então, é para que as pessoas possam fazer o que quiserem com aquele código que a gente está disponibilizando. O código é o programa mesmo que faz o Overmundo funcionar, então está tudo preparado para que as pessoas criem comunidades, blogs, guias, sistemas de votação... tudo isso vai ter lá para que as pessoas possam usar a partir de setembro agora.

CONDUZINDO MISS DEIZE TIGRONA

# acquaplay #

BANDIDA OU MONGOLÓIDE ?



txt: Tiago Jucá Oliveira
pht: Christof Moderbacher

A melhor cantora brasileira do momento não vem de berço de ouro nem de prata. Ignorada por muitos que têm os ouvidos tão apurados quanto os seus preconceitos, Deize Tigrona é uma das funkeiras mais requisitadas e remixadas por quem entende de fato do assunto. Das favelas direto pras pistas de danças do primeiro mundo, o funk brasileiro tem a batida mais contagiante da música eletrônica feita hoje. Uma turma de respeito já deu uma turbinada na voz muleca e embalou os versos debochados da Tigrona: Edu K, Cansei de Ser Sexy, DJ Marlboro, Tetine, Turbo Trio.

A novidade na turma é o renomado Diplo. Ele conseguiu por no liquidificador o roots funk dos morros com as raízes do rock industrial. Pegou a linha de baixo de "Mongaloid", do pioniero grupo americano Devo (música também gravada pelo Sepultura, vale a pena ouvir a original e comparar com as versões), jogou o Deize nas rimas e serviu "Bandida", um funkadão punk rock de surpreendente qualidade e já candidata a uma das melhores músicas deste ano.

O tiroteio verbal pega pesado também: "ah se eu fosse bandida, e tivesse uma arma na mão, ..., pega essa mamada, da porrada na mamada, quebra essa mamada, faz ela correr pelada, pá pá pá". Um Africa Baambata no fundo credencia a febre verde-amarela da nossa antropolagia. Jackson do Pandeiro, Pixinguinha e Chico Science ficariam feliz com o resultado.

Numa conversa recente com Tejo Damasceno, do Instituto, ele nos contou a dificuldade que tem em entender como Deize deixa de ser a doce criatura fora dos palcos para a verdadeira Tigrona. "Ela chega nos shows com o marido, preocupada em passar depois na farmácia pra comprar fraldas, vestida com o mesmo moleton que usa em casa, sobe no palco e solta a voz: 'anda cara, faz força, quero ver roçar nas coxas'"

No país em que tudo ganha valor agregado após um elogio do Caetano, tá mais do que na hora do mano deixar um pouco de lado as suas tigresas. Demorô! Sempre repito: quem hoje diz que rap, funk e pagode não é música, ontem dizia que negro não era gente.

DEVO - MONGOLOID


SEPULTURA - MONGOLOID COVER


DEVO - MONGOLOID (ELECTRIBE MX)


TETINE e DEIZE - I GOT TO THE DOCTOR (CSS REMIX)


EDU K e DEIZE - SEX-O-MATIC


* procure entre nossos amigos no myspace e ouça os artistas citados nesta matéria: O DILÚVIO SPACE RADIO

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

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