#CADÊ MEU CHINELO?

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terça-feira, 1 de junho de 2010

UMBABARAUMA, HOMEM GOL



2010
:txt: Som Barato

Você não sabe? Não soube?

Essa tarde Daniel Ganjaman, do selo Instituto, movimentou a twittosfera (???) brasileira através de seu perfil ao informar sobre a gravação de Umbabarauma por Jorge Ben, Mr. Simpatia, e um timaço na cozinha: Céu, Anelis Assumpção, Thalma de Freitas, Pupilo, Da Lua, Mano Brown com a produção do competentíssimo Daniel Ganjaman e Zegon.

Colocando em minutos a tag #Umbabarauma no TTbr do Twitter, os produtores perceberam o frisson que causaram ao informar sobre a produção da faixa que contou com a participação da nata músical do país.

Entre afoitos, feridos, e fãs histéricos (you and me...), temos um Jorge Ben em altíssimo nível, cantando como ficamos mal acostumados a ouvi-lo durante bons tempos. Desencanado, malemolente e bem disposto na brincadeira, Jorge Ben deixou bem claro que ainda pode jogar o jogo.



A produção de Ganjaman no que tange a voz do Mr. Simpatia lembrou a faixa Shuffering & Shimiling do Red, Hot and Riot: The Music and Spirit of Fela Kuti, álbum em tributo a Fela Kuti, onde Jorge alcançou falsetes que não o víamos alcançar desde, talvez, o África Brasil. Ah, os anos 80...

Umbabarauma reúne parte da nata da cena musical nacional, dentre vários ritmos, estilos, também contando com a produção de um dos melhores profissionais do país, Daniel Ganjaman. Mas não apenas por isso a regravação é um marco. Umbabarauma é um marco pois demonstra, em menos de 10 anos, que nas duas vezes em que Jorge Ben teve a produção de um profissional que compreende a relação do artista com sua obra, vimos seu talento esculpido, moldado e transformado, lembrando os tempos inesquecíveis - talvez inalcançáveis - das decadas de 60/70.



Umbabarauma
Ficha Técnica:

Jorge Ben
Gabriel Ben Menezes
Mano Brown
Negresko Sis
Duani Martins
Pupillo
Gustavo Da Lua
Produzido por Daniel Ganjaman e Zegon.
Arquivo de Torrent: baixe aqui

assista ao video

sexta-feira, 17 de julho de 2009

SABOTAGE





# cabra da peste #

Cabeça de nego

txt: Miguel RMS

Como se a benção da inspiração tivesse confundido o Brooklyn de Nova Iorque com o seu xará mais pobre, o Brooklyn de São Paulo, nasceu Mauro Mateus dos Santos. Preto, pobre e inspirado, porque pobre se não tiver inspiração não se cria. É sério, vai pensando que é fácil sorrir morando no Canão, na beira da água espraiada, onde “só falta água e quando chove alaga”. Aliás só quem ri da espraiada em São Paulo é o Maluf, lembrando da obra superfaturada em R$ 432 milhões.

Mas voltando pro Mauro, foi daqueles que cresceu como todos ali, convivendo com “a música, o crime e o futebol”. E ele fez suas opções aqui e ali, juntou todas dando mais espaço hora pro samba, hora pro Santos Futebol Clube, hora pro crime. Foi no crime que passou parte da infância, levando o respeito na cintura. Foi pro crime que perdeu o irmão que sempre citava nas letras. Foi ali que conheceu o rap, ainda no tempo da São Bento, participou do festival onde influenciou Pedro Paulo Soares da Silva a cantar rap, o mesmo Pedro que ia virar Mano Brown.

No crime foi rebatizado, falsificando a assinatura da mãe na Febem ganhou do irmão o apelido que levou pra vida: Sabotage! E foi sabotando o que estava previsto que o mano driblou a vida, largou o crime, gravou o disco “O Rap é Compromisso” pela gravadora do Pedro Paulo, a Cosa Nostra, com ele foi eleito artista revelação do ano no prêmio Hutuz de 2002 (dez anos depois de começar a cantar rap), fez participações em tantos discos que nem lembrava mais, fez parte da trilha sonora e o papel dele mesmo no filme “O Invasor”, ensinou gíria pro elenco e beijou a bunda da Rita Cadilac no filme Carandiru e ainda mudou a cara do rap nacional indo pela contramão.

Quando o rap se tornava cada vez mais sisudo e fechado, Sabote sorria seu sorriso sem dentes, cantarolava um samba antigo que dizia: “Se eu parar pra cantar tristeza meu tempo aqui não chega...”. Pra quem esperava o mito do rapper mau Sabote se mostrava simplesmente o “Maurinho do Canão”, preto, pobre, inspirado, falando sobre a vontade de subir no palco vestido de terno e gravata, só pra surpreender os que pensam que rap é roupa.

Assim como Chico Science foi o elo de ligação entre a lama e o mundo, o regional e o global, Sabotage foi o elo de ligação entre as várias correntes do rap, unia o discurso da favela com a levada do asfalto. Com ele o rap paulista ficou mais malandro, valorizou o jogo de palavras no verso, fez rap samba com o Instituto sem parecer imitação do Dr. Marcelo, mostrando que se pode falar de mulher em rap com todo respeito e poesia, afinal “todo malandro vira otário quando ama”. Às vezes nem precisava falar muita coisa, só citar o nome dos parceiros no verso, os presentes e ausentes, como ele mesmo dizia só pra falar que “se o crime fosse tudo isso esse pessoal todo ainda tava aqui”.

Uma vez falou pro Napoli que se via no som do outro Chico, o Buarque, onde o cidadão morreu na contramão atrapalhando o sábado. Sabote viveu na contramão, da sociedade enquanto estava no crime e na contramão da onda de separações e brigas quando estava no rap, mas morreu em uma sexta-feira, 24/01/2003 na mesma mão que muitos outros pretos e pobres do país, baleado, uma morte sem inspiração se é que existe inspiração na morte.

O elo foi perdido. O assassino? Não foi localizado, a mídia tratou como só mais um caso, a polícia tratou como a mídia. Uns dizem que um antigo desafeto matou Sabote, outros dizem que foi a inveja do seu sucesso. De repente foi o destino, que pisa na tentativa da mudança de caminhos escritos, e na coragem de se falar em construir um bom lugar morando no gueto do gueto. Sabote falou que as “estrelas nascem crescem evoluem e morrem”.

Mas ele vive na memória daqueles que conheceram, ouviram e adotaram o rap como compromisso. Se bobear o Maurinho tá por aí, aparece volta e meia no verso de um, na gíria de outro, no alto falante de um carro, no toca-disco de algum outro preto, pobre e inspirado, talvez no Canão, no Brooklyn, na Santo Afonso, no Boréu, Alvorada, Alto Zé do Pinho, Vila Jardim...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

INSTITUTO E THALMA DE FREITAS



# conection #
Uma noite de dub

txt:: Leandro De Nardi
vd n' phts: Lucieli Galho



Noite de 5f .

Michael Jackson havia falecido de repente, há pouco mais de três horas. Caminho pela Augusta, me lembrando dos tempos de Osvaldo Aranha, quando a noite porto alegrense nascia ou morria nas calçadas do Bom Fim. Logo adiante chego no Z Carniceria, boteco legal e que fica perto do Studio SP, rumo final da paulicéia musical da noite: o show do INSTITUTO.



Daniel Bozio e Ganjaman



No Studio, casa cheia, animada.


Ganjaman ao subir no palco, profetiza que aquela, seria uma noite dedicada ao DUB.

Thalma de Freitas faz a anunciação. O show, que nem havia iniciado ainda, soma-se agora a homenagem que ela e todos prestam ao falecido da noite, cantando um de seus clássicos e dando o recado do que estava por vir. Ao embalo da sua voz, o povo é quase engolido pela pista, sacudida ao som de um naipe de sopros potencialmente preciso, que faria Jackson escorregar sua dancinha, animadamente.

Além de Thalma, Ganjaman vocalizava um sem número de somzeiras e equalizando seus teclados mantinha a pista ativa. Impossível ficar parado.



Junior Boca na guita, Curumim na batera e Clayton Martins no baixo completam a banda e a noite da música perfeita, aquela que toca na alma. O show teve a grata participação de Flora Matos. Fundamental é citar, também, a performance de Curumim nos vocais. Um samba japa do melhor tipo. Salve Guerreiro !

Mesmo sem bateria na digital, mas totalmente carregado pela musicalidade institucional, O DILÚVIO registrou pra vocês, leitores ligados na boa música, um grande momento do show. Confiram a somzera “O seu lugar”, música do 3naMassa na voz dela.



Uma pura celebração de Deus.

terça-feira, 25 de março de 2008

CONDUZINDO MISS DEIZE TIGRONA

# acquaplay #

BANDIDA OU MONGOLÓIDE ?



txt: Tiago Jucá Oliveira
pht: Christof Moderbacher

A melhor cantora brasileira do momento não vem de berço de ouro nem de prata. Ignorada por muitos que têm os ouvidos tão apurados quanto os seus preconceitos, Deize Tigrona é uma das funkeiras mais requisitadas e remixadas por quem entende de fato do assunto. Das favelas direto pras pistas de danças do primeiro mundo, o funk brasileiro tem a batida mais contagiante da música eletrônica feita hoje. Uma turma de respeito já deu uma turbinada na voz muleca e embalou os versos debochados da Tigrona: Edu K, Cansei de Ser Sexy, DJ Marlboro, Tetine, Turbo Trio.

A novidade na turma é o renomado Diplo. Ele conseguiu por no liquidificador o roots funk dos morros com as raízes do rock industrial. Pegou a linha de baixo de "Mongaloid", do pioniero grupo americano Devo (música também gravada pelo Sepultura, vale a pena ouvir a original e comparar com as versões), jogou o Deize nas rimas e serviu "Bandida", um funkadão punk rock de surpreendente qualidade e já candidata a uma das melhores músicas deste ano.

O tiroteio verbal pega pesado também: "ah se eu fosse bandida, e tivesse uma arma na mão, ..., pega essa mamada, da porrada na mamada, quebra essa mamada, faz ela correr pelada, pá pá pá". Um Africa Baambata no fundo credencia a febre verde-amarela da nossa antropolagia. Jackson do Pandeiro, Pixinguinha e Chico Science ficariam feliz com o resultado.

Numa conversa recente com Tejo Damasceno, do Instituto, ele nos contou a dificuldade que tem em entender como Deize deixa de ser a doce criatura fora dos palcos para a verdadeira Tigrona. "Ela chega nos shows com o marido, preocupada em passar depois na farmácia pra comprar fraldas, vestida com o mesmo moleton que usa em casa, sobe no palco e solta a voz: 'anda cara, faz força, quero ver roçar nas coxas'"

No país em que tudo ganha valor agregado após um elogio do Caetano, tá mais do que na hora do mano deixar um pouco de lado as suas tigresas. Demorô! Sempre repito: quem hoje diz que rap, funk e pagode não é música, ontem dizia que negro não era gente.

DEVO - MONGOLOID


SEPULTURA - MONGOLOID COVER


DEVO - MONGOLOID (ELECTRIBE MX)


TETINE e DEIZE - I GOT TO THE DOCTOR (CSS REMIX)


EDU K e DEIZE - SEX-O-MATIC


* procure entre nossos amigos no myspace e ouça os artistas citados nesta matéria: O DILÚVIO SPACE RADIO

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • Atribuição — Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).

  • Compartilhamento pela mesma licença — Se você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob licença similar ou compatível.

Ficando claro que:

  • Renúncia — Qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais.
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  • Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença:
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    • Os direitos morais do autor;
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  • Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.

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