::txt::Basket Selector::
2010 foi um bom ano pra música gaúcha. Pela primeira vez no prêmio uirapuru, que organizo há 11 anos com a colaboração de jornalistas e artistas, uma banda daqui é eleita a melhor do ano. Estou falando da Apanhador Só, que ano passado lançou seu primeiro disco. Porém, há porém, não é somente porque eles ganharam na categoria de melhor banda, dum premio promovido por mim, que vou aqui impor que 2010 foi bom.
Esqueça o meu gosto confrontado com o seu, e vamos nos deter em números. Pra um lugar longe demais das capitais, e sem um mercado interno forte que de sustentação aos artistas, o ano que terminou no verão passado nos trouxe, relativamente, muitos discos. Uma listagem rápida: além da Apanhador Só, tivemos a volta dos Replicantes, o maravilhoso retorno de Vitor Ramil, mais um disco da Pata de Elefante, Identidade, a revelação Gisele de Santi, a sempre boa Walverdes, o primeiro disco solo do Gustavo Telles (o baterista “Prego”, da Pata de Elefante), Gulivers, … bem, falei das que lembro de cabeça e que eu curti.
A Apanhador Só é um caso pra ser estudado. Um jornal de Minas (desculpe, leitor, não lembro qual muito menos tenho o link) disse que era a banda menos gaúcha que já conheceram. Tive a oportunidade de perguntar a eles num programa de radio da Ipanema FM sobre isso, e eles foram bem taxativos: “se somos do RS, impossível nossa música ser menos gaúcha que a de fulano ou a de beltrano”. Eles tem razão. Creio que há um rótulo pra nossa música. Se usa lenço e bombacha, é música gaudéria. Se é gurizada com guitarra nos braços, é o rock gaúcho. E dispensa-se outras formas de manifestação musical? Não!
Numa linha semelhante ao da Apanhador (isso não quer dizer que façam sons iguais ou parecidos, e sim não estão nas duas opções acima) podemos incluir bandas e artistas bem legais, mas sem quase nada de projeção nacional: Subtropicais, Funkalister, Richard Serraria, Zumbira, Bandidnha de
Da Dó, Samba Grego, entre outras. Tonho Crocco, ex-vocalista da Ultramen, também pode entrar nesse balaio, com a diferença que ele tem um pouco mais de projeção, devido a história que construiu com a Ultramen em quase 20 anos, além, é claro, do talento que tem pra compor e cantar.
PS.: Esse é somente meu primeiro texto pro Nego Dito. Introduzi nossos artistas, dei um breve panorama, ainda não sei pra quem estou escrevendo. Mas, como já dizia o ditado, quem não tem laçador, pesca com pato.
#CADÊ MEU CHINELO?
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
sábado, 15 de maio de 2010
AS BANDAS DO PARTIDO
#over12
Do caos ao cais
txt: Jucazito
Que bom poder frequentar eventos como esse ae que acontece em Porto Alegre. Promovido pelo governo federal em ano eleitoral, o Brasil Rural Contemporâneo - Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária - tem boas atrações culturais, espaços gastronômicos e pessoas no passear do Cais do Porto. Além, é claro, da maconha e da cerveja que nos faz rir.
Mas não é isso que matuta a cabeça. Desde 1986 Porto Alegre é governado por um mesmo partido, o MDB. E nenhum deles - Alceu, Dutra, Genro, Raul, Genro de novo, João, José I, José I de novo e José II - fez daquele local um lugar pro povo da capital ir e se divertir, comer e dançar. Nosso Cais do Porto é uma piada, semi inútil. Ao mesmo tempo, o rio e os armazeńs são lindos. O encontro do Guaíba com nossos olhos é atração turística em qualquer lugar. Menos aqui no chulé do país, típico reflexo de nossos governantes e dos 'né o' que os elegem.
Outra fita: quem foi que escolheu as atrações musicais? Alguém que entende de música ou o Partido? É preciso militar na campanha da Dilma pra tocar em eventos governamentais? Sério, o Nei Lisboa só pode ter sido convidado porque é um daqueles que tremulam a bandeira do Partido, pois o show dele dava vontade de dormir. Isso também é engraçado no gaúcho: ele idolatra só porcaria. Os bons vão tentar a carreira longe daqui: Edu K, Pata de Elefante, Elis Regina, Apanhador Só, Rossano Snel, etc. E a gente precisa ouvir a porcaria do Nei.
O Teatro Mágico. Acho que este caso não é somente o Partido. Tem a Igreja também. Uma bandinha chata que move uma multidão de fiéis fanáticos. Acho que eu não entendo mais nada de música.
O show do Gil tava massa. Serraria infelizmente perdi. Ainda tem Frank, Julio, Jorge, Otto, Lirinha e Monobloco. Há esperança pros ouvidos. Mas vale a cutucada: será que é todo mundo do Partido? Começo a suspeitar. Se o MDB é esse lixo, imagina no tempo em que a ARENA governava sozinha, ao contrário de hoje, que tem um ou outro ministério no governo Lula. Brasil de todos uma ova. Brasil do Partido. E pensar que antes era pior.
Do caos ao cais
txt: Jucazito
Que bom poder frequentar eventos como esse ae que acontece em Porto Alegre. Promovido pelo governo federal em ano eleitoral, o Brasil Rural Contemporâneo - Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária - tem boas atrações culturais, espaços gastronômicos e pessoas no passear do Cais do Porto. Além, é claro, da maconha e da cerveja que nos faz rir.
Mas não é isso que matuta a cabeça. Desde 1986 Porto Alegre é governado por um mesmo partido, o MDB. E nenhum deles - Alceu, Dutra, Genro, Raul, Genro de novo, João, José I, José I de novo e José II - fez daquele local um lugar pro povo da capital ir e se divertir, comer e dançar. Nosso Cais do Porto é uma piada, semi inútil. Ao mesmo tempo, o rio e os armazeńs são lindos. O encontro do Guaíba com nossos olhos é atração turística em qualquer lugar. Menos aqui no chulé do país, típico reflexo de nossos governantes e dos 'né o' que os elegem.
Outra fita: quem foi que escolheu as atrações musicais? Alguém que entende de música ou o Partido? É preciso militar na campanha da Dilma pra tocar em eventos governamentais? Sério, o Nei Lisboa só pode ter sido convidado porque é um daqueles que tremulam a bandeira do Partido, pois o show dele dava vontade de dormir. Isso também é engraçado no gaúcho: ele idolatra só porcaria. Os bons vão tentar a carreira longe daqui: Edu K, Pata de Elefante, Elis Regina, Apanhador Só, Rossano Snel, etc. E a gente precisa ouvir a porcaria do Nei.
O Teatro Mágico. Acho que este caso não é somente o Partido. Tem a Igreja também. Uma bandinha chata que move uma multidão de fiéis fanáticos. Acho que eu não entendo mais nada de música.
O show do Gil tava massa. Serraria infelizmente perdi. Ainda tem Frank, Julio, Jorge, Otto, Lirinha e Monobloco. Há esperança pros ouvidos. Mas vale a cutucada: será que é todo mundo do Partido? Começo a suspeitar. Se o MDB é esse lixo, imagina no tempo em que a ARENA governava sozinha, ao contrário de hoje, que tem um ou outro ministério no governo Lula. Brasil de todos uma ova. Brasil do Partido. E pensar que antes era pior.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
SIRVAM NOSSAS GISELES BÜNDCHEN

# manda chuva #
De modelo a toda terra
txt: Tiago Jucá Oliveira
Abordar a cultura gaúcha nem sempre é fácil. Por vários motivos. Boa parcela da sociedade local traz a tona o cidadão orgulhoso da terra, cultivador das tradições, bem letrado e politizado. E dentro dessa parcela há aqueles que acreditam cegamente que aqui é o melhor estado do Brasil. Alguns inclusive idealizam uma pátria independente. Outro dia recebi um e-mail no qual um gaúcho, "dusbom", provava o dito. O Rio Grande do Sul é "bagual" pois aqui nasceram o melhor técnico do mundo (Felipão), a melhor ginasta (Daine dos Santos), a modelo mais bonita e famosa (Gisele Bündchen), o melhor jogador de futebol (Ronaldinho, o Gaúcho, óbvio), seis presidentes da República, o atual técnico da seleção brasileira (Dunga), enfim, uma lista enorme de conquistas do povo rio-grandense. Claro, ele não sabia que quase todos ex-presidentes não foram eleitos pelo voto, nem que o melhor jogador do mundo é um outro Ronaldo, o português. Já o Dunga ...
Na metade do século passado nascia o gaúcho. Não o homem e sua cultura. E sim o mito, a lenda. Numa verdadeira "invenção das tradições", como já bem escreveu Eric Hobasbawm em seu livro de mesmo nome, estava criado a partir de então o gaúcho. E com ele todo um acessório folclórico, cultural e gastronômico que o imortalizava. Claro, tendo como pano de fundo a vergonhosa Guerra dos Farrapos como a grande façanha do nosso povo, embora tenha sido movida por interesses comerciais da elite estancieira da metade sul do estado. E meio século depois toda a invenção estava montada em Centros de Tradições Gaúchas, espalhadas por todas cidades do RS. Conservador, o CTG nunca aceitou misturar coco gelado no chimarrão, numa paródia ao "Chiclete com Banana", de Gordurinha e bem incorporada por Jackson do Pandeiro. Ou seja, ali se cultiva uma parte do tempo, pois o de antes foi sintetizado a partir da imaginação de alguns, e o de depois era um desrespeito ao tradicional.
Esse desserviço que o CTG faz a nós é de um estrago sem igual. Excluíram o passado e a diversidade cultural de variados povos, e hoje não dialogam com as novidades externas e modernas. Por externa entenda-se também os negros, alemães e índios do RS. Irton Marx, o mobilizador do movimento separatista, não é bem aceito pelo CTG, e vice-versa. Persona non grata por ser de origem alemã e não trazer a identidade pampeana na face, Marx também não tem razões para querer "bugres", mestiços, em defesa da superioridade branca em relação a outros mestiços, que são a cara do país do qual quer se separar. Mas a culpa não cabe somente aos tradicionalistas e separatistas. A forte e onipresente mídia da capital é incentivadora de alguns ícones da cultura urbana porto-alegrense. E de modo constante induz seus preferidos. E da-lhe Tangos e Tragédias, Bailei na Curva, Luis Fernando Verissimo, Reação em Cadeia, Paulo Santana, José Fogaça, Nenhum de Nós. Mas, e nós?
Bem, nós também existimos. Não somos os melhores, não queremos deixar de ser brasileiros, não vestimos bombacha (em castelhano bombacha quer dizer calcinha), nem estamos no Jornal do Almoço. Há muita coisa legal sendo feita aqui no estado, e alguns espaços marginais para divulgar e ser visto. Boas bandas locais não tiveram vergonha de pesquisar nosso verdadeiro folclore - não no CTG, mas em quilombolas, por exemplo - e recria-lo vivamente. Como o Serrote Preto, Richard Serraria e a Bataclã FC, que viram no sopapo, um tambor de origem escrava, um instrumento que os torna originais e genuínos.
Este é o Rio Grande às margens do Guaíba: a rica e diversa confusão étnica que aqui se cruzou - de negros a japoneses, passando por guaranis, polacos e vênetos - não pode ser ignorada em nome do fantasioso gaúcho dos pampas. Mas, de modo algum, será dado a entender que nossas riquezas culturais sejam melhores em relação a qualquer outra. É apenas uma iniciativa de mostrar e provar que podemos ser diferentes do modelo padrão, sem querer ser melhor ou verdadeiro ou definitivo. E sem excluir qualquer tentativa de mesclar culturas, seja ele tradicional ou moderno, uruguaio ou brasileiro. Creio que deu pra notar a intenção. Não espere vibração minha se um dia a Gisele Bündchen desfilar dentro de uma mini-blusa com uma bandeira do Rio Grande do Sul estampada no peito e logo acima a frase mais famosa de nosso hino: "sirvam nossas façanhas de top-model a toda Terra".
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