::txt::Luciano Viegas::
A baixa densidade demográfica no concerto veio pra desbancar de vez a teoria malthusiana, bem como a falácia da autodenominada cidade do rock. Não mais que 50 pessoas foram assistir ao baita show do Do Amor, banda carioca cacofonia-inevitável que nos fez chacoalhar até a mãe com suas melodias rebolantes, no no começo de fevereiro (desculpe, leitor, mas a editoria do blog estava de férias e esta resenha ficou na espera para ir ao ar).
Há de se comentar que inicialmente alguma espécie de broxismo contagioso atingia o público, tímido, que deixava um desconfortável espaço vago bem em frente ao palco, até sermos intimados, pelo guitarrista Gustavo Benjão, a encoxar as caixas de som, que urgiam pelo aprochego.
Pepeu baixou nos caras e as duas melhores músicas do disco, “perdizes” e “pepeu baixou em mim” foram entoadas com fervor, pulinhos e swing qualificado pela pomposa equipe jornalística de colaboradores d'O DILÚVIO que acompanhava o reboliço.
Eu poderia fazer uma piadinha com o baterista Marcelo Callado, e dizer que ele até fala bastante, mas aí fica chato, né. Aliás, esse é um aspecto interessante da banda: os quatro integrantes fazem voz e, apesar do baixista Ricardo Dias Gomes ficar centralizado no palco, não é protagonista. Ao mesmo tempo, todos são.
O som funciona bem assim, os músicos são ótimos. Ricardo e Marcelo tocam paralelamente na Banda Cê, que acompanha Caetano. O quarto e último integrante, porém não menos importante é Gabriel Bubu, baixista do Los Hermanos que agora guitarreia no Do Amor.
O show teve ainda a participação de Diego Medina que subiu no palco de bermuda e chinelo, cantou “epilético”, se atirou no chão convulsivamente e ainda tascou-lhe uma chinelada na guitarra do Benjão, maltratando a pobrezinha com um quê de genialidade, mas sem finesse.
O menor público da história do Beco não diminuiu o espetáculo – e deu até um gostinho de “exclusividade” pra nós, que curtimos essa mistura louca de indie rock, axé e um tiquinho de carimbó. Falamos com eles depois, reclamando que faltou “vem me dar”, outra faixa foda do disco. Disseram que vão dedicar pra nós no próximo show.
Do Amor merece a degustação. baixe aqui
#CADÊ MEU CHINELO?
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
terça-feira, 7 de setembro de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
DO AMOR
::txt::Pedro Sá::
Do Amor é uma banda parcialmente conhecida para muitos. Marcelo e Ricardo formam a Banda Cê, que vem acompanhando Caetano há 3 anos. Gabriel Bubu foi baixista do Los Hermanos. Faz já algum tempo, todos eles vêm tocando na cena alternativa nacional com certa frequência, acompanhando artistas como Nina Becker, Jonas Sá, Rubinho Jacobina e Lucas Santtana, entre muitos outros.
Eles já mostraram que são músicos incríveis e, justamente por isso, esse lançamento nos gera uma certa expectativa, já que se trata do trabalho autoral destes grandes instrumentistas. Porém, devo dizer que este disco de estreia supera qualquer prognóstico positivo. Há uma riqueza, uma exuberância criativa que raramente se vê numa banda. É um trabalho repleto de referências dos mais distintos e variados estilos que são depurados nas formas mais insólitas e divertidas. Mas não se trata de referências gratuitas. Vão do carimbó ao Manchester Rock com a maior naturalidade... e com a maior verdade também. Não é uma mistura superficial. São universos super variados, que nos remetem a infinitos lugares, épocas e mundos, reunidos num trabalho absolutamente autoral. Há muita ironia e humor aqui. Digo, não são somente músicos virtuosos desempenhando uma excepcional performance. Não há frieza nem soberba. Tocam à música em si, no sentido mais genuíno da coisa. Desconstroem todos esses estilos para no final nos devolver em... música!
No fundo acho que esse álbum é mesmo uma declaração de amor à própria música. Aliás, não é só um amor declarado como vivido. Cada frase, cada estilo, cada nota é curtida, transada. Mas sempre com a leveza de quem vai tomar um suco na esquina, um mate na praia. Há uma saudável maresia apesar de ser um disco super trabalhado e bem acabado. Chico Neves é quem assina a excelente produção. Chico tem o dom de gravar bem. É um verdadeiro mestre Jedi do estúdio. Conseguiu extrair o supra-sumo da banda que se revela totalmente em todos os momentos. Dá gosto de ouvir. Enfim, este disco é um clássico desde já. É para escutar, re-escutar e curtir sempre.”
Do Amor é uma banda parcialmente conhecida para muitos. Marcelo e Ricardo formam a Banda Cê, que vem acompanhando Caetano há 3 anos. Gabriel Bubu foi baixista do Los Hermanos. Faz já algum tempo, todos eles vêm tocando na cena alternativa nacional com certa frequência, acompanhando artistas como Nina Becker, Jonas Sá, Rubinho Jacobina e Lucas Santtana, entre muitos outros.
Eles já mostraram que são músicos incríveis e, justamente por isso, esse lançamento nos gera uma certa expectativa, já que se trata do trabalho autoral destes grandes instrumentistas. Porém, devo dizer que este disco de estreia supera qualquer prognóstico positivo. Há uma riqueza, uma exuberância criativa que raramente se vê numa banda. É um trabalho repleto de referências dos mais distintos e variados estilos que são depurados nas formas mais insólitas e divertidas. Mas não se trata de referências gratuitas. Vão do carimbó ao Manchester Rock com a maior naturalidade... e com a maior verdade também. Não é uma mistura superficial. São universos super variados, que nos remetem a infinitos lugares, épocas e mundos, reunidos num trabalho absolutamente autoral. Há muita ironia e humor aqui. Digo, não são somente músicos virtuosos desempenhando uma excepcional performance. Não há frieza nem soberba. Tocam à música em si, no sentido mais genuíno da coisa. Desconstroem todos esses estilos para no final nos devolver em... música!
No fundo acho que esse álbum é mesmo uma declaração de amor à própria música. Aliás, não é só um amor declarado como vivido. Cada frase, cada estilo, cada nota é curtida, transada. Mas sempre com a leveza de quem vai tomar um suco na esquina, um mate na praia. Há uma saudável maresia apesar de ser um disco super trabalhado e bem acabado. Chico Neves é quem assina a excelente produção. Chico tem o dom de gravar bem. É um verdadeiro mestre Jedi do estúdio. Conseguiu extrair o supra-sumo da banda que se revela totalmente em todos os momentos. Dá gosto de ouvir. Enfim, este disco é um clássico desde já. É para escutar, re-escutar e curtir sempre.”
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