#CADÊ MEU CHINELO?

Mostrando postagens com marcador Carro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de julho de 2011

[agência pirata] HEMP CAR: MOVIDO À ERVA



::txt::Luis Guedes Jr.::

Você desce a serra atrás de uma fila de caminhões e subitamente o interior de seu carro é tomado pelo inconfundível perfume da maresia. Não, nada de brisa litorânea. O odor, neste caso, vem do escapamento dos caminhões à frente, que rodam com biodiesel de cânhamo.

Se as ideias de um pequeno grupo de ativistas norte-americanos ganhar corpo, essa cena será perfeitamente possível. Liderado por oito pessoas, entre elas um engenheiro da Nasa e um ex-executivo do alto escalão da Intel, o projeto Hemp Car (www.hempcar.org) defende o uso do óleo de cânhamo filtrado como combustível alternativo para os motores a diesel. A opção, mais limpa e sustentável ante os derivados do petróleo, ganha relevância quando lembramos que, na Europa e nos EUA, ao contrário do que ocorre no Brasil, o diesel não está limitado apenas aos veículos de carga, mas também aos modelos de passeio.

Para provar a viabilidade da proposta, a trupe percorreu mais de 24 mil km a bordo de um automóvel Mercedes-Benz convertido para a queima do chamado Hemp Fuel. Durante os 92 dias em que durou a viagem, passaram por mais de 50 cidades nos Estados Unidos e no Canadá, aproveitando para também “plantar” a ideia na cabeça de novos seguidores.

Para quem já imaginou um trânsito mais tranquilo, na paz, vale uma observação: apesar de o cheiro liberado pelo escapamento do Hemp Car lembrar o de um baseado, sua fumaça é absolutamente inofensiva. “O cânhamo industrial não possui propriedades psicoativas, portanto não pode ser considerado droga”, apressa-se em alertar o texto publicado no site da entidade, que luta por uma reforma na legislação norte-americana, atualmente contrária ao desenvolvimento industrial de produtos derivados da família Cannabis.

ATÉ TU, HENRY FORD?!

A ideia de converter maconha em combustível alternativo não é necessariamente nova. Já na década de 30 o visionário Henry Ford, pai do automóvel moderno e um dos maiores símbolos da industrialização norte-americana, defendia o uso de sementes, grãos e outros derivados agrícolas – inclusive o cânhamo – como fonte de energia renovável. “O álcool produzido por vegetais plantados ao longo de um ano em determinada área é suficiente para abastecer os tratores que irão cultivar essa mesma área pelos próximos cem anos”, afirmava.

A respeito da maconha, Henry Ford chegou a testar combustíveis batizados como “hempoline”, produzidos a partir do óleo das sementes e do caule do cânhamo. E defendia que a sua queima era mais limpa e menos tóxica se comparada à gasolina.
Completamente seduzido pelos poderes da erva, o industrial norte americano passou a cultivar cânhamo industrial a partir de 1937. E não se limitou apenas à questão energética. “No futuro, faremos com que os carros brotem da terra”, chegou a afirmar, fazendo analogia à sua crença de que era possível encaixar as plantas em praticamente todas as etapas da produção de um automóvel.

O maior de seus feitos, no entanto, está registrado na edição de dezembro de 1941 do tabloide Popular Mechanics Magazine: um carro com carroceria inteiramente moldada por resistentes placas de um plástico cuja fórmula levava 70% de fibras de celulose de cânhamo, sisal e palha de trigo; sendo os 30% restantes provenientes de resina.

A fotografia de Henry Ford batendo na carroceria com um bastão de madeira para demonstrar a resistência do “carro de plástico” – como preferiu chamá-lo – tornou-se emblemática em suas biografias. A imagem também pode ser vista em um vídeo comercial que ele chegou a gravar e que está disponível no YouTube. Basta digitar “Henry Ford hempcar”.

A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e o chamado de ajuda para toda indústria que trabalhasse com aço desviaram a atenção de Henry Ford de suas pesquisas botânicas. Mas ficou plantada a semente, reacendida agora com o pessoal de certo Mercedes-Benz “psicodélico”...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O ROUBO CONTINUA LIVRE

#over12
Eu também já passei por isso

txt: Tiago Jucá Oliveira

Antes que algum imbecil venha comentar algo do tipo "tu diz isso porque não foi contigo", sobre a postagem de ontem, vou relembrar um causo.

Isso já faz uns dez anos. Eu ainda tinha carro (melhor cousa que fiz na vida foi vende-lo). Era um sábado noturno, cedo ainda, fui tomar uma ceva no lancheria. Estacionei o vagalume (ele era verde) do outro lado, na Redenção. Atravessei a Osvaldo Aranha, cheguei no lancheria. Tive sorte, pois logo encontrei o Loiva e sua turma, e assim não fiquei desenturmado.

Bastaram poucos minutos pra alguém dizer: "aqueles loco tão mexendo no teu carro". Quando vi, eram dois pivete encostado no carro. Atravessei a Osvaldo Aranha, cheguei no parque Farroupinha. Amigo punk, nem olhei pro lado, tchê! Em seguida, a turma toda também já estava lá pra me dar apoio. Perguntei: "porra, roubaram o que?". "Roubei nada não, tio", respondeu um piá menor que uma pilha, mais branco que uma vela, mais seco que um palito, mais sujo que o Beira-Rio. Dava pena do piá. Já o outro guri era maior, mas também não dava medo em ninguém. Ambos apavorados, de certo acreditavam que iam ser linchados.

Eles realmente tinham entrado no carro. Tinham tirado a frente do rádio, que estava atirado no chão do vagalume, derramado a garrafa de cachaça e estragado o trinco da porta. Apesar do pequeno prejuízo que teria pra arrumar a porta, eu tratei de acalmar meus amigos, e pedi pros dois pivetes vazarem. Não sou de entregar pobre pros pé-de-porco.

O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus já faliu antes do causo que te conto, vivente curioso pela desgraça alheia. Novamente lá vou eu ao Lancheria do Parque, tomar meu remédio de cevada e lúpulo. Na calçada, por onde caminho, um monte de lixo perto do meio fio, quase na rua. Eis que surge do lixo o mesmo pivete pequeno, branco, seco e sujo que mexeu na caranga. Parecia a infeliz campanha da RBS sobre crack. "Quer comprar um fumo, tio?".

Olhei pro coitado: "não lembra de mim?". "Não", respondeu o pivete. "Tu entrou no meu carro esses dias, um gol verde, tá esquecido?". Bateu um pequeno pavor no guri: "Bah, é mesmo... putz, desculpa. Quer o fumo pra ti?". Ae finalmente eu fui cruel: "quero, mas não vou te dar um tostão, olha o tufo que tu me deu, piá, gastei meia milha pra arrumar a porta da caranga".

Nunca mais vi aquele garoto. Não duvido que esteja morto, talvez preso. Ou talvez eu o veja por ae, mas não o reconheça. A única certeza: se o carro fosse de algum daqueles delinquentes do causo contado ontem, o piá tinha morrido lá mesmo na Redenção. Amigo punk, desculpa esse meu desabafo.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • Atribuição — Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).

  • Compartilhamento pela mesma licença — Se você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob licença similar ou compatível.

Ficando claro que:

  • Renúncia — Qualquer das condições acima pode ser renunciada se você obtiver permissão do titular dos direitos autorais.
  • Domínio Público — Onde a obra ou qualquer de seus elementos estiver em domínio público sob o direito aplicável, esta condição não é, de maneira alguma, afetada pela licença.
  • Outros Direitos — Os seguintes direitos não são, de maneira alguma, afetados pela licença:
    • Limitações e exceções aos direitos autorais ou quaisquer usos livres aplicáveis;
    • Os direitos morais do autor;
    • Direitos que outras pessoas podem ter sobre a obra ou sobre a utilização da obra, tais como direitos de imagem ou privacidade.
  • Aviso — Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra. A melhor maneira de fazer isso é com um link para esta página.

.

@

@