#CADÊ MEU CHINELO?

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quarta-feira, 24 de março de 2021

[mandachuva] CLOROQUINÓPOLIS

 

:: txt :: Tiago Jucá ::


Era um vez uma cidade pacífica chamada Cloroquinópolis que num belo dia foi invadida pelos exército de Corona Town, cidade vizinha, pegando todos moradores de surpresa e desarmados.
 
Os especialistas de Cloroquinópolis alertaram Bozo, o prefeito, que era necessário armar seus soldados com armas e munições para combater o inimigo e disponibilizar aos cidadãos coletes à prova de bala para não morrerem.
 
Mas Bozo fez ouvido de mercador e não deu bola para o alerta:
 
- Isso é só uma batalhazinha.
 
Aos poucos soldados e população civil foram sendo atingidos. Muita gente ficou ferida e várias pessoas morreram. Hospitais cada vez mais lotados e cemitérios quase sem mais espaço pra enterrar os mortos. Bozo, porém, seguia negando os efeitos da guerra durante as entrevistas coletivas à imprensa:
 
- Eu com meu histórico de atleta...
- Mas, prefeito, tem muita gente morrendo!
- E daí, não sou coveiro.
 
As mortes e as internações aumentavam à passo de lebre enquanto a prefeitura tratava a coestão em andar de tartaruga. Os ataques de metralhadoras, fuzis, bombas, etc não cessavam. O cenário era desolador. Os secretários de defesa que até então procuravam soluções reais pra guerra foram demitidos. Acabou por nomear um médico pra comandar seu exército. E aos que reclamavam da insana atitude que não salvava a vida de ninguém, ele respondeu:
 
- Bando de maricas!
 
Até que um belo dia Bozo reagiu e apresentou à sociedade uma arma pra combater os invasores:
 
- Esta é a hidroarco-e-flechiquina. Com ela vamos enfrentar esse inimigo que mídia inventou.
 
A novidade, que na verdade era uma antiga arma pra enfrentar tribos rivais, não deu certo. As pessoas continuavam morrendo. E o número de feridos só aumentava. Mas Bozo, além de negar os fatos, vivia festejanto com os seus amigos como se não houvesse guerra. E aproveitava pra fazer propaganda de uma arma ineficaz contra um poderoso arsenal bélico do inimigo que dizimava o povo cloroquinopolitano. E, contrariando à indústria armamentista, que tinha as melhores armas e munições pra batalhar, o prefeito e seu médico secretário de defesa ignoravam o óbvio:
 
- No tocante dos preços das munições, enquanto isso dae não diminuir, não vamos comprar nada.
- E vamos esperar enquanto nossa gente morre?
- Por que tanta ansiedade?
 
Num dia tipo hoje, de verão, finalmente a prefeitura anunciou que vai comprar milhões de armas aprovadas pelas melhores instituições de guerra. Infelizmente, não há ainda munições pra calibrar as metralhadoras. Soldados e cidadãos seguem desamparados. Mortes que não param. Hospitais mega lotados de gente ferida e outras tantas na fila esperando por uma vaga.
 
Isso que dá um prefeito que nega sua capacitada indústria bélica, ignora os estudos sobre guerra e, ainda por cima, nomeia um médico pra secretário de defesa.
 
- Malditos direitopatas, acreditam que se chegar alguém na casa deles com um vírus mortal, é só dar um tiro que a pandemia acaba.

terça-feira, 16 de março de 2021

[mandachuva] O PESADELO GALOPA

:: txt :: Tiago Jucá ::

Domingo, ontem, completaram-se três anos do assassinato de Marielle Franco. Tudo parece óbvio sobre quem mandou matá-la, mas infelizmente são só “coincidências” pra justiça. No mesmo dia, o deputado federal Daniel Silveira, um dos que quebraram uma placa com o nome de Marielle, tem sua detenção aliviada pra domiciliar. É um tapa na cara de todos nós.

Esse deputado, além de ameaçar a ordem burguesa institucional da qual compactua, pois só através dessa falsa democracia representativa ele e seu “mito” podem concorrer e se eleger, é um dos colaboradores pra montar um dossiê de antifascistas organizado e divulgado na internet pelo deputado estadual paulista Douglas Garcia e entregue ao governo americano por um dos filhos do Bozo. Nesse dossiê tem nomes completos de mil pessoas com dados tipo endereço e telefone de pessoas contrárias ao governo federal, no qual me incluo.

Enquanto isso, um silêncio fúnebre ecoa pela janela, cortado apenas pelas agonizantes sirenes de ambulâncias a transportar vidas sem esperança de vagas em leito de UTI. Acordar virou uma rotina diferente, um se tocar na própria pele pra ver se amanheci vivo. Qualquer tosse ou espirro é um alerta aceso.

Nos últimos dias se foram uma ex-sogra de um primo, um tio de um amigo, uma amiga de minha mãe e um pai de uma amiga. Sem falar de um pai de um amigo, morto por outro motivo, mas depois de três dias ainda não conseguiu ser enterrado. A morte banalizou. A gente cansou até de bater panela na janela. O projeto genocida dos milicianos está dando certo. A marcha macia dos negacionistas não somente vibra, como também bloqueia o acesso aos hospitais.

O pesadelo galopa.

 

segunda-feira, 8 de março de 2021

[mandachuva] COVID OR NO COVID?

:: txt :: Tiago Jucá ::
 

O gado do Bozo negou até pouco tempo atrás o covid-19. Quando não havia mais saída, passaram a negar a vacina.
 
Agora que amigos e familiares estão internados ou morrerrendo, querem saber por que governos estaduais não investem os bilhões enviados pelo Planalto pra construir mais leitos de UTI. Tais recursos não foram tantos nem somente pra saúde. Mas gado adora fake news.
 
Não surpreende que essa gente sempre ataque as consequências de um problema mas nunca combata as causas, e assim cortar o mal pela raiz. Preferem negar do que enfrentar a realidade.
 
Comum a reclamação desse estrume social para construção de mais presídios. Jamais entendem que há diversas maneiras de diminuir a violência na sociedade através de políticas inclusivas, mais e melhores escolas, maiores salários pra professores, etc. Mas pra eles isso é papo de comunista.
 
Mais leitos agora não muda o cenário catastrófico do país. Já é tarde. Somente vacinação em massa e um amplo lockdown, que já deveriam ter sido feitos há meses, podem aliviar esse pesadelo. Até porque não adianta nada ter mais UTIs disponíveis se não há recursos humanos capacitados para trabalhar. E os dados nos mostram que mais ou menos metade dos que são intubados não voltam pra casa.
 
Esse negacionismo não é de agora. O que mudou foi a questão debatida. E o preço da ignorância está cara demais. Nunca foi por falta de nossos avisos.

 

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