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#noéspecial
Circuito cultural: Uma ideia de união de pessoas em prol de mais pão e mais circo.
txt: Zumbira
Em nosso imenso país a mídia parece se irradiar a partir do binômio Rio - São Paulo para as demais regiões do país, parece ser a infra-estrutura e o alcance, os maiores fatores que influenciam a trajetória dos artistas nascidos nesse lado talentoso e diversificado do Brasil: o Rio Grande do Sul, mas pensar no Brasil é uma coisa, e o nosso quintal como anda? Como podemos ter mais potência e alcance para desbaratar o Brasil nascendo em Porto Alegre como artista? E como tornar Porto Alegre mais receptiva e interessante para que artistas de outras partes do mundo venham aqui mostrar seu trabalho?
Conversávamos sobre a necessidade de mais espaços para apresentação de artistas, mais qualidade nos poucos espaços que existem e mais retorno, seja financeiro para viabilizar a vida artística e sua produção, seja para o dono do estabelecimento que também investe e quer retorno. E ainda tem mais a mídia envolvida na divulgação de cada evento artístico como rádios, internet, jornais, assessoria de imprensa e etc. Uma conversa que normalmente acaba numa afirmação desanimada de que a situação é difícil mesmo para o artista e para todo mundo, pois não ganham quase nada, o lucro é baixo e o apoio é pouco.
Por um lado se a internet democratizou a distribuição do trabalho artístico através de seus vários canais, a apresentação ao vivo, ou seja a concretização in loco da arte, o contato do artista com seu espectador, o momento denominado Show, como o próprio verbo em inglês significa mostrar, ainda encontra sérias dificuldades. É preciso melhor infra-estrutura para apresentações artísticas e parcerias entre as casas de shows e a mídia para que o valor cobrado pela divulgação dos eventos não inviabilize a ideia como um negócio, pois afinal precisamos de um modelo de arte sustentável neste mundo cada vez mais independente.
Porém desta vez pensamos em ir além dessa opinião inerte e perguntamos o que eu, Zumbira, como artista, Tiago Jucá, como jornalista, e outras pessoas poderíamos fazer pra esta cena melhorar, se ampliar, se integrar, ou até mesmo existir?
Desse questionamento surgiu a ideia de criar um circuito, um projeto que tivesse por objetivo a organização de eventos em diferentes espaços da cidade, mas compondo um calendário integrado. Gerando, assim, novas opções para donos de estabelecimento, artistas e público espectador, fomentando discussões e intercâmbio de ideias não só a nível local, mas se possível integrar pessoas de fora daqui que possam vir e contribuir com sua arte e experiência.
A necessidade desse maior intercâmbio é imediata, pois é bem sabido que da mesma forma que nós, como artistas, buscamos maior alcance para nossa arte em outras regiões do estado e do país, a mesma vontade existe nos artistas dessas outras regiões de virem apresentar sua arte ao exigente público de Porto Alegre. E muitas vezes nos falta infra-estrutura, divulgação e por consequência, público para estes eventos, o que acaba determinando nossas opções culturais em lugares para poucos privilegiados. Tipo grandes teatros como o do Sesi, da Fiergs ou o Stage da Pepsi, que escolhem suas opções com base no retorno que a venda de ingressos pode dar. E olha que preço de ingresso para boas atrações em Porto Alegre é bem caro.
Mas o interessante é que a ideia surge de uma necessidade prática. A revista O DILÚVIO torna sua atuação mais interessante, criando eventos culturais diferenciados, para que cada anunciante da revista pensasse que não está comprando apenas um espaço na revista para fazer sua propaganda e sim apoiando um conceito independente de organização de eventos, a fim de agregar o que temos de melhor na nossa cultura local, colocar a sua casa dentro de um calendário de eventos e atrair dessa maneira outros públicos.
A necessidade de integração entre as diversas artes, seus praticantes e espectadores. Foi pensando nisso que se começou a estruturar a ideia do circuito de eventos, que pudesse estabelecer uma agenda periódica na cidade com eventos culturais. Show, acústico, talk show, debates, mostra de vídeo, tudo misturado num caldeirão que definitivamente não é o do Huck. Enfim uma tentativa humilde e um tanto ufanista de integração cultural a fim de oferecer mais opções de qualidade ao público e mais espaço ao artista.
Então o que falta? Falta muito. Falta empresas apoiarem essa ideia, envolvimento da mídia independente, união entre artistas, até mesmo no microcosmo de juntar equipamentos para viabilizar um evento, pois as vezes se desiste de uma grande ideia por falta de pequenos recursos. E essa ideia surgiu assim como a maioria das boas ideias, com grande potencial e poucos recursos.
Agora é hora de ampliar o conceito, planejar, esquematizar, contribuir, você dono de bar, produtor de evento, dono de estúdio, gerente de rádio, de jornal, de revista, jornalista, empresário, você artista, você que coloca a cara pra bater e sente a necessidade sua e do povo de mais pão e também de muito mais circo, participe!
*Zumbira é compositor, cantor e guitarrista da banda Zumbira e os Palmares, e do projeto de reggae Grass Effect, empresário de Internet e sonhador. zumbira@gmail.com
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