#CADÊ MEU CHINELO?

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

[over12] SACI x BRUXAS: NACIONALISMO E FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

::txt::Jucazito::

Todo dia 31 de october é o mesmo mimimi nas redes sociais: que devemos festejar o saci, e não o dia das bruxas, pois isso fere nossas tradições nacionais ao alimentar uma imposição cultural americana. Vamos lembrar alguns fatos. Essa comemoração vem de longa data, antes mesmo do descobrimento da América. Sua origem é celta, não é americana. E as bruxas, é bom lembrar, foram uma das inúmeras vítimas do cristianismo, até hoje o uso do termo bruxa tem conotação perojativa.

Essas manifestações na rede trazem à tona um nacionalismo xenófabo e um fundamentalismo religioso. Não esqueçamos que as línguas originárias do Brasil deixaram de ser faladas, a não ser, claro, por pouquíssimas aldeias que resistem ao progresso, porque no Império proibiu-se de usar esses idiomas, estabelecendo-se uma lei onde obrigava-se a falar somente português. Trago essa lembraça, pois há algum tempo, um deputado do PSEUdoB queria proibir expressões estrangeiras.

Pra quem se proclama libertário sem fronteiras, aderir a esse nacionalismo e ao fundamentalismo religioso é da mais pura contradição. Assim como querer pular num pé só, pra se dizer brasileiro, mas ao mesmo tempo prefere ouvir Beatles ao invés de Luan Santana, ambos crias da indústria cultural. Porque não larga o Marlboro, o iPad, o Bob Dylan, a Heinecken e passa a consumir somente produtos nacionais? Coerência, antes de sair por aí com esse papo furado de extrema direita, xenófabo e preconceituoso.

E que as bruxas tenham seu dia lembrado de outra forma, talvez, trazendo pra luz do debate todo mal causado desde há tempos pela Igreja Católica a tudo aquilo que não está dentro do seu padrão imposto como sagrado. E, só pra provocar, hoje nasceram Dunga e Van Basten, dois renomados atletas do futebol. É claro que meu louvor fica com o holandês, muito mais craque e cidadão do que esse babaca mal humorado que tem nome de um personagem estrangeiro!

[...] MORRI

::txt::Jucazito::

morri
faz um ano
não me engano

ouvi
num abano
cão beltrano

comi
sob um pano
pão vegano

corri
de um insano
são caetano

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

[a vida como ela noé] CONFISSÕES

:: txt :: Paulo Wainberg ::

Eu confesso que não sou cem por cento uma boa pessoa. Muitas vezes, sou mau.

Eu confesso que a maioria dos meus amores não foram correspondidos, mas o que foram valeram a pena.

Eu confesso que o dinheiro nunca foi uma prioridade, e isto foi um erro.

Eu confesso que fui preguiçoso, desleixado e irresponsável, mas sempre me preocupei.

Eu confesso que quando estou escrevendo, sempre paro para jogar paciência Spider.

Eu confesso que todas as minhas paixões sempre foram proibidas.

Eu confesso que chupei bico até os oito anos, mas nunca suportei leite.

Eu confesso que tenho seis personalidades conhecidas e noventa incontroláveis.

Eu confesso que nunca confessei nada que fosse verdade.

domingo, 27 de outubro de 2013

[...] LOU  REED

:: txt :: Júlio Freitas::

O padrinho do punk se foi. Aquela pequena cena artística da qual fez parte na década de 60 tornou-se um momento revolucionário da música. Velvet Underground, Ramones, MC5, Stooges, New York Dolls, Patti Smith Group, além da Factory, de Andy Warhol, local de experimentações artísticas regadas a drogas pesadas.

Venus in Furs, tratamento de choque, cabeças em alto-falantes, shows em conveções psiquiátricas, lobotomias frontais. Hey babe, take a walk on the wild side!

"Rock & roll é tão fabuloso, as pessoas deveriam começar a morrer por ele. Você não está entendendo. A música te pôs de novo no ritmo pra que você pudesse sonhar. Uma geração inteira no embalo de um baixo Fender...

As pessoas simplesmente devem morrer pela música. As pessoas estão morrendo por tudo o mais, então por que não pela música? Morrer por ela. Não é bárbaro? Você não morreria por algo bárbaro?

Talvez eu deva morrer. Além do mais, todos os grandes cantores de blues morreram. Mas a vida está ficando melhor agora.

Não quero morrer. Quero?"

Lou Reed

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