#CADÊ MEU CHINELO?

domingo, 7 de julho de 2013

[bolo'bolo] BOLO'BOLO



   bolo’bolo é parte da (minha) segunda realidade. É estritamente subjetivo, já que a realidade dos sonhos nunca pode ser objetiva. Será bolo’bolo tudo ou nada? É ambos e nenhum. É uma viagem à Segunda realidade, como Yapfaz, Kwendolm, Takmas, e Ul-So. Lá tem muito espaço para sonhos. bolo’bolo é uma dessas irrealísticas, amorais e egoísticas manobras de divergência na batalha contra o pior.

    bolo’bolo é também uma modesta proposta para a nova arrumação da espaçonave após o desaparecimento da Máquina. Embora tenha começado como mera coleção de desejos, muitas considerações quanto à concretização deles foram se acumulando em volta. bolo’bolo pode ser realizado no mundo inteiro em cinco anos, se começarmos agora. Garante uma aterrissagem macia na Segunda realidade. Ninguém vai morrer mais cedo nem passar mais fome e frio do que agora durante o período de transição. O risco é muito pequeno.

    É claro que hoje em dia não faltam conceitos gerais sobre um civilização pós-industrial. Cresce rapidamente a literatura ecológica ou alternativista, seja sobre a erupção da era de Aquarius, mudança de paradigmas, ecotopia, novas redes de comunicação, rizomas, estruturas descentralizadas, sociedades pacifistas, a nova pobreza, círculos pequenos ou terceiras ondas. Conspirações supostamente pacifistas estão acontecendo, e a nova sociedade já está nascendo em comunidades seitas, ações populares, empresas alternativas, associações de moradores. Em todas essas publicações e experiências há um monte de idéias boas e viáveis, prontas para serem apropriadas e incorporadas ao bolo’bolo. Mas muitos desses futuros (ou futuríveis, como dizem os franceses: futuribles) são pouco apetitosos: cheiram a renúncia, moralismo, novas lutas, repensares penosos, modéstia e autolimitação. Claro que existem limites, mas por que limitar o prazer e a aventura? Por que a maioria dos alternativos fala somente sobre novas responsabilidades e quase nunca sobre novas possibilidades?

    Um dos slogans dos alternativos é: Pense globalmente, aja localmente. Por que não pensar e agir globalmente e localmente? Existem muitos conceitos e idéias novos, mas está faltando uma proposta prática global (e local), um tipo de linguagem em comum. Tem que haver alguns acordos em questões básicas para não cairmos na próxima armadilha da Máquina. Nesse sentido, a modéstia e a (acadêmica) prudência são virtudes que podem nos desarmar. Por que sermos modestos diante da ameaça de uma catástrofe?

    bolo’bolo pode não ser a proposta melhor ou mais detalhada ou naturalmente definitiva para a nova arrumação da nossa espaçonave. Mas não é tão ruim, e muita gente achou aceitável. Sou a favor de tentar primeiro e ver o que acontece depois...

sábado, 6 de julho de 2013

[do além] ON THE ROAD COM GPS

:: txt :: Jack Kerouac ::

Nunca imaginei que On The Road fosse reverberar por tantas décadas. Quando instalei na minha máquina de escrever um rolo de papel para telex de 37 metros, eu apenas buscava uma prosa solta e fluida, mais próxima ao fraseado praticado pelos jazzistas adeptos do então nascente Bebop. Eu queria distância da sintaxe tradicional e seus compromissos com pontos e vírgulas e mais proximidade do coloquialismo, das aliterações e dos sons das ruas. Mesmo que para isso fosse necessário articular frases quilométricas. Em suma, eu não cabia num Twitter. Truman Capote chegou até a me zoar, disse que o que fazia não era literatura, mas datilografia.

O fato é que On The Road, livro inspirado em viagens que fiz entre as costas Leste e Oeste dos Estados Unidos, virou um marco da contracultura e a obra que melhor representa a geração Beat. Nele, apresentei ao mundo uma nova maneira de encarar a vida e, de arrasto, outro conjunto de valores. Dá pra dizer, sem forçar a barra, que naquelas páginas já estavam impressas as bases do movimento hippie. Sem contar na influência direta em artistas do calibre de Bob Dylan, Jim Morrison e Hunter Thompson. Não lembro de nenhum outro livro tão decisivo para o século XX. Talvez o Só É Gordo Quem Quer, best seller dos anos 80 que traumatizou milhares de obesos brasileiros, expondo sua falta de vontade de emagrecer.

Não quero aqui exaltar meus êxitos. Retomei o assunto porque, dia desses, enquanto navegava pela internet, me dei conta de que On The Road jamais seria escrito nos dias que correm. Simplesmente pelo fato de que, hoje, quando as pessoas chegam de viagem, elas não têm mais nada pra contar. Já postaram tudo que lhes aconteceu no Facebook, durante o deslocamento. E o fazem generosamente com fotos, vídeos e textos. Escrevi On The Road em 1951, mas só consegui quem o publicasse em 1957. Eu mesmo não aguentaria tanto tempo sem divulgar as histórias extraordinárias e ordinárias que acumulei na estrada.

O problema é que a narrativa do Facebook é tudo, menos fluida. Você, se me aceitasse como amigo, leria, vez ou outra, coisas do tipo: roubei um Cadillac, tomei dois litros de uísque e transei com a mulher do meu amigo, numa linha de trem. Lou Reed e outras três pessoas curtiram isso. E logo abaixo veria as fotos de um casamento de algum desconhecido que apareceu no seu mural porque outro conhecido que você desconhece foi marcado nelas. O que me leva a concluir que as redes sociais são contra a contracultura.

Outro obstáculo adicional para que On the Road surgisse na era digital seria a dificuldade de se perder. Cá pra nós, é impossível vagar por aí ao sabor do vento, posar de andarilho, sem meta, objetivo, porto ou linha de chegada com uma voz impessoal e robótica a lhe dizer: chegando ao seu destino. 


segunda-feira, 1 de julho de 2013

[butinaços] A GOTA D'ÁGUA

:: psy :: Júlio Freitas ::

É tanto chove e não molha
e tanta vida seca
É tanta tripa de fora
e tanta trégua desfeita

É tanta pouca vitória
e tanta coisa malfeita
É tanta briga irrisória
e tanta escassa colheita

É tanta falsa história
e tanta mala suspeita
É tanta crença ilusória
e tanto "dispa-se e deita"

É tanto chove e não molha
e tanta vida seca
É tanta tripa de fora
e tanta trégua desfeita.

#ALGUNS DIREITOS RESERVADOS

Você pode:

  • Remixar — criar obras derivadas.

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